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Edição n.º 1456
20/02 a 22/02/2018
 
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23/02/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 20/02: 51.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, o astronauta John Glenn, a bordo da nave Friendship 7, orbita a Terra 3 vezes em 4 horas e 55 minutos, no âmbito do programa Mercury.

Em 1965, a sonda Ranger 8despenha-se sobre a Lua após uma missão bem sucedida a fotografar locais para a alunagem das missões Apollo.
Em 1986, a União Soviética lança a estação espacial Mir. Permanecendo em órbita durante 15 anos, é tripulada durante 10.
Em 2013, é descoberto o exoplaneta mais pequeno até à data, Kepler-37b, com um raio pouco maior que o da Lua.
Observações: Depois do anoitecer, cerca de 15º (mais ou menos punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a direita da Lua, está Hamal, a estrela mais brilhante da constelação de Carneiro. As duas estrelas seguintes e mais brilhantes de Carneiro, Sheratan e Mesarthim, estão para baixo de Hamal.
Continue a linha que vai da Lua e atravessa Hamal por outro punho à distância do braço esticado e encontra a ténue constelação do Triângulo: longo, fino e apontando para baixo.

Dia 21/02: 52.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1556 nascia Sethus Calvisius, astrónomo alemão que na sua obra "Opus Chronologicum" expôs um sistema baseado em registos de quase 300 eclipses.
Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0,2 a 23 de fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio de brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1972, a sonda soviética Luna 20 aterra na Lua.
Observações: Sirius está o mais alto a sul pelas 21 horas. Usando binóculos, examine a mancha 4º para sul de Sirius (diretamente para baixo). Quatro graus é menos do que o campo de visão de uns binóculos normais. Consegue discernir a pequena mancha irregular e acinzentada? É o enxame aberto M41, a cerca de 2200 anos-luz de distância. Sirius, em comparação, está a apenas 8,6 anos-luz.

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo" de Galileu.
Em 1824 nascia Pierre Janssen, astrónomo francês que, juntamente com o cientista inglês Joseph Norman Lockyer, é creditado com a descoberta da natureza gasosa da cromosfera solar e, com alguma justificação, o elemento hélio.
Em 1857 nascia Heinrich Hertz, físico alemão que clarificou e expandiu a teoria eletromagnética da luz de James Clerk Maxwell.

Foi o primeiro a provar conclusivamente a existência de ondas eletromagnéticas ao construir instrumentos para transmitir e receber pulsos de rádio. A unidade científica da frequência tem o nome "hertz" em sua honra. 
Em 1995, o cosmonauta Valeri Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Observações: A Lua esta noite brilha para baixo de Aldebarã e das Plêiades.
Sob os pés de Orionte, agora para a direita de Sirius, esconde-se a constelação de Lebre. Tal como Cão Maior, esta é uma constelação que, ao "ligar os pontos", se parece com a figura correspondente. É um pequeno coelho agachado, o seu nariz está para para baixo e para a direita, as suas pequenas orelhas extendem-se para cima na direção de Rigel (pé ocidental de Orionte) e o seu corpo está "amontoado" para a esquerda. As suas duas estrelas mais brilhantes, Alpha e Beta Leporis, de magnitude 2,6 e 2,8, respetivamente, formam a frente e a parte de trás do seu pescoço.

 
CURIOSIDADES

O rover Opportunity da NASA ultrapassou este fim-de-semana os 5000 dias marcianos, ou sols, em Marte. A sua missão inicial tinha uma duração planeada de apenas 90 sols. 14 anos, 3 semanas e 4 dias (anos, semanas e dias terrestres) depois, ainda continua a surpreender.
 
BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS CRESCEM MAIS DO QUE AS SUAS GALÁXIAS
Neste gráfico pode ser visto uma imagem do levantamento Deep Field-South do Chandra. A imagem do Chandra (azul) é a mais profunda já obtida em raios-X. Foi combinada com uma imagem ótica e uma imagem infravermelha do Telescópio Espacial Hubble, com tons vermelhos, verdes e azuis. Cada fonte do Chandra é produzida por gás quente que cai na direção de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia hospedeira, como ilustrado na impressão de artista.
Crédito: NASA/CXC/Universidade da Pensilvânia/G. Yang et al e NASA/CXC/ICE/M. Mezcua et al.; óptico - NASA/STScI; ilustração - NASA/CXC/A. Jubett
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com dois novos estudos que usam dados do Observatório de raios-X Chandra e de outros telescópios, os maiores buracos negros do Universo estão a crescer mais depressa do que a taxa de formação estelar das suas galáxias.

Ao longo de muitos anos, os astrónomos recolheram dados sobre a formação de estrelas em galáxias e sobre o crescimento de buracos negros supermassivos (ou seja, aqueles com milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol) nos seus centros. Estes dados sugeriram que os buracos negros e as estrelas nas suas galáxias hospedeiras crescem de "mãos dadas".

Agora, descobertas de dois grupos independentes de investigadores indicam que os buracos negros nas galáxias massivas cresceram muito mais depressa do que nas galáxias menos massivas.

"Estamos a tentar reconstruir uma corrida que começou há milhares de milhões de anos," afirma Guang Yang da Universidade Estatal da Pensilvânia, EUA, que liderou um dos dois estudos. "Estamos a usar dados extraordinários obtidos com diferentes telescópios para descobrir como é que esta competição cósmica se desenrolou."

Usando grandes quantidades de dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, do Telescópio Espacial Hubble e de outros observatórios, Yang e colegas estudaram a taxa de crescimento de buracos negros em galáxias a distâncias de 4,3 a 12,2 mil milhões de anos-luz da Terra. Os dados de raios-X incluíram os levantamentos Chandra Deep Field-South & North e COSMOS-Legacy.

Os cientistas calcularam a relação entre a taxa de crescimento de um buraco negro supermassivo e a taxa de crescimento das estrelas na sua galáxia hospedeira. Uma ideia comum é que essa relação é aproximadamente constante para todas as galáxias.

Em vez disso, Yang e colegas descobriram que essa proporção é muito maior para galáxias mais massivas. Para galáxias que contêm um conteúdo estelar equivalente a cerca de 100 mil milhões de massas solares, a proporção é cerca de dez vezes maior do que para galáxias com um conteúdo estelar equivalente a cerca de 10 mil milhões de massas solares.

"Uma pergunta óbvia é o porquê," comenta o coautor Niel Brandt, também da mesma universidade norte-americana. "Talvez as galáxias massivas sejam mais eficazes na alimentação de gás frio aos seus buracos negros supermassivos centrais do que as menos massivas."

Outro grupo de cientistas encontrou, independentemente, evidências de que o crescimento dos buracos negros mais massivos ultrapassou o crescimento estelar nas suas galáxias hospedeiras. Mar Mezcua (Instituto de Ciências Espaciais da Espanha) e colegas estudaram buracos negros nalgumas das mais brilhantes e massivas galáxias do Universo. Estudaram 72 galáxias localizadas no centro de enxames galácticos a distâncias de até mais ou menos 3,5 mil milhões de anos-luz da Terra. O estudo usou dados de raios-X do Chandra e dados de rádio do ATCA (Australia Telescope Compact Array), do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e do VLBA (Very Long Baseline Array).

Mezcua e colegas estimaram as massas dos buracos negros nestes enxames de galáxias usando uma relação bem conhecida que liga a massa de um buraco negro à emissão de raios-X e rádio associada com o buraco negro. Descobriu-se que as massas dos buracos negros são dez vezes maiores do que as massas estimadas por outro método usando o pressuposto de que os buracos negros e as galáxias cresciam em tandem.

"Descobrimos que os buracos negros são muito maiores do que esperávamos," realça Mezcua. "Talvez tenham tido um avanço de crescimento nesta corrida cósmica, ou talvez tenham tido uma vantagem na velocidade de crescimento que durou milhares de milhões de anos."

Os cientistas descobriram que quase metade dos buracos negros na sua amostra tinham massas estimadas em pelo menos 10 mil milhões de vezes a massa do Sol. Isto coloca-os na categoria de "pesos pesados" que alguns astrónomos referem como buracos negros "ultramassivos".

"Nós sabemos que os buracos negros são objetos extremos," acrescenta a coautora J. Hlavacek-Larrondo da Universidade de Montreal, "por isso pode não ser uma surpresa que os exemplos mais extremos quebram as regras que pensávamos que deviam seguir."

O trabalho por Mezcua et al. foi publicado na edição de fevereiro de 2018 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online. O trabalho por Yang et al. foi aceite para publicação, será divulgado na edição de abril de 2018 da mesma revista e está também disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Penn State News (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Mezcua et al. (arXiv.org)
Artigo científico - Yang et al. (arXiv.org)
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

ATCA:
Página principal
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

VLBA:
NRAO
Wikipedia

 
VIA LÁCTEA EMPATA COM M31 EM TERMOS DE MASSA

Astrónomos descobriram que a nossa grande galáxia vizinha mais próxima, a Galáxia de Andrómeda ou M31, tem aproximadamente o tamanho da Via Láctea. Pensava-se que Andrómeda tinha duas a três vezes o tamanho da Via Láctea, e que a nossa própria Galáxia seria, eventualmente, engolida pela nossa vizinha maior. Mas uma investigação mais recente, publicada a semana passada, iguala a pontuação das duas galáxias.

A investigação descobriu que a massa de M31 equivale a 800 mil milhões de vezes a massa do Sol, a par com a Via Láctea. Prajwal Kafle, astrofísico do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) da universidade da Austrália Ocidental, disse que o estudo usou uma nova técnica para medir a velocidade necessária para de uma galáxia.

"Quando um foguetão é lançado para o espaço, é 'atirado' com uma velocidade de 11 km/s a fim de superar a atração gravitacional da Terra. A nossa Via Láctea é mais de um bilião de vezes mais massiva do que o nosso minúsculo planeta Terra e para escapar à sua atração gravitacional temos que ser lançados com uma velocidade de 550 km/s. Usámos esta técnica para determinar a massa de Andrómeda."

A Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda antes da fusão.
Crédito: ICRAR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Dr. Kafle disse que a investigação sugere que os cientistas sobrestimaram a quantidade de matéria escura na Galáxia de Andrómeda. "Ao examinarmos as órbitas de estrelas de alta velocidade, descobrimos que esta galáxia tem muito menos matéria escura do que se pensava anteriormente, apenas um-terço da determinada em observações anteriores," realça.

A Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda são duas galáxias espirais gigantes no nosso Universo local e a luz leva uns cosmologicamente minúsculos dois milhões de anos para viajar a distância que as separa.

Agora que M31 não é considerada a irmã "mais velha" (analogia em termos de tamanho, não idade) da Via Láctea, são necessárias novas simulações para descobrir o que acontecerá quando as duas galáxias eventualmente colidirem.

A Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda durante a fusão (ampliação).
Crédito: ICRAR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Dr. Kafle usou uma técnica semelhante para reavaliar [para baixo] a massa da Via Láctea em 2014 e disse que este último achado teve grandes implicações para a nossa compreensão dos nossos vizinhos galácticos mais próximos.

"Transforma completamente a nossa compreensão do Grupo Local," acrescenta. "Pensávamos que havia esta grande galáxia e que a nossa própria Via Láctea era ligeiramente mais pequena, mas esse cenário agora mudou completamente. É realmente emocionante termos sido capazes de encontrar um novo método e, de repente, 50 anos de compreensão coletiva do Grupo Local foram colocados de cabeça para baixo."

O professor Geraint Lewis, astrofísico da Universidade de Sydney, disse que é excitante viver numa altura em que os dados estão a ficar tão bons. "Podemos finalmente dar por terminada esta competição gravitacional," observa.

Links:

Notícias relacionadas:
ICRAR (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Andrómeda e a Via Láctea colidem! (ICRAR via vimeo)
Astronomy
Nature
Science alert
Astronomy Now
EurekAlert!
PHYSORG
Metro
Popular Mechanics
Gizmodo

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

ICRAR:
Página principal

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - LL Ori e a Nebulosa de Orionte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAEquipa de Arquivo do Hubble
 
As estrelas fazem ondas no mar de gás e poeira da Nebulosa de Orionte. Esta ampliação estética de nuvens cósmicas e ventos estelares mostra LL Orionis, em interação com o fluxo da Nebulosa de Orionte. À deriva no berçário estelar de Orionte e ainda nos seus anos formativos, a estrela variável LL Orionis produz um vento mais energético do que o vento do nosso Sol de meia-idade. À medida que o rápido vento estelar atinge o gás em movimento lento, forma-se uma frente de choque, análoga à onda curva de um barco que se desloca pela água ou um avião que viaja a velocidades supersónicas. A estrutura pequena, arqueada e graciosa logo acima e para a esquerda do centro é a frente de choque de LL Ori, medindo cerca de meio ano-luz em diâmetro. O gás mais lento move-se para longe do quente enxame estelar central da Nebulosa de Orionte, o Trapézio, localizado para lá do canto superior esquerdo da imagem. Em três dimensões, a frente de choque que rodeia LL Ori tem a forma de uma tigela que parece mais brilhante quando vista ao longo da borda "inferior". Esta esplêndida fotografia parecida com uma pintura faz parte de um maior mosaico do complexo berçário estelar de Orionte, repleto com uma miríade de formas fluídas associadas à formação estelar.
 

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