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O Sol atingiu a fase máxima do seu ciclo de 11 anos
22 de outubro de 2024
 

Imagens, no visível, obtidas pela SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, que destacam o aspeto do Sol no mínimo solar (à esquerda, dezembro de 2019) e no máximo solar (à direita, agosto de 2024). Durante o mínimo solar, o Sol fica frequentemente sem manchas. As manchas solares estão associadas à atividade solar e são utilizadas para acompanhar o progresso do ciclo solar.
Crédito: NASA/SDO
 
     
 
 
 

Numa conferência de imprensa organizada a semana passada, representantes da NASA, da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e do Painel Internacional de Previsão do Ciclo Solar anunciaram que o Sol atingiu o seu período de máximo solar, que poderá continuar durante o próximo ano.

O ciclo solar é um ciclo natural que o Sol atravessa quando transita entre baixa e alta atividade magnética. Aproximadamente de 11 em 11 anos, no auge do ciclo solar, os polos magnéticos do Sol invertem-se - na Terra, seria como se os polos Norte e Sul trocassem de lugar a cada década - e o Sol passa de um estado calmo para um estado ativo e tempestuoso.

Estas organizações seguem as manchas solares para determinar e prever o progresso do ciclo solar - e, em última análise, da atividade solar. As manchas solares são regiões mais frias do Sol provocadas por uma concentração de linhas do campo magnético. As manchas solares são a componente visível das regiões ativas, áreas de campos magnéticos intensos e complexos no Sol que estão na origem de erupções solares.

 

Imagens, obtidas pela SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, que destacam o aspeto do Sol no mínimo solar (à esquerda, dezembro de 2019) e no máximo solar (à direita, agosto de 2024). Estas imagens estão no comprimento de onda 171 do ultravioleta extremo, que revela as regiões ativas do Sol que são mais comuns durante o máximo solar.
Crédito: NASA/SDO

 

"Durante o máximo solar, o número de manchas solares e, portanto, a quantidade de atividade solar, aumenta", disse Jamie Favors, diretor do Programa de Clima Espacial na sede da NASA em Washington. "Este aumento de atividade proporciona uma oportunidade excitante para aprender mais sobre a nossa estrela mais próxima - mas também causa efeitos reais na Terra e em todo o nosso Sistema Solar".

A atividade solar influencia fortemente as condições no espaço, conhecidas como clima espacial. Estas condições podem afetar os satélites e os astronautas no espaço, bem como os sistemas de comunicação e navegação - como o rádio e o GPS - e as redes elétricas na Terra. Quando o Sol está mais ativo, os fenómenos meteorológicos espaciais tornam-se mais frequentes. Nos últimos meses, a atividade solar levou a um aumento da visibilidade das auroras e impactou satélites e infraestruturas.

Em maio de 2024, um bombardeamento de grandes erupções solares e ejeções de massa coronal (EMCs) lançou nuvens de partículas carregadas e campos magnéticos em direção à Terra, criando a mais forte tempestade geomagnética na Terra em duas décadas - e possivelmente uma das mais fortes exibições de auroras registadas nos últimos 500 anos.

 

Uma previsão do Ciclo Solar 25, pelo Painel de Previsão do Ciclo Solar 25. O número de manchas solares é um indicador da força do ciclo solar - quanto maior o número de manchas solares, mais forte é o ciclo.
Crédito: Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA

 

"Este anúncio não significa que este seja o pico da atividade solar a que assistiremos neste ciclo solar", disse Elsayed Talaat, diretor de operações climáticas espaciais da NOAA. "Embora o Sol tenha atingido o período de máximo solar, o mês em que a atividade solar atinge o seu pico só será identificado daqui a meses ou anos".

Os cientistas não serão capazes de determinar o pico exato deste período de máximo solar durante muito tempo, porque só é possível identificá-lo depois de se ter verificado um declínio consistente da atividade solar após esse pico. No entanto, os cientistas identificaram que os últimos dois anos no Sol fizeram parte desta fase ativa do ciclo solar, devido ao número consistentemente elevado de manchas solares durante este período. Os cientistas preveem que a fase de máximo durará mais cerca de um ano antes de o Sol entrar na fase de declínio, que leva de novo ao mínimo solar. Desde 1989, o Painel de Previsão do Ciclo Solar - um painel internacional de peritos patrocinado pela NASA e pela NOAA - tem trabalhado em conjunto para fazer a sua previsão do próximo ciclo solar.

Os ciclos solares têm sido seguidos pelos astrónomos desde que Galileu observou pela primeira vez as manchas solares no século XVII. Cada ciclo solar é diferente - alguns ciclos atingem picos de grande atividade durante períodos de tempo mais curtos, enquanto outros têm picos mais fracos que duram mais tempo.

 

O número de manchas solares ao longo dos 24 ciclos solares anteriores. Os cientistas utilizam as manchas solares para acompanhar o progresso dos ciclos solares; as manchas solares estão associadas à atividade solar, sendo frequentemente a origem de explosões gigantes - como as erupções solares ou as ejeções de massa coronal - que podem lançar luz, energia e material solar para o espaço.
Crédito: Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA

 

"A atividade das manchas solares do Ciclo Solar 25 excedeu ligeiramente as expetativas", afirmou Lisa Upton, copresidente do Painel de Previsão do Ciclo Solar e cientista principal do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, no estado norte-americano do Texas. "No entanto, apesar de se terem registado algumas tempestades de grandes dimensões, estas não são maiores do que o que seria de esperar durante a fase máxima do ciclo".

A erupção mais poderosa deste ciclo solar atual foi de classe X9.0 e ocorreu no dia 3 de outubro (a classe X indica as erupções mais intensas, enquanto o número fornece mais informações sobre a sua força).

 

A NOAA prevê a ocorrência de mais tempestades solares e geomagnéticas durante o atual período de máximo solar, o que dará origem a oportunidades de observação de auroras nos próximos meses, bem como a potenciais impactos tecnológicos. Além disso, embora menos frequentes, os cientistas observam algumas vezes tempestades bastante significativas durante a fase descendente do ciclo solar.

As organizações científicas estão a preparar-se para o futuro da investigação e previsão do clima espacial. Em dezembro deste ano, a missão Parker Solar Probe da NASA fará a sua maior aproximação de sempre ao Sol, batendo o seu próprio recorde de objeto humano mais próximo do Sol. Esta será a primeira de três aproximações planeadas a esta distância, ajudando os investigadores a compreender o clima espacial diretamente na fonte.

 

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
11/12/2020 - Novo ciclo solar poderá ser um dos mais fortes registados

Sol:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia

Ciclos Solares:
Wikipedia
Ciclo Solar 25 (Wikipedia)
Manchas solares (Wikipedia)

Parker Solar Probe:
NASA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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