Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1109
24/10 a 27/10/2014
 
Siga-nos:      
 

04/11/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/10: 297.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, William Lassell descobre as luas UmbrielAriel em órbita de Urano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.

Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:03 e as 03:01.
Trânsito da sombra de Io, entre as 05:03 e as 07:22.
Assim que as estrelas ficam visíveis, Deneb está quase por cima das nossas cabeças para observadores a latitudes médias norte. Vega, mais brilhante, está para Oeste do zénite. Altair está ainda mais longe do zénite para Sul.

Dia 25/10: 298.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Eclipse de Io, entre as 02:10 e as 04:31.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 02:35 e as 06:22.
Ocultação de Io, as 03:22 e as 05:44.
Vénus em conjunção superior, pelas 08:04.
Meia-hora depois do pôr-do-Sol, aviste a finíssima Lua Crescente muito baixa a Oeste-Sudoeste. Para baixo e para a sua direita, tente avistar Saturno, mais perto do horizonte a cada dia que passa.

Dia 26/10: 299.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, o cosmonauta soviético Georgy Beregovoy pilota a Soyuz 3 para o espaço, numa missão de quatro dias.

Observações: O padrão em forma de "W" da constelação de Cassiopeia está quase na vertical, alto a Nordeste após o anoitecer (cerca das 21 horas), dependendo de onde se encontra. O lado mais brilhante do W está no topo.
Atrase os seus relógios 60 minutos às 02:00 de Domingo em Portugal, passando para a 01:00
.

Dia 27/10: 300.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I

Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado americano do Colorado.
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objecto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express do Cosmódromo de Plesetsk.
Observações: A meio da noite, a brilhante Capela brilha a Nordeste. Procure, para a sua direita, o pequeno enxame das Plêiades. Por baixo de M45 está a estrela alaranjada Aldebarã.

 
CURIOSIDADES


O quinto sistema estelar mais próximo do Sol (ou a sétima estrela), Sirius, é também a estrela mais brilhante do céu nocturno. Encontra-se a cerca de 8,6 anos-luz. Para os Egípcios, o seu nascer helíaco marcava a subida do nível das águas do Rio Nilo e para os Gregos o começo dos dias de calor. Esta simbologia está agora desfasada devido à precessão da Terra.

 
ESTUDO OBSERVA QUE TITÃ BRILHA AO ANOITECER E AO AMANHECER
Bem alto na atmosfera de Titã, grandes zonas de dois gases brilham perto do pólo norte, no lado do anoitecer da lua, e perto do pólo sul, no lado do amanhecer. As cores mais brilhantes indicam sinais mais fortes dos dois gases, HNC (esquerda) e HC3N (direita); os tons avermelhados indicam sinais menos pronunciados.
Crédito: NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novos mapas da lua de Saturno, Titã, revelam grandes manchas de gases que brilham perto dos pólos norte e sul. Estas regiões estão curiosamente desviadas dos pólos, para Este ou Oeste, quando o amanhecer surge na região a Sul e enquanto a noite cai na região a Norte.

O par de manchas foi descoberto por uma equipa internacional de cientistas que investigavam a composição química da atmosfera de Titã.

"Esta é uma descoberta inesperada e potencialmente revolucionária," afirma Martin Cordiner, astroquímico que trabalha no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, autor principal do estudo. "Estes tipos de variações de leste para oeste nunca foram antes vistos nos gases atmosféricos de Titã. A explicação da sua origem apresenta-nos um novo e fascinante problema."

O mapeamento vem de observações feitas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma rede de antenas de alta precisão no Chile. Nos comprimentos de onda utilizados por essas antenas, as áreas ricas em gás da atmosfera de Titã brilham intensamente. E graças à sensibilidade do ALMA, os investigadores foram capazes de obter mapas espaciais dos químicos na atmosfera de Titã a partir de uma observação "instantânea" que durou menos de 3 minutos.

Há muito que a atmosfera de Titã é de interesse, pois actua como uma fábrica química, usando a energia do Sol e do campo magnético de Saturno para produzir uma grande variedade de moléculas orgânicas, ou à base de carbono. O estudo desta química complexa pode fornecer mais dados sobre as propriedades da atmosfera primitiva da Terra, que pode ter partilhado muitas das características da atmosfera actual de Titã.

Neste estudo, os cientistas focaram-se em duas moléculas orgânicas, ácido isocianídrico (HNC) e cianoacetileno (HC3N), que são formadas na atmosfera de Titã. Em altitudes mais baixas, o HC3N aparece concentrado acima dos pólos norte e sul. Estes resultados são consistentes com observações feitas pela sonda Cassini, que encontrou uma zona nublada e altas concentrações de alguns gases sobre qualquer dos pólos que atravessa a estação de Inverno em Titã.

A surpresa surgiu quando os investigadores compararam as concentrações dos gases em diferentes níveis da atmosfera. Nas altitudes mais elevadas, as bolsas de gás pareciam desviar-se dos pólos. Estes locais desviados do pólo são inesperados porque os rápidos ventos na atmosfera média de Titã movem-se na direcção Este-Oeste, formando zonas parecidas às bandas de Júpiter, embora muito menos pronunciadas. No interior de cada zona, os gases atmosféricos deviam, em grande parte, misturar-se completamente.

Os investigadores não têm ainda uma explicação óbvia para estas descobertas.

"Parece incrível que estes mecanismos químicos possam estar a operar em escalas de tempo rápidas o suficiente para provocar 'bolsas' reforçadas das moléculas observadas," comenta Conor Nixon, cientista planetário em Goddard e co-autor do estudo, publicado na edição online da revista The Astrophysical Journal Letters. "Seria de esperar que as moléculas fossem rapidamente misturadas em redor do globo pelos ventos de Titã."

De momento, os cientistas estão a considerar uma série de explicações possíveis, incluindo efeitos térmicos, padrões de circulação atmosférica até então desconhecidos, ou a influência do poderoso campo magnético de Saturno, grande o suficiente para englobar Titã.

Espera-se que mais observações melhorem a compreensão da atmosfera e dos processos em curso em Titã e em outros objectos do Sistema Solar.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
03/10/2014 - Nuvem rodopiante no pólo de Titã é fria e tóxica
15/08/2014 - Estudo tridimensional de cometas revela fábrica química em funcionamento

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
Universe Today
Discovery News
astrobiology web

HNC:
Wikipedia

HC3N:
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

Sonda Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ENCONTRADAS DUAS FAMÍLIAS DE COMETAS EM TORNO DE ESTRELA PRÓXIMA

O instrumento HARPS em operação no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foi utilizado no censo mais completo feito até à data de cometas em torno de outra estrela. Uma equipa de astrónomos franceses estudou quase 500 cometas individuais que orbitam a estrela Beta Pictoris e descobriram que estes objectos pertencem a duas famílias distintas de exocometas: exocometas velhos que fizeram já várias passagens próximo da estrela e exocometas mais jovens que se formaram provavelmente da recente destruição de um ou mais objectos maiores. Os novos resultados foram publicados na revista Nature do dia 23 de outubro de 2014.

Beta Pictoris é uma estrela jovem situada a cerca de 63 anos-luz de distância do Sol. Tem apenas 20 milhões de anos de idade e encontra-se rodeada por um disco de material enorme - um sistema planetário jovem muito activo onde o gás e a poeira são produzidos tanto pela evaporação de cometas como pela colisão de asteróides.

Flavien Kiefer (IAP/CNRS/UPMC), autor principal do novo estudo explica: "Beta Pictorias é um alvo muito interessante! Observações detalhadas dos seus exocometas fornecem pistas que nos ajudam a compreender que processos ocorrem neste tipo de sistemas planetários jovens."

Esta impressão artística mostra exocometas a orbitar a estrela Beta Pictoris. Os astrónomos analisaram observações de quase 500 cometas individuais, obtidas com o instrumento HARPS, no Observatório de La Silla do ESO, e descobriram duas famílias distintas de exocometas em torno desta estrela jovem. A primeira consiste em exocometas velhos que fizeram já várias passagens próximo da estrela. A segunda família, que mostramos nesta ilustração, consiste em exocometas mais jovens que se deslocam na mesma órbita e que se formaram provavelmente da recente destruição de um ou mais objectos maiores.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante quase 30 anos os astrónomos observaram variações subtis na radiação emitida por Beta Pictoris, que se pensava serem causadas pela passagem de cometas em frente da própria estrela. Os cometas são corpos pequenos - com alguns quilómetros de tamanho - ricos em gelos que se evaporam quando o corpo se aproxima da estrela, produzindo enormes caudas de gás e poeira, que podem absorver alguma da radiação que passa através delas. A fraca luz emitida pelos exocometas é ofuscada pela radiação da estrela brilhante e por isso não se conseguem obter imagens directas destes objectos a partir da Terra.

Para estudar os exocometas de Beta Pictoris, a equipa analisou mais de 1000 observações obtidas entre 2003 e 2011 com o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile.

Os investigadores seleccionaram uma amostra de 493 exocometas diferentes. Alguns exocometas foram observados por diversas vezes e durante algumas horas. Uma análise detalhada permitiu obter medições da velocidade e tamanho das nuvens de gás. Foram também deduzidas algumas das propriedades orbitais de cada um dos cometas, como a forma e orientação da órbita e a distância à estrela.

Este tipo de análise efectuada em várias centenas de exocometas pertencentes a um único sistema exoplanetário é única. O trabalho revelou a presença de dois tipos distintos de famílias de exocometas: uma família de exocometas cujas órbitas são controladas por um planeta de grande massa e outra família, provavelmente originada pela destruição recente de um ou mais objectos maiores. Diferentes famílias de cometas existem igualmente no Sistema Solar.

Esta imagem composta representa o meio circundante da estrela Beta Pictoris observado no infravermelho. Este meio circundante muito ténue apenas é revelado após a subtração extremamente cuidada do muito mais brilhante halo da estrela. A zona mais exterior mostra a radiação reflectida no disco de poeira, observada em 1996 com o instrumento ADONIS montado no telescópio de 3,6 metros do ESO; a zona interior é a parte mais interna do sistema, observada a 3,6 microns com o instrumento NACO do VLT. A fonte recentemente detectada é cerca de 100 vezes mais ténue do que Beta Pictoris, encontra-se alinhada com o disco e situa-se a uma distância projectada de 8 vezes a distância da Terra ao Sol, o que corresponde a 0,44 segundos de arco no céu, ou ao ângulo obtido por uma moeda de 1 Euro vista a uma distância de cerca de 10 quilómetros. Uma vez que o planeta é ainda muito jovem, está ainda muito quente, com uma temperatura de cerca de 1200 graus Celsius. Ambas as partes que compõem a imagem foram obtidas com telescópios do ESO equipados com óptica adaptativa.
Crédito: ESO/A.-M. Lagrange et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os exocometas da primeira família apresentam uma variedade de órbitas e mostram actividade relativamente fraca com baixas taxas de produção de gás e poeira, o que sugere que estes cometas gastaram já o seu conteúdo em gelo durante múltiplas passagens perto de Beta Pictoris.

Os exocometas da segunda família encontram-se muito mais activos e deslocam-se em órbitas quase idênticas, o que sugere que os membros desta família têm todos a mesma origem: provavelmente a destruição de um objecto maior cujos fragmentos se encontram numa órbita rasante da estrela Beta Pictoris.

Flavien Kiefer conclui: "Esta é a primeira vez que um estudo estatístico determina a física e órbitas de um grande número de exocometas. Este trabalho dá-nos um olhar fantástico sobre os mecanismos que estavam presentes no Sistema Solar logo após a sua formação, há cerca de 4,5 mil milhões de anos atrás."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/05/2014 - Medida pela primeira vez a duração de um dia num exoplaneta
07/03/2014 - Choque de cometas explica nodo de gás em torno de estrela jovem
19/10/2014 - Caçadores exoplanetários já não cegam devido à luz
11/06/2010 - Exoplaneta apanhado em movimento

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Nature
Science
Astronomy
PHYSORG
Universe Today
SPACE.com
Popular Science
Scientific American
ScienceDaily

Beta Pictoris:
Solstation 
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Satélite Fermi descobre pistas de sismos estelares em "tempestade" de magnetar (via NASA)
O Telescópio de Raios-Gama Fermi da NASA detectou uma "tempestade" de disparo rápido e altamente energético oriunda de uma estrela de neutrões magnetizada, também chamada magnetar, no dia 22 de Janeiro de 2009. Agora os astrónomos que analisavam os dados descobriram sinais relacionados com ondas sísmicas que ondulavam em todo o magnetar. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxias em Pégaso
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Alessandro Benedetti e Daniele Ceniti (Observatório AeW)
 
Esta ampla e nítida paisagem telescópica revela galáxias espalhadas para lá das estrelas e ténues nebulosas poeirentas da Via Láctea situadas no limite norte da constelação de Pégaso. À direita está a galáxia NGC 7331. A uns meros 50 milhões de anos-luz, a grande espiral é uma das galáxias mais brilhantes não incluídas no famoso catálogo do astrónomo do século XVIII, Charles Messier. O grupo de galáxias à esquerda é o bem conhecido Quinteto de Stephan. A aproximadamente 300 milhões de anos-luz de distância, o quinteto ilustra dramaticamente uma colisão galáctica múltipla, onde as suas poderosas interacções posam para um breve instantâneo cósmico. No céu, o quinteto e NGC 7331 estão separados por mais ou menos meio grau.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2014 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.