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Edição n.º 1464
20/03 a 22/03/2018
 
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29/03/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 20/03: 79.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lectures apresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).

Em 2015, um eclipse solar, o equinócio e uma super-Lua ocorrem no mesmo dia.
Observações: Equinócio, pelas 16:15. O centro do Sol atravessa o equador - tanto o equador da Terra e o equador celeste, que o equador da Terra define. Este momento marca o início da primavera no hemisfério norte e o outono no hemisfério sul.
Leão encontra-se por estas noites no céu a este. A sua estrela mais brilhante, Régulo, assinala o seu pé dianteiro e a "Foice" estende-se daí para cima e para a esquerda. Cerca de dois punhos e meio à distância do braço esticado, para a esquerda de Régulo, estão as duas estrelas da cauda de Leão: Delta Leonis (ou Zosma, de magnitude 2,5) e, por baixo, a ligeiramente mais brilhante Beta Leonis, ou Denébola: a ponta da cauda.
Com o passar da noite e com o subir no céu, procure, para a esquerda de Denébola, a pouco mais de um punho, o grande e ténue enxame estelar de Cabeleira de Berenice. Os seus membros mais brilhantes formam um Y inclinado e de cabeça para baixo. É visível mesmo com alguma poluição luminosa. Se não o conseguir avistar à vista desarmada, um par de binóculos revela-o bem, embora mais imperfeito e preenchendo, mais ou menos, o campo de visão.

Dia 21/03: 80.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1768, nascia Jean-Baptiste Joseph Fourier, matemático e físico francês, conhecido por ter iniciado a investigação das séries de Fourier e das suas aplicações para problemas como a transferência de calor e vibrações.

Fourier é também considerado o descobridor do efeito de estufa.
Em 1905, Albert Einstein publica a sua teoria sobre a relatividade especial.
Em 1927, nascia Halton Arp, astrónomo americano conhecido pelo seu Atlas de Galáxias Peculiares de 1966, que contém muitos exemplos de galáxias em interação e em fusão. 
Em 1965, a NASA lança a Ranger 9, a última numa série de sondas lunares não tripuladas.
Observações: Esta noite, para cima e para a direita da Lua, encontram-se as Plêiades. Para cima e para esquerda da Lua estão Aldebarã e as Híades.
Sabe como encontrar os chifres de Touro, Zeta e Beta Tauri? Uma maneira é prolongar os lados do "V" das Híades bem para cima, cerca de punho e meio à distância do braço esticado (a Lua junta-se daqui a dois dias).
Mas outra maneira é usar estrelas mais brilhantes. Aviste Betelgeuse alta a sudoeste por estas noites. É a estrela brilhante do topo de Orionte. Olhe então alto a noroeste em busca de Capella, ainda mais brilhante. As pontas dos chifres de Touro estão entre Betelgeuse e Capella, alinhadas com essas duas estrelas. Beta, à direita, é a mais brilhante das duas.

Dia 22/03: 81.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1394 nascia Ulugh Beg, astrónomo da dinastia Timúrida, que construíu o Observatório Ulugh Beg em Samarkand, considerado por muitos um dos melhores observatórios do mundo islâmico e o maior da Ásia Central (à data).
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander, compilador de catálogos estelares que estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1982, lançamento da missão STS-3, do vaivém Columbia
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1996, lançamento da STS-76, do vaivém Atlantis
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp faz a sua maior aproximação à Terra.

Em 2010, última comunicação do rover Spirit com a Terra.
Observações: Eclipse de Io, entre as 05:13 e as 07:30.
Aldebarã forma hoje um par com a Lua.
Mercúrio estacionário, pelas 17:00.
Castor e Pollux brilham juntas quase no zénite a sul depois do anoitecer. Pollux é ligeiramente mais brilhante que o seu "gémeo" estelar. Desenhe uma linha a partir de Castor, passando por Pollux, siga-a por aproximadamente 26º (cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça de Hidra, a Serpente Marinha. Num céu escuro é um grupo estelar subtil mas distintivo, com mais ou menos o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Uns binóculos mostram-na facilmente através de poluição luminosa ou luar.
Continue a linha por outro punho e meio e chega a Alphard, o coração alaranjada de Hidra.
Outra maneira de encontrar a cabeça de Hidra: fica quase no ponto intermédio entre Procyon e Régulo.

 
CURIOSIDADES

Os astronautas relatam a experiência de ver "flashes" de luz quando estão no espaço, mesmo quando os seus olhos estão fechados. São os raios cósmicos. Os raios cósmicos que passam pela Terra são absorvidos pela nossa atmosfera. Mas sem esta camada protetora, os astronautas em órbita podem "ver coisas que não estão lá".
 
'OUMUAMUA VEIO PROVAVELMENTE DE UM SISTEMA BINÁRIO

Uma nova investigação sugere que 'Oumuamua, o objeto rochoso identificado como o primeiro asteroide interestelar confirmado, provavelmente veio de um sistema binário.

"É incrível termos visto pela primeira vez um objeto físico oriundo do exterior do Sistema Solar," comenta o autor principal Alan Jackson, pós-doutorado do Centro de Ciências Planetárias da Universidade de Toronto Scarborough em Ontario, Canadá.

Um sistema binário, ao contrário do nosso Sol, tem duas estrelas em órbita de um centro comum.

Impressão de artista do objeto 'Oumuamua.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para o novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Jackson e coautores decidiram testar quão eficientes são os sistemas binários no que toca a expulsar objetos. Também analisaram quão comuns são estes sistemas estelares na Galáxia.

Descobriram que objetos rochosos como 'Oumuamua são, muito provavelmente, originários de estrelas duplas, em vez de sistemas com uma única estrela. Também foram capazes de determinar que os objetos rochosos são ejetados de sistemas binários em números comparáveis ao dos objetos gelados.

"É realmente estranho que o primeiro objeto que vemos, oriundo do exterior do nosso Sistema Solar, seja um asteroide, porque um cometa é muito mais fácil de avistar e o Sistema Solar expulsa muitos mais cometas do que asteroides," afirma Jackson, especialista na formação do Sistema Solar e de planetas.

Assim que determinaram que os sistemas binários são muito eficientes a expulsar objetos rochosos, e que existe um número suficiente deles, ficaram convencidos que 'Oumuamua muito provavelmente veio de um sistema com duas estrelas. Também concluíram que provavelmente veio de um sistema com uma estrela relativamente quente e massiva, dado que tal sistema teria um maior número de objetos rochosos mais próximos.

A equipa sugeriu que o asteroide muito provavelmente foi ejetado do seu sistema binário durante algum momento da formação dos planetas.

'Oumuamua, palavra havaiana para "batedor", foi detetado pela primeira vez pelo Observatório Haleakala no Hawaii no dia 19 de outubro de 2017. Com um raio de 200 metros e viajando a uma incrível velocidade de 30 km/s, passou a cerca de 33 milhões de quilómetros da Terra.

Quando foi descoberto, os cientistas inicialmente assumiram que o objeto era um cometa, um dos inúmeros objetos gelados que libertam gás quando aquecem ao se aproximarem do Sol. Mas não mostrava nenhuma atividade cometária à medida que o fazia, pelo que foi rapidamente reclassificado como um asteroide, o que significa que é rochoso.

Alan Jackson é pós-doutorado do Centro de Ciências Planetárias da Universidade de Toronto Scarborough, cuja investigação se foca na formação do Sistema Solar e de planetas.
Crédito: Ken Jones
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores também estavam bastante seguros de que vinha de fora do nosso Sistema Solar, com base na sua trajetória e velocidade. Uma excentricidade de 1,2 - que classifica o seu percurso como uma órbita hiperbólica aberta - e uma velocidade tão alta significavam que não estava vinculado à gravidade do Sol.

De facto, como aponta Jackson, a órbita de 'Oumuamua tem a maior excentricidade já observada para um objeto que passa pelo nosso Sistema Solar.

Permanecem grandes questões acerca de 'Oumuamua. Para cientistas planetários como Jackson, o ser capaz de observar objetos como este pode fornecer pistas importantes sobre como a formação planetária funciona noutros sistemas estelares.

"Da mesma forma que usamos os cometas para melhor entender a formação dos planetas do nosso próprio Sistema Solar, talvez este objeto curioso nos possa contar mais sobre como os planetas se formam noutros sistemas."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/02/2018 - As três surpresas de 'Oumuamua
19/12/2017 - Mais informações sobre o objeto 'Oumuamua
31/10/2017 - Pequeno asteroide ou cometa está apenas de "visita" ao Sistema Solar

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Universidade de Toronto Scarborough (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Science
EurekAlert!
Astronomy Now
EarthSky
PHYSORG
UPI

'Oumuamua:
JPL/NASA
Wikipedia

 
OCEANOS DE MARTE FORMARAM-SE MAIS CEDO, POSSIVELMENTE COM A AJUDA DE MASSIVAS ERUPÇÕES VULCÂNICAS

Um novo cenário que procura explicar como os oceanos putativos de Marte surgiram e desapareceram nos últimos 4 mil milhões de anos acarreta que estes se formaram várias centenas de milhões de anos mais cedo e não eram tão profundos quanto se pensava.

O possível aspeto do antigo oceano conhecido como Arabia (esquerda), quando se formou há 4 mil milhões de anos em Marte, enquanto o oceano Deuteronilus, com cerca de 3,6 mil milhões de anos, tinha uma costa mais pequena. Ambos coexistiram com a gigantesca província vulcânica de Tharsis, localizado no lado oposto do planeta (não visível), o que poderá ter ajudado a suportar a existência de água líquida. A água líquida já não existe, talvez esteja congelada por baixo do solo e parcialmente perdida para o espaço, enquanto o antigo fundo oceânico é agora conhecido como as planícies a norte.
Crédito: imagens de Robert Citron, UC Berkeley
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A proposta dos geofísicos da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, liga a existência de oceanos no início da história de Marte com o aparecimento do maior sistema de vulcões do Sistema Solar, Tharsis, e destaca o papel fundamental desempenhado pelo aquecimento global ao permitir a existência de água líquida em Marte.

"Os vulcões podem ser importantes na criação das condições húmidas de Marte," comenta Michael Manga, professor de Ciências Planetárias e da Terra de UC Berkeley e autor sénior de um artigo publicado na Nature esta semana e colocado online no dia 19.

Aqueles que alegam que Marte nunca teve oceanos de água líquida geralmente apontam para o facto de que as estimativas do tamanho dos oceanos não lidam bem com as estimativas da quantidade de água que poderá estar escondida como pergelissolo subterrâneo e com as estimativas da quantidade de água perdida para o espaço. Estas são as opções principais, uma vez que as calotas polares não contêm água suficiente para preencher um oceano.

O novo modelo propõe que os oceanos se formaram antes ou ao mesmo tempo que a maior característica vulcânica de Marte, Tharsis, em vez de depois de Tharsis se ter formado há 3,7 mil milhões de anos. Como Tharsis era mais pequena naquela época, não distorcia o planeta tanto quanto mais tarde, em particular as planícies que cobrem a maior parte do hemisfério norte e que se presume serem o antigo fundo oceânico. A ausência de deformação crustal de Tharsis significa que os mares teriam sido menos profundos, contendo cerca de metade da água de estimativas anteriores.

"O pressuposto era que Tharsis se formou rapidamente e cedo, em vez de gradualmente, e que os oceanos vieram depois," explica Manga. "Estamos a dizer que os oceanos antecedem e acompanham as erupções de lava que formaram Tharsis."

É provável, acrescenta, que Tharsis tenha expelido gases para a atmosfera, e que por sua vez estes produziram um aquecimento global ou efeito de estufa que permitiu com que a água líquida existisse no planeta, e também que as erupções vulcânicas criaram canais que permitiram que as águas subterrâneas alcançassem a superfície e preenchessem as planícies a norte.

Seguindo as linhas costeiras

O modelo também contesta outro argumento contra os oceanos: que as propostas linhas costeiras são muito irregulares, variando em altura até um quilómetro, quando deviam estar niveladas, como as linhas costeiras da Terra.

Um mapa atual de Marte que mostra onde os cientistas identificaram uma possível linha costeira que pode ter sido esculpida por oceanos intermitentes há milhares de milhões de anos atrás. As elevações irregulares destas linhas costeiras podem ser explicadas pelo crescimento da província vulcânica conhecida como Tharsis há cerca de 3,7 mil milhões de anos, que teria deformado a topografia e desalinhado a costa. Arabia (magenta) tem mais de 4 mil milhões de anos, enquanto as costas de Deuteronilus (branco) e de Isidis (ciano) são várias centenas de milhões de anos mais jovens. As linhas de contorno sólido representam o bojo de Tharsis (esquerda) e o bojo antipodal que criou (direita), e as linhas tracejadas indicam as depressões a meio.
Crédito: Robert Citron, UC Berkeley
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta irregularidade pode ser explicada se o primeiro oceano, de nome Arabia, começasse a ser formado há cerca de 4 mil milhões de anos e existisse, de forma intermitente, durante os primeiros 20% do crescimento de Tharsis. O vulcão em crescimento teria abatido o solo e deformado a costa ao longo do tempo, o que poderá explicar as alturas irregulares no litoral de Arabia.

Da mesma forma, o litoral irregular de um oceano subsequente, chamado Deuteronilus, pode ser explicado caso se tenha formado durante os últimos 17% do crescimento de Tharsis, há cerca de 3,6 mil milhões de anos atrás.

"Estas linhas costeiras podem ter sido 'colocadas' por um grande corpo de água líquida que existiu antes e durante a formação de Tharsis, em vez de depois," afirma o autor principal Robert Citron, estudante da UC Berkeley. Citron apresenta hoje o artigo sobre a nova análise na conferência anual de Ciência Lunar e Planetária no estado norte-americano do Texas.

Tharsis, agora um complexo eruptivo com 5000 km de diâmetro, contém alguns dos maiores vulcões do Sistema Solar e domina a topografia de Marte. A Terra, com o dobro do diâmetro e 10 vezes mais massivo, não possui uma característica dominante equivalente. O grosso de Tharsis cria uma protuberância no lado oposto do planeta e uma depressão a meio do caminho. Isto explica por que as estimativas do volume de água que as planícies a norte podiam conter, com base na topografia de hoje, são o dobro das estimativas do novo estudo com base na topografia de há 4 mil milhões de anos.

Nova hipótese suplanta antiga

Manga, que modela o fluxo de calor interno de Marte, como as plumas crescentes de rocha fundida que entram em erupção através de vulcões à superfície, tentou explicar as costas irregulares das planícies de Marte há 11 anos atrás com outra teoria. Ele e o ex-aluno Taylor Perron sugeriram que Tharsis, que na altura se pensava ter originado a latitudes extremas a norte, era tão massivo que fez com que o eixo de rotação de Marte se movesse vários milhares de quilómetros para sul, alterando as linhas costeiras.

Ilustração do veículo de aterragem InSight, com lançamento previsto para maio e com aterragem prevista para novembro, que vai sondar o interior do planeta.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, desde então outros mostraram que Tharsis teve origem apenas 20º acima do equador, deitando abaixo essa teoria. Mas Manga e Citron tiveram outra ideia, a de que a costa pode ter sido esculpida à medida que Tharsis crescia, não depois. A nova teoria também pode explicar o corte de redes de vales por água líquida quase à mesma altura.

"Esta é uma hipótese," enfatizou Manga. "Mas os cientistas podem fazer mais do que a datação precisa de Tharsis e das linhas costeiras para ver se se mantém."

O próximo "lander" marciano da NASA, a missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport), pode ajudar a responder à pergunta. Com lançamento previsto para maio, colocará um sismómetro à superfície para sondar o interior e talvez encontre remanescentes congelados desse antigo oceano, ou até água líquida.

Links:

Notícias relacionadas:
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Nature
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
Seeker

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Hipótese do oceano de Marte (Wikipedia)

InSight:
NASA
Wikipedia

Pergelissolo:
Wikipedia

 
UM TELESCÓPIO GIGANTESCO PARA VER O INVISÍVEL
Impressão de artista do núcleo central com 5 km de diâmetro das antenas SKA.
Crédito: SKA Project Development Office and Swinburne Astronomy Productions - Swinburne Astronomy Productions for SKA Project Development Office
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o telescópio SKA (Square Kilometre Array), os cientistas esperam poder visualizar a matéria e as forças até agora invisíveis. O SKA é um imenso radiotelescópio que abrangerá dois locais: um no deserto de Karoo na África do Sul, e outro na região Murchison no oeste da Austrália. Até agora, cientistas de dezasseis países e de cerca de 100 instituições de pesquisa, uniram-se para o projeto.

"Gerará uma nova era para o nosso campo," comenta Jean-Paul Kneib, diretor do Laboratório de Astrofísica (LASTRO) da EPFL (École Polytechnique Fédérale de Lausanne). O SKA dará aos cientistas recursos sem precedentes para estudar o Universo. Enquanto a maioria dos telescópios, como o famoso Telescópio Espacial Hubble e o VLT (Very Large Telescope) no Chile, usam refração e reflexão ótica, o SKA irá capturar ondas de rádio. Não é o primeiro radiotelescópio - há o de Arecibo em Porto Rico, por exemplo - mas será, de longe, o maior. Terá 3000 pratos e um milhão de antenas, permitindo com que forneça imagens com uma precisão sem paralelo.

A radioastronomia é um subcampo da astronomia que visa detetar e estudar objetos celestes invisíveis aos instrumentos óticos - isto é, objetos extremamente frios ou muito distantes que não emitem muita luz visível. Estes objetos compõem a maioria da matéria no espaço: gases, regiões bloqueadas por poeira cósmica e objetos a milhares de milhões de anos-luz de distância. Uma das descobertas mais importantes feitas até agora com a radioastronomia é a existência da radiação cósmica de fundo em micro-ondas.

Nesta imagem do Universo profundo, cada ponto é uma galáxia.
Crédito: NRAO/B. Saxton a partir de dados fornecidos por Condon, et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esperamos que o SKA nos leve até antes da formação das primeiras galáxias," afirma Frédéric Courbin, cientista do LASTRO. De facto, o projeto visa resolver um dos maiores mistérios da astrofísica: porque é que a expansão do Universo está a acelerar? O desempenho excecional do SKA deverá abrir caminho para que os cientistas respondam a esta pergunta, deixando-os observar como as primeiras galáxias foram formadas e como o hidrogénio é distribuído. O hidrogénio - um dos elementos mais abundantes no cosmos - não pode ser visto com telescópios óticos convencionais, mas "brilha bem" no rádio.

A radioastronomia é um campo altamente promissor, mas traz com ele alguns obstáculos. Por exemplo, os seus instrumentos ocupam muito espaço. Os sinais de rádio são abundantes, mas muitas vezes são deveras fracos; os radiotelescópios têm que ter uma área de recolha extremamente grande para produzir imagens com boa resolução. Quanto maior a área de recolha, maior a sensibilidade do sistema e melhor a resolução da imagem.

Existem duas opções para obter uma superfície grande o suficiente: a construção de pratos gigantescos - o maior encontra-se na China e possui um diâmetro de 500 metros - ou usar várias antenas separadas. Esta segunda opção emprega interferometria, um método que, para simplificar, combina os sinais recebidos em cada antena. Isto fornece imagens com a mesma resolução que poderia ser obtida com um único prato com um diâmetro igual à maior distância entre quaisquer duas das antenas. Esta é a tecnologia usada no SKA, cujas antenas estarão localizadas em dois continentes e separadas por aproximadamente 3000 quilómetros, resultando numa superfície coletora equivalente a um quilómetro quadrado!

Distribuição dos gases em duas galáxias em interação. Imagem que combina dados óticos (Hubble) e no rádio (ALMA).
Crédito: NRAO/ALMA/NASA/ESA/B. Saxton
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com este tipo de área de superfície, os cientistas podem recolher uma quantidade impressionante de dados. Um rádio teria que operar durante dois milhões de anos para transmitir a mesma quantidade de dados que o SKA consegue recolher num único dia. Mas o processamento de quantidades tão vastas de informação é ainda outro grande desafio para a equipa do projeto. "Não só temos que produzir os programas certos para a leitura e classificação do enorme volume de dados, como também temos que desenvolver algoritmos específicos para aplicações astrofísicas," comenta Courbin.

"A enorme área de recolha do SKA permitirá capturar sinais extremamente pequenos e fracos," comenta Yves Wiaux líder do grupo BASP (Biomedical and Astronomical Signal Processing) da Universidade Heriot-Watt em Edinburgo. "Mas os dados que recolhermos das suas várias antenas estarão altamente fragmentados. Por isso, precisamos de desenvolver um sistema que não só processa esses sinais rapidamente, como também os reúne." O grupo apresentou uma abordagem baseada em dois métodos: deteção comprimida, usada para construir sinais e imagens a partir de dados incompletos e otimização, que permite que os algoritmos sejam executados em paralelo - ou seja, realizar cálculos em vários servidores ao mesmo tempo.

"Dezasseis países já estão envolvidos no projeto e está a tornar-se num grande empreendimento internacional," conclui Kneib.

A construção do SKA deverá começar este ano para observações iniciais em 2020. Será construído em duas fases, provavelmente com término em 2030, embora os fundos ainda não estejam assegurados.

Links:

Notícias relacionadas:
EPFL (comunicado de imprensa)
Um telescópio gigantesco para ver o invisível (EPFL via YouTube)
PHYSORG

SKA (Square Kilometre Array):
Página internacional
Wikipedia

Radioastronomia:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cientistas detetam ecos de rádio de um buraco negro a alimentar-se de uma estrela (via MIT News)
No dia 11 de novembro de 2014, uma rede global de telescópios captou sinais a 300 milhões de anos-luz criados por uma proeminência de perturbação de marés - uma explosão de energia eletromagnética que ocorre quando um buraco negro despedaça uma estrela passageira. Desde esta descoberta, os astrónomos treinaram outros telescópios para aprender mais sobre como os buracos negros devoram matéria e regulam o crescimento das galáxias. Ler fonte
     
  Estes são os locais com maior probabilidade de albergar vida (via Particle)
Nós, terrestres, somos mesmo sortudos. O nosso planeta está localizado à distância ideal do Sol. Não estamos muito perto, como Mercúrio ou Vénus, onde a temperatura média pode subir acima dos 400º C. Também não estamos muito longe, como Júpiter ou Saturno, onde faz muito frio - abaixo dos -140º C. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O Caranguejo Espacial
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA - raios-X: CXC, Ótico: STSCI, Infravermelho: JPL-Caltech
 
A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, o primeiro da famosa lista de objetos que não são cometas criada por Charles Messier. De facto, sabe-se agora que M1 é o remanescente de uma supernova, uma nuvem de detritos em expansão resultante da explosão de uma estrela massiva. Esta intrigante imagem a cores falsas combina dados dos observatórios espaciais Chandra, Hubble e Spitzer, a fim de explorar a nuvem de detritos em raios-X (azul-esbranquiçado), no ótico (roxo) e no infravermelho (rosa). Um dos objetos mais exóticos conhecidos pelos astrónomos modernos, o Pulsar de Caranguejo, uma estrela de neutrões que gira 30 vezes por segundo, é o ponto brilhante perto do centro da imagem. Como um dínamo cósmico, este remanescente colapsado do núcleo estelar alimenta a emissão do Caranguejo em todo o espectro eletromagnético. Abrangendo cerca de 12 anos-luz, a Nebulosa do Caranguejo encontra-se a 6500 anos-luz de distância na direção da constelação de Touro.
 

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