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A MELHOR REGIÃO PARA A VIDA EM MARTE ERA BEM ABAIXO DA SUPERFÍCIE
25 de dezembro de 2020

 


Uma imagem a cores falsas, verticalmente exagerada, de um canal escavado por água em Marte chamado Dao Vallis.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin; Renderização 3D e cor por Lujendra Ojha

 

A região mais habitável para a vida em Marte teria sido até vários quilómetros abaixo da sua superfície, provavelmente devido ao derretimento subsuperficial de espessas camadas de gelo alimentadas pelo calor geotérmico, concluiu um estudo liderado pela Universidade de Rutgers.

O estudo, publicado na revista Science Advances, pode ajudar a resolver o que é conhecido como paradoxo do Sol fraco e jovem - uma questão-chave pertinente na ciência de Marte.

"Mesmo que gases de efeito de estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, sejam 'bombeados' para a atmosfera marciana primitiva em simulações de computador, os modelos climáticos ainda lutam para sustentar um Marte quente e húmido a longo prazo," disse o autor Lujendra Ojha, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Escola de Artes e Ciências da Universidade de Rutgers - New Brunsiwck. "Eu e os meus coautores propomos que o paradoxo do Sol fraco e jovem pode ser reconciliado, pelo menos em parte, caso Marte tenha tido alto calor geotérmico no seu passado."

O nosso Sol é um enorme reator de fusão nuclear que gera energia pela fusão do hidrogénio em hélio. Com o tempo, o Sol aumentou gradualmente de brilho e aqueceu a superfície dos planetas no nosso Sistema Solar. Há cerca de 4 mil milhões de anos, o Sol era muito mais fraco, de modo que o clima primitivo de Marte devia ser ainda mais gelado. No entanto, a superfície de Marte tem muitos indicadores geológicos, como antigos leitos de rios, e indicadores químicos, como minerais relacionados com a água, que sugerem que o Planeta Vermelho teve água líquida abundante há 4,1-3,7 mil milhões de anos (a era Noachian). Esta aparente contradição entre o registo geológico e os modelos climáticos é o paradoxo do Sol fraco e jovem.

Em planetas rochosos como Marte, a Terra, Vénus e Mercúrio, elementos produtores de calor como urânio, tório e potássio geram calor por meio de decaimento radioativo. Nesse cenário, a água líquida pode ser gerada através do derretimento no fundo de espessas camadas de gelo, mesmo quando o Sol era mais fraco do que agora. Na Terra, por exemplo, o calor geotérmico forma lagos substanciais em áreas do manto gelado da Antártica Ocidental, Gronelândia e Ártico Canadiano. É provável que um derretimento semelhante possa ajudar a explicar a presença de água líquida no frio e gelado Marte há 4 mil milhões de anos.

Os cientistas examinaram vários conjuntos de dados de Marte para ver se o aquecimento via calor geotérmico teria sido possível na era Noachian. Eles mostraram que as condições necessárias para o derretimento subterrâneo seriam omnipresentes no antigo marte. Mesmo se Marte tivesse um clima quente e húmido há 4 mil milhões de anos, com a perda do campo magnético, a diminuição da espessura atmosférica e a subsequente queda nas temperaturas globais ao longo do tempo, a água líquida pode ter permanecido estável apenas a grandes profundidades. Portanto a vida, se é que alguma vez existiu em Marte, pode ter seguido a água líquida até profundidades progressivamente maiores.

"A estas profundidades, a vida pode ter sido sustentada por atividade hidrotermal (aquecimento) e por reações rocha-água," disse Ojha. "Portanto, a subsuperfície pode representar o ambiente habitável de vida mais longa em Marte."

De acordo com Ojha, o módulo InSight da NASA pousou em 2018 e pode permitir que os cientistas avaliam melhor o papel do calor geotérmico na habitabilidade de Marte durante a era Noachian.

 


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// Universidade de Rutgers (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

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