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Astrónomos detetam a explosão de rádio rápida mais distante encontrada até à data
24 de outubro de 2023
 

Esta imagem artística (que não se encontra à escala) ilustra o percurso da explosão de rádio rápida FRB 20220610A, desde a galáxia distante onde teve origem até à Terra, num dos braços em espiral da Via Láctea. A galáxia fonte de FRB 20220610A, localizada graças ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, parece fazer parte de um pequeno grupo de galáxias em interação. Esta galáxia está tão longe de nós que a sua luz demorou 8 mil milhões de anos a chegar à Terra, o que faz de FRB 20220610A a explosão de rádio rápida mais distante encontrada até à data.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
 
     
 
 
 

Uma equipa internacional de astrónomos detetou uma explosão de ondas rádio cósmicas remota que durou menos de um milissegundo. Esta FRB (Fast Radio Burst, em português "explosão de rádio rápida") é a mais distante descoberta até à data. A sua fonte foi localizada pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO numa galáxia tão distante que a sua luz demorou 8 mil milhões de anos a chegar até nós. Esta explosão é também uma das mais energéticas alguma vez observada; numa pequena fração de segundo foi libertado o equivalente à emissão total do nosso Sol em 30 anos.

A descoberta da explosão, denominada FRB 20220610A, foi feita em junho do ano passado pelo radiotelescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) na Austrália e bateu o anterior recorde de distância da equipa em 50%.

"Usando a rede de antenas parabólicas do ASKAP, conseguimos determinar com precisão de onde veio a explosão", disse Stuart Ryder, astrónomo da Universidade Macquarie, na Austrália, e coautor principal do estudo publicado na revista Science. "Depois usámos [o VLT do ESO], no Chile, para procurar a galáxia de origem, descobrindo que esta é mais antiga e mais distante do que qualquer outra fonte de FRB encontrada até à data e que, provavelmente, faz parte de um pequeno grupo de galáxias."

A descoberta confirma que as FRBs podem ser usadas para medir a matéria "em falta" entre as galáxias, dando-nos assim uma nova forma de "pesar" o Universo.

Os atuais métodos para estimar a massa do Universo estão a dar respostas contraditórias e a pôr em causa o modelo padrão da cosmologia. "Se contarmos a quantidade de matéria normal no Universo, ou seja, os átomos que nos constituem, verificamos que falta mais de metade do que deveria existir atualmente", diz Ryan Shannon, professor da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, que também coliderou o estudo. "Pensa-se que a matéria em falta está escondida no espaço entre as galáxias, mas pode estar tão quente e difusa que se torna impossível vê-la utilizando técnicas normais”.

"As explosões de rádio rápidas detetam este material ionizado. Mesmo no espaço que está praticamente vazio, estes eventos conseguem 'ver' todos os eletrões, o que nos permite medir a quantidade de matéria existente entre as galáxias", explica Shannon.

Encontrar FRBs distantes é fundamental para medir com precisão a matéria em falta no Universo, como demonstrou o falecido astrónomo australiano Jean-Pierre ("J-P") Macquart em 2020. "J-P mostrou que quanto mais distante se encontrar uma explosão de rádio rápida, mais gás difuso revelará entre as galáxias. Este facto é agora conhecido como a relação de Macquart. Algumas FRBs recentes parecem quebrar esta relação. As nossas medições confirmam que a relação de Macquart se mantém para além de metade do Universo conhecido", diz Ryder.

"Embora não saibamos ainda o que causa estas enormes explosões de energia, este trabalho confirma que as explosões de rádio rápidas são acontecimentos comuns no cosmos e que poderemos usá-las para detetar matéria entre as galáxias e assim compreender melhor a estrutura do Universo", afirma Shannon.

Este resultado representa o limite do que é possível obter com os atuais telescópios, no entanto os astrónomos em breve disporão de instrumentos para detetar explosões ainda mais antigas e distantes, identificar as galáxias de origem e medir a matéria em falta no Universo. A organização internacional SKAO (Square Kilometre Array Observatory) está atualmente a construir dois radiotelescópios, na África do Sul e na Austrália, que serão capazes de encontrar milhares de FRBs, incluindo as muito distantes que não conseguimos detetar com as infraestruturas atuais. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, um telescópio de 39 metros que está a ser construído no deserto chileno do Atacama, será um dos poucos telescópios capazes de estudar as galáxias de origem de explosões ainda mais distantes do que FRB 20220610A.

// ESO (comunicado de imprensa)
// SKAO (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia, Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Universidade Macquarie (comunicado de imprensa)
// Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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ScienceDaily
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Newsweek
Forbes
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SAPO
ZAP.aeiou

FRB (Fast Radio Burst, em português "explosão de rádio rápida"):
Wikipedia
Catálogo de FRBs (Universidade Swinburne)

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder):
CSIRO
Wikipedia

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

 
   
 
 
 
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