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Edição n.º 1371
28/04 a 01/05/2017
 
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28/04/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 28/04: 118.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, nascia Jan Oort, astrónomo holandês pioneiro no campo da radioastronomia, que quantificou as características da rotação da Via Láctea e propôs um vasto reservatório de cometas em redor do Sol que se estende até quase metade da distância às estrelas mais próximas.

nuvem de Oort tem o seu nome.
Em 1903, M. Wolf descobre o asteroide Iolanda (509).
Em 1906, nascia Bart Bok, astrónomo americano, natural da Holanda, conhecido pelo seu trabalho na estrutura e evolução da Via Láctea e pela descoberta dos glóbulos de Bok
Em 1913, G. Neujmin descobre o asteroide Faïna (751). J. Palisa descobre o asteroide Oskar (750).
Em 1916, M. Wolf descobre o asteroide Henrika (826).
Em 1924, J. Hartmann descobre o asteroide La Plata (1029).
Em 1928, nascia Eugene Shoemaker, geólogo americano e um dos fundadores da ciência planetária. É famoso pela sua descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9, juntamente com a sua esposa Carolyn Shoemaker e David Levy. 
Em 1932, C. Jackson descobre o asteroide Zambesia (1242)
Em 2001, o milionário Dennis Tito torna-se no primeiro turista espacial.
Observações: Ao lusco-fusco, para oeste, aviste Aldebarã e Marte para baixo e para a direita da Lua Crescente, respetivamente.
Ocultação de Io, entre as 19:49 e as 22:06.
Eclipse de Io, entre as 20:19 e as 22:36.

Dia 29/04: 119.º dia do calendário gregoriano.
História: m 1715, John Flamsteed observa Úrano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1872, nascia Forest Ray Moulton, astrónomo americano que, juntamente com Thomas Chamberlin, formulou a hipótese planetesimal Chamberlin-Moulton, que dizia que os planetas coalesceram a partir de corpos mais pequenos que chamaram planetesimais. A sua hipótese necessitava da passagem de uma outra estrela para despoletar esta condensação, um conceito que já caiu em desuso. Moulton também propôs que alguns dos satélites de Júpiter são planetesimais capturados. Esta teoria foi bem aceite pelos astrónomos, bem como o termo planetesimal. 
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484).
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide Libya (1268).
Em 1985, lançamento da missão STS-51-B, do vaivém espacial Challenger.
Em 1998 são realizadas as primeiras cirurgias bem-sucedidas no espaço, usando como pacientes ratinhos com três semanas a bordo do vaivém espacial Columbia, na missão STS-90.
Observações: A "curva" da Lua Crescente aponta para Aldebarã e Marte ao anoitecer.

Dia 30/04: 120.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1913, Neujmin e Belyavskij descobrem os asteroides Sulamitis (752) e Tiflis (753).
Em 1935, C. Jackson descobre os asteroides Magoeba (1355) e Numidia (1368).
Observações: Esta noite a Lua Crescente situa-se no meio do Hexágono de Inverno, que já começa a ficar baixo ao início da noite. O Hexágono de Inverno é composto por Sirius, Procyon, Pollux, Castor, Capella, Aldebarã e Rigel.

Dia 01/05: 121.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação de Lobo (Lupus).

Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida. É o segundo satélite de Neptuno a ser descoberto, e o terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta. 
Observações: A Lua Crescente encontra-se, esta noite, entre Procyon (Cão Menor) e Pollux e Castor (Gémeos).
Por estas noites, a longa mas ténue constelação de Hidra "serpenteia" pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo com aproximadamente a largura do polegar à distância de um braço esticado, a sudoeste. Está para baixo e para a direita de Régulo (cerca de dois punhos). A cauda de Hidra chega até Balança, que nasce a sudeste. A constelação tem 95º de comprimento.

 
CURIOSIDADES


O Telescópio Green Bank é o maior radiotelescópio, totalmente orientável, do mundo.

 
CASSINI MERGULHA ENTRE SATURNO E OS SEUS ANÉIS
Impressão de artista da sonda Cassini da NASA que mostra a divisão entre Saturno e os seus anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Cassini da NASA está de volta ao contacto com a Terra depois do seu primeiro mergulho bem-sucedido através da estreita abertura entre o planeta Saturno e os seus anéis de passado dia 26 de abril de 2017. A nave espacial encontra-se no processo de transmissão de dados científicos e de engenharia recolhidos durante essa passagem, via Complexo Goldstone da DSN (Deep Space Network) da NASA no Deserto de Mojave na Califórnia. EUA. A DSN adquiriu o sinal da Cassini às 07:56 de dia 27 de abril (hora portuguesa) e os dados começaram a aparecer às 08:01 do mesmo dia.

"Na maior tradição de exploração, a sonda Cassini da NASA, mais uma vez, abriu novos caminhos, mostrando-nos novas maravilhas e demonstrando onde a nossa curiosidade nos pode levar quando nos atrevemos," comenta Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington.

Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
 

Enquanto mergulhava através da divisão, a Cassini passou a 3000 km do topo das nuvens de Saturno (onde a pressão do ar é de 1 bar - comparável à pressão atmosférica da Terra ao nível do mar) e a cerca de 300 km da orla mais interna e visível dos anéis.

Apesar dos gerentes da missão estarem confiantes de que a Cassini ia passar com sucesso pela lacuna, tomaram precauções extra neste primeiro mergulho, pois a região nunca tinha sido explorada antes.

"Nenhuma nave espacial jamais esteve tão perto de Saturno. Só podíamos contar com previsões, baseadas na nossa experiência com os outros anéis de Saturno, com o que pensávamos que essa divisão entre os anéis e Saturno seria," comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Fico muito contente em informar que a Cassini passou pela divisão exatamente como planeado e saiu do outro lado em excelente forma."

Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
 

A distância que separa os anéis e o topo da atmosfera de Saturno ronda os 2000 km. Os melhores modelos para a região sugeriam que se houvesse partículas do anel na área onde a Cassini cruzava o plano anular, que estas seriam minúsculas, na escala de partículas de fumo. A nave espacial passou por esta região a velocidades que rondam os 124.000 km/h em relação ao planeta, de modo que quaisquer partículas pequenas que atingissem uma área sensível podiam, potencialmente, ter desativado a nave espacial.

Como medida protetora, a sonda usou a sua grande antena parabólica de alto ganho (4 metros de diâmetro) como escudo, orientando-a na direção das partículas do anel em aproximação. Isto fez com que a sonda estivesse fora de contacto com a Terra durante a travessia do plano dos anéis, que ocorreu às 10:00 (hora portuguesa) de dia 26 de abril. A Cassini estava programada para recolher dados científicos enquanto passava bem próximo do planeta e para, cerca de 20 horas depois, orientar-se para a Terra e fazer contacto.

Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
 

O próximo mergulho da Cassini, através da lacuna que separa o planeta dos anéis, está agendado para o dia 2 de maio.

Lançada em 1997, a Cassini chegou a Saturno em 2004. Após o último "flyby" pela grande lua Titã, no dia 22 de abril, a Cassini começou o que os técnicos da missão chamam de "Grande Final". Durante este último capítulo, a Cassini orbitará Saturno aproximadamente uma vez por semana, fazendo um total de 22 mergulhos entre os anéis e o planeta. Os dados deste primeiro mergulho vão ajudar os engenheiros a compreender se e como precisarão de proteger a nave durante as próximas travessias do plano dos anéis. A sonda está numa trajetória que, eventualmente, a levará a mergulhar na atmosfera de Saturno - e assim terminar a sua histórica missão - no dia 15 de setembro de 2017.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG
Popular Science
Space Daily
Discover
Popular Mechanics
BBC News
Forbes
UPI
Gizmodo
engadget
ars technica
The Verge

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

 
PLANETA "BOLA DE NEVE" DESCOBERTO ATRAVÉS DE MICROLENTE GRAVITACIONAL

Esta impressão de artista mostra OGLE-2016-BLG-1195Lb, um planeta descoberto através de uma técnica chamada microlente gravitacional.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Os cientistas descobriram um novo planeta com a massa da Terra, em órbita da sua estrela à mesma distância que orbitamos o Sol. No entanto, o planeta é provavelmente demasiado frio para ser habitável para a vida como a conhecemos devido à sua estrela ser tão ténue. Mas a descoberta aumenta a compreensão dos cientistas sobre os tipos de sistemas planetários que existem para lá do nosso.

"Este planeta 'bola de neve' é o mais pequeno já encontrado através de microlentes," comenta Yossi Shvartzvald, do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia e autor principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

O efeito de microlente gravitacional é um fenómeno que facilita a descoberta de objetos distantes através da utilização de estrelas de fundo como uma espécie de lanterna. Quando uma estrela passa, precisamente, em frente de uma brilhante estrela de fundo, a gravidade da estrela em primeiro plano foca a luz da estrela de fundo, fazendo-a parecer mais brilhante. Um planeta em órbita do objeto em primeiro plano poderá provocar um "blip" adicional do brilho da estrela. Neste caso, o "blip" apenas durou algumas horas. Esta técnica encontrou os exoplanetas conhecidos mais distantes da Terra e pode detetar planetas de baixa massa substancialmente mais distantes das suas estrelas do que a Terra está do nosso Sol.

O exoplaneta recém-descoberto, chamado OGLE-2016-BLG-1195Lb, ajuda os cientistas na sua investigação de descobrir a distribuição de planetas na nossa Galáxia. Uma questão em aberto é saber se há uma diferença na frequência de planetas no bojo central da Via Láctea em comparação com o seu disco, a região tipo-panqueca em redor do bojo. OGLE-2016-BLG-1195Lb está localizado no disco, tal como os dois planetas previamente detetados através de microlentes pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA.

"Embora tenhamos apenas um punhado de sistemas planetários com distâncias bem determinadas que estejam assim tão longe do nosso Sistema Solar, a ausência de deteções do Spitzer no bojo sugere que os planetas podem ser menos comuns para o centro da Galáxia do que no disco," explica Geoff Bryden, astrónomo do JPL e coautor do estudo.

Para o novo estudo, os investigadores foram alertados para o evento de microlente pelo levantamento terrestre OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment), gerido pela Universidade de Varsóvia, Polónia. Os autores do estudo usaram a rede KMTNet (Korea Microlensing Telescope Network), operada pelo Instituto Coreano de Astronomia e Ciência Espacial, e o Spitzer, para rastrear o evento da Terra e do espaço.

A KMTNet consiste de três telescópios de campo largo: um no Chile, um na Austrália e o terceiro na África do Sul. Quando os cientistas da equipa do Spitzer receberam o alerta OGLE, perceberam o potencial para uma descoberta planetária. O alerta de evento de microlente ocorreu apenas um par de horas antes da finalização dos alvos do Spitzer para a semana, mas conseguiu-se calendarizá-lo.

Com a rede KMTNet e o Spitzer a observar o evento, os cientistas tinham dois pontos de vista para estudar os objetos envolvidos, como se dois olhos separados por uma grande distância o estivessem a ver. Os dados destas duas perspetivas permitiram-lhes detetar o planeta com a KMTNet e calcular a massa da estrela e do planeta usando os dados do Spitzer.

"Conseguimos determinar detalhes sobre este planeta graças à sinergia entre a KMTNet e o Spitzer," realça Andrew Gould, professor emérito de astronomia da Universidade Estatal do Ohio, Columbus, coautor do estudo.

Embora OGLE-2016-BLG-1195Lb tenha aproximadamente a mesma massa que a Terra e a mesma distância da sua estrela-mãe que o nosso planeta em relação ao Sol, as semelhanças podem terminar aí.

OGLE-2016-BLG-1195Lb fica a quase 13.000 anos-luz de distância e orbita uma estrela tão pequena que os cientistas nem têm a certeza que é, de facto, uma estrela. Poderá ser uma anã castanha, um objeto tipo-estrela cujo núcleo não é quente o suficiente para gerar energia através da fusão nuclear. Esta estrela em particular tem apenas 7,8% da massa do nosso Sol, mesmo na fronteira entre ser uma estrela e não ser uma estrela.

Alternativamente, poderá ser uma estrela anã ultrafria muito parecida com TRAPPIST-1, que o Spitzer e telescópios terrestres recentemente revelaram albergar sete planetas do tamanho da Terra. Esses sete planetas "amontoam-se" intimamente em redor de TRAPPIST-1, ainda mais perto do que Mercúrio em torno do Sol, e todos têm potencial para a existência de água líquida à sua superfície. Mas OGLE-2016-BLG-1195Lb, à distância Terra-Sol de uma estrela muito fraca, será extremamente frio - provavelmente ainda mais frio que Plutão do nosso Sistema Solar, de modo que qualquer água à superfície estará no estado sólido. O planeta precisaria de orbitar muito mais perto da ténue e minúscula estrela para receber luz suficiente a fim de manter a água, à sua superfície, no estado líquido.

Os telescópios terrestres, disponíveis hoje, não são capazes de encontrar planetas mais pequenos do que este usando o método de microlentes. Seria necessário um telescópio espacial altamente sensível para avistar os pequenos corpos em eventos de microlentes. O WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA, com lançamento previsto para meados da década de 2020, terá essa capacidade.

"Um dos problemas em estimar quantos planetas como este existem por aí é que alcançámos o limite inferior de massas planetárias que podemos, atualmente, detetar com microlentes," comenta Shvartzvald. "O WFIRST será capaz de mudar isso."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Astronomy
PHYSORG
spaceref

OGLE-2016-BLG-1195Lb:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue

Microlentes gravitacionais:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

OGLE:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

KMTNet:
Página oficial
Wikipedia

WFIRST:
NASA
Wikipedia

 
SILÍCIO "ETERNO" NA VIA LÁCTEA PODERÁ INDICAR UMA GALÁXIA "BEM MISTURADA"
O Telescópio Green Bank, situado em Green Bank, no estado norte-americano da Virgínia Ocidental.
Crédito: Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

À medida que as galáxias envelhecem, alguns dos seus elementos químicos básicos também podem mostrar sinais de envelhecimento. Este processo de envelhecimento pode ser visto à medida que certos átomos "ficam um pouco mais pesados," isto é, transformam-se em isótopos mais pesados - átomos com neutrões adicionais nos seus núcleos.

Surpreendentemente, novas investigações da Via Láctea com o Telescópio Green Bank do NSF (National Science Foundation), no estado norte-americano da Virgínia Ocidental, não encontraram nenhuma tendência desse tipo de envelhecimento para o elemento silício, um bloco de construção fundamental das rochas de todo o nosso Sistema Solar. Esta aparência "sem idade" pode significar que a Via Láctea é mais eficaz a misturar os seus conteúdos do que se pensava anteriormente, mascarando assim os sinais indicadores de envelhecimento químico.

Quando enormes estrelas de primeira geração, em galáxias jovens, terminam as suas vidas como supernovas violentas, elas enchem o cosmos com os chamados isótopos primários - elementos como oxigénio, carbono e silício com um equilíbrio de neutrões e protões nos seus núcleos.

"As estrelas massivas são os caldeirões nos quais os elementos pesados como o silício são fabricados," comenta Ed Young, cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autor de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "As estrelas de primeira geração fabricam silício-28 - um isótopo com 14 protões e 14 neutrões no seu núcleo. Ao longo de milhares de milhões de anos, as gerações posteriores de estrelas são capazes de produzir os isótopos mais pesados silício-29 e silício-30. Quando estas estrelas de última geração explodem como supernovas, os isótopos mais pesados são lançados para o meio interestelar, alterando subtilmente o perfil químico da Galáxia."

Os astrónomos não podem medir diretamente estas mudanças químicas a longo prazo. Podem, no entanto, fazer o seguinte: medir o aparente amadurecimento dos isótopos desde os arredores da nossa Galáxia em direção ao seu centro.

Uma vez que há uma maior concentração de estrelas quanto mais perto do centro da Via Láctea estivermos, incluindo estrelas massivas que terminam as suas vidas como supernovas, os astrónomos esperam encontrar uma maior percentagem de isótopos mais pesados entre os elementos aí presentes.

Os estudos anteriores com radiotelescópios, dos átomos de carbono e oxigénio na Via Láctea, forneceram alguns indícios de que existe, de facto, uma progressão constante da luz para os isótopos pesados quanto mais próximo estivermos do Centro Galáctico.

No entanto, as nuvens interestelares intervenientes tornam estas observações difíceis de obter e os resultados foram inconclusivos.

"Havia algumas pistas tentadoras, em estudos anteriores, de que o rácio dos isótopos de carbono e oxigénio mudava como esperado. Mas era difícil explicar o material no meio interestelar, por isso estávamos incertos da confiança destes dados," comenta Young. "O silício, detetado em moléculas de monóxido de silício, tem uma assinatura espectral que torna muito mais fácil explicar a poeira e gás na nossa Galáxia. Portanto, tivemos que fazer menos pressupostos do que os necessários para os levantamentos do oxigénio e do carbono."

Usando o Telescópio Green Bank de 100 metros, os astrónomos examinaram vastas faixas da Via Láctea, partindo da região próxima do Sol e seguindo em direção ao Centro Galáctico. Em cada região, estudaram os espectros rádio naturalmente emitidos pelas moléculas de monóxido de silício. As diferenças nos isótopos de silício seriam vistas como mudanças subtis nos espectros de rádio.

Indo contra as suas expetativas, os cientistas não encontraram nenhum dos gradientes esperados nos rácios dos isótopos.

"Não havia nenhuma evidência de gradientes," comenta Nathaniel Monson, membro da equipa de pesquisa e estudante da UCLA. "Foi um pouco surpreendente. Podemos ter que reavaliar o que pensamos sobre a nossa Galáxia."

Estes dados podem significar que a Via Láctea é notavelmente eficiente a misturar o seu material, circulando moléculas e átomos desde o Centro Galáctico até aos braços espirais e vice-versa. É também possível que as supernovas do tipo Ia - que são formadas em sistemas binários onde uma anã branca rouba demasiado material da sua companheira e detona-se - produzam uma sobreabundância de silício-28 mais tarde na vida de uma galáxia.

Caso os levantamentos subsequentes do carbono e do oxigénio sejam mais capazes de explicar as incertezas anteriores e mostrem a mesma falta de gradiente, isso apontará para a mistura como sendo o cenário mais provável.

"Há muito sobre a Galáxia que ainda não entendemos," concluiu Young. "É possível que estudos posteriores com o Telescópio Green Bank nos ensinem mais sobre a Via Láctea."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Green Bank
The Astrophysical Journal
Artigo científico (PDF)
ScienceDaily
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Telescópio Robert C. Byrd Green Bank:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 4302 e NGC 4298
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, M. Mutchler (STScI)
 
Vista de lado, a galáxia espiral NGC 4302 (esquerda) encontra-se a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância na direção da bem consagrada constelação de Cabeleira de Berenice. Um membro do grande Enxame Galáctico de Virgem, mede cerca de 87.000 anos-luz, sendo um pouco mais pequena que a nossa própria Via Láctea. Tal como a nossa Galáxia, as proeminentes bandas escuras de NGC 4302 cortam ao longo do plano galáctico, obscurecendo e avermelhando, da nossa perspetiva, a luz estelar. A mais pequena companheira, a galáxia NGC 4298, é também uma espiral empoeirada. Mas está mais inclinada em relação ao nosso ponto de vista e NGC 4298 pode assim mostrar as correntes de poeira ao longo dos seus grandes braços espirais, traçados por luz azulada de estrelas jovens, bem como o seu brilhante núcleo amarelado. Em comemoração do 27.º aniversário do lançamento do Telescópio Espacial Hubble, no passado dia 24 de abril, os astrónomos usaram o lendário telescópio para obter, no visível, este lindo retrato do par de galáxias contrastantes.
 

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