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Cientistas identificam, pela primeira vez, moléculas de água em asteroides
16 de fevereiro de 2024
 

Ilustração que mostra um asteroide e a deteção de moléculas de água pelo aposentado SOFIA, um telescópio infravermelho a bordo de um avião Boeing 747SP.
Crédito: NASA/Carla Thomas/SwRI
 
     
 
 
 

Utilizando dados do aposentado SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) - um projeto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) - os cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) descobriram, pela primeira vez, moléculas de água na superfície de um asteroide. Os cientistas analisaram quatro asteroides ricos em silicatos, utilizando o instrumento FORCAST, para isolar as assinaturas espetrais no infravermelho médio indicativas de água molecular em dois deles.

"Os asteroides são remanescentes do processo de formação planetária, pelo que as suas composições variam consoante o local onde se formaram na nebulosa solar", disse a Dra. Anicia Arredondo do SwRI, autora principal de um artigo científico publicado na revista The Planetary Science Journal acerca da descoberta. "A distribuição da água nos asteroides é de particular interesse, porque isso pode esclarecer a forma como a água chegou à Terra."

Os asteroides anidros (secos) de silicatos formam-se perto do Sol, enquanto os materiais gelados coalescem mais longe. Compreender a localização dos asteroides e as suas composições diz-nos como os materiais na nebulosa solar foram distribuídos e evoluíram desde a sua formação. A distribuição da água no nosso Sistema Solar permitirá compreender a distribuição da água noutros sistemas solares e, uma vez que a água é necessária para toda a vida na Terra, orientará a procura de potencial vida, tanto no nosso Sistema Solar como para lá dele.

"Detetámos uma característica que é inequivocamente atribuída à água molecular nos asteroides Íris e Massalia", disse Arredondo. "Baseámos a nossa investigação no sucesso da equipa que encontrou água molecular na superfície, iluminada pelo Sol, da Lua. Pensámos que podíamos usar o SOFIA para encontrar esta assinatura espetral noutros corpos".

O SOFIA detetou moléculas de água numa das maiores crateras do hemisfério sul da Lua. Observações anteriores, tanto da Lua como de asteroides, tinham detetado alguma forma de hidrogénio, mas não conseguiam distinguir entre a água e o seu parente químico próximo, o hidroxilo. Os cientistas detetaram uma quantidade de água equivalente a 35 cl presa num metro cúbico de solo espalhado pela superfície lunar, quimicamente ligada a minerais.

"Com base na intensidade da banda das características espetrais, a abundância de água no asteroide é consistente com a da Lua iluminada pelo Sol", disse Arredondo. "Da mesma forma, nos asteroides, a água também pode estar ligada a minerais, bem como adsorvida a silicatos e presa ou dissolvida em vidro de impacto de silicatos."

Os dados de dois asteroides mais ténues, Partenope e Melpómene, eram demasiado ruidosos para se poder tirar uma conclusão definitiva. Aparentemente, o instrumento FORCAST não é suficientemente sensível para detetar a característica espetral da água, caso esteja presente. No entanto, com estas descobertas, a equipa está a recorrer ao Telescópio Espacial James Webb da NASA, o principal telescópio espacial infravermelho, para utilizar a sua ótica precisa e superior relação sinal-ruído para investigar mais alvos.

"Efetuámos medições iniciais para outros dois asteroides com o Webb durante o ciclo dois", disse Arredondo. "Temos outra proposta, para o próximo ciclo, de analisar mais 30 alvos. Estes estudos vão aumentar a nossa compreensão da distribuição da água no Sistema Solar".

// SwRI (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)

 


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EurekAlert!
Universe Today
COSMOS
Space Daily
science alert
PHYSORG
Newsweek

Asteroide (7) Íris:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (20) Massalia:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (11) Partenope:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (18) Melpómene:
NASA/JPL
AstDyS-2
Wikipedia

SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy):
NASA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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