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Edição n.º 1418
10/10 a 12/10/2017
 
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SEMANA MUNDIAL DO ESPAÇO 2017

14/10/2017 | 17:00
CAFÉ CIÊNCIA COM O PROFESSOR MANUEL PAIVA Professor jubilado da Universidade Livre de Bruxelas. Foi Professor de Física e Biofísica na Faculdade de Medicina e Director do Laboratório de Física Biomédica da mesma Universidade. Participou em dez missões espaciais tanto da NASA como da Agência Espacial Europeia. Local a confirmar.

Mais informações: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 10/10: 283.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1731 nascia Henry Cavendish, cientista britânico famoso pela sua descoberta do hidrogénio e pela sua medição da densidade da Terra.
Em 1846, Tritão, a maior lua de Neptuno, é descoberta pelo astrónomo inglês William Lassell.
Em 1960, a sonda soviética Mars 1960A falha a atingir órbita terrestre.
Em 1967 entra em ação o Tratado Espacial, assinado a 27 de janeiro desse ano por mais de sessenta nações.

Observações: Plutão na sua quadratura este, pelas 00:54.
Assim que ficar noite completamente, encontre a estrela Arcturo, de magnitude zero, baixa a oeste-noroeste à mesma altura que Capella, igualmente brilhante, a nordeste. Quando isto acontece, vire-se para sul-sudeste, e aí estará Fomalhaut, de primeira magnitude, à mesma altura - isto é, se o observar se encontrar à latitude 43º N. Para sul dessa latitude Fomalhaut estará mais alta; para norte, estará mais baixa.

Dia 11/10: 284.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1758, nascia Heinrich Wilhelm Matthias Olbers, astrónomo e físico alemão, descobridor de Pallas e Vesta.
Em 1958, lançamento da sonda Pioneer 1 (a sonda cai para a Terra e é destruída).
Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.

Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery, a centésima do programa dos vaivéns espaciais.
Observações: A Lua, quase em Quarto Minguante, nasce um pouco antes da meia-noite. Assim que esteja visível, verá que se encontra na direção da constelação de Gémeos, e Pollux e Castor brilham para a sua direita. Mais para a sua direita está Orionte - talvez o seu primeiro vislumbre de outono?

Dia 12/10: 285.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento do Voskhod 1, a primeira missão com uma tripulação de várias pessoas e o primeiro voo sem fatos espaciais. 

Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus
Em 2005, segundo voo espacial da China. O Shenzhou 6 transportou dois astronautas durante cinco dias em órbita.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pleas 13:25.
Depois do anoitecer, aviste o "W" de Cassiopeia alto a nordeste. O terceiro segmento do W, contando de cima, aponta quase para baixo na vertical. Prolongue-o quase ao dobro e alcança o Enxame Duplo de Perseu. Este par de enxames abertos tem pouco brilho a olho nu, sob um céu escuro (use a visão periférica), mas é visível de praticamente qualquer lado com binóculos. É esplêndido através de um telescópio.

 
CURIOSIDADES


As constelações do hemisfério sul da Quilha, Popa e Vela formam ArgoNavis, o navio usado por Jasão e os Argonautas para resgatar o Tosão de Ouro.

 
ESTUDO DE MARTE FORNECE INDÍCIOS SOBRE POSSÍVEL BERÇO DA VIDA
Esta vista de uma porção da região Eridania de Marte mostra blocos de depósitos de uma bacia profunda rodeados e parcialmente enterrados por depósitos vulcânicos mais jovens. A imagem foi captada pela Mars Reconnaissance Orbiter da NASA e cobre uma área com aproximadamente 19 km em comprimento.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta de evidências de antigos depósitos hidrotermais em Marte identifica uma área no Planeta Vermelho que poderá fornecer pistas sobre a origem da vida na Terra.

Um recente relatório internacional examina observações da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA de enormes depósitos numa bacia no sul de Marte. Os autores interpretam os dados como evidências de que esses depósitos foram formados por água aquecida por uma parte vulcanicamente ativa da crosta do planeta que penetrava no fundo de um grande mar há muito tempo atrás.

"Mesmo que nunca encontremos provas de vida em Marte, este local pode dizer-nos mais sobre o tipo de ambiente onde a vida pode ter começado na Terra," comenta Paul Niles do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, EUA. "A atividade vulcânica, combinada com água parada, forneceram condições que provavelmente eram semelhantes às condições que existiam na Terra aproximadamente à mesma altura - quando a vida estava a desenvolver-se aqui."

Pensa-se que a bacia Eridania no sul de Marte albergou um mar há cerca de 3,7 mil milhões de anos, com depósitos resultantes de atividade hidrotermal submarina. Este gráfico mostra as profundidades estimadas da água nesse mar antigo. O mapa cobre uma área com 850 km de comprimento.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Marte hoje não tem águas paradas nem atividade vulcânica. Os investigadores estimam uma idade de aproximadamente 3,7 mil milhões de anos para os depósitos marcianos atribuídos à atividade hidrotermal no fundo do mar. As condições hidrotermais submarinas na Terra, aproximadamente à mesma altura, são um forte candidato para onde e quando a vida na Terra começou. A Terra ainda tem tais condições, onde muitas formas de vida prosperam graças à energia química extraída das rochas, sem luz solar. Mas devido à crosta ativa da Terra, o nosso planeta possui poucas evidências geológicas diretas preservadas desses tempos em que a vida começou. A possibilidade de atividade hidrotermal submarina no interior de luas geladas como Europa em Júpiter e Encélado em Saturno alimenta o seu interesse como destinos na procura por vida extraterrestre.

As observações do instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Spectrometer for Mars) a bordo da MRO forneceram os dados para a identificação de minerais em depósitos massivos no interior da bacia Eridania de Marte, situada numa região com algumas das crostas expostas mais antigas do Planeta Vermelho.

"Este local dá-nos uma história convincente para um mar profundo e de longa duração e para um ambiente hidrotermal profundo," explica Niles. "Evoca os ambientes hidrotermais profundos da Terra, semelhantes aos ambientes onde a vida pode ser encontrada noutros mundos - vida que não precisa de uma atmosfera agradável ou de uma superfície temperada, mas apenas rochas, calor e água."

Este diagrama ilustra uma interpretação da origem de alguns depósitos na bacia Eridania no sul de Marte como resultado de atividade hidrotermal há mais de 3 mil milhões de anos.
Crédito: NASA
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Os investigadores estimam que o antigo mar de Eridania continha cerca de 210.000 quilómetros cúbicos de água. Este valor é equivalente à soma de todos os outros lagos e mares no passado de Marte e a cerca de nove vezes o volume total combinado dos Grandes Lagos da América do Norte. A mistura de minerais identificada a partir dos dados do espectrómetro, incluindo serpentina, talco e carbonato, e a forma e textura das espessas camadas rochosas, levaram à possível identificação de depósitos hidrotermais. A área tem fluxos de lava que sucedem ao desaparecimento do mar. Os cientistas citam-nos como evidências de que esta é uma área da crosta de Marte com uma suscetibilidade vulcânica que também terá produzido efeitos anteriores, quando o mar ainda estava presente.

O novo trabalho acrescenta à diversidade de tipos de ambientes molhados para os quais existem evidências em Marte, incluindo rios, lagos, deltas, mares, fontes termais, águas subterrâneas e erupções vulcânicas sob o gelo.

"Os antigos depósitos hidrotermais no fundo do mar da bacia Eridania representam uma nova categoria de alvo astrobiológico em Marte," relata o artigo. Também diz, "os depósitos no fundo do mar de Eridania não são apenas de interesse para a exploração de Marte, também representam uma janela para o início da Terra." Isto porque as evidências mais antigas de vida na Terra vêm de depósitos marinhos de origem e idade semelhantes, mas o registo geológico desses antigos ambientes terrestres está muito pouco preservado."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Communications (PDF)
spaceref
PHYSORG
Wired

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nuvem Molecular Escura Barnard 68
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa FORSTelescópio Antu de 8,2 metros do VLTESO
 
Para onde foram todas as estrelas? O que já foi considerado um buraco no céu é agora conhecido pelos astrónomos como uma nuvem molecular escura. Aqui, uma alta concentração de poeira e gás molecular absorve praticamente toda a luz visível emitida pelas estrelas de fundo. Os arredores escuros ajudam a fazer do interior das nuvens moleculares um dos locais mais frios e isolados do Universo. Uma destas mais notáveis nebulosas escuras de absorção é uma nuvem na direção da constelação de Ofiúco conhecida como Barnard 68, na imagem acima. Não há estrelas visíveis no centro, o que indica que a relativamente próxima Barnard 68 poderá estar a cerca de 500 anos-luz e medir meio ano-luz. Não se sabe com exatidão como é que as nuvens moleculares do tipo de Barnard 68 se formam, mas sabe-se que estas nuvens são provavelmente locais de formação estelar. De facto, descobriu-se recentemente que Barnard 68 irá provavelmente colapsar e formar um novo sistema estelar. É possível atravessar e observar o que está por trás da nuvem graças à radiação infravermelha.
 

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