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A "LAREIRA" DE ORIONTE: ESO DIVULGA NOVA IMAGEM DA NEBULOSA DA CHAMA
7 de janeiro de 2022

 


Não deixe que a imagem e o nome do objecto cósmico representado o enganem! O que se vê nesta imagem não é um incêndio, mas sim a Nebulosa da Chama e os seus arredores capturados no rádio.
A Nebulosa da Chama é a grande característica na metade esquerda do rectângulo central amarelo. A característica mais pequena à direita é a nebulosa de reflexão NGC 2023. Na parte superior direita de NGC 2023, a icónica Nebulosa Cabeça de Cavalo parece emergir heroicamente das "chamas". Os três objectos fazem parte da nuvem de Orionte, uma estrutura de gás gigante localizada entre 1300 e 1600 anos-luz de distância.
As diferentes cores indicam a velocidade do gás. A Nebulosa da Chama e os seus arredores afastam-se de nós, com as nuvens vermelhas no fundo a recuar mais rapidamente do que as amarelas em primeiro plano.
A imagem no rectângulo é baseada em observações realizadas com o instrumento SuperCam no APEX operado pelo ESO no Planalto Chajnantor do Chile. A imagem de fundo foi obtida no infravermelho com o VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO no Observatório Paranal do Chile.
Crédito: ESO/Th. Stanke & ESO/J. Emerson/VISTA. Reconhecimento: Unidade de Pesquisa Astronómica de Cambridge

 

Orionte oferece-nos um espetacular fogo-de-artifício para celebrar a Quadra Festiva e o Ano Novo que já começou, nesta nova imagem do ESO. Não há, no entanto, motivo para preocupações, já que esta constelação icónica não está nem a arder nem a explodir. O "fogo" que vemos neste postal trata-se da Nebulosa da Chama e seus arredores, capturada no rádio — uma imagem que faz, de facto, justiça ao nome desta nebulosa! A imagem foi obtida com o APEX (Atacama Pathfinder Experiment), operado pelo ESO e instalado no planalto de Chajnantor, no deserto chileno do Atacama.

A imagem recentemente processada da Nebulosa da Chama, onde podemos ver também nebulosas mais pequenas, tais como a Nebulosa da Cabeça de Cavalo, baseia-se em observações levadas a cabo pelo antigo astrónomo do ESO Thomas Stanke e a sua equipa há alguns anos atrás. Entusiasmados em experimentar o, então recentemente instalado, instrumento SuperCam no APEX, os investigadores apontaram o telescópio em direção à constelação de Orionte. "Como os astrónomos gostam de dizer, sempre que há um novo telescópio ou instrumento disponível, observamos Orionte onde há sempre algo novo e interessante a descobrir!" diz Stanke. Alguns anos e muitas observações depois, Stanke e a sua equipa vêem agora os seus resultados serem aceites para publicação na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

Uma das regiões mais famosas do céu, Orionte alberga as nuvens moleculares gigantes mais próximas do Sol — vastos objetos cósmicos compostos essencialmente por hidrogénio, onde se formam novas estrelas e planetas. Estas nuvens situam-se a uma distância de nós que varia entre 1300 e 1600 anos-luz e comportam a maternidade estelar mais ativa que existe na vizinhança do Sistema Solar, para além da Nebulosa da Chama que vemos na imagem. Esta nebulosa de "emissão" acolhe no seu centro um enxame de estrelas jovens que emite radiação de alta energia, o que faz com que os gases que o rodeiam resplandeçam.

Com tal alvo, a equipa dificilmente ficaria desapontada. Para além da Nebulosa da Chama e seus arredores, Stanke e colaboradores conseguiram também observar uma grande variedade de outros objetos cósmicos. Alguns exemplos incluem: as nebulosas de reflexão Messier 78 e NGC 2071 — nuvens de gás e poeira interestelar que refletem a radiação emitida por estrelas próximas. A equipa descobriu inclusivamente uma nova nebulosa, um pequeno objeto notável na sua forma quase perfeitamente circular, ao qual foi dado o nome de Nebulosa da Vaca.

As observações foram levadas a cabo no âmbito do rastreio ALCOHOLS (APEX Large CO Heterodyne Orion Legacy Survey), que observou as ondas rádio emitidas pelo monóxido de carbono, CO, nas nuvens de Orionte. Usar esta molécula para investigar grandes áreas do céu é o objetivo principal do SuperCam, já que este instrumento permite aos astrónomos mapear enormes nuvens de gás onde se formam novas estrelas. Ao contrário do que o "fogo" desta imagem possa sugerir, estas nuvens são, na realidade, frias, com temperaturas típicas de apenas alguns graus acima do zero absoluto.

Dada a quantidade de segredos que nos desvenda, esta região do céu tem sido observada muitas vezes em diferentes comprimentos de onda, com cada domínio de comprimentos de onda a revelar-nos estruturas diferentes e únicas das nuvens moleculares de Orionte. Como exemplo temos as observações infravermelhas levadas a cabo pelo VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO no Observatório do Paranal no Chile, que compõem o fundo calmo desta imagem da Nebulosa da Chama e seus arredores. Ao contrário da radiação visível, as ondas infravermelhas passam através das nuvens espessas de poeira interestelar, permitindo aos astrónomos descobrir estrelas e outros objetos que, doutro modo, permaneceriam escondidos.

 

 

 


A Nebulosa da Chama, capturada no rádio nesta imagem, é a grande característica na metade esquerda do rectângulo central, amarelo. A característica mais pequena à direita é a nebulosa de reflexão NGC 2023. Na parte superior direita de NGC 2023, a icónica Nebulosa Cabeça de Cavalo parece emergir heroicamente das "chamas". Os três objectos fazem parte da nuvem de Orionte, uma estrutura de gás gigante localizada entre 1300 e 1600 anos-luz de distância.
As diferentes cores indicam a velocidade do gás. A Nebulosa da Chama e os seus arredores estão a afastar-se de nós, com as nuvens vermelhas no fundo a recuar mais rapidamente do que as amarelas em primeiro plano.
A imagem no rectângulo é baseada em observações realizadas com o instrumento SuperCam no APEX operado pelo ESO no Planalto Chajnantor do Chile. A imagem de fundo foi criada a partir de fotografias em no visível que fazem parte do DSS2 (Digitized Sky Survey 2).
Crédito: ESO/Th. Stanke & ESO/DSS2. Reconhecimento: Davide De Martin


// ESO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

Nebulosa da Chama (NGC 2024):
Wikipedia

Nebulosa Cabeça de Cavalo:
Wikipedia

Nebulosa de Orionte (M42):
SEDS
Wikipedia

M78:
SEDS
Wikipedia

NGC 2071:
Wikipedia

APEX:
ESO
Wikipedia

 
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