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Uma Terra gelada?
30 de janeiro de 2026
 
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Impressão de artista do candidato a exoplaneta HD 137010 b, apelidado de "Terra fria" por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior do que a Terra, em órbita de uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)
 
     
 
 
 

Um exoplaneta candidato que pode ser notavelmente semelhante à Terra, HD 137010 b, tem uma potencial grande diferença: poderá ser mais frio do que Marte, perpetuamente congelado.

Os cientistas continuam a explorar os dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA, aposentado em 2018, e continuam a encontrar surpresas. Um novo artigo científico revela a mais recente: um possível planeta rochoso ligeiramente maior do que a Terra, em órbita de uma estrela semelhante ao Sol, a cerca de 146 anos-luz de distância.

O período orbital do planeta - listado como "candidato" enquanto se aguarda confirmação - deverá ser semelhante ao da Terra, cerca de um ano. O exoplaneta HD 137010 b pode também situar-se no limite exterior da "zona habitável" da sua estrela, a distância orbital que poderia permitir a formação de água líquida à superfície do planeta sob uma atmosfera adequada.

Os planetas que orbitam outras estrelas são conhecidos como "exoplanetas". E este pode vir a ser o primeiro exoplaneta com propriedades semelhantes às da Terra que, do nosso ponto de vista, atravessa a face de uma estrela semelhante ao Sol, suficientemente próxima e brilhante para significativas observações de acompanhamento.

Agora as más notícias. A quantidade de calor e luz que um tal planeta receberia da sua estrela é menos de um-terço da que a Terra recebe do Sol. Apesar de ser de um tipo estelar semelhante ao nosso Sol, a estrela, HD 137010, é mais fria e mais fraca. Isto pode significar uma temperatura à superfície do planeta não superior a -68º C. Em comparação, a temperatura média da superfície de Marte é de -65º C.

O planeta HD 137010 b também vai precisar de observações de acompanhamento para ser promovido de "candidato" a "confirmado". Os cientistas exoplanetários utilizam uma variedade de técnicas para identificar planetas, e esta descoberta resulta de um único "trânsito" - apenas uma instância em que o planeta atravessa a face da sua estrela numa espécie de eclipse em miniatura - detetado durante a segunda missão do Kepler, conhecida como K2. Mesmo com apenas um trânsito, os autores do estudo foram capazes de estimar o período orbital do planeta candidato. Seguiram o tempo que a sombra do planeta demorou a atravessar a face da estrela - neste caso, 10 horas, enquanto a Terra demora cerca de 13 - e depois compararam-no com modelos orbitais do próprio sistema. Ainda assim, embora a precisão desta deteção única seja muito superior à da maioria dos trânsitos captados por telescópios espaciais, os astrónomos precisam de ver estes trânsitos repetirem-se regularmente para confirmarem que são causados por um planeta real.

E vai ser complicado captar mais trânsitos. A distância orbital do planeta, tão semelhante à da Terra, significa que esses trânsitos acontecem com muito menos frequência do que com planetas em órbitas mais íntimas em torno das suas estrelas (é uma das principais razões pelas quais os exoplanetas com órbitas semelhantes à da Terra são tão difíceis de detetar). Com sorte, a confirmação poderá vir de mais observações do sucessor do Kepler/K2, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, o cavalo de batalha ainda em funcionamento para a deteção de planetas, ou do CHEOPS (CHaracterising ExOPlanets Satellite) da ESA. Caso contrário, a recolha de mais dados sobre o planeta HD 137010 b poderá ter de esperar pela próxima geração de telescópios espaciais.

Apesar da possibilidade de um clima gelado, HD 137010 b também pode vir a ser um mundo temperado ou mesmo aquático, dizem os autores do artigo científico acerca deste exoplaneta. Apenas necessitaria de uma atmosfera mais rica em dióxido de carbono do que a nossa. A equipa científica, com base na modelação das atmosferas possíveis do planeta, atribui-lhe 40% de hipóteses de se enquadrar na zona habitável "conservadora" em torno da estrela e 51% de hipóteses de se enquadrar na mais ampla zona habitável "otimista". Por outro lado, os autores do estudo dizem que o planeta tem cerca de 50% de hipóteses de ficar completamente fora da zona habitável.

A equipa científica internacional publicou o seu artigo científico na passada terça-feira, 27 de janeiro de 2026, na revista The Astrophysical Journal Letters.

 

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

HD 137010 b:
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Trânsito exoplanetário:
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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