Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1263
15/04 a 18/04/2016
 
Siga-nos:      
 

22/04/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - 22:00 - Apresentação às estrelas inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.

Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine.
Observações: A Lua esta noite forma uma curva gentil com, para a sua esquerda, Régulo e depois o brilhante Júpiter.
Trânsito de Io, entre as 23:04 e as 01:23.

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1495 nascia Petrus Apianus, humanista alemão, conhecido pelos seus trabalhos na matemática, astronomia e cartografia.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua, a décima missão tripulada do programa Apollo, a quinta e a penúltima a aterrar no nosso satélite natural.

Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:45 e as 03:37.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 02:30 e as 05:22.
Esta noite, temos Régulo por cima da Lua, a parte de baixo da agora vertical "foice" de Leão. Estão separados por poucoso graus.
Ocultação de Io, entre as 20:18 e as 22:37.

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar actual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua. 
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.

Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
Observações: O ponto para a esquerda da Lua é o planeta Júpiter. Quando foi a última vez que observou estes dois astros com binóculos?
Ocultação de Europa, entre as 19:15 e as 22:04.
Eclipse de Europa, entre as 20:57 e as 23:49.
Ocultação de Ganimedes, entre as 23:11 e as 02:43. (já de dia 18).

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1955, falecia Albert Einstein.

Observações: Eclipse de Ganimedes, entre as 02:44 e as 06:15.
Mercúrio na sua maior elongação este.
A Lua, Júpiter e Denébola (constelação de Leão) formam um pequeno triângulo a sudeste depois da hora de jantar.

 
CURIOSIDADES


O bilionário russo Yuri Milner, Stephen Hawking, Mark Zuckerberg, e vários cientistas e personalidades comprometeram-se com 100 milhões de dólares num novo projeto. Breakthrough Startshot irá fazer pesquisa e desenvolvimento com o intuito de acelerar sondas interestelares do tamanho de insetos até 20% da velocidade da luz, usando uma rede laser de 100 gigawatts cá na Terra. As pequenas naves espaciais vão explorar exoplanetas próximos - e comunicar de volta através destas enormes distâncias. "Só" demorarão 20 anos a chegar até Alpha Centauri, o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar.

 
IMAGEM VST DO ENXAME DE GALÁXIAS DA FORNALHA
O Enxame de Galáxias da Fornalha é um dos enxames mais próximos de nós situado para lá do Grupo Local de Galáxias. Esta nova imagem obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT mostra a parte central do enxame com muito pormenor. Em baixo à direita podemos ver a galáxia espiral barrada NGC 1365 e à esquerda a grande elíptica NGC 1399.
Crédito: ESO. Reconhecimento: Aniello Grado e Luca Limatola
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta nova imagem, obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT (VST) instalado no Observatório do Paranal do ESO no Chile, mostra a concentração de galáxias conhecida por Enxame da Fornalha, que se situa na constelação da Fornalha no hemisfério sul. O enxame comporta uma quantidade de galáxias de todas as formas e tamanhos, algumas das quais escondem alguns segredos.

As galáxias parecem ser algo "sociais", gostando de se juntar em grupos grandes, a que chamamos enxames. Na realidade é a gravidade que mantém as galáxias unidas num enxame, como se de uma única identidade se tratassem, com a força gravitacional a ser exercida tanto por grandes quantidades de matéria escura invisível como por galáxias que podemos ver. Os enxames contêm entre cerca de 100 a 1000 galáxias e podem ter dimensões que vão desde os 5 aos 30 milhões de anos-luz.

Os enxames de galáxias não têm formas claramente definidas, por isso é difícil determinar exatamente quando começam e quando acabam. No entanto, os astrónomos estimam que o centro do Enxame da Fornalha se encontra numa região situada a 65 milhões de anos-luz de distância da Terra. O que sabemos com mais precisão é que este enxame contém quase 60 galáxias grandes e um número semelhante de galáxias anãs mais pequenas. Os enxames de galáxias como este são bastante comuns no Universo e ilustram bem a influência poderosa que a gravidade exerce ao longo de grandes distâncias, conseguindo juntar as massas enormes de galáxias individuais numa só região.

No centro deste enxame, no meio dos três glóbulos difusos brilhantes que podem ser vistos à esquerda da imagem, encontra-se uma galáxia cD — uma canibal galáctica. As galáxias cD como esta, chamada NGC 1399, parecem-se com galáxias elípticas, mas são maiores e possuem envelopes extensos e ténues (a imagem captura apenas as regiões centrais do Enxame da Fornalha, que na realidade se estende ao longo de uma maior região no céu). Isto acontece porque se formaram ao "engolir" galáxias mais pequenas, trazidas para o centro do enxame pela força da gravidade.

O Enxame de Galáxias da Fornalha é um dos enxames mais próximos de nós situado para lá do Grupo Local de Galáxias. Esta nova imagem obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT mostra a parte central do enxame com muito pormenor. As galáxias mais brilhantes estão anotadas.
Crédito: ESO. Reconhecimento: Aniello Grado e Luca Limatola
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há na realidade evidências deste processo estar a ocorrer mesmo à nossa frente. Trabalho recente levado a cabo por uma equipa de astrónomos liderada por Enrichetta Iodice (INAF - Osservatorio di Capodimonte, Nápoles, Itália), que fez uso de dados do VST do ESO, revelou uma ponte de luz muito ténue entre NGC 1399 e a galáxia mais pequena que se encontra à sua direita, NGC 1387. Esta ponte, que não tinha sido ainda observada (e é ténue demais para poder ser vista na imagem), é ligeiramente mais azul que qualquer das galáxias, indicando que é constituída por estrelas formadas a partir de gás retirado de NGC 1387 pela atração gravitacional de NGC 1399. Apesar de haver, de modo geral, poucas evidências de interação no Enxame da Fornalha, parece que pelo menos NGC 1399 ainda continua a "alimentar-se" das suas vizinhas.

Em baixo à direita na imagem podemos ver uma enorme galáxia espiral barrada, NGC 1365, que se trata de um belo exemplar de galáxias deste tipo, com a barra proeminente a passar através do núcleo central e os braços em espiral a saírem das pontas da barra. Refletindo a natureza das galáxias de enxame, também NGC 1365 é mais do que parece. Esta galáxia foi classificada como uma galáxia do tipo Seyfert, possuindo um núcleo ativo brilhante que contém um buraco negro supermassivo no seu interior.

Esta imagem foi obtida com o Telescópio de Rastreio do VLT (VST) montado no Observatório do Paranal do ESO no Chile. Com 2,6 metros de diâmetro, o VST não é de modo nenhum um telescópio grande pelos padrões atuais, no entanto foi concebido especificamente para fazer rastreios do céu a larga escala. O que o torna especial é o seu enorme campo de visão corrigido e a sua câmara de 256 megapixéis, a OmegaCAM, que foi especialmente desenvolvida para mapear o céu. Com esta câmara, o VST consegue produzir imagens profundas de grandes áreas no céu muito rapidamente, deixando a exploração dos pormenores de objetos individuais para telescópios realmente grandes, como o VLT (Very Large Telescope) do ESO.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
PHYSORG
Astronomy Now

Enxame da Fornalha:
Wikipedia

VST:
ESO
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
CHAPA ASTRONÓMICA DE 1917 MOSTRA A PRIMEIRA EVIDÊNCIA [DE SEMPRE] DE UM SISTEMA PLANETÁRIO

Nunca sabemos que tesouros podemos encontrar na cave. Uma chapa astronómica de vidro, de uma imagem captada em 1917 e pertencente à coleção dos Observatórios Carnegie, contém a primeira evidência de um sistema planetário para lá do nosso Sol. Este achado inesperado foi reconhecido durante uma pesquisa para um artigo sobre sistemas planetários em redor de anãs brancas na revista New Astronomy Reviews.

Eis o que aconteceu: há um ano atrás, o autor Jay Farihi da UCL (University College London) contactou o diretor dos Observatórios, John Mulchaey. Ele procurava uma chapa no arquivo de Carnegie que continha o espectro da estrela van Maanen, uma anã branca descoberta pelo astrónomo holandês-americano Adriaan van Maanen no mesmo ano em que a chapa foi feita.

Chapa fotográfica de 1917 que mostra o espectro da estrela van Maanen do arquivo dos Observatórios Carnegie. A inserção mostra as fortes linhas do elemento cálcio, que são surpreendentemente fáceis de ver no espectro com um século. O espectro é a linha fina, (principalmente) escura no centro da imagem.
Crédito: Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os espectros estelares são registos da luz emitida por estrelas distantes. Cobrem todas as cores da luz, como um arco-íris num prisma, e podem ensinar os astrónomos mais sobre a composição química de uma estrela. Também podem dizer-lhes como a luz emitida por uma estrela é afetada pela química das "coisas" que atravessa antes de chegar até nós cá na Terra.

As imagens dos espectros estelares permitiram com que os astrónomos do século XIX desenvolvessem um sistema para classificar estrelas que é ainda hoje usado. Os astrónomos modernos usam ferramentas digitais para estudar a cor das estrelas, mas durante décadas, usaram chapas fotográficas de vidro para obter imagens do céu e para registar espectros estelares.

Conforme solicitado, localizaram a placa de 1917, feita pelo ex-Diretor dos Observatórios Walter Adams no Observatório do Monte Wilson que, na altura, fazia parte de Carnegie. À exceção de uma anotação, na placa, de que a estrela parecia um pouco mais quente que o nosso Sol, tudo parecia muito normal.

No entanto, quando Farihi examinou o espectro, encontrou algo extraordinário.

A pista estava no que é chamado de "linha de absorção" do espectro. As linhas de absorção indicam "peças que faltam", áreas onde a luz oriunda de uma estrela passa por algo e onde uma cor específica de luz é absorvida por essa substância. Estas linhas indicam a composição química do objeto perturbador.

O espectro da estrela van Maanen feito em 1917 revelou a presença de elementos mais pesados, como o cálcio, magnésio e ferro, que deveriam há muito ter desaparecido para o interior da estrela devido ao seu peso.

Nota escrita à mão na chapa astronómica, feita pelo observador Walter Adams, ex-diretor do Observatório do Monte Wilson.
Crédito: Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Somente nos últimos 12 anos é que se tornou claro para os astrónomos que a estrela van Maanen e outras anãs brancas com elementos pesados no seu espectro representam um tipo de sistema planetário com grandes anéis de remanescentes planetários rochosos que depositam detritos na atmosfera estelar. Estes sistemas recentemente descobertos são chamados de "anãs brancas poluídas". Foram uma surpresa para os astrónomos, porque anãs brancas são estrelas como o nosso Sol mas no final das suas vidas, por isso não foi de todo esperado que ainda houvesse material planetário remanescente em seu redor durante essa fase.

"A constatação inesperada de que esta chapa fotográfica de 1917, do nosso arquivo, continha a evidência mais antiga registada de um sistema de anã branca poluída é simplesmente incrível," afirma Mulchaey. "E o facto que foi feita por um astrónomo tão proeminente na nossa história como Walter Adams aumenta ainda mais a excitação."

Os planetas, propriamente ditos, ainda não foram detetados em órbita da estrela van Maanen, nem em torno de sistemas similares, mas Farihi está confiante de que é apenas uma questão de tempo.

"O mecanismo que cria os anéis de detritos planetários, e o depósito na atmosfera estelar, requer a influência gravitacional de planetas de pleno direito," explicou. "O processo não pode ocorrer sem a presença de planetas."

"Carnegie tem uma das maiores coleções do mundo de placas astronómicas com um arquivo que inclui cerca de 250.000 placas obtidas em três observatórios diferentes - Monte Wilson, Palomar e Las Campanas," conclui Mulchaey. "Temos uma quantidade incrível de história arrumada na nossa cave e, quem sabe, que outros achados podemos descobrir no futuro?"

Links:

Notícias relacionadas:
Carnegie Science (comunicado de imprensa)
Artigo científico de J. Farihi (arXiv.org)
Space Daily
Astronomy Now
(e) Science News
PHYSORG
Discovery News
Popular Mechanics
Gizmodo

Van Maanen 2 (estrela van Maanen):
Wikipedia

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

Observatórios Carnegie:
Página oficial

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Galáxia anã escondida em imagem de lente gravitacional do ALMA (via NRAO)
Distorções subtis escondidas nesta imagem impressionante do ALMA, da lente gravitacional SDP.81, são sinais tentadores de que uma galáxia anã se esconde no halo de uma galáxia muito maior a quase 4 mil milhões de anos-luz de distância. Ler fonte
     
  Nova estrela dupla hiperveloz desafia matéria escura e modelos de aceleração estelar (via Observatório Keck)
Uma equipa de astrónomos descobriu um sistema binário movendo-se quase à velocidade de escape da nossa Galáxia. Conhecem-se cerca de duas dúzias destas estrelas hipervelozes que estão a escapar da Via Láctea. Todas são estrelas individuais, sendo que PB3877 é o primeiro binário descoberto com esta impressionante velocidade. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Vénus e a Lua Crescente
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: A. Rosenberg, D. López (El Cielo de Canarias) / IAC 
 
O planeta interior Vénus e a fina Lua Crescente nunca podem ser encontrados longe do Sol a partir dos céus da Terra. Captada perto do amanhecer de dia 6 de abril, esta composição mostra os dois astros a nascer pouco antes do Sol. As cúpulas do Observatório Teide na ilha de Tenerife aparecem em silhueta ao crepúsculo. Na verdade, esta série de três exposições segue a ocultação de Vénus pela Lua. Longe da Terra na sua órbita e numa fase quase cheia, Vénus está 96% iluminado. Perto do perigeu ou maior aproximação à Terra, este crescente lunar representa cerca de 2% do disco iluminado pelo Sol. Vista nas primeiras duas exposições, a brilhante "estrela da manhã" só desaparece na terceira quando fica por trás do brilhante limbo lunar. Este vídeo mostra os cinco minutos da dramática ocultação ao amanhecer, comprimidos em 15 segundos.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.