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Edição n.º 1278
07/06 a 09/06/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 07/06: 159.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1992, era lançado o EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer).

Observações: À medida que anoitece por estas noites, olhe para sul, entre Júpiter e Marte. Aí, uma estrela salta à vista: Espiga, na constelação de Virgem. Bem para cima encontra-se Arcturo, de Boieiro, ainda mais brilhante. Para baixo e para a direita de Espiga está a constelação de Corvo, olhando para Espiga com a intenção de a roubar das mãos de Virgem.

Dia 08/06: 160.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1625 nascia Giovanni Cassini

Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9(USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos.
Observações: Trânsito de Io, entre as 00:57 e as 03:16.
Com junho já quase a meio, a Ursa Maior "virou-se" para estar apoiada na "pega", alta a noroeste durante a noite. A estrela do meio da "pega" é Mizar e a pequena Alcor está ao seu lado. Para que lado de Mizar deve olhar, em busca de Alcor? Como sempre, do lado que aponta para Vega. Que brilha agora a este-nordeste.
Ocultação de Io, entre as 22:16 e as 00:38 (já de dia 9).
Eclipse de Io, entre as 23:33 e as 01:53 (já de dia 9).

Dia 09/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.

Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes -- morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910.
Observações: Olhe para cima e para a esquerda do crescente lunar em busca de Régulo. Para cima e para a esquerda de Régulo, cerca de 14º, está Júpiter, muito mais brilhante.
Trânsito de Io, entre as 19:26 e as 21:45.
Trânsito da sombra de Io, entre as 20:43 e as 22:58.
Aponte os binóculos ou um telescópio para Júpiter e encontrará a estrela de 5.ª magnitude Chi Leonis para norte, imitando uma lua galileana fora do lugar.

 
CURIOSIDADES

A matéria escura constitui cerca de 27% do Universo, enquanto a matéria dita normal será apenas 4,9%. O resto do Universo é constituído por uma entidade ainda mais misteriosa chamada energia escura.

 
HUBBLE DESCOBRE QUE UNIVERSO ESTÁ A EXPANDIR-SE MAIS DEPRESSA DO QUE O ESPERADO

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, astrónomos descobriram que o Universo está a expandir-se entre 5-9% mais rápido do que o esperado.

"Esta descoberta surpreendente pode ser uma pista importante para entender as partes misteriosas do Universo que compõem 95% de tudo o que não emite luz, como a energia escura, a matéria escura e a radiação escura," afirma Adam Riess, líder do estudo e Prémio Nobel, do STScI (Space Telescope Science Institute) e da Universidade Johns Hopkins, ambos em Baltimore, no estado americano de Maryland.

Os resultados serão publicados na revista The Astrophysical Journal.

Esta imagem captada pelo Hubble mostra uma das galáxias no estudo que refinou a medição da velocidade de expansão do Universo, com o nome constante de Hubble.
A galáxia, UGC 9391, contém dois tipos de objetos que os astrónomos usam para calcular com precisão as distâncias, um factor determinante no cálculo da constante de Hubble: variáveis cefeidas (círculos vermelhos) e supernovas do Tipo Ia (cruz azul, que indica a posição da supernova 2003du).
Os astrónomos calibram as supernovas com as cefeidas em galáxias como UGC 9391 para que possam calcular com precisão as distâncias. UGC 9391 está a cerca de 130 milhões de anos-luz de distância.
Crédito: NASA, ESA e A. Reiss (STScI/JHU)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de Riess fez a descoberta refinando a taxa de expansão atual do Universo até uma precisão sem precedentes, reduzindo a incerteza até apenas 2,4%. A equipa fez os requintes através do desenvolvimento de técnicas inovadoras que melhoram a precisão das medições de distância a galáxias distantes.

A equipa procurou galáxias que continham tanto estrelas Cefeidas como supernovas do Tipo Ia. As Cefeidas pulsam a ritmos que correspondem ao seu verdadeiro brilho, que pode então ser comparado com o seu brilho aparente, visto da Terra, para determinar com precisão a sua distância. As supernovas do Tipo Ia, outro critério cósmico usado normalmente, são explosões estelares que atingem o mesmo brilho e são brilhantes o suficiente para serem vistas a distâncias relativamente mais longas.

Através da medição de aproximadamente 2400 cefeidas em 19 galáxias e da comparação do brilho observado de ambos os tipos de objeto, os cientistas mediram com precisão o seu verdadeiro brilho e calcularam as distâncias de cerca de 300 supernovas do Tipo Ia em galáxias distantes.

A equipa comparou essas distâncias com a expansão do espaço, medida pelo alongamento da luz de galáxias que se afastam. Eles usaram estes dois valores para calcular quão rápido o Universo se expande com o tempo, ou a constante de Hubble.

O valor refinado da constante de Hubble é de 73,00±1,75 km/s por megaparsec (um megaparsec equivale a 3,26 milhões de anos-luz). O novo valor significa que a distância entre objetos cósmicos será o dobro daqui a 9,8 mil milhões de anos.

No entanto, esta calibração refinada apresenta-nos com um puzzle, porque não encaixa totalmente com a velocidade de expansão prevista para o Universo, para a sua trajetória vista pouco depois do Big Bang. As medições da radiação cósmica de fundo, pelo WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) e pela missão do satélite Planck da ESA, forneceram previsões da constante de Hubble que são 5 e 9% mais pequenas, respetivamente.

"Se sabemos as quantidades iniciais das 'coisas' no universo, como energia escura e matéria escura, e se temos a física correta, então podemos ir de uma medição no momento logo após o Big Bang e usar esse conhecimento para prever quão rápido o Universo deve estar a expandir-se hoje," afirma Riess. "No entanto, se esta discrepância se mantiver, parece que não temos um correto entendimento, e isso muda o valor atual da constante de Hubble."

Esta ilustração mostra os três passos que os astrónomos usam para medir a expansão do Universo com uma precisão sem precedentes, reduzindo a incerteza total até 2,4%.
Crédito: NASA, ESA, A. Feild (STScI) e A. Reiss (STScI/JHU)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A comparação da velocidade de expansão do Universo com o WMAP, Planck e Hubble é como construir uma ponte, explica Riess. Na costa distante estão as observações da radiação cósmica de fundo no início do Universo. Na costa próxima estão as medições feitas pela equipa de Riess usando o Hubble.

"Começamos nas duas extremidades, e esperamos encontrar-nos no meio, caso os planos e as medições estejam corretas," afirma Riess. "Mas agora as extremidades não se encontram exatamente no meio e queremos saber porquê."

Existem algumas explicações possíveis para o excesso de velocidade do Universo. Uma possibilidade é que a energia escura, que já se sabe estar a acelerar o Universo, pode estar a empurrar galáxias para longe umas das outras como uma força ainda maior - ou cada vez maior.

Outra ideia é que o cosmos continha uma nova partícula subatómica no início da sua história que viajava perto da velocidade da luz. Estas partículas velozes são coletivamente referidas como "radiação escura" e incluem partículas previamente conhecidas como, por exemplo, os neutrinos. Um valor superior de radiação escura poderá estar a confundir os nossos melhores esforços para prever a atual velocidade de expansão desde a sua trajetória pós-Big Bang.

O maior valor da aceleração poderá também significar que a matéria escura possui algumas características estranhas e inesperadas. A matéria escura é a espinha dorsal do Universo, a partir da qual as galáxias são construídas até às grandes estruturas que vemos hoje.

E, finalmente, um Universo mais rápido poderá dizer aos astrónomos que a teoria da gravidade de Einstein está incompleta.

"Nós sabemos tão pouco sobre as partes escuras do Universo, que é importante medir como empurram e puxam o espaço ao longo da história cósmica," comenta Lucas Macri da Universidade Texas A&M em College Station, colaborador-chave do estudo.

As observações do Hubble foram feitas com a visão aguçada do instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) e realizadas pela equipa SH0ES (Supernova H0 for the Equation of State), que trabalha para refinar a precisão da constante de Hubble até um valor que permite compreender melhor o comportamento do Universo.

A equipa SH0ES continua a usar o Hubble para reduzir ainda mais a incerteza na constante de Hubble, com o objetivo de alcançar uma precisão de 1%. Os telescópios atuais, como o satélite Gaia da ESA, e os telescópios do futuro, como o JWST (James Webb Space Telescope), um observatório infravermelho, e o WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope), também podem ajudar os astrónomos a obter melhores medições da velocidade de expansão.

Antes do Hubble ser lançado em 1990, as estimativas da constante de Hubble variavam por um fator de dois. No final dessa década, o projeto H0KP (Hubble Space Telescope Key Project on the Extragalactic Distance Scale) refinou o valor da constante de Hubble até um erro de apenas 10%, cumprindo um dos objetos principais do telescópio. A equipa SH0ES reduziu a incerteza no valor da constante de Hubble por 76% desde o início da sua investigação em 2005.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Universidade Johns Hopkins
Universidade de Berkeley
Hubblesite
Astronomy
SPACE.com
(e) Science News
PHYSORG
COSMOS
New Scientist
Universe Today
redOrbit
Astronomy Now
POPULAR SCIENCE
BBC News
UPI
Forbes
engadget
Gizmodo

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

WMAP:
NASA
Wikipedia

Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

WFIRST:
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cometa PanSTARRS e a Nebulosa da Hélice
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fritz Helmut Hemmerich
 
É raro que estes objetos tão diferentes sejam fotografados tão juntos. Tal ocasião teve lugar recentemente, e foi captada há quatro dias atrás em exposições paralelas combinadas a partir das Ilhas Canárias, Espanha. Em baixo e à direita, rodeado por uma cabeleira esverdeada e emanando uma cauda azul de iões excecionalmente dividida e na diagonal da imagem, está o Cometa C/2013 X1 (PanSTARRS). Esta bola de neve gigante tem vindo a cair em direção ao Sol e a aumentar de brilho desde a sua descoberta em 2013. Apesar do Cometa PanSTARRS ser um alvo pitoresco para astrofotografia de longa exposição, espera-se que seja pouco visível a olho nu quando atingir o seu brilho máximo durante o mês que vem. Em cima à esquerda, rodeada por gás brilhante avermelhado, está a também pitoresca Nebulosa da Hélice. A 700 anos-luz de distância, a Hélice não só está bem mais distante que o cometa, como também se espera que mantenha a sua aparência durante milhares de anos.
 

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