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Astrónomos descobrem que as "super-Terras" com órbitas muito largas são mais comuns do que se pensava
29 de abril de 2025
 

Esta imagem ilustra os resultados de um novo estudo que mediu as massas de muitos planetas em relação às estrelas que os acolhem, levando a novas informações sobre populações de planetas na direção do bojo da Via Láctea. Este estudo, publicado na revista Science, mostra que as super-Terras são comuns e coloca-as no contexto dos planetas gigantes gasosos.
Crédito: Universidade de Westlake
 
     
 
 
 

Um novo estudo mostra que os planetas maiores do que a Terra e mais pequenos do que Neptuno são comuns para lá do Sistema Solar. A mesma equipa internacional anunciou também a descoberta de um exoplaneta com cerca de duas vezes o tamanho da Terra, que orbita a sua estrela a uma distância superior à de Saturno em torno do Sol.

Estes resultados são outro exemplo de como os sistemas planetários podem ser diferentes do nosso Sistema Solar.

"Encontrámos uma 'super-Terra' - o que significa que é maior do que o nosso planeta natal, mas mais pequeno do que Neptuno - num local onde antes só se encontravam planetas milhares ou centenas de vezes mais massivos do que a Terra", disse Weicheng Zang, bolseiro do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. É o autor principal de um artigo científico que descreve estes resultados na última edição da revista Science.

A descoberta desta nova super-Terra, mais distante, é ainda mais significativa porque faz parte de um levantamento mais alargado. Ao medir as massas de muitos planetas relativamente às estrelas que os acolhem, a equipa descobriu novas informações sobre as populações de planetas na Via Láctea.

Este estudo utilizou microlentes gravitacionais, um efeito em que a luz de objetos distantes é ampliada por um corpo interveniente, como um planeta. As microlentes são particularmente eficazes para encontrar exoplanetas a grandes distâncias - aproximadamente entre as órbitas da Terra e de Saturno - das suas estrelas hospedeiras. O maior estudo do seu género, este trabalho tem cerca de três vezes mais exoplanetas e inclui alguns cerca de oito vezes mais pequenos do que amostras anteriores encontradas usando a técnica de microlente.

Os investigadores utilizaram dados da KMTNet (Korea Microlensing Telescope Network). Esta rede é constituída por três telescópios no Chile, África do Sul e Austrália, o que permite uma monitorização ininterrupta do céu noturno.

"Os dados atuais dão uma ideia de como os planetas frios se formam", disse o professor Shude Mao da Universidade de Tsinghua e da Universidade de Westlake, na China. "Nos próximos anos, a amostra será quatro vezes maior e, assim, poderemos restringir o modo como estes planetas se formam e evoluem de maneira ainda mais rigorosa com os dados da KMTNet".

O nosso Sistema Solar é constituído por quatro planetas interiores pequenos e rochosos (Mercúrio, Vénus, Terra e Marte) e quatro planetas exteriores grandes e gasosos (Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno). As pesquisas exoplanetárias efetuadas até à data utilizando outras técnicas, ou seja, de planetas em trânsito com telescópios como o Kepler e o TESS e pesquisas de velocidade radial, mostraram que outros sistemas podem conter uma variedade de planetas pequenos, médios e grandes em órbitas mais pequenas do que a da Terra em torno do Sol.

O último trabalho da equipa liderada pelo Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian mostra que as super-Terras também são comuns nas regiões exteriores de outros sistemas solares. "Esta medição da população de planetas, desde planetas um pouco maiores do que a Terra até ao tamanho de Júpiter e ainda maiores, mostra-nos que os planetas, e especialmente as super-Terras, em órbitas mais largas do que a órbita da Terra, são abundantes na Galáxia", disse a coautora Jennifer Yee do Observatório Astrofísico Smithsonian, que faz parte do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian.

"Este resultado sugere que, em órbitas semelhantes às de Júpiter, a maioria dos sistemas planetários pode não espelhar o nosso Sistema Solar", disse o coautor Youn Kil Jung, do Instituto Coreano de Astronomia e Ciências Espaciais, que opera a KMTNet.

Os investigadores estão também a tentar determinar quantas super-Terras existem em comparação com o número de exoplanetas do tamanho de Neptuno. Este estudo mostra que existem pelo menos tantas super-Terras quanto planetas do tamanho de Neptuno.

Para além da KMTNet, os grupos de pesquisa OGLE (Optical Gravitational Lens Experiment) e MOA (Microlensing Observations in Astrophysics) contribuíram com dados para a caracterização planetária.

// Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)

 


Quer saber mais?

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

KMTNet (Korea Microlensing Telescope Network):
Página oficial

OGLE (Optical Gravitational Lens Experiment):
Página oficial
Wikipedia

MOA (Microlensing Observations in Astrophysics):
Página oficial
Wikipedia

 
   
 
 
 
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