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Edição n.º 1096
09/09 a 11/09/2014
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era a do telescópio de 12 metros de seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Observações: Lua Cheia, pelas 02:38.
Arcturo é a estrela brilhante e razoavelmente alta a Oeste ao anoitecer. É uma gigante laranja a 37 anos-luz de distância. Para a sua direita a Noroeste encontra-se a Ursa Maior, cuja maioria das estrelas está a aproximadamente 80 anos-luz.

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 1985, a sonda ICE (International Cometary Explorer) faz o primeiro voo rasante de um cometa, o cometa Giacobini-Zinner

Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: A Lua já está a minguar mas ainda é grande e nasce a Este ao anoitecer. Bem para cima do nosso satélite natural está o canto inclinado do Grande Quadrado de Pégaso.
Urano está a pouco mais de 1º da Lua.

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: Uma antevisão de Inverno: se estiver acordado(a) antes do amanhecer esta semana, o céu mostra o mesmo panorama estrelado que ao lusco-fusco no início de Fevereiro: Orionte encontra-se alto a Sudeste, Sirius e Cão Maior brilham para baixo e para a esquerda de Orionte, Gémeos ocupa o Este para a esquerda da Orionte, e Júpiter brilha bem para baixo de Pollux e Castor. Em Fevereiro, Júpiter, estará mais distante das duas estrelas, em Leão.

 
CURIOSIDADES


Quando Herschel descobriu o planeta Urano em 1781, deu-lhe o nome "Georgium Sidus", em honra ao rei George III. O nome não foi popular fora da Grã-Bretanha. Bode sugeriu Urano, e argumentou que tal como Saturno era o pai de Júpiter, o novo planeta devia ter o nome do pai de Saturno. A decisão tornou-se universal em 1850.

 
CIENTISTAS ENCONTRAM EVIDÊNCIAS DO "MERGULHO" DE PLACAS TECTÓNICAS EM EUROPA
Cientistas descobriram evidências de placas tectónicas na lua de Júpiter, Europa. Esta impressão de artista do processo de subducção (onde uma placa é forçada sob a outra) mostra como uma área exterior, fria e frágil com 20-30 km se move para o interior mais quente e, em última instância, é englobado. A banda de baixo relevo foi criada na superfície e na placa dominante, de onde podem ter surgido criolavas.
Crédito: Noah Kroese, I.NK
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas encontraram evidências de placas tectónicas na lua de Júpiter, Europa. São o primeiro sinal deste tipo de actividade geológica actual num mundo que não a Terra.

Os investigadores têm evidências visuais claras da expansão da crosta gelada de Europa. No entanto, não conseguiam encontrar áreas onde a antiga crosta era destruída para dar espaço à nova. Enquanto examinavam imagens de Europa capturadas pela sonda Galileu da NASA no início da década de 2000, os geólogos planetários Simon Katternhorn, da Universidade de Idaho, e Louise Prockter, do Laboratório de Física Aplicada de Johns Hopkins em Laurel, no estado de Maryland, descobriram algumas fronteiras geológicas incomuns.

"A forma como este terreno novo se formou deixou-nos intrigados durante anos, e não conseguíamos descobrir como foi acomodado," afirma Prockter. "Nós pensamos que finalmente encontrámos a resposta."

A tectónica de placas é a teoria científica que afirma que a camada exterior da Terra é composta por placas ou blocos que se movem, que explicam o porquê da formação de montanhas e vulcões e a existência de sismos.

A superfície de Europa - uma das quatro maiores luas de Júpiter e ligeiramente mais pequena que a Lua da Terra - está repleta de fendas e sulcos. Sabe-se que os blocos à superfície mudam do mesmo modo como os blocos da Terra. Muitas partes da superfície de Europa mostram evidências de extensão, onde se formaram grandes bandas com quilómetros de comprimento à medida que a superfície era rasgada e o material gelado e fresco da camada inferior movia-se para a abertura recém-criada - um processo semelhante à expansão dos fundos oceânicos na Terra.

Na Terra, à medida que o novo material de superfície se forma nas cristas oceânicas, o material antigo é destruído por subducção, regiões onde duas placas tectónicas convergem, sobrepõem e onde uma é forçada sob a outra. No entanto, apesar do grau de extensão evidente à superfície de Europa, os cientistas não tinham sido capazes de determinar como a superfície conseguia acomodar todo este material novo.

Os investigadores que estudam Europa muitas vezes reconstroem os blocos superficiais da lua na sua configuração original - como um puzzle - para ter uma ideia do aspecto anterior da superfície antes da ruptura. Quando Kattenhorn e Prockter reorganizaram o terreno gelado nas imagens, descobriram que quase 20.000 quilómetros quadrados da superfície estavam em falta nas latitudes altas do norte da lua.

Outra evidência sugeriu que o terreno em falta havia-se movido para baixo de uma segunda placa à superfície - um cenário visto com frequência nos limites das placas tectónicas. Kattenhorn e Prockter viram criovulcões na placa dominante, possivelmente formados por meio de fusão e absorção da placa à medida que mergulhava para baixo da superfície, e uma ausência de montanhas na zona de subducção, implicando que o material era empurrado para o interior em vez de se "amarrotar" à medida que as duas placas chocavam uma com a outra.

Os cientistas acreditam que a área subductada foi absorvida pela concha gelada de Europa, que pode ter até 30 km de espessura, em vez de romper para o oceano subterrâneo por baixo. Na superfície relativamente jovem de Europa - com cerca de 40-90 milhões de anos, em média - os cientistas viram evidências de material que se move do interior para a superfície mas, até agora, não tinha sido encontrado nenhum mecanismo para mover o material novamente para baixo da superfície e, possivelmente, para o grande oceano abaixo do gelo.

"Europa pode ser mais parecida com a Terra do que imaginávamos, caso tenha um sistema global de placas tectónicas," afirma Kattenhorn. "Não só esta descoberta a torna num dos corpos mais geologicamente interessantes do Sistema Solar, também implica uma comunicação bidireccional entre o exterior e o interior - uma maneira de mover o material da superfície para o oceano - um processo que tem implicações significativas para o potencial de Europa como mundo habitável."

Os resultados da equipa aparecem na edição online de Domingo da revista Nature Geoscience.

Em Julho, a NASA anunciou que pretendia recolher propostas para instrumentos científicos a serem incorporados numa missão futura a Europa.

"Europa continua a revelar-se como um mundo dinâmico com semelhanças convincentes com o nosso próprio planeta Terra," afirma Curt Niebur, cientista do programa Outer Planets na sede da NASA em Washington. "O estudo de Europa aborda questões fundamentais acerca da lua gelada potencialmente habitável e da busca de vida para lá da Terra."

Descobertas científicas anteriores apontam para a existência de um oceano de água líquida por baixo da crosta gelada de Europa. Este oceano abrange totalmente Europa e contém mais água líquida que todos os oceanos da Terra juntos.

A sonda Galileu da NASA, lançada em 1989, foi a única missão espacial a fazer várias visitas a Europa, passando perto da lua cerca de uma dúzia de vezes.

A Galileu descobriu evidências de um oceano de água salgada por baixo da crosta gelada de Europa. A missão terminou oficialmente em Setembro de 2003, quando a Galileu mergulhou na atmosfera de Júpiter para prevenir um impacto com Europa.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
nature geoscience
Science
Nature
SPACE.com
PHYSORG
NewScientist
redOrbit
io9

Placas tectónicas:
Wikipedia

Europa:
NASA
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda Galileu:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
EVIDÊNCIAS DE FORMAÇÃO PLANETÁRIA A 335 ANOS-LUZ DA TERRA

Uma equipa internacional de cientistas descobriu novas evidências da formação de planetas em torno de uma estrela a cerca de 335 anos-luz da Terra.

A equipa descobriu emissões de monóxido de carbono que sugerem fortemente a existência de um planeta em órbita de uma estrela relativamente jovem conhecida como HD100546. O candidato a planeta é o segundo que os astrónomos descobrem em órbita da estrela.

As teorias de como os planetas se formam estão bem desenvolvidas. Mas caso se confirmem os achados do novo estudo, a actividade em redor de HD100546 marcará uma das primeiras vezes que os astrónomos foram capazes de observar directamente o processo de formação planetária.

Impressão de artista da estrela HD100546 e do seu disco de gás e poeira.
Crédito: P. Marenfeld & NOAO/AURA/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Novas descobertas da estrela podem permitir que os astrónomos testem as suas teorias e aprendam mais sobre a formação de sistemas estelares, incluindo o nosso", afirma Sean Brittain, professor de astronomia e astrofísica da Universidade de Clemson, no estado americano da Carolina do Sul.

"Este sistema está muito perto da Terra, em comparação com outros," realça. "Somos capazes de estudá-lo com um nível de detalhe que não é possível para estrelas mais distantes. Este é o primeiro sistema onde fomos capazes de o fazer."

"Assim que entendermos o que realmente se passa, as ferramentas que desenvolvemos podem ser aplicadas a um maior número de sistemas mais distantes e difíceis de observar."

Durante mais de uma década, a equipa apontou alguns dos telescópios mais poderosos da Terra na direcção da nuvem de gás e poeira com a forma de disco que rodeia HD100546.

A estrela é cerca de 2,5 vezes maior e 30 vezes mais brilhante que o Sol, comenta Brittain. Encontra-se na direcção da constelação de Mosca, visível apenas a partir do Hemisfério Sul.

Brittain fez três viagens ao Chile, desde 2003, para recolher dados sobre a pesquisa. Usou os telescópios do Observatório Gemini e do ESO.

O novo planeta que os astrónomos acreditam ter encontrado parece ser um gigante gasoso com pelo menos três vezes o tamanho de Júpiter. A sua distância à estrela é equivalente à distância entre Saturno e o Sol.

A equipa usou uma técnica chamada "espectro-astrometria", que permite a medição de pequenas mudanças na posição da emissão do monóxido de carbono. Foi detectada uma fonte excedentária de emissão de monóxido de carbono que parece variar em posição e velocidade. A variação de posição e velocidade são consistentes com o movimento de translação em torno da estrela.

A hipótese mais provável é que a emissão vem de um disco "circumplanetário" de gás em órbita do gigante gasoso, acrescenta Brittain.

Sean Brittain trabalha no seu computador em Kinard Hall.
Crédito: Universidade de Clemson
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Outra possibilidade é que estamos a ver a sequência de interacções gravitacionais entre o objecto e o disco circum-estelar de gás e poeira que rodeia a estrela".

Os membros da equipa relataram as suas descobertas numa edição recente da revista The Astrophysical Journal.

O próximo passo no estudo será a captura de imagens usando câmaras acopladas ao VLT (Very Large Telescope) do ESO ou ao Telescópio Gemini Sul.

Há muito que se pensa que os discos circumplanetários rodeiam planetas gigantes durante o nascimento, mas não existiam muitas evidências observacionais da sua existência para lá do Sistema Solar. Acredita-se serem o local de nascimento de luas, como as que orbitam Júpiter.

"Existem diferentes modelos de discos circumplanetários, mas nunca tínhamos visto um," comenta Brittain.

Os discos formam-se em muitos tipos de ambiente no Universo como consequência de uma lei fundamental da física conhecida como "conservação do momento angular".

A lei diz que um objecto giratório vai continuar a girar com a mesma velocidade angular a não ser que uma força actue sobre ele. Se o objecto ficar mais pequeno, vai girar mais depressa e vice-versa.

O mesmo princípio que faz com que os patinadores artísticos acelerem quando colocam os braços perto do seu corpo também faz com que os discos que se formam em redor de objectos caiam na sua direcção. Isto é verdade para discos em torno de buracos negros supermassivos no centro de galáxias, discos circum-estelares em redor de estrelas jovens e discos circumplanetários em redor de planetas em formação.

"Os astrónomos são muito competentes a encontrar planetas já formados em redor de estrelas próximas, mas tem sido difícil observar os planetas em processo de formação," afirma Mark Leising, director do departamento de astronomia e astrofísica da Universidade Clemson.

Já tinham sido previamente encontradas evidências da formação de outro planeta mais longe de HD100546. Uma bolha de gás e poeira, que tem ficado mais densa ao longo do tempo, foi descoberta à mesma distância que Plutão está do Sol.

"Está no processo de colapso," afirma Brittain. "Talvez daqui a um milhão de anos exista aí outro planeta e disco."

O candidato a planeta exterior seria um gigante gasoso com o tamanho de Júpiter. Está entre as evidências que apontam para a formação planetária múltipla e talvez sequencial.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2013/03/01 - O nascimento de um planeta gigante?

Notícias relacionadas:
Universidade de Clemson (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
PHYSORG
Universe Today

HD100546:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nuvem, Enxames e Cometa Siding Spring
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rolando Ligustri (Projecto CARACAST)
 
No dia 19 de Outubro, um bom local para observar o Cometa Siding Spring será a partir de Marte. Nesse dia, este visitante (C/2013 A1) do Sistema Solar interior, descoberto em Janeiro de 2013 por Robert McNaught no Observatório Siding Spring na Austrália, vai passar a 132.000 quilómetros do Planeta Vermelho. Falha Marte por pouco, o equivalente a um-terço da distância Terra-Lua. Entretanto, o cometa está proporcionar boas observações para os curiosos que vivem no Hemisfério Sul da Terra. Esta fotografia telescópica capturada no dia 29 de Agosto mostra a cabeleira esbranquiçada do cometa e a sua cauda curva de poeira varrendo os céus do Sul. O fabuloso campo inclui a Pequena Nuvem de Magalhães e os enxames globulares 47 Tucano (direita) e NGC 362 (canto superior esquerdo). Preocupado(a) com todas aquelas sondas espaciais em órbita de Marte? As partículas de poeira oriundas do cometa podem representar um perigo e os controladores planeiam colocar as sondas no lado oposto do planeta durante a passagem rasante do cometa.
 

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