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Edição n.º 1450
30/01 a 01/02/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 30/01: 30.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, era lançada a sonda Ranger 6 da NASA.

A sua missão era filmar a Lua televisivamente até se despenhar sobre ela.
Em 2013, o Naro-1 torna-se o primeiro veículo de lançamento da Coreia do Sul.
Observações: Orionte, bem alta para cima e para a direita de Sirius, é a mais brilhante das 88 constelações. Mas o seu padrão principal é surpreendentemente pequeno em comparação com algumas das vizinhas mais ténues. A maior é Erídano, o Rio, para oeste, enorme mas difícil de traçar. A Fornalha, para baixo e para a direita de Erídano, é quase tão grande quanto Orionte! Até o padrão principal de Lebre, por baixo dos pés de Orionte, não é assim muito mais pequeno que o do Caçador.

Dia 31/01: 31.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refrator de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo.

Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira missão tripulada à Lua. 
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake.
Observações: Lua Cheia, pelas 13:27. Eclipse lunar total não visível de Portugal (parcial na América Central, Norte, leste da Europa e total na Ásia, Austrália e Pacífico).
Esta noite a Lua brilha entre Caranguejo e Leão, bem para cima e para a direita de Régulo.

Dia 01/02: 32.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano. Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 

Observações: Antes do amanhecer, cerca de hora e meia antes do nascer-do-Sol, Júpiter brilha alto a sul. Para baixo e para a esquerda, cerca de 12º, está o mais ténue planeta Marte, de magnitude 1,2. Marte, antes do amanhecer de quinta-feira, passa exatamente entre Beta Scorpii (cima) e o par Omega1,2 Scorpii (baixo). Os quatro astros criam uma interessante linha quase vertical com 1,1º de altura. Binóculos ajudam. Para baixo e para a esquerda de Marte, cerca de 8º, encontra-se a alaranjada Antares. E se desenhar uma linha reta de Júpiter, passando por Marte e prolongado-se por outros 30º, chega a Saturno que brilha baixo a sudeste.

 
CURIOSIDADES


Os romanos chamavam "via lactea" à nossa Galáxia porque, da perspetiva do céu noturno da Terra, é parecida com uma mancha de leite. Mas os romanos não foram os primeiros a dar este nome à galáxia onde vivemos: os gregos chamavam-lhe "galaxias kyklos". De acordo com a mitologia grega, Zeus trouxe Héracles (filho de Zeus com Alcmena, uma mortal) para ser amamentado por Hera, sua mulher, enquanto esta dormia. Zeus queria, com a ajuda do leite da deusa, dotá-lo de qualidades divinas. Hera não gostava de Héracles, sobretudo porque o bebé era semideus e o resultado de um dos muitos romances extraconjugais de Zeus. Quando Hera acordou, rapidamente apercebeu-se do que estava a acontecer e empurrou Héracles para longe do seu peito. O gesto fez com que algumas gotas de leite caíssem no céu noturno, formando assim a Via Láctea.

 
PROJETO FUGIN: FAZENDO O MAPA DE RÁDIO MAIS DETALHADO DA VIA LÁCTEA

Astrónomos levaram a cabo um levantamento em larga escala da Via Láctea invisível usando o Radiotelescópio Nobeyama de 45 metros.

Quando olhamos para cima numa noite escura e sem nuvens, podemos ver a Via Láctea a olho nu. Se fotografarmos a Via Láctea, vamos notar algumas manchas escuras com menos estrelas. Nessas áreas, nuvens de gás e poeira na Via Láctea bloqueiam a luz de estrelas de fundo. Ao observar as ondas de rádio emitidas pelo gás nessas nuvens, os astrónomos podem estudar as porções invisíveis da Via Láctea.

Um grupo de investigação liderado por Tomofumi Umemoto (professor assistente do Observatório Nobeyama), incluindo membros da Universidade de Tsukuba, da Universidade de Nagoya, da Universidade de Educação Joetsu, da Universidade de Kagoshima e de outras universidades, usaram o telescópio de 45 metros entre 2014 e 2017 para criar os mapas de rádio mais extensos e detalhados da Via Láctea na história da humanidade.

A equipa completou mapas que cobrem uma área tão grande quanto 520 Luas Cheias com mais ou menos 3 vezes a resolução espacial de mapas anteriores. Este mapa permitirá o estudo da estrutura do meio interestelar a várias escalas: desde estruturas em larga escala de toda a Via Láctea a estruturas em pequena escala de núcleos de nuvens moleculares que estão diretamente relacionados com a formação estelar.

Graças à boa resolução espacial do telescópio de 45 metros, a equipa descobriu muitas estruturas filamentares que não tinham sido vistas claramente em mapas anteriores. Pensa-se que estas estruturas contenham pistas importantes para ajudar a entender a formação das estrelas.

Mapa de rádio da Via Láctea obtido pelo projeto FUGIN.
Topo: mapa de rádio a três cores (cores falsas) da Via Láctea (l=10-50º) obtido pelo Projeto FUGIN. Os tons vermelho, verde e azul representam as intensidades no rádio de 12CO, 13CO e C180, respetivamente.
Segunda linha: imagem infravermelha da mesma região obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer. Os tons vermelho, verde e azul representam as intensidades das ondas de rádio a 24μm, 8μm e 5,8μm, respetivamente.
Ampliação do topo: mapa de rádio a três cores da Via Láctea (l=12-22º) obtido pelo Projeto Fugin. As cores são as mesmas da imagem no topo.
Ampliação em baixo à esquerda: vista da região W51. As cores são as mesmas da imagem no topo.
Ampliação em baixo à direita: vista da região M17. As cores são as mesmas da imagem no topo.
Crédito: NAOJ/NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Este mapa no rádio vai servir como um conjunto de dados fundamentais para futuros estudos observacionais. Esperam-se muitas descobertas por cientistas espalhados pelo mundo com base neste mapa.

Contexto Científico

A Via Láctea visível a olho nu é um aglomerado de muitas estrelas. Nas áreas escuras com menos estrelas, o gás e a poeira obscurecem a luz de estrelas de fundo. Chamamos a estas áreas nuvens escuras. O gás nas nuvens escuras não pode ser observado no visível, mas pode ser observado no rádio. Um grande telescópio tem boa resolução espacial, mas só consegue cobrir apenas uma pequena porção do céu.

Por outro lado, um pequeno telescópio pode cobrir uma área mais ampla, mas tem baixa resolução espacial e não pode observar a estrutura detalhada dos corpos celestes. Por esta razão, é difícil obter dados observacionais que capturam, simultaneamente, a estrutura em larga escala da Via Láctea e a estrutura em pequena escala de núcleos de nuvens moleculares, relacionados com a formação estelar.

Com dados anteriores, era um desafio estudar a evolução do gás molecular, o material das estrelas. Especialmente no que toca a entender como e onde as estrelas se formam, era pretendido um conjunto de dados com ampla cobertura e alta resolução espacial.

Método Observacional

O FUGIN (FOREST unbiased Galactic plane imaging survey with the Nobeyama 45-m telescope) é um projeto que visa criar um mapa rádio de campo amplo da Via Láctea com uma resolução espacial sem precedentes. O radiotelescópio Nobeyama de 45 metros tem boa visão (ou resolução espacial), e o novo recetor FOREST aí instalado permite ter 10 vezes a sensibilidade anterior. O FUGIN foi aprovado como um dos projetos de legado do Observatório de Nobeyama a fim de obter a utilização máxima destas vantagens.

O objetivo destes projetos de legado é a recolha de dados fundamentais para os estudos de próxima geração. O FUGIN observou durante 1100 horas entre 2014 e 2017. As áreas observadas cobrem 130 graus quadrados: cerca de 83% da área entre as latitudes galácticas -1 e +1 graus e longitudes galácticas entre 10 e 50 graus e de 198 e 236 graus. A resolução angular ronda os 20 segundos de arco e a resolução da velocidade radial para moléculas é de 1,3 km/s. Isto equivale a aproximadamente 3 vezes a resolução espacial (com base na comparação dos tamanhos de feixe determinados pelas capacidades dos telescópios) dos dados anteriores para a Via Láctea.

O telescópio de 45 metros obteve, simultaneamente, dados para 3 isótopos diferentes de moléculas de monóxido de carbono, 12CO, 13CO e C180. Isto permitiu o estudo do caráter físico do gás, como a temperatura e densidade, além da distribuição do gás molecular e do seu movimento.

Observação da região do Projeto FUGIN: fotografia da paisagem estelar obtida no Observatório Nobeyama.
Crédito: Norikazu Okabe
 

Resultado Inicial e Plano Futuro

A análise dos dados a longitudes galácticas entre 12 e 22 graus produziu os primeiros frutos desta investigação, a descoberta de filamentos moleculares gigantes anteriormente indistinguíveis. Foram identificadas muitas estruturas filamentares em torno de regiões de formação estelar como M17 e W51. Estas estruturas podem conter pistas para entender como uma nuvem molecular se contrai para formar estrelas.

O mapa de rádio obtido neste projeto será divulgado ao mundo no próximo mês de junho. O mapa será um conjunto de dados fundamentais para estudos futuros da Via Láctea; será útil não apenas nas observações com o ALMA e outros radiotelescópios, mas também para observações no infravermelho e noutros comprimentos de onda.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Nobeyama do NAOJ (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Spaceref
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Observatório Nobeyama:
NAOJ
Wikipedia

 
DETETADO O PRIMEIRO JATO DE UMA JOVEM E MASSIVA ESTRELA PARA LÁ DA VIA LÁCTEA

Numa descoberta astronómica significativa, uma cientista da Universidade de Canterbury (Nova Zelândia) fez a primeira deteção de um jato de uma estrela muito jovem e massiva numa galáxia para lá da nossa.

A Dra. Anna McLeod, da Faculdade de Ciências Físicas e Químicas da Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, diz que esta descoberta impulsionará um avanço significativo no campo da formação estelar.

"Também fornece pistas adicionais sobre uma das maiores questões da astronomia moderna: como é que as estrelas massivas se formam?" afirma a Dra. McLeod.

A Dra. Anna McLeod, da Faculdade de Ciências Físicas e Químicas da Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, diz que a descoberta impulsionará um avanço significativo no campo da formação estelar.
Crédito: Universidade de Canterbury
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As estrelas massivas são muito importantes porque regulam a formação de novas gerações de estrelas, bem como a evolução de galáxias inteiras. A nossa descoberta captou uma estrela massiva enquanto se formava e lança luz sobre o mecanismo de formação."

A Dra. McLeod é a autora principal do novo artigo sobre a descoberta, juntamente com coautores na Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, publicado a semana passada na revista Nature.

Os cientistas dizem que o jato abrange cerca de 36 anos-luz (ou 11 parsecs), o que o torna num dos maiores jatos do seu tipo já encontrados. A estrela que alimenta o jato parece ter 12 vezes a massa do nosso Sol.

Os dados usados para este trabalho foram obtidos com o VLT (Very Large Telescope) no Deserto do Atacama no Chile, que está entre os maiores telescópios óticos do mundo e é um dos telescópios mais competitivos no que toca a obter o precioso tempo de observação.

"A descoberta é muito importante pois abre novas portas no campo. Como um bónus adicional, também vem com um conjunto de dados muito rico e imagens deslumbrantes de uma região de formação estelar na nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães," comenta a Dra. McLeod.

Ela explica que embora tenhamos um bom conhecimento de como as estrelas parecidas com o Sol se formam, este não é o caso para estrelas com massas acima das 8 massas solares, "nomeadamente aquelas estrelas tão importantes na regulação da formação de galáxias inteiras."

No artigo, a Dra. McLeod apresenta evidências convincentes de que as estrelas de elevada massa se formam de maneira semelhante às estrelas parecidas com o Sol.

"Nós detetámos uma estrela massiva muito jovem e ainda em formação - um chamado objeto estelar jovem - que está a lançar um jato bipolar. O jato é evidência direta para o que chamamos de disco de acreção - um disco em redor do equador da estrela através do qual a estrela recolhe matéria e cresce, que é o que vemos em estrelas de baixa massa."

A Dra. McLeod diz que esta descoberta é importante por várias razões:

  • Contém evidências diretas de um cenário de formação mediado por acreção para estrelas massivas, o que significa que temos evidências de que as estelas massivas até 12 vezes a massa do Sol se formam do mesmo modo que estrelas de baixa massa;
  • É o primeiro jato de um enorme e jovem objeto estelar detetado fora da nossa própria Galáxia;
  • Na Via Láctea, a maioria dos objetos estelares jovens e massivos com jatos são invisíveis aos telescópios óticos porque estão profundamente embebidos no seu material natal que os protege da nossa visão. No entanto, neste caso, tanto o jato como a estrela são observáveis no visível, proporcionando uma visão sem precedentes; é o primeiro jato de um objeto estelar jovem e massivo observado no visível;
  • O comprimento total do jato totaliza 11 parsecs, um dos jatos mais longos já observados até à data;
  • A forma como o jato foi identificado é única, porque só é possível com o tipo de instrumento usado para obter estes dados (o instrumento MUSE no VLT) - instrumentos regulares não teriam detetado o jato (o VLT consegue detetar objetos cerca de 4 mil milhões de vezes mais ténues do que o olho humano consegue detetar).

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Canterbury (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
PHYSORG

Formação estelar:
Wikipedia

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Aranha e a Mosca
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Joe Morris
 
Será que a aranha vai alguma vez apanhar a mosca? Não se ambas forem grandes nebulosas de emissão na direção da constelação de Cocheiro. A nuvem de gás em forma de aranha, à esquerda, é na realidade uma nebulosa de emissão catalogada como IC 417, enquanto a nuvem mais pequeno à direita tem o nome NGC 1931 e é uma nebulosa de emissão e uma nebulosa de reflexão. A cerca de 10.000 anos-luz de distância, ambas as nebulosas possuem enxames abertos jovens. Para efeitos de escala, a mais compacta NGC 1931 (Mosca) mede cerca de 10 anos-luz de diâmetro.
 

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