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CIENTISTAS MODELAM O INTERIOR DE SATURNO
7 de maio de 2021

 


O campo magnético de Saturno visto à superfície.
Crédito: Ankit Barik/Universidade Johns Hopkins

 

Novas simulações fornecem uma visão intrigante do interior de Saturno, sugerindo que uma espessa camada de chuva de hélio influencia o campo magnético do planeta.

Os modelos, publicados esta semana na revista AGU Advances, também indicam que o interior de Saturno pode ser mais quente na região equatorial, com temperaturas mais baixas nas altas latitudes no topo da camada de chuva de hélio.

É notoriamente difícil estudar as estruturas internas dos grandes planetas gasosos, e as descobertas avançam o esforço de mapear as regiões ocultas de Saturno.

"Ao estudar como Saturno se formou e como evoluiu ao longo do tempo, podemos aprender muito sobre a formação de outros planetas parecidos com Saturno no nosso próprio Sistema Solar, bem como para lá dele," disse a coautora do estudo Sabine Stanley, física planetária da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.

Saturno destaca-se entre os planetas no nosso Sistema Solar porque o seu campo magnético parece ser quase perfeitamente simétrico em torno do eixo de rotação. Medições detalhadas do campo magnético recolhidas durante as duas últimas órbitas da missão Cassini da NASA forneceram uma oportunidade para entender melhor o interior profundo do planeta, onde o campo magnético é gerado, disse Chi Yan, candidata a doutoramento na mesma universidade.

Ao colocar dados recolhidos pela missão Cassini em poderosas simulações de computador semelhantes às usadas para estudar a meteorologia e o clima, Yan e Stanley exploraram quais os ingredientes necessários para produzir o dínamo - o mecanismo de conversão eletromagnética - que poderia ser responsável pelo campo magnético de Saturno.

"Uma coisa que descobrimos foi o quão sensível o modelo era a coisas muito específicas, como temperatura," disse Stanley. "E isso significa que temos uma maneira muito interessante de analisar o interior profundo de Saturno até 20.000 quilómetros de profundidade. É uma espécie de visão em raios-X."

Surpreendentemente, as simulações de Yan e Stanley sugerem que um ligeiro grau de simetria não axial poderia na verdade existir perto dos polos norte e sul de Saturno.

"Embora as observações que temos de Saturno pareçam perfeitamente simétricas, nas nossas simulações de computador podemos interrogar totalmente o campo", disse Stanley.

Seria necessária uma observação direta para confirmar tal ideia, mas a descoberta pode ter implicações para a compreensão de outro planeta que incomoda os cientistas há décadas: como medir a rotação de Saturno ou, por outras palavras, a duração de um dia no planeta.

 


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O interior de Saturno com uma camada insolúvel de hélio, estratificada de forma estável.
Crédito: Yi Zheng (HEMI/Programa de Artes MICA)


// Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (AGU Advances)

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ScienceDaily
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Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
NASA
Wikipedia

 
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