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Planeta "estranho" mantém atmosfera apesar da implacável radiação da sua estrela
7 de junho de 2024
 

Impressão artística de TIC365102760 b, apelidado de Fénix pela sua capacidade de sobreviver, de perto, à intensa radiação de uma estrela gigante vermelha.
Crédito: Roberto Molar Candanosa/Universidade Johns Hopkins
 
     
 
 
 

Um exoplaneta raro, que deveria ter sido reduzido a rocha nua pela intensa radiação da sua estrela hospedeira, desenvolveu uma atmosfera inchada - a última de uma série de descobertas que obrigam os cientistas a repensar as teorias sobre a forma como os planetas envelhecem e morrem em ambientes extremos.

Apelidado de "Fénix" pela sua capacidade de sobreviver à energia radiante da sua estrela gigante vermelha, o planeta recém-descoberto ilustra a vasta diversidade dos sistemas solares e a complexidade da evolução planetária - especialmente no fim da vida das estrelas.

Os resultados foram publicados na revista The Astronomical Journal.

"Este planeta não está a evoluir da forma que pensávamos. Parece ter uma atmosfera muito maior e menos densa do que esperávamos para estes sistemas", disse Sam Grunblatt, astrofísico da Universidade Johns Hopkins que liderou a investigação. "A grande questão é saber como é que ele manteve essa atmosfera apesar de estar tão perto de uma estrela hospedeira tão grande".

O novo planeta pertence a uma categoria de mundos raros chamados "Neptunos quentes", porque partilham muitas semelhanças com o gigante gelado mais exterior do Sistema Solar, apesar de estarem muito mais perto das suas estrelas hospedeiras e de serem muito mais quentes. Oficialmente designado TIC 365102760 b, o mais recente planeta inchado é surpreendentemente mais pequeno, mais velho e mais quente do que os cientistas pensavam ser possível. É 6,2 vezes maior do que a Terra, completa uma órbita em torno da sua estrela-mãe a cada 4,2 dias e está cerca de 6 vezes mais próximo da sua estrela do que Mercúrio está do Sol.

Devido à idade de Fénix e às suas temperaturas escaldantes, juntamente com a sua densidade inesperadamente baixa, o processo de despojamento da sua atmosfera deve ter ocorrido a um ritmo mais lento do que os cientistas pensavam ser possível, concluíram. Estimaram também que o planeta é 60 vezes menos denso do que o "Neptuno quente" mais denso descoberto até à data, e que não sobreviverá mais de 100 milhões de anos antes de começar a morrer ao espiralar para a sua estrela gigante.

"É o planeta mais pequeno que alguma vez encontrámos em torno de uma destas gigantes vermelhas e, provavelmente, o planeta de menor massa a orbitar uma estrela gigante [vermelha] que alguma vez vimos", disse Grunblatt. "É por isso que tem um aspeto muito estranho. Não sabemos porque é que ainda tem uma atmosfera quando outros 'Neptunos quentes', que são muito mais pequenos e muito mais densos, parecem estar a perder as suas atmosferas em ambientes muito menos extremos."

Grunblatt e a sua equipa conseguiram obter estas informações através da elaboração de um novo método para afinar os dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. O telescópio do satélite consegue detetar planetas de baixa densidade, uma vez que estes diminuem o brilho das suas estrelas hospedeiras quando passam à sua frente. Mas a equipa de Grunblatt filtrou a luz indesejada nas imagens e depois combinou-as com medições adicionais do Observatório W.M. Keck, no vulcão Maunakea, no Hawaii, uma instalação que segue as pequenas oscilações das estrelas causadas pelos seus planetas em órbita.

As descobertas podem ajudar os cientistas a melhor compreender a evolução de atmosferas como a da Terra, disse Grunblatt. Os cientistas preveem que, dentro de alguns milhares de milhões de anos, o Sol se expandirá até se tornar uma estrela gigante vermelha, que inchará e engolirá a Terra e os outros planetas interiores.

"Não compreendemos muito bem a fase final da evolução dos sistemas planetários", disse Grunblatt. "Isto diz-nos que talvez a atmosfera da Terra não evolua exatamente como pensávamos."

Os planetas inchados são muitas vezes compostos por gases, gelo ou outros materiais mais leves que os tornam globalmente menos densos do que qualquer planeta do Sistema Solar. São tão raros que os cientistas pensam que apenas cerca de 1% das estrelas os têm. Exoplanetas como Fénix não são descobertos com tanta frequência porque os seus tamanhos mais pequenos tornam-nos mais difíceis de detetar do que os maiores e mais densos, disse Grunblatt. É por isso que a sua equipa está à procura de mais mundos pequenos. Já encontraram uma dúzia de potenciais candidatos com a sua nova técnica.

"Ainda temos um longo caminho a percorrer para compreender como as atmosferas planetárias evoluem ao longo do tempo", disse Grunblatt.

// Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)

 


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EurekAlert!
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Gizmodo

TIC 365102760 b:
Exoplanet.eu

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Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
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Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

 
   
 
 
 
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