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HUBBLE CELEBRA 31 ANOS COM ESTRELA GIGANTE À BEIRA DA DESTRUIÇÃO
27 de abril de 2021

 


Em celebração ao 31.º aniversário do lançamento do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos apontaram o famoso observatório para uma das estrelas mais "célebres" já vistas na nossa Galáxia, rodeada por um halo brilhante de gás e poeira.
Crédito: NASA, ESA, STScI

 

Em celebração ao 31.º aniversário do lançamento do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos apontaram o observatório para uma das estrelas mais brilhantes já vistas na nossa Galáxia a fim de capturar a sua beleza.

A estrela gigante apresentada nesta última imagem de aniversário do Telescópio Espacial Hubble está a travar um jogo da corda entre a gravidade e a radiação para evitar a autodestruição. A estrela, de nome AG Carinae, é cercada por uma camada em expansão de gás e poeira - uma nebulosa - que é moldada pelos poderosos ventos da estrela. A nebulosa tem cerca de cinco anos-luz de diâmetro, pouco mais do que a distância até à estrela Alpha Centauri.

A enorme estrutura foi criada a partir de uma ou mais erupções gigantes há vários milhares de anos. As camadas externas da estrela foram lançadas para o espaço, o material expelido totalizando cerca de 10 vezes a massa do nosso Sol. Estes surtos são típicos na vida de uma classe estelar rara chamada LBV (Luminous Blue Variable, em português Variável Azul Luminosa), uma breve e instável fase na curta vida de uma estrela ultrabrilhante e glamorosa que vive rápido e morre jovem. Estas estrelas estão entre as mais massivas e brilhantes conhecidas. Vivem apenas alguns milhões de anos, em comparação com a vida de aproximadamente 10 mil milhões de anos do nosso próprio Sol. AG Carinae tem alguns milhões de anos e reside a 20.000 anos-luz de distância. A vida útil esperada da estrela é entre 5 e 6 milhões de anos.

As LBVs têm dupla personalidade. Parecem passar anos numa espécie de leve repouso e depois irrompem em surtos petulantes, durante os quais a sua luminosidade aumenta - às vezes várias ordens de magnitude. Estas gigantes são estrelas extremas, muito diferentes de estrelas normais como o nosso Sol. Na verdade, estima-se que AG Carinae tenha até 70 vezes mais massa do que o nosso Sol e que tenha um brilho equivalente a 1 milhão de sóis.

As grandes explosões, como a que produziu a nebulosa apresentada na imagem, ocorrem algumas vezes durante a vida de uma LBV. Uma estrela LBV apenas lança material quando está em perigo de autodestruição. Por causa das suas formas massivas e temperaturas superquentes, as estrelas variáveis azuis luminosas como AG Carinae estão numa batalha constante para manter a estabilidade. É uma contenda entre a pressão da radiação de dentro da estrela que empurra para fora e a gravidade que pressiona para dentro. Esta competição de braço de ferro resulta na expansão e contração da estrela. A pressão externa ocasionalmente vence a batalha, e a estrela expande-se a um tamanho tão grande que "sopra" as suas camadas exteriores, como um vulcão em erupção. Mas este surto só acontece quando a estrela está prestes a desintegrar-se. Depois da estrela ejetar o material, contrai ao seu tamanho normal (grande), assenta e torna-se estável novamente.

As estrelas LBV são raras: conhecem-se menos de 50 entre o nosso Grupo Local de galáxias vizinhas. Estas estrelas passam dezenas de milhares de anos nesta fase, um piscar de olhos no tempo cósmico. Espera-se que algumas terminem as suas vidas em titânicas explosões de supernova, que enriquecem o Universo com os elementos mais pesados para lá do ferro.

Tal como muitas outras LBVs, AG Carinae permanece instável. Já passou por várias erupções mais pequenas que não foram tão poderosas quanto aquela que criou a presente nebulosa. Embora AG Carinae esteja agora semiquiescente, a sua radiação escaldante e o seu poderoso vento estelar (fluxo de partículas carregadas) têm moldado a nebulosa antiga, esculpindo estruturas intricadas enquanto o gás em fuga colide com a nebulosa externa mais lenta. O vento está a viajar a até 1 milhão de quilómetros por hora, cerca de 10 vezes mais depressa do que a nebulosa em expansão. Com o tempo, o vento quente alcança o material expelido mais frio, penetra-o e empurra-o para longe da estrela. Este efeito "limpa-neves" limpou uma cavidade em torno da estrela.

O material avermelhado é o gás hidrogénio misturado com o gás azoto. O material vermelho difuso no canto superior esquerdo aponta onde o vento quebrou uma região ténue de material e o varreu para o espaço. As características mais proeminentes, destacadas a azul, são estruturas filamentares em forma de girinos e bolhas assimétricas. Estas estruturas são aglomerados de poeira iluminados pela luz da estrela. As características em forma de girino, mais proeminentes à esquerda e na parte inferior, são aglomerados mais densos de poeira que foram esculpidos pelo vento estelar. A visão nítida do Hubble revela estas estruturas de aparência delicada em grande detalhe.

A imagem foi obtida no visível e no ultravioleta. O Hubble é ideal para observações no ultravioleta porque esta gama de comprimentos de onda só pode ser vista do espaço.

 

 


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// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Space Sparks ep. 3 (HubbleESA via YouTube)

Saiba mais

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AG Carinae:
Wikipedia

Estrelas LBV:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
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