Uma equipa internacional liderada por três investigadores do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), do ESO e da Universidade Carlos de Praga (Chéquia) demonstrou com sucesso que 70% de todas as quedas de meteoritos conhecidas têm origem em apenas três famílias de asteroides jovens. Estas famílias foram produzidas por três colisões recentes que ocorreram na cintura principal de asteroides há 5,8, 7,5 e cerca de 40 milhões de anos. A equipa também revelou as fontes de outros tipos de meteoritos; com esta investigação, a origem de mais de 90% dos meteoritos foi agora identificada. Esta descoberta foi detalhada em três artigos científicos, um primeiro publicado dia 13 de setembro na revista Astronomy & Astrophysics e dois novos artigos científicos publicados dia 16 de outubro na revista Nature.
Uma equipa internacional de investigadores demonstrou que 70% de todas as quedas de meteoritos conhecidas têm origem em três famílias de asteroides jovens (famílias Karin, Koronis e Massalia) formadas por colisões na cintura principal de asteroides há 5,8, 7,5 e cerca de 40 milhões de anos. Em particular, a família Massalia foi identificada como a fonte de 37% dos meteoritos conhecidos.
Embora se conheçam mais de 70.000 meteoritos, apenas 6% foram claramente identificados pela sua composição (acondritos) como provenientes da Lua, Marte ou Vesta, um dos maiores asteroides da cintura principal. A fonte dos outros 94% dos meteoritos, a maioria dos quais são condritos comuns, permaneceu não identificada.
Porque é que estas três jovens famílias são a fonte de tantos meteoritos?
Isto pode ser explicado pelo ciclo de vida das famílias de asteroides. As famílias jovens são caracterizadas por uma abundância de pequenos fragmentos resultantes de colisões. Esta abundância aumenta o risco de colisões entre fragmentos e, associada à sua grande mobilidade, à sua fuga da cintura, possivelmente em direção à Terra. As famílias de asteroides produzidas por colisões mais antigas, por outro lado, são fontes "esgotadas" de meteoritos. A abundância de pequenos fragmentos que outrora as constituíam desgastou-se naturalmente e acabou por desaparecer após dezenas de milhões de anos de colisões sucessivas e da sua evolução dinâmica. Assim, Karin, Koronis e Massalia coexistirão inevitavelmente com novas fontes de meteoritos provenientes de colisões mais recentes e acabarão por lhes dar lugar.
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O meteorito El Médano 128, um condrito comum (grupo L), encontrado no Deserto do Atacama em 2011.
Crédito: Jérôme Gattacceca, CNRS, CEREGE |
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Um método para rastrear a árvore genealógica dos meteoritos e dos asteroides
Esta descoberta histórica foi possível graças a um levantamento telescópico da composição de todas as principais famílias de asteroides da cintura principal, combinado com simulações computacionais de última geração da evolução colisional e dinâmica destas famílias principais. Esta abordagem foi alargada a todas as famílias de meteoritos, revelando as fontes primárias dos condritos carbonáceos e acondritos, que se juntam aos da Lua, Marte e Vesta.
Graças a esta investigação, foi possível identificar a origem de mais de 90% dos meteoritos. Permitiu igualmente identificar a origem de asteroides de dimensão quilométrica (tamanho que ameaça a vida na Terra). Estes objetos são foco de numerosas missões espaciais (NEAR Shoemaker, Hayabusa1, Chang'E 2, Hayabusa2, OSIRIS-Rex, DART, Hera, etc.). Em particular, parece que os asteroides Ryugu e Bennu, com amostras recentemente capturadas pelas missões Hayabusa2 (JAXA) e OSIRIS-REx (NASA), respetivamente, e estudados em laboratórios de todo o mundo, derivam do mesmo asteroide progenitor da família Polana.
A origem dos restantes 10% dos meteoritos conhecidos está ainda por determinar. Para remediar esta situação, a equipa planeia continuar a sua investigação, desta vez concentrando-se na caracterização de todas as famílias jovens que se formaram há menos de 50 milhões de anos.
// CNRS (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (Nature)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Artigo científico #3 (Nature)
// Artigo científico #3 (arXiv.org)
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