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Edição n.º 1031
24/01 a 27/01/2014
 
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ACTIVIDADES

31.01.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.02.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/01: 24.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1947 nasce Michio Kaku, físico teórico americano, futurista, comunicador e divulgador de ciência.
Em 1978, um satélite soviético chamado Kosmos 954, com um reactor nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioactivos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá. Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Urano
Em 1990, o Japão lança a Hiten, a primeira sonda lunar deste país, a primeira sonda lunar desde a soviética Luna 24 em 1976 e a primeira sonda lunar lançada por um país sem ser a União Soviética ou os Estados Unidos.

Em 2006, foi descoberto um novo planeta - com uma massa de 5,5 vezes a da Terra - fora do Sistema Solar, conhecido por enquanto como OGLE-2005-BLG-390Lb.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 05:19.
Mercúrio está agora mais fácil de observar; procure-o baixo a Oeste-Sudoeste ao lusco-fuco. Não o confunda com a mais cintilante Fomalhaut para a esquerda. Mercúrio está a começar a sua melhor aparição desde Junho passado para os observadores a latitudes médias norte.

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro planeta extrasolar rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
Observações: A Lua nasce pelas 02:00, e Saturno encontra-se a apenas 4º ou 5º. Ambos os astros podem ser vistos altos a Sul ao amanhecer.
Trânsito de Ganimedes, entre as 16:04 e as 19:27.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 18:03 e as 21:29.

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direcção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura óptica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objectivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objectos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de Setembro de 1996.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 17:23 e as 20:08.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 18:25 e as 21:13.
A parte mais a norte da eclíptica passa o ponto médio da Via Láctea perto dos pés de Gémeos, do topo da Moca de Orionte e dos chifres de Touro - um lindo e rico campo para passeios binoculares.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada à Lua, com lançamento a 21 de Fevereiro de 1967.

Observações: A brilhante e familiar constelação de Cassiopeia é um jardim telescópico de objectos de céu profundo - mas também o é a ténue constelação de Girafa mesmo para Este.

 
CURIOSIDADES


A Lua Cheia nasce sempre ao pôr-do-Sol e põe-se sempre ao nascer-do-Sol.

 
SUPERNOVA DESCOBERTA EM M82

Uma estrela que explodiu apareceu subitamente no céu nocturno, deslumbrando os astrónomos que não viam uma supernova tão perto do nosso Sistema Solar há mais de 20 anos.

Só nos últimos dias, a supernova emergiu como uma luz brilhante (magnitude 10,5) em Messier 82 - também conhecida como a Galáxia do Charuto - a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Ursa Maior. A supernova, que um astrónomo descreveu como um potencial "Santo Graal" para os cientistas, foi descoberta pelos estudantes Ben Cooke, Tom Weight, Matthew Wilde e Guy Pollack, da University College London (UCL). A descoberta foi feita por acaso - um workshop telescópico de 10 minutos para os alunos - e levou a uma correria mundial para adquirir imagens e espectros do objecto.

Posicionada entre a Ursa Maior e a Ursa Menor, a nova supernova deve ser fácil de avistar por observadores celestes no Hemisfério Norte; pode até chegar a ser brilhante o suficiente para ser observada por um pequeno par de binóculos, realça o astrónomo Brad Tucker, da Universidade Nacional da Austrália e da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Animação que mostra uma imagem obtida no dia 23 de Janeiro de 2014 com uma imagem de arquivo (de 22/11/2014), ambas capturadas pelo telescópio Faulkes North de 2 metros (operado pelo LCOGT)
Crédito: Ernesto Guido, Nick Howes e Martino Nicolini
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Nova supernova no céu

Mas além da criação de um espectáculo celeste, o evento cósmico também dá aos astrónomos uma oportunidade rara para estudar um objecto que pode ajudá-los a compreender a energia escura.

Imagem obtida ontem (23 de Janeiro) da supernova em M82. A seta aponta para SN 2014J.
Crédito: Adam Block, Mt. Lemmon SkyCenter, U. Arizona
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A supernova foi observada pela primeira vez na Terça-feira passada (21 de Janeiro) às 19:20 (hora local, bem como hora portuguesa) por um grupo de estudantes liderados por Steve Fossey da University College London. Segundo a UCL, o objecto pode ser a supernova mais próxima desde a intensa supernova 1987A que foi avistada em Fevereiro de 1987 na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã companheira da Via Láctea a cerca de 168.000 anos-luz da Terra.

"Foi uma experiência surreal e emocionante, obter imagens do objecto não identificado enquanto Steve corria pelo observatório a verificar o resultado," realça o estudante Guy Pollack num comunicado.

Mapa que mostra o céu na direcção Norte-Nordeste por volta das 21:30 (hora de Portugal), no final de Janeiro. A supernova está localizada a cerca de um "punho cerrado" por cima da Ursa Maior em M82. Mesmo ao lado está a igualmente brilhante galáxia M81. É fácil distinguir entre uma e outra. M81 é redonda com um núcleo brilhante; M82 parece um risco desfocado.
Crédito: Miguel Montes, Starry Night
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Os astrónomos do Caltech confirmaram a supernova e classificaram-na como uma supernova Tipo Ia jovem e avermelhada. Pensa-se que estes tipos de objectos sejam originários de um sistema binário íntimo onde pelo menos uma estrela é uma anã branca, o núcleo denso e pequeno de uma estrela que cessou as suas reacções nucleares. Se a anã branca desviar muita massa da sua companheira, começa dentro da estrela morta uma reacção nuclear em fuga, levando a uma supernova brilhante.

Acredita-se que as supernovas Tipo Ia brilhem com intensidade igual nos seus picos, por isso são usadas como "velas padrão" para medir distâncias em todo o Universo. Na verdade, a medição detalhada de supernovas Ia levou à descoberta, recompensada com um Prémio Nobel, da aceleração da expansão do Universo.

Um dos telescópios C14 de 0,35 metros da Celestron da ULO da UCL. Estes foram usados para encontrar a supernova em M82.
Crédito: UCL MAPS/O. Usher
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O "Santo Graal" das supernovas

Para aprender mais sobre a causa desta aceleração (o que os cientistas chamam de energia escura), Tucker disse que os astrónomos precisam de medidas mais precisas.

"Os dois grandes problemas no uso de supernovas Ia para medições de distância, são os progenitores, o tipo de estrela que explode, e como a poeira afecta estas medições," explicou Tucker. "Por isso o facto de esta [supernova] ser do Tipo Ia, descoberta em tenra idade, significa que temos uma boa hipótese de encontrar pistas sobre a explosão."

O Telescópio Espacial Hubble também capturou imagens detalhadas da Galáxia do Chaturo antes da estrela ter explodido, o que significa que os astrónomos podem ser capazes de observar directamente a estrela em observações passadas, explica Tucker.

Além do mais, esta é uma supernova "avermelhada", o que significa que ocorreu num ambiente empoeirado.

"Ao saber que existe muita poeira, podemos analisar a forma como esta afecta as cores [da supernova] e, portanto, as medidas da distância, e usá-la para calibrar outras [supernovas]," acrescenta Tucker. "Em suma, este é o Santo Graal".

O Departamento Central de Telegramas Astronómicos da União Astronómica Internacional listou algumas das observações da supernova sob a designação temporária PSN J09554214+6940260 (agora chama-se SN 2014J), começando com uma observação de 22 de Janeiro por um grupo de astrónomos amadores na Rússia.

As imagens do telescópio robótico KAIT do Observatório Lick na Califórnia, caçador de supernovas, confirmam que o objecto não estava presente até 15 de Janeiro, o que significa que a supernova tem apenas poucos dias de idade," comenta Tucker.

Links:

Notícias relacionadas:
University College London (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
Sky & Telescope
New Scientist
PHYSORG
Astronomy Now
BBC News
AstroPT

SN 2014J:
Wikipedia
Observatório Remanzacco
Telegrama do Astrónomo

Messier 82:
Wikipedia
SEDS

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)
NASA
Restos de supernovas (Núcleo de Astronomia do CCVAlg)

 
OPPORTUNITY COMPLETA 10 ANOS: NOVOS ACHADOS DE ANTIGO ROVER

Novas descobertas em amostras de rochas recolhidas e examinadas pelo rover Opportunity da NASA confirmaram um ambiente húmido passado, mais ameno e antigo que as condições ácidas e oxidantes que rochas examinadas anteriormente indicavam.

Na edição desta semana da revista Science, Ray Arvidson, investigador adjunto do Opportunity e professor da Universidade de Washington em St. Louis, EUA, escreve em detalhe acerca das descobertas feitas pelo rover e como estas descobertas moldaram o nosso conhecimento do planeta. De acordo com Arvidson e outras pessoas da equipa, a última evidência do Opportunity constitui um ponto de referência.

"Estas rochas são mais velhas do que todas as examinadas anteriormente na missão, e revelam condições mais favoráveis para a vida microbiana do que qualquer evidência estudada previamente pelo Opportunity," realça Arvidson.

Enquanto a equipa do Opportunity celebra o 10.º aniversário do rover em Marte, também anseiam descobertas por vir e como uma melhor compreensão de Marte irá ajudar a avançar planos para missões humanas ao planeta na década de 2030.

O rover Opportunity da NASA capturou as imagens deste auto-retrato cerca de três semanas antes de completar uma década em Marte. A câmara panorâmica do rover (Pancam) obteve as imagens entre 3 e 6 de Janeiro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. Cornell/Univ. Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão original do Opportunity tinha uma duração planeada de apenas três meses. No dia do seu 10.º aniversário no Planeta Vermelho, o Opportunity examina a borda da Cratera Endeavour. Já percorreu 38,7 km desde que aterrou no dia 24 de Janeiro de 2004. Encontra-se praticamente do lado oposto do planeta em relação ao rover mais recente da NASA, o Curiosity.

Para encontrar rochas para estudo, a equipa do rover no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, fez com que o rover andasse às voltas, estudando o terreno em busca de rochas promissoras numa área da borda da Endeavour chamada Matijevic Hill. A busca foi orientada por um instrumento de mapeamento mineral a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, que chegou a Marte em 2006, muito tempo depois do final originalmente esperado da missão do Opportunity.

A partir de 2010, o instrumento de mapeamento, com o nome CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars), detectou evidências em Matijevic Hill de um mineral argiloso conhecido como esmectita rica em ferro. A equipa do Opportunity definiu como meta examinar este mineral no seu contexto natural - onde se encontra, como está situado em relação a outros minerais e as camadas geológicas da área - um método valioso para a recolha de mais informações acerca deste ambiente antigo. Os investigadores pensam que as condições húmidas que criaram a esmectita rica em ferro precederam a formação da Cratera Endeavour há cerca de 4 mil milhões de anos atrás.

"Quanto mais exploramos Marte, mais interessante se torna. Os achados mais recentes apresentam ainda outro tipo de 'presente' que por coincidência coincide com o 10.º aniversário do Opportunity em Marte," realça Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte da NASA. "Estamos descobrindo mais lugares onde Marte revela um passado mais quente e molhado. Isso dá-nos um maior incentivo para continuar a procurar evidências de vida passada em Marte."

O Opportunity não sofreu muitas mudanças no estado de saúde ao longo do último ano e o veículo permanece um parceiro de pesquisa capaz para a equipa de cientistas e engenheiros que planeiam as actividades diárias do rover.

"Estamos esta semana a olhar para o legado da primeira década do Opportunity, mas há mais coisas boas pela frente," realça Steve Squyres, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, investigador principal da missão. "Estamos a examinar uma rocha mesmo em frente do rover que é diferente de tudo o que já vimos antes. Marte continua a surpreender-nos, tal como na primeira semana da missão."

O gémeo do Opportunity, Spirit, que trabalhou durante seis anos, e o seu sucessor, Curiosity, também contribuíram com valiosas informações acerca dos diversos ambientes húmidos do passado de Marte, desde fontes termais até cursos de água. As sondas marcianas em órbita, a Odyssey e a MRO, estudam todo o planeta e ajudam os rovers.

"Ao longo da última década, os rovers fizeram do Planeta Vermelho o nosso local de trabalho, o nosso bairro," comenta John Callas. "A longevidade e as distâncias percorridas são notáveis. Mas ainda mais importante são as descobertas e a geração que estão inspirar."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
JPL/NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
SPACE.com
Universe Today
Universe Today - 2
PHYSORG
PHYSORG - 2
redOrbit
National Geographic
Reuters
BBC News

Rovers Spirit e Opportunity:
10.º aniversário dos rovers Spirit e Opportunity (NASA)
NASA
Wikipedia

MRO:
Página oficial da NASA 
Página oficial do JPL
Wikipedia

Rover Curiosity:
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
HERSCHEL DESCOBRE VAPOR DE ÁGUA EM TORNO DO PLANETA ANÃO CERES

O observatório espacial Herschel da ESA descobriu vapor de água em torno de Ceres, a primeira detecção inequívoca de vapor de água em torno de um objecto da cintura de asteróides.

Com um diâmetro de 950 km, Ceres é o maior objecto da cintura de asteróides, que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter. Mas ao contrário da maioria dos asteróides, Ceres é quase esférico e pertence à categoria de "planetas anões", que também inclui Plutão.

Pensa-se que Ceres tem camadas, talvez com um núcleo rochoso e um manto exterior gelado. Isto é importante, porque o conteúdo de água gelada da cintura de asteróides tem implicações significativas para a nossa compreensão da evolução do Sistema Solar.

O planeta anão Ceres está localizado na cintura de asteróides, entre as órbitas de Marte e Júpiter, aqui ilustrado nesta impresão de artista.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quando o Sistema Solar foi formado há 4,6 mil milhões de anos atrás, as suas regiões centrais eram demasiado quentes para a água condensar-se nas posições dos planetas mais interiores, Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. Ao invés, pensa-se que a água foi entregue mais tarde a estes planetas durante um período prolongado e intenso de impactos de asteróides e cometas há cerca de 3,9 mil milhões de anos.

Sabe-se que os cometas contêm água gelada, mas e os asteróides? Suspeitava-se da existência de água na cintura de asteróides graças à observação de actividade tipo-cometa em torno de alguns asteróides - a chamada família cometária da cintura de asteróides - mas não havia uma detecção definitiva de vapor de água.

Agora, usando o instrumento HIFI do Herschel para estudar Ceres, os cientistas recolheram dados que apontam para a emissão de vapor de água a partir da superfície gelada do planeta anão.

"Esta é a primeira vez que foi detectada água na cintura de asteróides, e fornece a prova de que Ceres tem uma superfície gelada e uma atmosfera," afirma Michael Küppers do Centro Espacial Europeu de Astronomia da ESA na Espanha, autor principal do artigo publicado na revista Nature.

Embora o Herschel não tenha sido capaz de capturar uma imagem detalhada de Ceres, os astrónomos conseguiram derivar a distribuição das fontes de água na superfície ao observar variações no sinal de água durante as 9 horas do período de rotação do planeta anão. Quase todo o vapor de água é proveniente de apenas dois locais na superfície.

"Estimamos que é produzido a cada segundo aproximadamente 6 kg de vapor de água, exigindo que apenas uma pequena fracção seja coberto por água gelada, que liga bem com as duas características superficiais que localizámos e observámos," afirma Laurence O'Rourke, investigador principal do programa de observação de asteróides e cometas do Herschel com o nome MACH-11, e segundo autor do artigo da Nature.

Variabilidade na intensidade da absorção do sinal de água detectado em Ceres pelo observatório espacial Herschel da ESA no dia 6 de Março de 2013. As leituras mais intensas correspondem a duas regiões escuras na superfície conhecidas como Piazzi e Região A, identificadas na imagem terrestre obtida pelo Observatório Keck II. Os dois pontos à longitude 110º foram obtidos num intervalo de tempo de aproximadamente 9 horas - igual ao período de rotação de Ceres - e mostra que a variabilidade na produção de vapor de água é possível mesmo em curtos períodos de tempo.
Crédito: Adaptado de Küppers et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A explicação mais simples da produção de vapor de água é através de sublimação, em que o gelo é aquecido e transforma-se directamente em gás, arrastando com ele a poeira da superfície e expondo assim gelo fresco por baixo para sustentar o processo. Os cometas funcionam desta maneira.

As duas regiões que emitem vapor de água são aproximadamente 5% mais escuras que a média de Ceres. Capazes de absorver mais luz solar, são então provavelmente as regiões mais quentes, resultando numa sublimação mais eficiente de pequenos reservatórios de água gelada.

Uma outra possibilidade é que geysers ou vulcões gelados - criovulcanismo - desempenhem um papel na actividade do planeta anão.

São esperadas em breve mais informações detalhadas sobre Ceres, pois a missão Dawn da NASA está actualmente a caminho, com chegada prevista para o início de 2015. Irá fornecer um detalhado mapeamento da superfície e estudar como é gerada a actividade da água e como varia com o tempo.

"A descoberta do Herschel da libertação de vapor de água em Ceres dá-nos novas informações sobre como a água é distribuída no Sistema Solar. Dado que Ceres constitui cerca de um-quinto da massa total da cintura de asteróides, este achado é importante não apenas para o estudo dos pequenos corpos do Sistema Solar em geral, mas também para aprender mais sobre a origem da água na Terra," realça Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA.

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Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
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Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
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Ceres:
Wikipedia

Missão Dawn:
Página oficial
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Enxame Duplo em Perseu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fabian Neyer
 
Este encantador campo estelar cobre cerca de sete Luas Cheias (cerca de 3,5º) na heróica constelação norte de Perseu. Mesmo para a direita do centro encontra-se o famoso par de enxames abertos, h e Chi Perseii. Também catalogados como NGC 869 (direita) e NGC 884 (esquerda), ambos os enxames estão a aproximadamente 7000 anos-luz de distância e contêm estrelas muito mais jovens e quentes que o Sol. Separados por apenas umas centenas de anos-luz, os enxames têm ambos 13 milhões de anos, tendo por base as idades das suas estrelas individuais, indicando que foram provavelmente um produto da mesma região de formação estelar. Sempre uma visão gratificante em binóculos, o Enxame Duplo é até visível a olho nu a partir de locais escuros. No entanto, nunca vistas em binóculos e poucas vezes representadas em imagens telescópicas da região, são aqui visíveis por toda a paisagem celeste ténues nuvens avermelhadas de hidrogénio gasoso ionizado. A imagem é uma composição e inclui dados de banda-estreita para salientar a emissão das nuvens de hidrogénio. Visível perto do canto superior esquerdo do campo, encontra-se um enxame aberto mais pequeno, NGC 957, também de idade semelhante, e possivelmente relacionado com o mais famoso Enxame Duplo em Perseu.
 

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