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Hubble observa uma anã branca a devorar um pedaço de um objeto semelhante a Plutão
23 de setembro de 2025
 

Esta imagem artística mostra uma anã branca rodeada por um grande disco de detritos. Detritos de pedaços de um objeto capturado, semelhante a Plutão, estão a cair sobre a anã branca.
Crédito: T. Pyle (Caltech, JPL da NASA)
 
     
 
 
 

Na nossa vizinhança estelar próxima, uma estrela "queimada" está a petiscar um fragmento de um objeto semelhante a Plutão. Com a sua capacidade única no ultravioleta, só o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA conseguiu identificar que esta refeição está a ter lugar.

O remanescente estelar é uma anã branca com cerca de metade da massa do nosso Sol, mas que está densamente comprimida num corpo com o tamanho da Terra. Os cientistas pensam que a imensa gravidade da anã puxou e rasgou um gelado análogo de Plutão do equivalente à Cintura de Kuiper do sistema, um anel gelado de detritos que rodeia o nosso Sistema Solar. Os resultados foram publicados no dia 18 de setembro de 2025 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Uma equipa internacional de astrónomos conseguiu determinar esta carnificina analisando a composição química do objeto condenado à medida que os seus pedaços caíam sobre a anã branca. Em particular, detetaram "voláteis" (substâncias com baixo ponto de ebulição), incluindo carbono, enxofre, azoto e um elevado teor de oxigénio que sugere a forte presença de água.

"Ficámos surpreendidos", disse Snehalata Sahu, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Sahu liderou a análise de dados de um levantamento do Hubble sobre anãs brancas. "Não estávamos à espera de encontrar água ou outro conteúdo gelado. Isto porque os cometas e os objetos semelhantes aos da Cintura de Kuiper são expulsos dos seus sistemas planetários muito cedo, à medida que as suas estrelas evoluem para anãs brancas. Mas aqui, estamos a detetar este material muito rico em voláteis. Isto é surpreendente para os astrónomos que estudam as anãs brancas e também os exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar".

Só com o Hubble

Utilizando o COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, a equipa descobriu que os fragmentos eram compostos por quase dois-terços de gelo de água. O facto de terem detetado tanto gelo significava que os pedaços faziam parte de um objeto muito massivo que se formou muito longe, no gelado análogo à Cintura de Kuiper desse sistema estelar. Utilizando dados do Hubble, os cientistas calcularam que o objeto era maior do que os cometas típicos e que pode ser um fragmento de um exo-Plutão.

Detetaram também uma grande proporção de azoto - a mais elevada alguma vez detetada em sistemas de detritos de anãs brancas. "Sabemos que a superfície de Plutão está coberta de gelo de azoto", disse Sahu. "Pensamos que a anã branca acretou fragmentos da crosta e do manto de um planeta anão".

A acreção destes objetos ricos em elementos voláteis, por anãs brancas, é muito difícil de detetar no visível. Estes elementos voláteis só podem ser detetados com a sensibilidade única do Hubble à luz ultravioleta. Na luz ótica, a anã branca pareceria comum.

A cerca de 260 anos-luz de distância, a anã branca é uma vizinha cósmica relativamente próxima. No passado, quando era uma estrela semelhante ao Sol, seria de esperar que albergasse planetas e uma análoga à nossa Cintura de Kuiper.

Como se estivéssemos a ver o futuro do nosso Sol

Daqui a milhares de milhões de anos, quando o nosso Sol chegar ao fim da sua vida e colapsar numa anã branca, os objetos da Cintura de Kuiper serão atraídos pela imensa gravidade do remanescente estelar. "Esses planetesimais serão então destruídos e acretados", disse Sahu. "Se um observador alienígena olhar para o nosso Sistema Solar num futuro distante, poderá ver o mesmo tipo de remanescentes que vemos hoje em torno desta anã branca".

A equipa espera usar o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para detetar características moleculares de voláteis, como vapor de água e carbonatos, observando esta anã branca no infravermelho. Ao estudar mais profundamente as anãs brancas, os cientistas podem compreender melhor a frequência e a composição destes eventos de acreção ricos em voláteis.

Sahu também está a acompanhar a recente descoberta do cometa interestelar 3I/ATLAS. Ela está ansiosa para conhecer a sua composição química, especialmente a sua fração de água. "Estes tipos de estudos ajudar-nos-ão a aprender mais sobre a formação dos planetas. Também podem ajudar-nos a compreender como a água é transportada para os planetas rochosos", disse Sahu.

Boris Gänsicke, da Universidade de Warwick e visitante do Instituto de Astrofísica de Canarias, na Espanha, foi o investigador principal do programa Hubble que levou a esta descoberta. "Observámos mais de 500 anãs brancas com o Hubble. Já aprendemos muito sobre os blocos de construção e fragmentos de planetas, mas estou absolutamente entusiasmado por termos agora identificado um sistema que se assemelha aos objetos nas extremidades geladas do nosso Sistema Solar", disse Gänsicke. "Medir a composição de um exo-Plutão é uma contribuição importante para a nossa compreensão da formação e evolução destes corpos".

 

// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Anã branca:
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
   
 
 
 
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