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Edição n.º 1134
20/01 a 22/01/2015
 
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30/01/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 20/01: 20.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De fato, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua.
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Observações: Lua Nova, pelas 13:14.

Dia 21/01: 21.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a nave MercuryLittle Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.

Em 2004, a NASA "perdia" contacto com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Observações: Mercúrio estacionário, pelas 04:00.
Pouco depois do pôr-do-Sol, olhe para bem perto do horizonte a oeste-sudoeste, em busca da Lua, bastante fina, e que forma um triângulo com Vénus e Mercúrio. Binóculos ajudam.

Dia 22/01: 22.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.

Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42.
Observações: A fina Lua Crescente brilha agora acima de Vénus e para a direita de Marte.

 
CURIOSIDADES


O módulo Beagle 2 tem este nome em honra do navio HMS Beagle, que transportou por duas vezes Charles Darwin durante expedições que viriam mais tarde a levar à teoria científica da seleção natural.

 
TRÊS PLANETAS QUASE DO TAMANHO DA TERRA ENCONTRADOS EM ÓRBITA DE ESTRELA PRÓXIMA

Uma equipa de investigadores de várias nacionalidades e de várias instituições, liderada pelo cientista Ian Crossfield da Universidade do Arizona, descobriu uma estrela com três planetas, um dos quais pode ter temperaturas moderadas o suficiente para a existência de água líquida - e, talvez, até de vida.

O Telescópio Espacial Kepler da NASA, apesar de prejudicado pela perda de sistemas críticos de orientação, descobriu uma estrela com três planetas ligeiramente maiores que a Terra. O planeta mais exterior orbita na zona habitável do sistema, uma região onde as temperaturas à superfície permitem a existência de água líquida.

Impressão de artista que mostra o Kepler da NASA a operar no novo perfil de missão, chamado K2. Ao analisar dados obtidos pelo Kepler, uma equipa de investigadores descobriu três novos planetas quase do tamanho da Terra que orbitam uma estrela a apenas 150 anos-luz do nosso Sol.
Crédito: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estrela, EPIC 201367065, é uma anã-M fria e vermelha com aproximadamente metade do tamanho e massa do nosso Sol. A uma distância de 150 anos-luz, a estrela está no top 10 das estrelas mais próximas que se sabe terem planetas em trânsito. A proximidade da estrela significa que é brilhante o suficiente para os astrónomos estudarem as atmosferas dos planetas e para determinarem se são parecidas com a da Terra e se são possivelmente propícios à vida.

"Uma atmosfera fina de nitrogénio e oxigénio permitiu com que a vida vingasse na Terra. Mas a natureza está repleta de surpresas. Muitos dos exoplanetas descobertos pela missão Kepler estão cobertos por atmosferas espessas e ricas em hidrogénio que são provavelmente incompatíveis com a vida como a conhecemos," afirma Crossfield.

Os três planetas têm 2,1, 1,7 e 1,5 vezes o tamanho da Terra. O mais pequeno e exterior, com 1,5 raios da Terra, orbita a estrela suficientemente longe para receber níveis de energia parecidos aos que a Terra recebe do Sol, afirma Erik Petigura, estudante de doutoramento da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA. Ele descobriu os planetas no dia 6 de janeiro enquanto realizava uma análise de computador dos dados do Kepler que a NASA disponibiliza aos astrónomos. Petigura calculou que, do mais longínquo para o mais próximo [da estrela], os três planetas recebem 10,5, 3,2 e 1,4 vezes a intensidade de luz da Terra.

"A maioria dos planetas que encontrámos até à data são demasiado quentes. Este é o sistema planetário mais próximo com planetas em trânsito 'mornos'," acrescenta. "Existe uma possibilidade muito real de que o planeta mais exterior seja rochoso como a Terra, o que significa que este planeta pode ter a temperatura certa para suportar oceanos de água líquida."

Andrew Howard, astrónomo da Universidade do Hawaii, comenta que hoje em dia os planetas extrassolares são descobertos às centenas, embora muitos astrónomos se questionem se alguns destes mundos recém-descobertos são mesmo parecidos com a Terra. Ele afirma que este sistema planetário vai ajudar a resolver a questão.

"Nós aprendemos, no ano passado, que os planetas com o tamanho e temperatura da Terra são comuns na nossa Via Láctea," afirma Howard. "Nós também descobrimos alguns planetas do tamanho da Terra parecem ser feitos dos mesmos materiais que a Terra, principalmente rocha e ferro."

Depois de Petigura ter encontrado os planetas nas curvas de luz do Kepler, a equipa rapidamente usou os telescópios no Chile, Hawaii e na Califórnia para caracterizar a massa, raio, temperatura e idade da estrela.

O próximo passo será observar o sistema com outros telescópios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, para tirar a "impressão digital" espectroscópica das moléculas nas atmosferas planetárias. Se estes planetas amenos do tamanho da Terra tiverem atmosferas espessas e ricas em hidrogénio, o Hubble conseguirá ver o seu sinal revelador, comenta Petigura.

A descoberta é ainda mais notável, diz, porque o telescópio Kepler perdeu duas das quatro rodas de reação, fundamentais para o manter apontado para um ponto fixo no espaço.

O Kepler renasceu em 2014 como "K2" e com uma estratégia inteligente para apontar o telescópio no plano da órbita da Terra, a eclíptica, a fim de o estabilizar. O Kepler está de volta ao estudo do cosmos e em busca de eclipses ou "trânsitos", eventos em que um planeta passa em frente da sua estrela-mãe e periodicamente bloqueia parte da sua luz.

Este desenho mostra os três exoplanetas descobertos recentemente (direita) que passam em frente da sua estrela-mãe, a partir da perspectiva da Terra. A Terra pode ser detetada do mesmo método, mas só a partir do plano de órbita (eclíptica) da Terra.
Crédito: K. Teramura, Instituto para Astronomia da Universidade do Hawaii
 

"Esta descoberta prova que a missão K2, apesar de ligeiramente comprometida, pode ainda descobrir planetas empolgantes e cientificamente atraentes," afirma Petigura. "Este novo uso engenhoso do Kepler é um testemunho da engenhosidade dos cientistas e engenheiros da NASA. Esta descoberta mostra que o Kepler consegue ainda fazer grande ciência."

O Kepler observa somente uma pequena fração dos sistemas planetários: apenas aqueles cujos planos orbitais estão alinhados com o nosso ponto de vista da Terra. Não consegue observar planetas com grandes inclinações orbitais. Um censo de planetas do Kepler que a equipa realizou em 2013 corrigiu estatisticamente estas orientações orbitais aleatórias e concluiu que uma em cada cinco estrelas como o Sol na Via Láctea têm planetas do tamanho da Terra na zona habitável. Tendo em conta outros tipos de estrelas, podem existir até 40 mil milhões de planetas deste género só na nossa Galáxia.

A missão original do Kepler encontrou milhares de planetas pequenos, mas a maioria deles são demasiado ténues e distantes para determinar a sua densidade e composição e assim ficar a saber se são planetas densos e rochosos como a Terra ou planetas gasosos como Úrano e Neptuno. Graças à curta distância até EPIC 201367065, conseguimos fazer estas medições. A estrela hospedeira, uma anã de classe M, é menos brilhante que o Sol, o que significa que os seus planetas podem residir mais perto e ainda desfrutar de temperaturas moderadas.

Segundo Howard, o sistema mais parecido com o de EPIC 201367065 é Kepler-138, uma anã de classe M com três planetas de tamanho semelhante, embora nenhum deles esteja na zona habitável.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/11/2013 - 22% das estrelas tipo-Sol têm planetas tipo-Terra na zona habitável

Notícias relacionadas:
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
science 2.0
Space Daily
PHYSORG
Forbes
AstroPT

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Kepler-138:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
BEAGLE-2 ENCONTRADO EM MARTE
Imagem a cores do Beagle-2 em Marte.
Crédito: HiRISE/NASA/Leicester
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O módulo britânico de aterragem, Beagle-2, que "apanhou boleia" da missão Mars Express da ESA e que tem estado perdido em Marte desde 2003, foi encontrado em fotos obtidas por uma sonda marciana da NASA.

O Beagle-2 foi lançado pela sua nave-mãe no dia 19 de dezembro de 2003 e tinha aterragem prevista para seis dias depois. Mas o "lander" não se fez ouvir após a aterragem planeada e as buscas da Mars Express e da Mars Odyssey (NASA) revelaram-se infrutíferas.

Agora, mais de uma década depois, o módulo de aterragem foi identificado em imagens de alta-resolução obtidas pela MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Consegue-se discernir que o Beagle-2 está parcialmente implementado à superfície, o que significa que a sequência de entrada, descida e aterragem funcionou e que de fato aterrou com sucesso em Marte no dia de Natal de 2003.

"Estamos muito felizes por saber que o Beagle-2 pousou em Marte. A dedicação das várias equipas no estudo das imagens de alta-resolução a fim de encontrar o 'lander' é inspiradora," afirma Alvaro Giménez, diretor de Ciência e Exploração Robótica da ESA.

Ampliação do Beagle-2 em Marte.
Crédito: HiRISE/NASA/JPL/Parker/Leicester
 

"Não saber o que tinha acontecido ao Beagle-2 permanecia uma preocupação irritante. Sabemos, agora, que o Beagle-2 desceu e pousou à superfície e isso é uma excelente notícia," comenta Rudolf Schmidt, na altura gestor do projeto Mars Express da ESA.

As imagens de alta-resolução foram inicialmente estudadas por Michael Croon, que já pertenceu à equipa de operações da Mars Express no Centro de Operações Espaciais da ESA, ESOC, em Darmstadt, na Alemanha, trabalhando em paralelo com membros das equipas industriais e científicas do Beagle-2.

O pequeno tamanho do Beagle-2 - menos de 2 metros quando totalmente implantado - significou um esforço meticuloso, bem no limite da resolução das câmaras em órbita de Marte.

Após a identificação de possíveis candidatos no local previsto da aterragem em Isidis Planitia, uma grande bacia de impacto perto do equador marciano, obtiveram-se mais imagens que foram analisadas pela equipa da câmara, pela equipa do Beagle-2 e pelo JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA.

As imagens mostram o "lander" no que parece ser uma configuração parcialmente implementada, com apenas um, dois ou no máximo três dos quatro painéis solares abertos, mostram o para-quedas principal e o que se pensa ser a cobertura traseira.

O tamanho, forma, cor e separação das características são consistentes com o Beagle-2 e com os seus componentes de aterragem e estão situados dentro da área de pouso esperada a uma distância de aproximadamente 5 km do seu centro.

Animação que mostra três imagens do local de aterragem do Beagle-2. As imagens mostram diferenças devido à mudança do ângulo do Sol e à hora que as imagens foram obtidas.
Crédito: HiRISE/NASA/Leicester
(clique na imagem para ver versão maior e animada)
 

Também foram especulativamente identificadas outras possíveis características, como os airbags, que amorteceram o pouso e, possivelmente, o escudo de calor dianteiro. São necessárias mais imagens para confirmar estes últimos alvos.

A implementação parcial explica o porquê de nunca se ter recebido sinais do Beagle-2: a fim de expor a antena de rádio para transmitir dados e receber comandos da Terra, era necessária a abertura total dos painéis solares.

Infelizmente, dada a abertura parcial e cobertura da antena, não há possibilidade de reavivar o Beagle-2 e recuperar dados.

No entanto, ficamos a saber que o Beagle-2 aterrou com sucesso em Marte e isso dá novo alento à próxima fase de exploração europeia do Planeta Vermelho, com os lançamentos da sonda ExoMars (nomeadamente, a ExoMars Trace Gas Orbiter and Entry, Descent and Landing Demonstrator) em 2016 e do rover ExoMars em 2018.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Vídeo da localização do Beagle-2 (NASA/JPL via YouTube)
Universidade do Arizona
Universidade de Leicester
SPACE.com
The Planetary Society
Scientific American
Universe Today
Astronomy Now
redOrbit
NewScientist
spaceref
Popular Science
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National Geographic
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Beagle-2:
Wikipedia 
ESA

Mars Express: 
ESA 
Wikipedia

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Orionte Infravermelho pelo WISE
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: WISEIRSANASA; Processamento e direitos de autor: Francesco Antonucci
 
A Grande Nebulosa de Orionte é um local fascinante. Visível a olho nu, aparece como uma pequena mancha difusa na constelação de Orionte. Mas esta imagem, um mosaico de cores ilusórias constituído por quatro painéis e capturado em bandas diferentes do infravermelho pelo observatório espacial WISE, mostra que a Nebulosa de Orionte é um bairro movimentado por estrelas recém-formadas, gás quente e poeira escura. Por trás de grande parte da Nebulosa de Orionte (M42) está o poder das estrelas do enxame estelar do Trapézio, visto perto do centro da imagem de campo largo. O brilho laranja que rodeia as estrelas mais brilhantes aqui retratadas é a sua própria luz estelar refletida por filamentos intricados de poeira que cobrem grande parte da região. O complexo atual da Nebulosa de Orionte, que inclui a Nebulosa Cabeça de Cavalo, vai dispersar-se lentamente ao longo dos próximos 100 mil anos.
 

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