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ASTRÓNOMOS DESCOBREM MAIS DE 300 NOVOS POSSÍVEIS EXOPLANETAS
26 de novembro de 2021

 


Investigadores identificaram 366 novos exoplanetas usando dados do Telescópio Espacial Kepler, incluindo 18 sistemas planetários parecidos ao aqui ilustrado, Kepler-444, que tinha sido identificado anteriormente pelo telescópio.
Crédito: Tiago Campante/Peter Devine via NASA

 

Astrónomos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) identificaram 366 novos exoplanetas, em grande parte graças a um algoritmo aí desenvolvido. Entre as suas descobertas mais notáveis está um sistema planetário que compreende uma estrela e pelo menos dois planetas gigantes gasosos, cada um com aproximadamente o tamanho de Saturno e localizados excecionalmente perto um do outro.

As descobertas estão descritas num artigo publicado na revista The Astronomical Journal.

O termo "exoplanetas" é usado para descrever planetas para lá do nosso Sistema Solar. O número de exoplanetas identificados pelos astrónomos totaliza menos de 5000, de modo que a identificação de novas centenas é um avanço significativo. O estudo de um novo grupo tão grande de corpos pode ajudar os cientistas a melhor entender como os planetas se formam e como as órbitas evoluem, e pode fornecer novas informações sobre o quão invulgar é o nosso Sistema Solar.

"Descobrir centenas de novos exoplanetas é uma conquista significativa por si só, mas o que diferencia este trabalho é como vai iluminar características da população exoplanetária como um todo," disse Erik Petigura, professor de astronomia na UCLA e coautor da investigação.

O autor principal do artigo é Jon Zink, que obteve o seu doutoramento em junho e atualmente é bolsista de pós-doutoramento. Ele e Petigura, bem como uma equipa internacional de astrónomos chamada projeto "Scaling K2", identificaram os exoplanetas usando dados da missão K2 do Telescópio Espacial Kepler da NASA.

A descoberta foi possível graças a um novo algoritmo de deteção de planetas desenvolvido por Zink. Um desafio na identificação de novos planetas é que as reduções no brilho estelar podem ter origem no instrumento ou de uma fonte astrofísica alternativa que imita uma assinatura planetária. Descobrir o que é o quê requer investigações extra, o que tradicionalmente é extremamente demorado e só pode ser realizado por meio de inspeção visual. O algoritmo de Zink é capaz de separar quais os sinais que indicam exoplanetas e quais os que são meramente ruído.

"O catálogo e o algoritmo de deteção de planetas que Jon e a equipa do Scaling K2 criaram é um grande avanço na compreensão da população de planetas," disse Petigura. "Não tenho dúvidas que irão aprimorar a nossa compreensão dos processos físicos pelos quais os planetas se formam e evoluem."

A missão original do Kepler teve um fim inesperado em 2013, quando uma falha mecânica deixou a espaçonave incapaz de apontar com precisão para uma região do céu que vinha a observar há anos.

Mas os astrónomos redirecionaram o telescópio para uma nova missão conhecida como K2, cujo objetivo era identificar exoplanetas em torno de estrelas distantes. Os dados do K2 estão a ajudar os cientistas a entender como a localização das estrelas na Galáxia influencia que tipo de planetas são capazes de se formar ao seu redor. Infelizmente, o software usado pela missão Kepler original, para identificar possíveis planetas, era incapaz de lidar com as complexidades da missão K2, incluindo a capacidade de determinar o tamanho dos planetas e a sua localização em relação à estrela.

O trabalho anterior de Zink e colaboradores introduziu o primeiro "pipeline" totalmente automatizado para a missão K2, com software para identificar planetas prováveis nos dados processados.

Para o novo estudo, os investigadores usaram o novo software para analisar todo o conjunto de dados da missão K2 - cerca de 500 terabytes de dados que abrangem mais de 800 milhões de imagens de estrelas - para criar um "catálogo" que em breve será incorporado ao arquivo exoplanetário principal da NASA. Os investigadores usaram o supercomputador Hoffman2 da UCLA para processar os dados.

Além dos 366 novos planetas identificados pelos investigadores, o catálogo lista 381 outros planetas que já tinham sido identificados anteriormente.

Zink disse que as descobertas podem ser um passo significativo para ajudar os astrónomos a entender quais os tipos de estrelas que são mais prováveis de ter planetas em órbita e o que isso indica sobre os blocos de construção necessários para uma formação planetária bem-sucedida.

"Precisamos de olhar para uma gama ampla de estrelas, não apenas aquelas como o nosso Sol, para entender isso," explicou.

A descoberta do sistema planetário com dois planetas gigantes também foi significativa porque é raro encontrar gigantes gasosos - como Saturno no nosso próprio Sistema Solar - tão perto da sua estrela hospedeira quanto estavam neste caso. Os investigadores ainda não conseguem explicá-los, mas Zink disse que isso torna a descoberta especialmente útil porque pode ajudar os cientistas a formar uma compreensão mais precisa dos parâmetros de como os planetas e sistemas planetários se desenvolvem.

"A descoberta de cada novo mundo fornece um vislumbre único da física que desempenha um papel na formação planetária," concluiu.

 


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// UCLA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

Hoffman 2:
UCLA

 
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