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Edição n.º 1489
15/06 a 18/06/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/06: 166.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.

A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
Observações: Estamos quase no verão. Mas ao lusco-fusco, olhe bem baixo a norte-noroeste em busca de Capella, estrela esta "fora de estação". Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará.
Eclipse de Europa, entre as 20:19 e as 22:46.

Dia 16/06: 167.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático soviético, conhecido pela sua teoria da expansão do Universo, regida por um conjunto de equações por ele desenvolvidas, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado norte-americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.

O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteroide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias.
Observações: Trânsito de Io, entre as 01:33 e as 03:47.
Trânsito da sombra de Io, entre as 02:23 e as 04:37.
Ao lusco-fusco, olhe baixo para oeste em busca do planeta Vénus e da fina Lua Crescente. Estão separados por 4º. Bem para cima e para a esquerda, encontra-se Régulo, da constelação de Leão.
Ocultação de Io, entre as 22:40 e as 00:54 (já de dia 17).
Eclipse de Io, entre as 23:30 e as 01:47 (já de dia 17).

Dia 17/06: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteroide Hagar (682).
Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, ao fim de 17 dias, quebra o anterior recorde (com cinco anos) de mais tempo passado no espaço.
Em 1985, lançamento da missão STS-51-G.

A bordo seguia o sultão Salman Al Saud da Arábia Saudita, o primeiro árabe, muçulmano e primeiro membro de uma família real no espaço.
Observações: Trânsito de Io, entre as 20:00 e as 22:14.
Esta noite a Lua encontra-se entre o planeta Vénus e Régulo, baixos a oeste ao anoitecer.
Olhe bem alto a nordeste em busca da Ursa Maior, apoiada na sua "pega". A estrela do meio da "pega" é Mizar, acompanhada da pequena Alcor mesmo ao lado. De que lado de Mizar deve procurar Alcor? Como sempre, no lado virado para Vega! Que brilha agora a este-nordeste.

Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges de Canterbury assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.

Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano. 
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.  
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Observações: A Lua forma um triângulo com Régulo (para baixo e para a direita) e com Algieba (para a direita).
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 21:42 e as 00:03 (já de dia 19).

 
CURIOSIDADES

As ondas gravitacionais estão a passar constantemente pela Terra, só que até as mais fortes têm um efeito minúsculo e as fontes estão geralmente a grandes distâncias. Por exemplo, a primeira deteção de ondas gravitacionais, que viajaram mil milhões de anos-luz, "esticaram" o comprimento do braço de 4 km do LIGO por 1/10.000 do diâmetro de um protão. Proporcionalmente falando, este valor é equivalente a esticar a distância à estrela mais próxima para lá do Sistema Solar (Proxima Centauro) pela espessura de um cabelo.
 
MATÉRIA ORGÂNICA EM CERES PODE SER MAIS ABUNDANTE DO QUE SE PENSAVA INICIALMENTE

No ano passado, cientistas da missão Dawn da NASA anunciaram a deteção de materiais orgânicos - compostos à base de carbono que são componentes necessários à vida - expostos em zonas da superfície do planeta anão Ceres. Agora, uma nova análise dos dados da Dawn, por investigadores da Universidade Brown, sugerem que essas áreas podem conter uma abundância muito maior de compostos orgânicos do que se pensava inicialmente.

As descobertas, publicadas recentemente na revista científica Geophysical Research Letters, levantam questões intrigantes sobre como esses materiais orgânicos chegaram à superfície de Ceres, e os cientistas dizem que os métodos usados no novo estudo também podem fornecer um modelo para interpretar dados para missões futuras.

"O que este artigo mostra é que podemos obter resultados realmente diferentes dependendo do tipo de material orgânico usado para comparar e para interpretar os dados de Ceres," afirma Hannah Kaplan, investigadora de pós-doutoramento do SwRI (Southwest Research Institute) que liderou a pesquisa enquanto completava o seu doutoramento em Brown. "Isto é importante não apenas para Ceres, mas também para missões que em breve explorarão asteroides que também podem conter material orgânico."

No ano passado, a sonda Dawn espiou matéria orgânica no planeta anão Ceres, o maior objeto da cintura de asteroides. Uma nova análise sugere que essa matéria orgânica pode ser mais abundante do que se pensava.
Crédito: NASA/renderização por Hannah Kaplan
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As moléculas orgânicas são os blocos de construção química da vida. A sua deteção em Ceres não significa que a vida lá existe ou já existiu; os processos não-biológicos também podem dar origem a moléculas orgânicas. Mas dado que a vida como a conhecemos não pode existir sem material orgânico, os cientistas estão interessados em saber como está distribuído pelo Sistema Solar. A presença de material orgânico em Ceres levanta possibilidades intrigantes, particularmente porque o planeta anão também é rico em água gelada, e a água é outro componente necessário para a vida.

A descoberta original de compostos orgânicos em Ceres foi feita usando o espectrómetro VIR (Visible and Infrafred) da sonda Dawn, que entrou em órbita do planeta anão em 2015. Analisando os padrões no qual a luz solar interage com a superfície - observando cuidadosamente os comprimentos de onda refletidos e absorvidos - os cientistas podem ter uma ideia de quais os compostos presentes em Ceres. O instrumento VIR captou um sinal consistente com moléculas orgânicas na região da Cratera Ernutet no hemisfério norte de Ceres.

Para se ter uma ideia inicial da abundância destes compostos, a equipa de investigação original comparou os dados VIR de Ceres com os espectros de refletância de laboratório de material orgânico formado na Terra. Com base nesse padrão, os cientistas concluíram que entre 6 e 10% da assinatura espectral detetada em Ceres podia ser explicada por materiais orgânicos.

Mas para esta nova investigação, Kaplan e colegas quiseram reexaminar esses dados usando um padrão diferente. Em vez de se basearem nas rochas da Terra para interpretar os dados, a equipa voltou-se para uma fonte extraterrestre: meteoritos. Alguns meteoritos - pedaços de condritos carbonáceos que caíram na Terra depois de expulsos de asteroides primitivos - mostraram conter material orgânico ligeiramente diferente do que é frequentemente encontrado no nosso planeta. E o trabalho de Kaplan mostra que a refletância espectral dos compostos orgânicos é distinta daquela dos seus homólogos terrestres.

"O que descobrimos é que se modelarmos os dados de Ceres usando materiais orgânicos extraterrestres, que podem ser análogos mais apropriados do que os encontrados na Terra, então precisamos de bastante mais matéria orgânica em Ceres para explicar a força da absorção espectral que vemos lá," explica Kaplan. "Nós estimamos que quase 40 a 50% do sinal espectral que vemos em Ceres é explicado por matéria orgânica. Essa é uma diferença enorme em comparação com os 6-10% relatados anteriormente com base em compostos orgânicos terrestres."

Se a concentração de compostos orgânicos em Ceres for, de facto, tão alta, levanta uma série de novas questões sobre a origem desse material. Existem duas possibilidades concorrentes para a origem da matéria orgânica em Ceres. Pode ter sido produzida internamente em Ceres e depois exposta à superfície, ou pode ter sido entregue até à superfície por um impacto de um cometa ou um asteroide rico em compostos orgânicos.

Este novo estudo sugere que se os compostos orgânicos foram entregues, então as potenciais altas concentrações seriam mais consistentes com o impacto de um cometa em vez de um asteroide. Sabemos que os cometas têm abundâncias internas significativamente mais altas de materiais orgânicos em comparação com asteroides primitivos, potencialmente semelhantes aos 40-50% que este estudo sugere para os locais em Ceres. No entanto, o calor de um impacto provavelmente destruiria uma quantidade substancial da matéria orgânica de um cometa, de modo que os investigadores dizem que ainda não está claro se essas abundâncias podem ser explicadas por um impacto cometário.

A explicação alternativa, a de que os compostos orgânicos se formaram diretamente em Ceres, também levanta questões. A deteção de compostos orgânicos foi limitada, até agora, a pequenas áreas no hemisfério norte de Ceres. Essas altas concentrações em áreas tão pequenas requerem uma explicação.

"Se os materiais orgânicos são produzidos em Ceres, então provavelmente ainda precisamos de um mecanismo para concentrá-los nestes locais específicos ou pelo menos para os preservar aí," comenta Ralph Milliken, professor associado do Departamento da Terra, do Meio Ambiente e de Ciências Planetárias de Brown e coautor do estudo. "Não está claro qual seria esse mecanismo. Ceres é claramente um objeto fascinante, e a compreensão da história e da origem dos produtos orgânicos nesses locais e em outras zonas de Ceres provavelmente vai exigir missões futuras que possam analisar ou enviar amostras."

Por enquanto, os investigadores esperam que este estudo seja útil para informar as próximas missões de envio de amostras a asteroides próximos da Terra, que também se pensa albergarem água e compostos orgânicos. Espera-se que a sonda japonesa Hayabusa2 chegue ao asteroide Ryugu daqui a várias semanas, e a missão OSIRIS-REx da NASA tem chegada prevista ao asteroide Bennu em agosto. Kaplan é atualmente membro da equipa científica da missão OSIRIS-REx.

"Eu penso que o trabalho empregue neste estudo, que incluiu novas medições em laboratório de componentes importantes de meteoritos primitivos, pode fornecer uma estrutura de como melhor interpretar dados de asteroides e de estabelecer ligações entre observações com sondas e amostras na nossa coleção de meteoritos," afirma Kaplan. "Como novo membro da equipa OSIRIS-REx, estou particularmente interessado em saber como isto pode ser aplicado à nossa missão."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Brown (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Geophysical Research Letters)
ScienceDaily
PHYSORG

Matéria orgânica:
Wikipedia

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
DADOS DO GAIA REVELAM FUSÕES NA VIA LÁCTEA

Astrónomos da Universidade de Groninga (Países Baixos) descobriram relíquias de eventos de fusão no halo da Via Láctea. Cinco pequenos grupos de estrelas parecem representar fusões com galáxias mais pequenas, enquanto uma grande "bolha" composta por centenas de estrelas parece ser o remanescente de um grande evento de fusão. Estes resultados foram publicados na edição de 12 de junho da revista científica The Astrophysical Journal Letters.

O estudo é baseado na recente segunda divulgação do catálogo Gaia. A segunda versão forneceu à comunidade científica informações precisas sobre a posição e sobre o movimento de milhões de estrelas, principalmente na Via Láctea. O estudante de doutoramento Helmer Koppelman faz parte do grupo de investigação de Amina Helmi, professora de Dinâmica, Estrutura e Formação da Via Láctea, que esteve envolvida na missão Gaia quase desde o seu início. Ele começou por analisar os dados logo após a divulgação e publicou uma pré-impressão do artigo apenas oito dias depois. Foi agora oficialmente publicado.

Helmer Koppelman.
Crédito: Photo Science LinX
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Halo

"O nosso objetivo é estudar a evolução da Via Láctea," afirma Koppelman. A ideia é que galáxias mais pequenas se fundem para formar galáxias maiores. "Uma das questões é saber se muitas galáxias pequenas se fundiram ou se foram apenas algumas maiores." Tendo em conta que se pensa que a maioria das estrelas no halo da Via Láctea - a nuvem esférica de estrelas que rodeia o disco principal e o bojo da nossa Galáxia - sejam remanescentes de eventos de fusão, Koppelman e colegas focaram-se nas estrelas do halo nos dados do Gaia.

"Recolhemos informações sobre estrelas até 3000 anos-luz do Sol, pois a precisão da posição e do movimento é maior para as estrelas que estão perto de nós," explica Koppelman. O primeiro passo foi filtrar as estrelas do disco da Via Láctea. "Estas estrelas movem-se em redor do centro do disco, por isso são facilmente identificadas." Restaram aproximadamente 6000 estrelas no halo.

Painel da esquerda: diferentes correntes estelares (pontos coloridos), o disco da Via Láctea (azul) e em preto o resto das estrelas do halo, onde a bolha horizontal em forma de chaturo é visível. Painel da direita: mesmos dados, agora vistos a partir de um ângulo de 90º.
Crédito: Koppelman et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Bolha

Ao calcular a sua trajetória, Koppelman foi capaz de identificar estrelas com uma origem partilhada. "Nós descobrimos cinco pequenos enxames que pensamos serem remanescentes de cinco eventos de fusão". No entanto, muitas das estrelas restantes também pareciam ter uma história partilhada. "Estas estrelas formam uma grande 'bolha' com um movimento retrógrado em comparação ao do disco. Isto sugere que são o resultado de uma fusão com uma galáxia grande. Na verdade, pensamos que este evento de fusão deve ter remodelado o disco da nossa Via Láctea". Está em andamento um estudo mais detalhado da natureza desta fusão. "Neste momento, podemos dizer que a nossa Via Láctea foi moldada por um grande evento de fusão e algumas fusões mais pequenas."

Koppelman também procurou estrelas pertencentes à "corrente Helmi", que tem o nome do seu supervisor de doutoramento, que a identificou em 1999 como remanescente de um evento de fusão. "Até agora, foram identificadas menos de vinte estrelas pertencentes à corrente Helmi. Os dados do Gaia acrescentaram mais de 100 novas estrelas. "Uma análise mais detalhada deve esclarecer a natureza da galáxia que produziu esta corrente. "Também vamos olhar para estrelas a mais de 3000 anos-luz a fim de descobrir membros adicionais das diferentes correntes que identificámos. Juntamente com as simulações da evolução galáctica, deve dar-nos novas informações interessantes sobre a evolução da Via Láctea".

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Groninga (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
ScienceDaily
spaceref
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS
Lista de correntes estelares da Via Láctea (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
ALMA DESCOBRE TRIO DE PLANETAS BEBÉS EM TORNO DE ESTRELA RECÉM-NASCIDA

Com o auxílio do ALMA, duas equipas independentes de astrónomos descobriram provas convincentes de que três planetas jovens orbitam a estrela bebé HD 163296. Utilizando uma técnica inovadora de procura de planetas, os astrónomos identificaram três distúrbios no disco de gás situado em torno da jovem estrela: a mais forte evidência de que planetas recentemente formados se encontram em órbita desta estrela. Estes são considerados os primeiros planetas descobertos pelo ALMA.

O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) mudou completamente a nossa maneira de ver os discos protoplanetários — as fábricas de planetas repletas de gás e poeira que rodeiam as estrelas jovens. Os anéis e espaços vazios nestes discos fornecem-nos evidências circunstanciais intrigantes da presença de protoplanetas. No entanto, existem outros fenómenos que podem também ser responsáveis por estas estruturas.

Agora, e graças a uma técnica inovadora de procura de planetas que identifica padrões invulgares no fluxo de gás do disco de formação planetária situado em torno de uma estrela jovem, duas equipas de astrónomos confirmaram a existência de marcas distintas que apontam para planetas recém-formados em órbita de uma estrela bebé.

Dados obtidos pelo ALMA mostraram evidências convincentes da existência de três planetas jovens em órbita da estrela bebé HD 163296. Utilizando uma técnica inovadora de procura de planetas, os astrónomos identificaram três distúrbios individuais no disco de gás situado em torno da jovem estrela: a mais forte evidência de que planetas recentemente formados se encontram em órbita desta estrela. Estes são considerados os primeiros planetas descobertos pelo ALMA. Esta imagem mostra parte do conjunto de dados ALMA num comprimento de onda, revelando claramente uma estrutura no material, que indica a presença de um dos planetas.
Crédito: ESO, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); Pinte et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Ao medirmos o fluxo de gás no seio de um disco protoplanetário, temos mais certeza de que existem planetas em torno dessa estrela jovem," disse Christophe Pinte da Universidade Monash, na Austrália, e do Institut de Planétologie et d'Astrophysique de Grenoble (Université de Grenoble-Alpes / CNRS), em França, e autor principal de um dos dois artigos científicos que descreve estes resultados. "Esta técnica oferece-nos uma nova direção para compreendermos melhor a formação de sistemas planetários."

Para chegar a estes resultados, cada equipa analisou observações ALMA de HD 163296, uma estrela jovem situada a cerca de 330 anos-luz de distância da Terra na constelação de Sagitário. Esta estrela tem cerca de duas vezes a massa do Sol, mas tem apenas 4 milhões de anos de idade — ou seja, é cerca de mil vezes mais jovem que o nosso Sol.

"Resolvemos investigar o movimento do gás localizado, ou seja, a pequena escala, no disco protoplanetário da estrela, já que, com esta técnica completamente nova, poderíamos descobrir alguns dos mais jovens planetas na nossa galáxia, graças às imagens de alta resolução obtidas pelo ALMA," disse Richard Teague, um astrónomo na Universidade de Michigan e autor principal do segundo artigo.

O nosso Sistema Solar formou-se a partir de uma enorme nuvem primordial de gás e poeira. A maior parte dessa nuvem deu origem ao Sol, enquanto que o disco de material restante, em rotação em torno do Sol, coalesceu nos planetas que hoje conhecemos - e onde vivemos.
Os astrónomos observam processos semelhantes a acontecer em outras estrelas no cosmos. Esta imagem mostra um disco em rotação, material restante que rodeia a estrela jovem HD 163296. Com o auxílio do poder de observação do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), situado no Chile, os astrónomos conseguiram distinguir estruturas específicas no disco, incluindo anéis concêntricos de material que rodeiam a estrela central. Os investigadores conseguiram ainda usar o ALMA para obter medições de alta resolução do gás e poeira que constituem o disco. Com estes dados puderam inferir detalhes cruciais da história de formação deste sistema estelar jovem.
Os três espaços vazios entre os anéis devem-se muito provavelmente a uma diminuição de poeira e, nos espaços vazios central e exterior, encontrou-se igualmente um menor nível de gás. A diminuição tanto de poeira como de gás sugere a presença de planetas recém-formados, cada um com uma massa semelhante à de Saturno, esculpindo estes espaços nas suas novas órbitas.
Crédito: ESO, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); A. Isella; B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em vez de se focarem na poeira situada no disco, a qual tinha já sido claramente observada pelo ALMA em observações anteriores, os astrónomos estudaram o monóxido de carbono (CO) gasoso espalhado por todo o disco. As moléculas de CO emitem radiação bem distinta nos comprimentos de onda milimétricos, a qual pode ser observada pelo ALMA com grande detalhe. Variações subtis do comprimento de onda desta radiação, devido ao efeito Doppler, revelam movimentos do gás no disco.

A equipa liderada por Teague identificou dois planetas localizados aproximadamente a 12 e 21 mil milhões de km de distância da estrela. A outra equipa, liderada por Pinte, identificou um planeta a cerca de 39 mil milhões de km da estrela.

As duas equipas utilizaram variações da mesma técnica, a qual procura anomalias no fluxo do gás, evidenciadas pelos desvios nos comprimentos de onda da emissão de CO e que indicam que o gás está a interagir com um objeto massivo.

A técnica utilizada por Teague, que derivou variações médias no fluxo de gás tão pequenas como alguns pontos percentuais, revelou o impacto de vários planetas nos movimentos do gás situado mais próximo da estrela. A técnica usada por Pinte, que mede de forma mais direta o fluxo de gás, é mais adequada para estudar a parte mais externa do disco e permitiu aos investigadores localizar com mais precisão o terceiro planeta, no entanto restringe-se a maiores desvios no fluxo, isto é, maiores que cerca de 10%.

Dados obtidos pelo ALMA mostraram evidências convincentes da existência de três planetas jovens em órbita da estrela bebé HD 163296. Utilizando uma técnica inovadora de procura de planetas, os astrónomos identificaram três distúrbios individuais no disco de gás situado em torno da jovem estrela: a mais forte evidência de que planetas recentemente formados se encontram em órbita desta estrela. Estes são considerados os primeiros planetas descobertos pelo ALMA.
Esta imagem mostra parte do conjunto de dados ALMA num comprimento de onda, revelando claramente uma estrutura no material, que indica a presença de um dos planetas. A localização prevista para o planeta encontra-se assinalada.
Crédito: ESO, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); Pinte et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em ambos os casos, os investigadores identificaram áreas onde o fluxo de gás não corresponde ao seu meio envolvente — um pouco como as correntes de um rio em torno de rochas na água. Ao analisar cuidadosamente este movimento, os cientistas puderam ver claramente a influência de corpos planetários com massa semelhante à de Júpiter.

Esta nova técnica permite aos astrónomos estimar de modo mais preciso massas protoplanetárias e tem menos probabilidade de produzir falsos positivos. "Começamos agora a levar o ALMA para a vanguarda da deteção de planetas," disse o coautor Ted Bergin da Universidade de Michigan.

Ambas as equipas continuam a refinar este método e irão aplicá-lo a outros discos, esperando-se assim compreender melhor como é que se formam as atmosferas e que elementos e moléculas estão presentes num planeta aquando do seu nascimento.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Teague et al. (arXiv.org)
Artigo científico - Pinte et al. (arXiv.org)
SPACE.com
EarthSky
PHYSORG
ScienceDaily
Popular Mechanics
Newsweek
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CNN
Gizmodo

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Discos protoplanetários:
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ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  NASA encontra a tempestade perfeita para fazer ciência (via JPL/NASA)
Uma das maiores tempestades de poeira já observadas em Marte tem crescido ao longo da última semana e meia. A tempestade fez com que o rover Opportunity da NASA suspendesse as operações científicas, mas também oferece uma janela para quatro outras naves espaciais aprenderem mais a partir da poeira rodopiante. Ler fonte
     
  Modelos computacionais mostram que planetas podem existir facilmente em sistemas estelares triplos (via Universidade de Witwatersrand)
Investigadores da Universidade de Witwatersrand na África do Sul e da Universidade de Grenoble Alpes, França, mapearam regiões onde os exoplanetas podem existir em sistemas estelares triplos. O estudo de 45.000 simulações computacionais, examinando todas as possíveis combinações de órbitas, dimensões, massas e outras variáveis numa série de 24 diferentes combinações estelares, mostra que existem grandes áreas estáveis onde os exoplanetas podem existir. Também mapearam áreas onde a probabilidade da sua existência é maior. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Batalha de NGC 3256
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESATelescópio Espacial Hubble
 
Marcada por uma região central excecionalmente brilhante, faixas rodopiantes de poeira e longas caudas de maré, a peculiar NGC 3256 é o rescaldo de uma colisão verdadeiramente cósmica. O confronto entre duas galáxias separadas, que já dura há 500 milhões de anos, abrange cerca de 100 mil anos-luz nesta imagem nítida do Hubble. Claro, quando duas galáxias colidem, as estrelas individuais raramente o fazem. Gigantescas nuvens galácticas de gás molecular e poeira interagem e produzem explosões espetaculares de formação estelar. Neste embate galáctico, as duas galáxias espirais originais tinham massas semelhantes. Os seus discos não são mais distintos e os dois núcleos galácticos estão escondidos pela poeira obscurecida. Na escala de tempo de algumas centenas de milhões de anos os núcleos provavelmente também fundir-se-ão à medida que NGC 3256 se torna uma única grande galáxia elíptica. NGC 3256 propriamente dita está quase a 100 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação do hemisfério sul de Vela. A imagem inclui muitas galáxias de fundo ainda mais distantes e estrelas pontiagudas em primeiro plano.
 

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