Astrónomos descobriram algumas das evidências mais fortes até à data de que as estrelas podem engolir os seus próprios planetas.
Um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Astronomical Society, corrobora a crença de longa data de que as estrelas jovens são capazes de "comer" mundos próximos à medida que os sistemas planetários se formam.
Investigadores da Universidade de Keele e da Universidade de Exeter estudaram milhares de estrelas e encontraram evidências de que seis anãs vermelhas diferentes – o tipo de estrela mais pequeno, mais frio e mais comum do Universo – tinham engolido planetas rochosos semelhantes à Terra.
O que revelou isso foi a "impressão digital" química altamente detetável, disse o autor principal, professor Robin Jeffries, da Universidade de Keele.
"Descobrimos que algumas das anãs vermelhas que estudámos continham lítio, um elemento químico que não deveria estar lá", explicou.
"Portanto, mesmo uma pequena quantidade de lítio destaca-se claramente nessas estrelas - um pouco como atirar tinta para uma tela em branco".
O professor Jeffries acrescenta: "As anãs vermelhas são mais pequenas e mais frias do que o nosso Sol, mas no seu interior são extremamente quentes. Este calor deveria destruir todo o seu frágil lítio em reações nucleares pouco depois da sua formação".
Por este motivo, já havia previsões anteriores de que a deteção de lítio nas suas atmosferas poderia indicar a absorção de material ainda rico em lítio, proveniente de um sistema planetário circundante.
No novo estudo, os investigadores analisaram enxames de estrelas jovens utilizando dados espetroscópicos, que se referem ao estudo de como diferentes tipos de matéria interagem com a radiação eletromagnética.
Os dados do levantamento GES (Gaia-ESO Spectroscopic) abrangeram milhares de estrelas, das quais a equipa identificou seis anãs vermelhas diferentes em três enxames distintos que apresentavam um teor de lítio muito superior ao de outras estrelas de tipo espetral semelhante.
A sua análise sugere que estas estrelas terão "engolido" de forma dramática os planetas semelhantes à Terra que as rodeavam, ou seja, cerca de 3 a 10 massas terrestres de material planetário no total, proporcionando uma nova injeção de lítio às suas atmosferas, que de outra forma estariam empobrecidas em lítio.
Há muito que se teoriza que estes eventos de absorção constituem um desfecho possível e até provável durante a fase inicial da formação dos sistemas planetários, podendo mesmo ter ocorrido numa fase mais precoce do nosso próprio Sistema Solar.
Se esta explicação se revelar correta, terá sido aberta uma nova janela para os primórdios dos sistemas planetários, permitindo investigar a quantidade e o momento em que ocorreu a absorção planetária.
Ao contrário das estrelas isoladas, as que se encontram em enxames têm idades e massas bem conhecidas, e a presença de muitas irmãs semelhantes, nascidas do mesmo material inicial, significa que mesmo pequenas diferenças na abundância química são mais fáceis de determinar, afirmaram os investigadores.
// Real Sociedade Astronómica (comunicado de imprensa)
// Universidade de Keele (comunicado de imprensa)
// Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Quer saber mais?
Anãs vermelhas:
Wikipedia
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu
Levantamento GES (Gaia-ESO Spectroscopic):
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