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OS ANÉIS DAS ÁRVORES PODEM CONTER PISTAS DO IMPACTO DE SUPERNOVAS DISTANTES NA TERRA
13 de novembro de 2020

 


O remanescente de uma supernova na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã situada perto da Via Láctea.
Crédito: NASA/ESA/HEIC e Equipa do Legado Hubble

 

De acordo com uma nova investigação do geocientista Robert Brakenridge da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, explosões massivas de energia, a milhares de anos-luz da Terra, podem ter deixado vestígios na biologia e geologia do nosso planeta.

O estudo, publicado este mês na revista International Journal of Astrobiology, investiga os impactos das supernovas, alguns dos eventos mais violentos do Universo conhecido. Em apenas alguns meses, uma única destas erupções pode libertar tanta energia quanto o Sol durante toda a sua vida. São também brilhantes - muito brilhantes.

"Vemos muitas supernovas noutras galáxias," disse Brakenridge, investigador associado sénior do INSTAAR (Institute of Arctic and Alpine Research) na Universidade do Colorado, em Boulder. "Através de um telescópio, uma galáxia é uma pequena mancha difusa. Então, de repente, aparece uma estrela e pode ser tão brilhante quanto o resto da galáxia."

Uma supernova muito próxima pode ser capaz de varrer a civilização humana da face da Terra. Mas mesmo de longe, estas explosões podem ainda provocar danos, disse Brakenridge, banhando o nosso planeta em radiação perigosa e danificando a camada protetora de ozono.

Para estudar estes possíveis impactos, Brakenridge estudou registos de anéis de árvores em busca das impressões digitais destas distantes explosões cósmicas. Os seus achados sugerem que as supernovas relativamente próximas podem, teoricamente, ter provocado pelo menos quatro perturbações no clima da Terra ao longo dos últimos 40.000 anos.

Os resultados estão longe de ser conclusivos, mas fornecem dicas tentadoras de que, quando se trata da estabilidade da vida na Terra, o que acontece no espaço nem sempre fica no espaço.

"Estes são eventos extremos, e os seus potenciais efeitos parecem corresponder aos registos dos anéis de árvores," disse Brakenridge.

Picos de radiocarbono

A sua investigação gira em torno do caso de um átomo curioso. Brakenridge explicou que o carbono-14, também conhecido como radiocarbono, é um isótopo do carbono que ocorre apenas em pequenas quantidades na Terra. Também não é daqui. O radiocarbono é formado quando os raios cósmicos do espaço bombardeiam a atmosfera do nosso planeta num ritmo quase constante.

"Geralmente há uma quantidade constante ano após ano," disse Brakenridge. "As árvores captam dióxido de carbono e parte desse carbono será radiocarbono."

No entanto, às vezes a quantidade de radiocarbono que as árvores recolhem não é constante. Os cientistas descobriram um punhado de casos em que a concentração deste isótopo nos anéis das árvores aumentou - subitamente e sem razão terrestre aparente. Muitos cientistas levantaram a hipótese de que estes picos de vários anos podem ser provocados por explosões solares ou enormes libertações de energia da superfície do Sol.

Brakenridge e vários outros cientistas focaram-se em eventos muito mais distantes.

"Estamos a ver eventos terrestres que imploram por uma explicação," disse Brakenridge. "Na verdade, existem apenas duas possibilidades: uma proeminência solar ou uma supernova. Acho que a hipótese de supernova foi descartada muito depressa."

Cuidado com Betelgeuse

Ele observou que os cientistas registaram supernovas noutras galáxias que podem ter produzido uma quantidade estupenda de radiação gama - o mesmo tipo de radiação que pode desencadear a formação de átomos de radiocarbono na Terra. Embora estes isótopos não sejam propriamente perigosos, um pico nos seus níveis pode indicar que a energia de uma supernova distante viajou centenas ou milhares de anos-luz até ao nosso planeta.

Para testar esta hipótese, Brakenridge voltou-se para o passado. Ele reuniu uma lista de supernovas que ocorreram relativamente perto da Terra ao longo dos últimos 40.000 anos. Os cientistas podem estudar estes eventos observando as nebulosas que deixam para trás. Ele então comparou as idades estimadas destes fogos-de-artifício galácticos com o registo de anéis de árvores no solo.

Descobriu que das oito supernovas mais próximas estudadas, todas pareciam estar associadas a picos inexplicáveis no registo de radiocarbono na Terra. Ele considera quatro delas candidatos especialmente promissores. Veja-se o caso de uma ex-estrela na constelação de Vela. Este corpo celeste, que no passado esteve a cerca de 815 anos-luz da Terra, tornou-se uma supernova há cerca de 13.000 anos. Não muito depois, os níveis de radiocarbono aumentaram quase 3% na Terra - um aumento impressionante.

Estas evidências estão longe de serem irrefutáveis. Os cientistas ainda têm problemas em datar as supernovas do passado, tornando incerto o momento da explosão de Vela e com um erro de até 1500 anos. Também não está claro quais foram os impactos de tal perturbação nas plantas e animais da Terra nessa época. Mas Brakenridge pensa que a questão merece mais investigações.

"O que me faz continuar é quando olho para o registo terrestre e digo, 'Meu Deus, os efeitos previstos e modelados parecem estar lá.'"

Ele espera que a humanidade não precise de ver esses efeitos por si mesma tão cedo. Alguns astrónomos pensam que avistaram sinais de que Betelgeuse, uma estrela gigante vermelha na constelação de Orionte, pode estar à beira de entrar em colapso e de se transformar em supernova. E só está a 642,5 anos-luz da Terra, muito mais perto do que a supernova de Vela.

"Há que ter esperanças em que isso não esteja prestes a acontecer, porque Betelgeuse está muito perto," disse.

 


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Uma bolha de gás que se expande a aproximadamente 17,7 milhões de quilómetros por hora criada pela onda de choque de uma supernova.
Crédito: NASA


// Universidade do Colorado, Boulder (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (International Journal of Astrobiology)

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