Os planetas à volta de outras estrelas têm de estar preparados para condições climáticas espaciais extremas, de acordo com um novo estudo do Observatório de raios X Chandra da NASA e do XMM-Newton da ESA que examinou os efeitos dos raios X em potenciais planetas à volta do tipo mais comum de estrelas.
Os astrónomos descobriram que apenas um planeta com gases de efeito de estufa na sua atmosfera, como a Terra, e a uma distância relativamente grande da estrela que estudaram, teria hipóteses de suportar vida tal como a conhecemos.
Wolf 359 é uma anã vermelha com uma massa de cerca de um-décimo da massa do Sol. As anãs vermelhas são as estrelas mais comuns do Universo e vivem durante milhares de milhões de anos, proporcionando tempo suficiente para o desenvolvimento da vida. A uma distância de apenas 7,8 anos-luz, Wolf 359 é também uma das estrelas mais próximas do Sistema Solar.
"Wolf 359 pode ajudar-nos a desvendar os segredos das estrelas e da habitabilidade", disse Scott Wolk, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, que liderou o estudo. "Está muito perto e pertence a uma classe de estrelas muito importante - é uma ótima combinação".
Dado que as anãs vermelhas são o tipo de estrelas mais comuns, os astrónomos têm-se esforçado por encontrar exoplanetas em seu redor. Os astrónomos encontraram algumas evidências da existência de dois planetas em órbita de Wolf 359, utilizando telescópios óticos, mas essas conclusões foram contestadas por outros cientistas.
"Apesar de ainda não termos provas da existência de planetas em torno de Wolf 359, parece muito possível que albergue múltiplos planetas", acrescentou Wolk. "Isto faz com que seja uma excelente plataforma de teste para ver as condições a que os planetas estariam sujeitos à volta deste tipo de estrela".
Wolk e os seus colegas usaram o Chandra e o XMM para estudar as quantidades de raios X constantes e de radiação ultravioleta (UV) extrema - o tipo mais energético de radiação UV - que Wolf 359 libertaria para os possíveis planetas à sua volta.
Descobriram que Wolf 359 está a produzir radiação prejudicial suficiente para que apenas um planeta com gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono, na sua atmosfera - e localizado a uma distância relativamente grande da estrela - seja capaz de sustentar a vida.
"Apenas estar suficientemente longe da radiação nociva da estrela não seria suficiente para o tornar habitável", disse o coautor Vinay Kashyap, também do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Um planeta à volta de Wolf 359 também teria de estar coberto de gases de efeito de estufa, tal como a Terra".
Para estudar os efeitos da radiação energética na habitabilidade dos candidatos a planeta, a equipa considerou a zona habitável da estrela - a região à volta de uma estrela onde pode existir água líquida à superfície de um planeta.
O limite exterior da zona habitável de Wolf 359 é cerca de 15% da distância entre a Terra e o Sol, porque a anã vermelha é muito menos brilhante do que o Sol. Nenhum dos planetas candidatos neste sistema está localizado na zona habitável de Wolf 359, estando um demasiado perto da estrela e o outro demasiado longe.
"Se o planeta interior de facto existir, os raios X e UV extremos a que está sujeito destruiria a atmosfera deste planeta em apenas cerca de um milhão de anos", disse o coautor Ignazio Pillitteri do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian e do Instituto Nacional de Astrofísica em Palermo, Itália.
A equipa também considerou os efeitos da radiação em planetas ainda não detetados dentro da zona habitável. Concluíram que um planeta como a Terra, no meio da zona habitável, deveria ser capaz de manter uma atmosfera durante quase dois mil milhões de anos, enquanto um planeta próximo do limite exterior poderia durar indefinidamente, ajudado pelos efeitos de aquecimento dos gases de efeito de estufa.
Outro grande perigo para os planetas que orbitam estrelas como Wolf 359 são as erupções de raios X, ou surtos brilhantes e ocasionais de raios X, para além da emissão diária e constante da estrela. A combinação de observações efetuadas com o Chandra e o XMM-Newton resultou na descoberta de 18 erupções de raios X em Wolf 359 ao longo de 3,5 dias.
Extrapolando a partir destas erupções observadas, a equipa espera que surtos muito mais poderosos e prejudiciais ocorram durante períodos de tempo mais longos. Os efeitos combinados da radiação constante de raios-X e UV e das erupções implicam que é pouco provável que qualquer planeta localizado na zona habitável tenha uma atmosfera significativa durante tempo suficiente para que a vida multicelular, tal como a conhecemos na Terra, se forme e sobreviva. A exceção é o limite exterior da zona habitável, se o planeta tiver um efeito de estufa significativo.
Estes resultados foram apresentados na 245.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em National Harbor, no estado norte-americano de Maryland, e estão a ser preparados para publicação numa revista científica.
// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
Quer saber mais?
Wolf 359:
Wikipedia
Anãs vermelhas:
Wikipedia
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu
Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia
Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia |