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Edição n.º 1072
17/06 a 19/06/2014
 
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21/06/14 - SOLSTÍCIO DE VERÃO
13:00 – 14:00 - No Solstício de Verão, vamos recriar a medição do tamanho da Terra de uma forma semelhante àquela usada por Eratóstenes em 240 a.C. Juntamente faremos observações do disco solar com telescópio. Uma experiência e um pouco de matemática, para comemorar a chegada do Verão!

Público: Público em geral, local: CCVAlg
(dependente de meteorologia favorável)

28/06/14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
A actividade consiste na observação do Sol em segurança, e tem por objectivo dar algumas características da nossa estrela, podendo incluir outras actividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar.

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/06: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteróide Hagar (682).
Observações: Vega é a estrela mais brilhante do céu a Este. Mesmo quase ao seu lado (para baixo e para a esquerda), está um dos mais famosos sistemas múltiplos do céu: o duplo-duplo de Epsilon Lyrae. Forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo mede menos de 2' de lado. Uns binóculos resolvem facilmente Epsilon, e um telescópio (abertura mínima de 4 polegadas) com uma ampliação de 100x ou mais já deverá resolver cada das duas componentes dos dois pares. Zeta Lyrae, a terceira estrela do triângulo, é também uma estrela dupla binocular, mais complicada de observar, mas facilmente dividida com telescópio. Delta Lyrae, a estrela mesmo para baixo, é também um par binocular mas mais largo.

Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges de Canterbury assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno. Acredita-se que as actuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.

Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar.
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.  
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Observações: Agora que Escorpião sobe para uma boa posição de observação, preste atenção a Delta Scorpii. Esta é a estrela do meio da cabeça do escorpião. Em 2000, duplicou inesperadamente de brilho. Desde aí, permaneceu mais brilhante que o normal, com algumas flutuações, a aproximadamente magnitude 2,0. Compare-a com Beta Scorpii para cima, de magnitude 2,6, e Antares, de magnitude 1,1.

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" o perímetro da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (actualmente Assuão).

Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:40.
Agora que a Lua está fora do céu nocturno, planeie algumas "caças" de céu profundo com o seu telescópio! Poderá conhecer os esplêndidos enxames globulares M10 e M12 em Ofíuco. Mas conhece as galáxias menos conhecidas para Noroeste?
Mercúrio em conjunção inferior, pelas 23:44.

 
CURIOSIDADES


Contagem mais recente de exoplanetas conhecidos: 1795 exoplanetas em 1114 sistemas planetários (461 destes são sistemas multiplanetários).

 
FRACTURAS EM LUA DE PLUTÃO PODEM INDICAR QUE JÁ TEVE UM OCEANO SUBTERRÂNEO

De acordo com um estudo financiado pela NASA, se a superfície gelada da lua gigante de Plutão, Caronte, estiver rachada, a análise das fracturas poderá revelar se o seu interior esteve quente, talvez quente o suficiente para ter mantido um oceano subterrâneo de água líquida.

Plutão é um mundo extremamente distante, orbitando o Sol a mais de 29 vezes a distância entre a Terra e a nossa estrela. Com uma temperatura à superfície estimada em cerca de 229 graus negativos (Celsius), o ambiente de Plutão é demasiado frio para permitir água líquida à sua superfície. As luas de Plutão têm o mesmo ambiente frígido.

A distância e o pequeno tamanho de Plutão tornam-no difícil de observar, mas em Julho de 2015, a sonda New Horizons da NASA será a primeira a visitar Plutão e Caronte, e irá fornecer as observações mais detalhadas até à data.

Esta impressão de artista mostra Plutão e algumas das suas luas, a partir da superfície de outra lua. Plutão é o grande disco perto do centro. Caronte é o mais pequeno para a sua direita.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O nosso modelo prevê diferentes padrões de fracturas na superfície de Caronte, dependendo da espessura do seu gelo à superfície, da estrutura do interior da lua e quão facilmente se deforma, e da evolução da sua órbita," afirma Alyssa Rhoden do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "Ao comparar as observações reais de Caronte pela New Horizons com as nossas várias previsões, podemos ver qual a que se encaixa melhor e descobrir se Caronte já pode ter tido um oceano subsuperficial no seu passado, impulsionado pela sua alta excentricidade." Rhoden é a autora principal de um artigo sobre esta pesquisa, disponível online no site da revista Icarus.

Algumas luas em redor dos planetas gigantes gasosos do Sistema Solar exterior têm superfícies rachadas com evidências de oceanos interiores - a lua Europa, de Júpiter, e Encelado, de Saturno, são dois exemplos.

À medida que Europa e Encelado se movem nas suas órbitas, o puxo gravitacional entre os seus respectivos planetas e as luas vizinhas impedem com que as suas órbitas se tornem circulares. Em vez disso, estas luas têm órbitas excêntricas (ligeiramente ovais), que levantam marés diárias que flexionam o interior e "stressam" a superfície. Pensa-se que o aquecimento por marés tenha ampliado a vida útil dos oceanos subsuperficiais de Europa e de Encelado, mantendo o seu interior quente.

Este é um mosaico de imagens que mostram rachas na lua de Saturno, Encelado, obtidas pela sonda Cassini durante passagens rasantes a 9 de Março e 14 de Julho de 2005.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No caso de Caronte, este estudo conclui que uma alta excentricidade passada pode ter gerado grandes marés, provocando fricção e fracturas à superfície. A lua é extraordinariamente grande em relação ao seu planeta, tem cerca de um-oitavo da massa de Plutão, um recorde do Sistema Solar. Pensa-se que se tenha formado muito mais perto de Plutão, após um impacto gigante ter expelido material da superfície do planeta. O material entrou em órbita de Plutão e coalesceu sob a sua própria gravidade para formar Caronte e várias luas mais pequenas.

Inicialmente, teriam havido grandes marés em ambos os mundos à medida que a gravidade entre Plutão e Caronte fazia com que as suas superfícies formassem um "bojo" na direcção um do outro, gerando fricção nos seus interiores. Esta fricção teria também feito com que as marés ficassem um pouco atrás das suas posições orbitais. Este atraso teria agido como um travão sobre Plutão, fazendo com que a sua rotação diminuísse enquanto transferia essa energia rotacional para Caronte, acelerando-a e afastando-a de Plutão.

"Dependendo da evolução exacta da órbita de Caronte, particularmente se passou por uma fase de grande excentricidade, poderá ter havido calor suficiente para formar deformação por marés e assim manter água líquida por baixo da superfície de Caronte durante algum tempo," afirma Rhoden. "Usando modelos plausíveis da estrutura interior que incluem um oceano, descobrimos que não necessitaria de muita excentricidade (menos de 0,01) para gerar fracturas à superfície como as que vemos em Europa."

Duas imagens de Europa, obtidas pela missão Galileu da NASA. A imagem da esquerda mostra a aparência natural de Europa. A imagem da direita é uma composição em cores falsas de imagens violeta, verde e infravermelhas, para realçar as diferenças de cor na crosta gelada de Europa.
Crédito: NASA/JPL/DLR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Sabendo que é muito fácil obter fracturas, se quando chegarmos a Caronte não existir nenhuma, isso coloca uma restrição muito forte de quão alta a excentricidade poderia ter sido e quão quente o seu interior já foi," acrescenta Rhoden. "Esta pesquisa dá-nos uma vantagem sobre a chegada da New Horizons - o que devemos procurar e o que podemos aprender com isso. Estamos a viajar até Plutão e Plutão é fascinante, mas Caronte também vai ser fascinante."

Com base em observações com telescópios, a órbita de Caronte está agora num estado final estável: uma órbita circular em que a rotação tanto de Plutão como de Caronte caiu para o ponto onde mostram sempre o mesmo lado um para o outro. Segundo Rhoden, não se espera que a sua órbita actual gere marés significativas, de modo que qualquer oceano subterrâneo antigo pode estar agora congelado.

Tendo em conta que a água líquida é um ingrediente necessário para as formas de vida conhecidas, os oceanos de Europa e de Encelado são considerados lugares onde a vida extraterrestre pode ser encontrada. No entanto, a vida também requer uma fonte de energia utilizável e uma ampla oferta de muitos elementos-chave, tais como carbono, azoto e fósforo. Não se sabe se esses oceanos abrigam estes ingredientes adicionais, ou se existem há já tempo suficiente para a vida se formar. As mesmas questões aplicam-se também a qualquer oceano antigo que possa ter existido por baixo da crosta gelada de Caronte.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
Universe Today
PHYSORG
SPACE.com
ScienceDaily

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

New Horizons:
Página oficial
Wikipedia

Europa:
NASA
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Encelado:
Solarviews
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Hubble começa pesquisa de alvo para New Horizons depois de Plutão (via NASA)
Após uma análise e consideração cuidadosas, o Comité de Alocação de Tempo do Telescópio Espacial Hubble recomendou usar o telescópio na procura de um objecto secundário para a sonda New Horizons, depois da sua passagem por Plutão em 2015. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Eco de Luz de V838: O Filme
(clique na imagem para ver vídeo no YouTube)
Crédito: ESANASATelescópio Espacial Hubble; Música: The Driving Force (Jingle Punks)
 
O que provocou esta explosão de V838 Mon? Por razões desconhecidas, a estrela V838 Mon tornou-se de repente numa das mais brilhantes de toda a Via Láctea. Poucos meses depois, enfraqueceu. Nunca tinha sido visto um flash estelar como este - as supernovas e novas libertam uma quantidade tremenda de matéria para o espaço. Embora o flash de V838 Mon pareça expelir algum material para o espaço, o que é visto no filme acima, composto por 8 "frames" mas interpolado para fluidez, é na realidade um eco de luz móvel do flash. O filme mostra o flash a partir de 2002, desde que foi primeiro registado, até 2006. Num eco de luz, a luz do flash é reflectida por elipsóides sucessivamente mais distantes da complexa rede de poeira interestelar ambiente que já rodeava a estrela. Actualmente, o modelo principal para a explosão de V838 é o decaimento orbital e fusão subsequente de duas estrelas relativamente normais. V838 Mon está situada a cerca de 20.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Unicórnio (Monoceros), e o maior eco de luz estende-se por cerca de 6 anos-luz em diâmetro.
 

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