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O EVENTUAL DESTINO DO NOSSO SISTEMA SOLAR
4 de dezembro de 2020

 


Impressão de artista da fronteira do Sistema Solar.
Crédito: NASA, ESA, G. Bacon (STScI)

 

Que pensamentos o(a) mantêm acordado(a) à noite? Se forem questões sobre o fim do nosso Sistema Solar... bem, realmente concentra-se no quadro geral! Mas alguns cientistas ponderaram a mesma coisa, e têm uma resposta: parte será engolido e o resto provavelmente vai desintegrar-se.

Depois do Sol envelhecer

O estudo do provável destino do nosso Sistema Solar é das "demandas mais antigas da astrofísica, que remonta ao próprio Newton," segundo o início de uma recente publicação por Jon Zink (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Embora a tradição seja longa, este campo é complicado: resolver as interações dinâmicas entre muitos corpos é um problema notoriamente difícil.

Além do mais, não é apenas a dinâmica de objetos imutáveis que precisa ser tida em conta. O Sol vai evoluir dramaticamente à medida que envelhece para fora da sequência principal, aumentando de tamanho até envolver as órbitas de Mercúrio, de Vénus e da Terra e perdendo quase metade da sua massa durante os próximos 7 mil milhões de anos.

Os planetas exteriores vão sobreviver a esta evolução, mas não escaparão ilesos: uma vez que a atração gravitacional da massa do Sol é o que governa as órbitas dos planetas, a perda de massa do nosso Sol fará com que os planetas exteriores se afastem ainda mais, enfraquecendo as suas "amarras" ao nosso Sistema Solar.

O que acontece depois? Zink e colaboradores deixaram a correr este cenário usando uma série de simulações.

O final do Sistema Solar

As simulações dos autores exploram o que acontecerá aos nossos planetas exteriores depois do Sol consumir os planetas interiores, perder metade da sua massa e começar a sua nova vida como uma anã branca. Zink e colaboradores mostram como os planetas gigantes vão migrar para fora em resposta à perda de massa do Sol, formando uma configuração estável na qual Júpiter e Saturno assentam-se numa ressonância de 5:2 - Júpiter completará cinco órbitas para cada duas órbitas de Saturno.

Mas o nosso Sistema Solar não está isolado; existem outras estrelas na Galáxia e uma delas passa perto de nós aproximadamente a cada 20 milhões de anos. Zink e colaboradores incluem os efeitos destas outras estrelas nas suas simulações. Eles demonstram que dentro de mais ou menos 30 mil milhões de anos, as passagens estelares terão perturbado os nossos planetas exteriores o suficiente para que a configuração estável se torne caótica, lançando velozmente a maioria dos planetas gigantes para fora do Sistema Solar.

O último planeta existente permanecerá por mais algum tempo. Mas, daqui a 100 mil milhões de anos, até este planeta remanescente também será desestabilizado por "flybys" estelares e expulso do Sistema Solar. Após a sua expulsão, os planetas gigantes irão vaguear independentemente pela Galáxia, juntando-se à população de planetas "flutuantes", planetas sem hospedeiras estelares.

De modo que o nosso destino é sombrio: a combinação da perda de massa solar e as passagens rasantes de outras estrelas levará à dissolução completa do Sistema Solar, segundo estas simulações. As boas notícias? Este destino está muitos milhares de milhões de anos no futuro - assim sendo, não perca sono por causa disto.

 


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À medida que o Sol evolui, tornar-se-á numa estrela gigante vermelha, crescendo em tamanho até englobar os planetas interiores.
Crédito: Roen Kelly


Este gráfico mostra quando cada planeta exterior será expelido do Sistema Solar nas 10 simulações dos autores (representadas por cores diferentes).
Crédito: Zink et al. 2020


// Sociedade Astronómica Americana (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
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