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Edição n.º 1447
19/01 a 22/01/2018
 
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27/01/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/01: 19.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.

Também determinou a órbita de Úrano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície.
Observações: A Lua ainda é um finíssimo Crescente e, em qualquer caso, põe-se pouco depois do lusco-fusco. Assim sendo: será que o seu céu é escuro o suficiente para ver a Via Láctea de inverno? A meio da noite, a Via Láctea corre verticalmente e atravessa o zénite: de Cão Maior baixo a sudeste, para cima entre Orionte e Gémeos, através de Cocheiro e Perseu quase por cima das nossas cabeças e desce através de Cassiopeia, Cefeu e Cisne até ao horizonte a noroeste.

Dia 20/01: 20.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Em 2016, investigadores do Caltech encontram evidências de um nono planeta a mover-se no que chamam de "órbita altamente alongada e bizarra" no Sistema Solar exterior. 
Observações: Capella, de magnitude zero, bem alta, e a igualmente brilhante Rigel, no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu quase exatamente à mesma hora: por volta das 21:45. Assim sendo, quando Capella estiver à sua posição mais alta no céu, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro.

Dia 21/01: 21.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1908, nascia Bengt Strömgren, astrónomo e astrofísico dinamarquês, famoso por desenvolver a teorias das nebulosas difusas (regiões H II) como as nebulosa Trífida e de Orionte.
Em 1960, a nave MercuryLittle Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.

Em 2004, a NASA "perdia" contato com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Observações: Ainda durante algumas semanas, a brilhante estrela Sirius vai continuar a brilhar cada vez mais alto a sudeste e sul-sudeste à hora de jantar. Para cima de Sirius encontra-se Betelgeuse, o ombro de Orionte, uma estrela laranja-avermelhada. Para a sua esquerda está Procyon que, em conjunto com estas duas estrelas, forma o Triângulo de Inverno. Sirius, Betelgeuse e Procyon estão a 8,6, 500 e 11,5 anos-luz de distância, respetivamente.

Dia 22/01: 22.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.

Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42.
Observações: Observe a Lua a sudoeste ao cair da noite. Fomalhaut é a estrela brilhante diretamente para baixo (35º) do nosso satélite natural, bastante mais perto do horizonte. Para a observar, precisa de um horizonte desimpedido.

 
CURIOSIDADES


A primeira fotografia de um eclipse solar foi obtida no dia 28 de julho de 1851 por Johann Julius Berkowski.

 
COMPORTAMENTO ESTRANHO DE ESTRELA REVELA BURACO NEGRO SOLITÁRIO EM ENXAME ESTELAR GIGANTE
Com o auxílio do instrumento MUSE do ESO, montado no VLT (Very Large Telescope) no Chile, os astrónomos descobriram uma estrela no enxame NGC 3201 a comportar-se de forma muito estranha. A estrela parece orbitar um buraco negro invisível com cerca de quatro vezes a massa do Sol — o primeiro buraco negro inativo de massa estelar a ser encontrado num enxame globular. Esta importante descoberta tem um forte impacto na nossa compreensão da formação destes enxames estelares, buracos negros e origem de eventos de ondas gravitacionais. Esta imagem artística mostra como é que poderão ser a estrela e o seu companheiro invisível, situados no coração rico do enxame estelar globular.
Crédito: ESO/L. Calçada/spaceengine.org
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do instrumento MUSE do ESO, montado no VLT (Very Large Telescope) no Chile, os astrónomos descobriram uma estrela no enxame NGC 3201 a comportar-se de forma muito estranha. A estrela parece orbitar um buraco negro invisível com cerca de quatro vezes a massa do Sol — o primeiro buraco negro inativo de massa estelar a ser encontrado num enxame globular e o primeiro descoberto diretamente através da deteção do seu efeito gravitacional. Esta importante descoberta tem um forte impacto na nossa compreensão da formação destes enxames estelares, buracos negros e origem de eventos de ondas gravitacionais.

Os enxames estelares globulares são enormes esferas de dezenas de milhares de estrelas que orbitam a maioria das galáxias. Estes objetos encontram-se entre os sistemas estelares mais velhos conhecidos no Universo, datando do início da formação e evolução galáctica. Atualmente, conhecem-se mais de 150 destes enxames pertencentes à Via Láctea.

Um deles em particular, chamado NGC 3201 e situado na constelação austral da Vela, foi agora estudado com o auxílio do instrumento MUSE, montado no VLT do ESO no Chile. Uma equipa internacional de astrónomos descobriu que uma das estrelas de NGC 3201 se comporta de modo muito estranho — está a ser lançada para trás e para a frente com uma velocidade de várias centenas de milhares de quilómetros por hora, num ciclo que se repete a cada 167 dias.

Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra a região central do rico enxame estelar globular NGC 3201 situado na constelação da Vela. Foi encontrada neste enxame uma estrela (marcada com um círculo azul) a orbitar um buraco negro com quatro vezes a massa do Sol.
Crédito: ESA/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O autor principal Benjamin Giesers (Georg-August-Universität Göttingen, Alemanha) ficou intrigado com este comportamento: "A estrela estava a orbitar algo completamente invisível, com uma massa de mais de quatro vezes a massa do Sol — ou seja, apenas podia ser um buraco negro! O primeiro encontrado num enxame globular por observação direta do seu efeito gravitacional."

A relação entre buracos negros e enxames globulares é importante, mas misteriosa. Devido à sua grande massa e idade elevada, pensa-se que estes enxames deram origem a um elevado número de buracos negros estelares — formados quando estrelas massivas no seu seio explodiram e colapsaram ao longo da extensa vida do enxame.

O instrumento MUSE do ESO deu aos astrónomos a capacidade única de medir os movimentos de milhares de estrelas distantes em simultâneo. Deste modo, a equipa conseguiu detetar pela primeira vez um buraco negro inativo no coração de um enxame globular — ou seja, um buraco negro que não está atualmente a "engolir" matéria e não se encontra rodeado por um disco brilhante de gás. A equipa conseguiu estimar a massa do buraco negro a partir dos movimentos da estrela que se encontra sobre a influência da sua enorme atração gravitacional.

Imagem composta a cores do enxame globular NGC 3201, obtida pelo instrumento WFI montado no telescópio ESO/MPG de 2,2 metros, em La Silla. Os enxames globulares são enormes agregados de estrelas, que podem conter milhões de estrelas. Encontram-se entre os objetos mais velhos observados no Universo, tendo-se formado presumivelmente ao mesmo tempo que a Via Láctea, durante a fase inicial posterior ao Big Bang. Este enxame globular em particular situa-se a cerca de 16000 anos-luz de distância na direção da constelação austral da Vela. Os dados obtidos fazem parte do rastreio EIS (ESO Imaging Survey), um rastreio público levado a cabo pelo ESO e pelos Estados Membros, em preparação para a primeira luz do VLT.
A imagem original e os dados astronómicos podem ser obtidos através das páginas EIS Pre-Flames Survey Data Release, onde se encontram igualmente disponíveis muitas outras imagens.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Através das propriedades observadas, determinou-se que a estrela tem cerca de 0,8 vezes a massa do nosso Sol e calculou-se que a massa do seu misterioso companheiro é cerca de 4,36 vezes a massa solar — o que faz dele quase de certeza um buraco negro.

Deteções recentes de fontes rádio e raios X em enxames globulares, assim como a deteção de 2016 de sinais de ondas gravitacionais produzidas pela fusão de dois buracos negros de massa estelar, sugerem que estes buracos negros relativamente pequenos podem ser mais comuns em enxames globulares do que o que se pensava anteriormente.

Giesers conclui: "Até há pouco tempo, assumia-se que quase todos os buracos negros desapareceriam dos enxames globulares após um curto período e que sistemas como este não deveriam sequer existir. Mas este não é, claramente, o caso — a nossa descoberta é a primeira deteção direta dos efeitos gravitacionais de um buraco negro de massa estelar num enxame globular. Esta descoberta ajuda-nos a compreender melhor a formação dos enxames globulares e a evolução de buracos negros e sistemas binários — aspetos vitais para a compreensão das fontes de ondas gravitacionais."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Astronomy
SPACE.com
EarthSky
PHYSORG
ZAP.aeiou

Buracos negros:
Wikipedia

NGC 3201:
SEDS
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ARTIGO DA NATURE COLOCA TEORIA DA EVOLUÇÃO ESTELAR DE CABEÇA PARA BAIXO
Esta anã branca tem mais ou menos o tamanho da Terra.
Crédito: Stéphane Charpinet
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A revista Nature publicou, na semana passada, um artigo que poderá desafiar a teoria da evolução estelar.

"Eu acho que, nos próximos meses, os astrofísicos estelares vão ter que refazer os seus cálculos," comenta Gilles Fontaine, professor de física da Universidade de Montreal e um dos autores do artigo.

A autora principal, Noemi Giammichele, completou o seu doutoramento em 2016 sob a supervisão conjunta de Fontaine e do seu colega Pierre Bergeron, ambos coautores do artigo, juntamente com outros seis investigadores. O artigo divulga um estudo de dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Kepler.

"Nós conseguimos mapear o interior de uma anã branca pulsante com precisão, como se a tivéssemos cortado em secções transversais para estudar a sua composição," comenta Giammichele, agora pós-doutorada da Universidade de Toulouse, França. O mapa mostrou que as vibrações da estrela às vezes chegam até ao centro.

As anãs brancas "são os remanescentes dos núcleos de quase 97% das estrelas no Universo," explicou Robert Lamontagne, diretor de relações media do Centro de Investigação em Astrofísica da Universidade de Montreal. "À medida que as estrelas morrem lentamente, arrefecendo inexoravelmente sob a forma de anãs brancas, sofrem períodos de instabilidade durante os quais vibram. Estas vibrações profundas - ou sismos estelares - são a chave para ver diretamente o próprio interior destes remanescentes estelares."

A uma distância de 1375 anos-luz da Terra, a luz que a anã branca KIC08626021 emite é quase invisível aos telescópios no solo. O Kepler, no entanto, pode focar-se nela durante um período prolongado, resultando em imagens significativamente mais detalhadas. Dado que os investigadores de Montreal foram capazes de aceder ao telescópio espacial, os autores puderam examinar de perto esta pequena estrela - com mais ou menos o tamanho da Terra - e as suas vibrações.

Quase 300 cientistas em todo o mundo são especialistas no estudo de anãs brancas. O objetivo inicial de Giammichele era verificar uma teoria sobre esta fase final do ciclo de vida de uma estrela. A teoria mostrou-se correta, mas as observações da equipa levaram a uma série de descobertas surpreendentes.

Um núcleo maior

Ao examinar a estrela, localizada na fronteira das constelações de Cisne e Lira, os investigadores descobriram que o seu núcleo de carbono e oxigénio era duas vezes maior do que o previsto pela teoria. "Esta é uma grande descoberta que nos forçará a reavaliar a nossa visão de como as estrelas morrem," comenta Fontaine. "Dito isto, é preciso trabalhar para confirmar se esta observação é válida para outras estrelas. Pode ser apenas uma anomalia."

"Devemos tentar reproduzir estes resultados com outros corpos celestes antes que possamos tirar conclusões," concorda Giammichele. Embora KIC08626021 seja a primeira anã branca pulsante identificada pelo telescópio Kepler, já foram descobertas aproximadamente outras 60. "Tenho dados suficientes para passar os próximos 20 anos a analisá-las uma a uma."

Método inovador

O novo artigo é o quarto de Fontaine na Nature, uma das principais revistas científicas a nível mundial, e a sua publicação encerra um círculo na sua carreira. Em 1978, o professor vislumbrou o potencial para determinar a estrutura interna de uma anã branca pulsante através de uma sólida compreensão da teoria da evolução estelar. "Mas ainda havia um longo caminho a percorrer," lembrou. "Em primeiro lugar, não tínhamos acesso a imagens de alta-resolução porque os telescópios terrestres davam imagens muito imprecisas destes corpos. Então nós tivemos que criar as ferramentas analíticas, o software, etc. E, por último, mas não menos importante, tivemos que encontrar a pessoa certa para continuar a perseguir as pistas."

Fontaine elogiou a sua ex-aluna, que desenvolveu uma abordagem inovadora para atingir os seus objetivos. Com um doutoramento em engenharia mecânica pelo Politécnico de Montreal, Giammichele aplicou métodos usados no cálculo da aerodinâmica de asas de avião na astrofísica. "Eu penso que esta abordagem foi o que nos permitiu avançar," comenta Fontaine, acrescentando que cinco dos outros coautores estudaram também sob ele.

No que toca a Giammichele, está satisfeita que um dos cinco artigos que compõem a sua tese de doutoramento alcance um público mais amplo. "O que eu quero fazer agora, em termos de carreira, é continuar a fazer investigação," realça. "É o que mais gosto: descobrir como resolver problemas."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Montreal (comunicado de imprensa)
Universidade de Liege (comunicado de imprensa)
Nature
PHYSORG

Anãs brancas:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Descobertas planetárias do Kepler

 
QUÃO MASSIVAS PODEM SER AS ESTRELAS DE NEUTRÕES?
Emissão de uma onda gravitacional a partir de uma estrela em colapso.
Crédito: Universidade Goethe de Frankfurt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde a sua descoberta na década de 1960, que os cientistas procuram responder a uma questão importante: quão massivas podem as estrelas de neutrões se tornar? Contrastando com os buracos negros, estas estrelas não podem ganhar massa arbitrariamente; após um certo limite, não há força física na natureza que possa contrariar a sua enorme força gravitacional. Pela primeira vez, astrofísicos da Universidade Goethe de Frankfurt conseguiram calcular um limite superior rigoroso para a massa máxima das estrelas de neutrões.

Com um raio de aproximadamente doze quilómetros e uma massa que pode ser o dobro da do Sol, as estrelas de neutrões estão entre os objetos mais densos do Universo, produzindo campos gravitacionais comparáveis aos dos buracos negros. Apesar da maioria das estrelas de neutrões ter uma massa que ronda os 1,4 sóis, também conhecemos exemplos massivos, como o pulsar PSR J0348+0432 com 2,01 vezes a massa do Sol.

A densidade destas estrelas é enorme, como se os Himalaias fossem comprimidos numa caneca de cerveja. No entanto, há indicações de que uma estrela de neutrões com uma massa máxima colapsaria para um buraco negro, mesmo se fosse adicionado um único neutrão.

Juntamente com os seus alunos Elias Most e Lukas Weih, o professor Luciano Rezzolla, físico do Instituto de Estudos Avançados de Frankfurt e professor de Astrofísica Teórica da Universidade Goethe de Frankfurt, resolveu o problema que permanecia sem resposta há 40 anos: com uma precisão de apenas alguns pontos percentuais, a massa máxima das estrelas de neutrões não-giratórias não pode exceder as 2,16 massas solares.

A base deste resultado foi a abordagem de "relações universais" desenvolvida em Frankfurt há alguns anos. A existência de "relações universais" implica que praticamente todas as estrelas de neutrões sejam "parecidas umas com as outras," o que significa que as suas propriedades podem ser expressas em termos de quantidades adimensionais. Os investigadores combinaram estas "relações universais" com dados de sinais de ondas gravitacionais e a subsequente radiação eletromagnética (quilonova) obtida durante a observação, o ano passado, da fusão de duas estrelas de neutrões no quadro da experiência LIGO. Isto simplifica tremendamente os cálculos porque os torna independentes da equação do estado. Esta equação é um modelo teórico para descrever a matéria densa dentro de uma estrela que fornece informações sobre a sua composição a várias profundidades. Esta relação universal, portanto, desempenhou um papel essencial na definição da nova massa máxima.

O resultado é um bom exemplo da interação entre a investigação teórica e experimental. "A beleza da investigação teórica é que ela pode fazer previsões. A teoria, no entanto, precisa desesperadamente de experiências para diminuir algumas das suas incertezas," explica o professor Rezzolla. "Portanto, é realmente incrível que a observação da fusão de um único par de estrelas de neutrões, ocorrida a milhões de anos-luz de distância, combinada com as relações universais descobertas através do nosso trabalho teórico, tenha permitido resolver um enigma que no passado viu tantas especulações."

Os resultados da investigação foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters. Dias depois, grupos dos EUA e do Japão confirmaram os achados, apesar de até terem seguido abordagens diferentes e independentes.

Espera-se que a astronomia de ondas gravitacionais observe mais eventos deste género no futuro próximo, tanto em termos de sinais de ondas gravitacionais como nas mais tradicionais faixas de frequências. Isto reduzirá ainda mais as incertezas da massa máxima e levará a uma melhor compreensão da matéria em condições extremas. Isto será simulado em aceleradores de partículas modernos, por exemplo no CERN na Suíça ou nas instalações FAIR na Alemanha.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/01/2018 - Ondas gravitacionais medem o Universo
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
28/11/2017 - Novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
Universidade Goethe de Frankfurt (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
ZME Science
PHYSORG

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Quilonova:
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Será que o colosso cósmico RCS2J2327 é mais massivo do que o permitido? (via Universidade de Bona)
Uma equipa internacional de cientistas mapeou a distribuição de massa num distante enxame galáctico. Este colosso cósmico está a aproximadamente 6,4 mil milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Peixes. De acordo com a investigação atual, consiste de aproximadamente 85% de matéria escura invisível. Ler fonte
     
  Rotação de buraco negro aumento volume rádio (via NAOJ)
A análise estatística de buracos negros supermassivos sugere que a rotação do buraco negro pode desempenhar um papel na produção de jatos velozes que expelem ondas de rádio e outros tipos de radiação através do Universo. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cometa Azul nas Híades
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo (Deep Sky Colors)
 
As estrelas do enxame estelar das Híades estão espalhadas por este mosaico que abrange mais de 5 graus no céu na direção da constelação de Touro. Atualmente a viajar pelo Sistema Solar, o cometa azulado C/2016 R2 PanSTARRS encontra-se no campo de visão desta imagem obtida dia 12 de janeiro. Com o ápice em forma de V das Híades posicionado perto do centro superior, a brilhante Aldebarã, a estrela mais brilhante de Touro, ancora a paisagem no canto inferior direito. Uma fria gigante vermelha, Aldebarã tem tons laranja neste campo estelar colorido. Embora as estrelas das Híades estejam reunidas a 151 anos-luz de distância, Aldebarã fica a apenas 65 anos-luz e está, portanto, separada das estrelas do enxame. No dia 12 de janeiro, C/2016 R2 estava a mais de 17 minutos-luz do planeta Terra e a quase 24 minutos-luz do Sol. O tom azul da sua cauda é em grande parte devido ao fluorescente gás CO+ sob luz solar. A cabeleira do cometa parece ter uma tonalidade ligeiramente esverdeada, provavelmente emissão de carbono diatómico.
 

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