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Edição n.º 1112
04/11 a 06/11/2014
 
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28/11/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: À medida que as estrelas ficam visíveis, olhe bem alto para cima da Lua para avistar o Grande Quadrado de Pégaso. Está apoiado sobre um canto.
Urano encontra-se a apenas 1º para a direita da Lua.

Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas. 

Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan.
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 00:35 e as 04:24.

Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 22:24. A Lua brilha para baixo das duas ou três estrelas mais brilhantes da constelação de Carneiro. Consegue discernir as Plêiades apesar do brilho da Lua? O pequeno enxame aberto está para a esquerda do nosso satélite natural.

 
CURIOSIDADES


As Nuvens de Magalhães são conhecidas desde a Antiguidade. A primeira menção preservada da Grande Nuvem de Magalhães foi feita pelo astrónomo persa Al Sufi em 964, no seu "Livro de Estrelas Fixas".

 
ASTRÓNOMOS RESOLVEM PUZZLE DE OBJECTO BIZARRO NO CENTRO DA NOSSA GALÁXIA

Há anos que os astrónomos se interessam por um objecto bizarro no centro da Via Láctea, que se pensava ser uma nuvem de hidrogénio gasoso em direcção ao enorme buraco negro da nossa Galáxia.

Tendo estudado a nuvem este Verão, durante a sua maior aproximação ao buraco negro, astrónomos da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA), acreditam ter resolvido o enigma deste objecto conhecido como G2.

Uma equipa liderada por Andrea Ghez, professora de física e astronomia da mesma universidade, determinou que G2 é provavelmente um par de estrelas binárias que tem estado a orbitar o buraco negro em conjunto e que se fundiram numa única estrela extremamente grande, envolta em gás e poeira - os seus movimentos coreografados pelo poderoso campo gravitacional do buraco negro. A pesquisa foi publicada na revista The Astrophysical Journal Letters.

Os telescópios no Observatório Keck usam ópticas adaptativas, que permitiram com que os astrónomos descobrissem que G2 é um a par de estrelas binárias que se fundiram numa só.
Crédito: Ethan Tweedie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos pensaram que se G2 fosse uma nuvem de hidrogénio, poderia ter sido dilacerada pelo buraco negro, e que os resultantes fogos-de-artifício celestes teriam mudado dramaticamente o estado do buraco negro.

"G2 sobreviveu e continuou feliz na sua órbita; uma simples nuvem de gás não teria feito isso," afirma Ghez. "G2 permaneceu basicamente inalterada pelo buraco negro. Não houve fogo-de-artifício."

Os buracos negros, que se formam a partir do colapso de matéria, têm uma densidade tão alta que nada consegue escapar à sua atracção gravitacional - nem mesmo a luz. Os buracos negros não podem ser observados directamente, mas a sua influência sobre estrelas próximas é visível e fornece uma assinatura clara.

Ghez, que estuda milhares de estrelas na vizinhança do buraco negro supermassivo da Via Láctea, comenta que a estrela G2 parece ser apenas mais outra de uma classe emergente de estrelas perto do buraco negro, criadas porque a poderosa gravidade do buraco negro força com que as estrelas binárias se juntem numa só. Ela também realça que, na nossa Galáxia, as estrelas maciças surgem principalmente em pares. Ela diz que a estrela sofreu uma abrasão na sua camada exterior, mas que em todo o caso vai ficar bem.

Ghez e colegas levaram a cabo a sua pesquisa no Observatório W.M. Keck no Hawaii, que abriga os dois maiores telescópios ópticos e infravermelhos do mundo.

Quando duas estrelas perto do buraco negro se fundem numa só, a estrela expande-se durante mais de um milhão de anos antes de assentar, comenta Ghez. "Isto pode estar a acontecer com mais frequência do que pensávamos. As estrelas no centro da Galáxia são enormes e principalmente binárias. É possível que muitas das estrelas que temos vindo a observar e a não compreender possam ser o produto final de fusões que estão agora calmas."

Ghez e colegas também determinaram que G2 parece estar agora numa fase de inflação. O corpo tem fascinado muitos astrónomos nos últimos anos, particularmente durante o ano que antecedeu a sua passagem mais próxima do buraco negro. "Foi um dos eventos mais observados da Astronomia durante a minha carreira," salienta Ghez.

Imagem capturada pelo Observatório W. M .Keck no infravermelho próximo que mostra que G2 sobreviveu à sua maior aproximação do buraco negro no centro da nossa Via Láctea. O círculo verde mostra a localização do buraco negro supermassivo.
Crédito: Andrea Ghez, Gunther Witzel/UCLA/Observatório W. M. Keck
 

Ghez disse que G2 agora está passando pelo que chama de "esparguete-ficação" - um fenómeno comum perto dos buracos negros onde grandes objectos tornam-se alongados. Ao mesmo tempo, o gás na superfície de G2 está a ser aquecido pelas estrelas em seu redor, criando uma enorme nuvem de gás e poeira que cobre a maior parte da estrela gigantesca.

Os investigadores não teriam sido capazes de chegar às suas conclusões sem a tecnologia avançada do Keck. "É um resultado muito preciso que não teria sido possível sem as incríveis ferramentas dos telescópios de 10 metros do Observatório Keck", comenta Gunther Witzel, pós-doutorado da mesma universidade e autor principal do artigo.

Os telescópios usam ópticas adaptativas, uma poderosa tecnologia que corrige os efeitos de distorção da atmosfera da Terra em tempo real para revelar mais claramente o espaço em redor do buraco negro supermassivo. A técnica ajudou Ghez e colegas a explicar muitas facetas previamente inexplicadas dos ambientes que rodeiam buracos negros supermassivos.

"Estamos observando fenómenos nos buracos negros que não podemos observar em qualquer outro lugar do Universo," acrescenta Ghez. "Estamos começando a compreender a física dos buracos negros de um modo que não era possível antes."

Links:

Notícias relacionadas:
UCLA (comunicado de imprensa)
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
PHYSORG
Sky & Telescope
(e) Science News

G2:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
VLT DETECTA LUZ EXOZODIACAL
Esta impressão artística mostra um planeta imaginário em órbita de uma estrela próxima com a brilhante luz exozodiacal que se estende pelo céu ofuscando a Via Láctea. Trata-se de radiação estelar reflectida por poeira criada a partir de colisões entre asteróides e evaporação de cometas. A presença de tais nuvens espessas de poeira nas regiões internas em torno de algumas estrelas poderá dificultar a obtenção de imagens directas de planetas do tipo terrestre.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do Interferómetro do VLT (Very Large Telescope) a operar no infravermelho próximo, uma equipa de astrónomos observou 92 estrelas próximas para investigar a luz exozodiacal originada por poeira quente perto das suas zonas habitáveis e combinou estes novos dados com observações anteriores. Descobriu-se esta radiação brilhante - criada por grãos de poeira exozodiacal quente resplandecente ou pela reflexão da radiação estelar nestes grãos - em torno de nove das estrelas observadas.

A luz zodiacal pode ser observada a partir de locais escuros e límpidos na Terra, apresentando-se como uma luz branca difusa e ténue no céu nocturno, logo após o pôr-do-Sol ou antes do amanhecer. É criada pela luz solar reflectida por pequenas partículas e parece estender-se até à vizinhança do Sol. Esta radiação reflectida não é apenas observada a partir da Terra mas pode ser vista de qualquer ponto do Sistema Solar.

O brilho que se observou neste novo estudo é uma versão muito mais extrema do mesmo fenómeno. Apesar desta luz exozodiacal - luz zodiacal em torno de outros sistemas estelares - ter sido já observada, este é o primeiro grande estudo sistemático deste fenómeno noutras estrelas.

Contrariamente a observações anteriores, a equipa não observou poeira que dará mais tarde origem a planetas, mas sim poeira criada nas colisões entre pequenos planetas com alguns quilómetros de tamanho - os chamados planetesimais, que são objectos semelhantes a asteróides e cometas do Sistema Solar. É precisamente poeira desta natureza que está igualmente associada à luz zodiacal no Sistema Solar.

"Se queremos estudar a evolução de planetas do tipo terrestre próximo das suas zonas habitáveis, temos que observar a poeira zodiacal nessa região em torno de outras estrelas," diz Steve Ertel, do ESO e da Universidade de Grenoble, França, autor principal do artigo científico que descreve os resultados. "Detectar e caracterizar este tipo de poeira em torno de outras estrelas é uma maneira de estudar a arquitectura e evolução de sistemas planetários."

Para conseguirmos detectar poeira muito ténue próximo da estrela central ofuscante são necessárias observações de alta resolução com alto contraste. A interferometria - que combina a radiação colectada por diferentes telescópios ao mesmo tempo - feita no infravermelho é, até agora, a única técnica que permite que este tipo de sistemas seja descoberto e estudado.

Esta bonita imagem captura a luz zodiacal, uma radiação brilhante em forma de triângulo facilmente observada em locais livres de luar forte e poluição luminosa. Esta fotografia foi tirada no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, em Setembro de 2009, em direcção a oeste, alguns minutos depois do pôr-do-Sol. Podemos ver um mar de nuvens que se instalou no vale por baixo de La Silla, local que se situa a uma altitude de 2400 metros, com menos picos montanhosos a sair da neblina.
Crédito: ESO/Y. Beletsky
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao utilizar o poder do VLTI, levando os instrumentos até ao seu limite máximo de eficácia e precisão, a equipa conseguiu atingir um nível de desempenho cerca de dez vezes melhor que com outros instrumentos existentes.

Para cada uma das estrelas, a equipa utilizou os Telescópios Auxiliares de 1,8 metros para colectar a radiação para o VLTI. Para os objectos que apresentavam luz exozodiacal foi possível resolver por completo os discos extensos de poeira e separar o seu fraco brilho da radiação estelar dominante.

Ao analisar as propriedades das estrelas rodeadas por um disco de poeira exozodiacal, a equipa descobriu que a maior parte da poeira é detectada em torno de estrelas mais velhas. Este resultado é bastante surpreendente e levanta algumas questões relativas aos sistemas planetários. Qualquer produção de poeira que conhecemos, causada por colisões de planetesimais, deveria diminuir com o tempo, uma vez que o número destes objectos vai reduzindo à medida que estes vão sendo destruídos.

A amostra dos objectos observados inclui também 14 estrelas para as quais houve já detecção de exoplanetas. Todos estes planetas encontram-se na mesma região dos sistemas onde a poeira mostra luz exozodiacal. A presença de luz exozodiacal em sistemas com planetas poderá, por isso, dificultar os estudos astronómicos de exoplanetas.

A emissão da poeira exozodiacal, mesmo a baixos níveis, torna muito mais difícil a detecção de planetas do tipo terrestre a partir de imagens directas. A luz exozodiacal detectada deste rastreio é cerca de um factor 1000 mais brilhante do que a luz zodiacal observada em torno do Sol. O número de estrelas que contêm luz zodiacal ao nível da do Sistema Solar é provavelmente muito maior do que os números encontrados neste rastreio. Estas observações são assim um primeiro passo em estudos mais detalhados de luz exozodiacal.

"A elevada taxa de detecção encontrada a este nível de brilho sugere que deve haver um número significativo de sistemas que contêm poeira mais ténue que não foi detectada no nosso rastreio, mas que, ainda assim, é mais brilhante que a poeira zodiacal presente no Sistema Solar," explica Olivier Absil, da Universidade de Liège, co-autor do artigo. "A presença de tal poeira em tantos sistemas poderá por isso tornar-se um obstáculo a observações futuras, que pretendam obter imagens directas de exoplanetas do tipo terrestre."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico complementar (arXiv.org)
Astronomy & Astrophysics
redOrbit
PHYSORG
SPACE.com
Space Daily
Discovery News
National Geographic

Luz Zodiacal:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Lua e Terra pela Chang'e 5-T1
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Agência Espacial ChinesaXinhuanet
 
Descrito por vezes como um grande berlinde azul, a partir de alguns pontos de vista o planeta Terra parece-se mais com um pequeno berlinde azul. Tal foi o caso nesta imagem icónica do sistema Terra-Lua obtida pela missão Chang'e 5-T1 a semana passada. A Lua parece maior do que a Terra porque estava muito mais perto da câmara da sonda. Exibindo grande parte da sua superfície geralmente escondida da Terra, a Lua aparece escura e cinzenta quando comparada com o planeta mais reflectivo e colorido que orbita. A sonda robótica Chang'e 5-T1, predominantemente uma missão de teste de engenharia, contornou a Lua na passada Terça-feira e regressou à Terra na Sexta-feira.
 

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