O rover Perseverance da NASA chegou ao topo da Cratera Jezero, num local a que a equipa científica chama "Lookout Hill", e dirige-se agora para a sua primeira paragem científica após uma longa subida. O rover fez esta viagem com o objetivo de explorar uma região marciana diferente de qualquer outra que já tenha sido investigada antes.
Demorando cerca de três meses e meio e subindo 500 metros verticais, o rover percorreu inclinações de 20%, fazendo paragens ao longo do caminho para observações científicas. A equipa científica do Perseverance partilhou algum do seu trabalho e planos futuros numa conferência de imprensa realizada na passada quinta-feira, dia 12 de dezembro, em Washington, na reunião anual da União Geofísica Americana, o maior encontro de cientistas da Terra e do espaço que se realiza nos EUA.
"Durante a subida da orla da Cratera Jezero, os condutores do nosso rover fizeram um trabalho espantoso ao negociar alguns dos terrenos mais difíceis que encontrámos desde a aterragem", disse Steven Lee, diretor-adjunto do projeto Perseverance no JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia. "Desenvolveram abordagens inovadoras para ultrapassar estes desafios - até tentaram conduzir em marcha-atrás para ver se isso ajudava - e o rover ultrapassou tudo como um campeão. O Perseverance está pronto para tudo o que a equipa científica quiser fazer durante esta próxima campanha científica".
Desde que pousou na Cratera Jezero, em fevereiro de 2021, o Perseverance completou quatro campanhas científicas: "Crater Floor", "Fan Front", "Upper Fan" e "Margin Unit". A equipa científica está a chamar à quinta campanha do Perseverance "Northern Rim" porque a sua rota cobre a parte norte da secção sudoeste da orla da Cratera Jezero. Durante o primeiro ano da campanha "Northern Rim", espera-se que o rover visite cerca de quatro locais de interesse geológico, recolha várias amostras e percorra cerca de 6,4 quilómetros.
"A campanha 'Northern Rim' traz-nos riquezas científicas completamente novas à medida que o Perseverance percorre uma geologia fundamentalmente nova", disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech em Pasadena, EUA. "Marca a nossa transição de rochas que preencheram parcialmente a cratera Jezero quando esta foi formada por um impacto massivo há cerca de 3,9 mil milhões de anos para rochas do interior de Marte que foram atiradas para cima para formar a orla da cratera após o impacto".
"Estas rochas representam pedaços da crosta marciana primitiva e estão entre as rochas mais antigas encontradas em qualquer parte do Sistema Solar. A sua investigação pode ajudar-nos a compreender como Marte - e o nosso próprio planeta - terá sido no início", acrescentou Farley.
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O rover Perseverance da NASA obteve esta imagem que mostra o terreno escorregadio que tornou desafiante a sua subida até à orla da cratera Jezero. Os rastos do rover podem ser vistos ao longe, em direção ao chão da cratera.
Crédito: NASA/JPL-Caltech |
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Primeira paragem: "Witch Hazel Hill"
Com "Lookout Hill" no seu espelho retrovisor, o Perseverance dirige-se para um afloramento rochoso cientificamente significativo, a cerca de 450 metros do outro lado da orla, a que a equipa científica chama "Witch Hazel Hill".
"A campanha começa com um estrondo porque 'Witch Hazel Hill' representa mais de 90 metros de afloramento em camadas, onde cada camada é como uma página no livro da história marciana. Ao descermos a colina, vamos recuar no tempo, investigando os ambientes antigos de Marte registados na orla da cratera", disse Candice Bedford, cientista do Perseverance na Universidade Purdue em West Layfette, no estado norte-americano de Indiana. "Depois, após uma descida íngreme, damos as primeiras voltas ao volante, afastando-nos da orla da cratera em direção a 'Lac de Charmes', cerca de 3 km para sul".
"Lac de Charmes" intriga a equipa científica porque, estando localizado nas planícies para lá da orla, é menos provável que tenha sido significativamente afetado pela formação da cratera Jezero.
Depois de deixar "Lac de Charmes", o rover vai percorrer cerca de 1,6 quilómetros de volta até à orla da Cratera Jezero para investigar um impressionante afloramento de grandes blocos conhecidos como megabrechas. Estes blocos podem representar rochas antigas quebradas durante o impacto Isidis, um evento que alterou o planeta e que provavelmente escavou profundamente a crosta marciana ao criar uma bacia de impacto com cerca de 1200 quilómetros de diâmetro, há 3,9 mil milhões de anos.
// NASA (comunicado de imprensa)
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