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Edição n.º 1496
10/07 a 12/07/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/07: 191.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançado o Telstar, o primeiro satélite de comunicações a ser colocado em órbita.

Observações: Vénus e Régulo estão separados por pouco mais de 1º, baixos a oeste ao final do lusco-fusco.
Trânsito de Io, entre as 19:54 e as 22:09.

Dia 11/07: 192.º dia do calendário gregoriano.
História: Cálculos matemáticos sugerem que neste dia, em 1735, Plutão moveu-se para dentro da órbita de Neptuno pela última vez antes de 1979. Plutão esteve mais perto do Sol do que Neptuno entre 1979 e 1999.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História. 
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.

A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco populada do oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão
Observações: Se tiver acesso a um céu escuro o suficiente, a Via Láctea forma agora um magnífico arco que atravessa o céu a este após o anoitecer. Vai desde Cassiopeia a norte-nordeste, passa alta por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, desce por trás de Saturno e pelo Bule de Chá de Sagitário a sul.

Dia 12/07: 193.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Em 2000, o módulo de serviço Zvezda, o terceiro componente e centro funcional da porção russa da ISS, é lançado a bordo de um foguetão Proton.
Observações: Maior elongação este de Mercúrio, pelas 07:50.
Conhece os três duplos do topo Escorpião? A cabeça da constelação de Escorpião - a fila quase vertical de três estrelas para cima e para a direita de Antares - a sul após o anoitecer a dois punhos à distância do braço esticado para a esquerda do brilhante planeta Júpiter. A estrela de cima é Beta Scorpii ou Graffias, uma boa estrela dupla para telescópios.
A apenas 1º para baixo ou para baixo e para a esquerda (uma ponta de um dedo à distância do braço esticado) está o par largo Omega1 e Omega2 Scorpii, visível a olho nu, não bem na vertical. Os binóculos mostram a sua ligeira diferença de cor.
Para cima e para a esquerda de Beta, a cerca de 1,6º, está Nu Scorpii (Jabbah), outro bom duplo telescópico. Um alto poder de ampliação e um céu limpo e escuro revelam que o componente mais brilhant de Nu é ele próprio uma estrela dupla, com uma separação de 2 segundos de arco.

 
CURIOSIDADES

código usado pelas missões Apollo à Lua está disponível para consulta no site GitHub.
 
A "SALSICHA GAIA": A GRANDE COLISÃO QUE MUDOU A VIA LÁCTEA
Impressão de artista do encontro entre a Via Láctea e a mais pequena galáxia da Salsicha há 8-10 mil milhões de anos. O registo deste antigo encontro está ainda preservado nas velocidades e química das estrelas.
Crédito: V. Belokurov (Cambridge, Reino Unido); com base na imagem do ESO/Juan Carlos Muñoz
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma antiga e dramática colisão frontal entre a Via Láctea e um objeto mais pequeno, apelidado de galáxia da "Salsicha". Numa série de novos artigos científicos, os astrónomos dizem que o choque cósmico foi um evento que definiu o início da história da Via Láctea e reformulou a estrutura da nossa Galáxia, esculpindo tanto o bojo interno como o halo exterior.

Os cientistas propõem que há cerca de 8 a 10 mil milhões de anos, uma galáxia anã desconhecida chocou com a nossa própria Via Láctea. A anã não sobreviveu ao impacto: desfez-se rapidamente e os destroços estão agora em nosso redor.

"A colisão rasgou a anã em pedaços, fazendo com que as suas estrelas se movessem em órbitas muito radiais," longas e estreitas como agulhas, comenta Vasily Belokurov da Universidade de Cambridge e do Centro de Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron em Nova Iorque. Os percursos das estrelas levam-nas "muito perto do centro da nossa Galáxia. Este é um sinal revelador de que a galáxia anã entrou numa órbita realmente excêntrica e que o seu destino foi selado."

Os novos artigos científicos publicados na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, na The Astrophysical Journal Letters e no repositório arXiv.org descrevem as principais características desse extraordinário evento. Vários dos artigos foram liderados pelo estudante de Cambridge, GyuChul Myeong. Ele e colegas usaram dados do satélite Gaia da ESA. Esta nave espacial tem rastreado o conteúdo estelar da nossa Galáxia, registando as jornadas das estrelas enquanto viajam pela Via Láctea. Graças ao Gaia, os astrónomos sabem agora as posições e trajetórias das nossas vizinhas celestes com uma precisão sem precedentes.

Os percursos das estrelas da fusão galáctica deram-lhes a alcunha de "Salsicha Gaia", explicou Wyn Evan de Cambridge. "Nós desenhámos as velocidades das estrelas e a forma de salsicha simplesmente saltou à vista. À medida que a galáxia mais pequena se fragmentava, as suas estrelas foram lançadas para órbitas muito radiais. Estas estrelas 'salsicha' são o que resta da última grande fusão da Via Láctea."

Ao observar a distribuição da velocidade das estrelas na Via Láctea, as estrelas da galáxia da Salsicha desenham uma característica forma de salsicha. Esta forma única é provocada pelos fortes movimentos radiais das estrelas. Dado que o Sol está situado no centro desta enorme nuvem de estrelas, a distribuição não inclui estrelas mais lentas que atualmente estão a inverter a marcha em direção ao centro da Galáxia.
Crédito: V. Belokurov (Cambridge, Reino Unido) e Gaia/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Via Láctea continua a colidir com outras galáxias, como a pequena galáxia anã de Sagitário. No entanto, a galáxia da Salsicha era muito mais massiva. A sua massa total em gás, estrelas e matéria escura era equivalente a mais de 10 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol. Quando a Salsicha colidiu com a jovem Via Láctea, a sua trajetória penetrante provocou muitos danos. O disco da Via Láctea provavelmente ficou inchado ou mesmo fraturado após o impacto e precisou crescer novamente. E os detritos da Salsicha foram espalhados por todo o interior da Via Láctea, formando o "bojo" no centro da Galáxia e o "halo estelar" circundante.

As simulações numéricas da colisão galáctica podem reproduzir estas características, explica Denis Erkal da Universidade de Surrey. Nas simulações feitas por Erkal e colegas, as estrelas da galáxia da Salsicha entram em órbitas estendidas. As órbitas são ainda mais alongadas pelo crescente disco da Via Láctea, que incha e se torna mais espesso após a colisão.

As evidências desta remodelação galáctica podem ser vistas nos percursos das estrelas herdadas da galáxia anã, acrescenta Alis Deason da Universidade de Durham. "As estrelas da Salsicha giram todas praticamente à mesma distância do centro da Galáxia." Estas inversões de marcha fazem com que a densidade no halo estelar diminua drasticamente onde as estrelas mudam de direção. Esta descoberta foi especialmente agradável para Deason, que previu essa acumulação orbital há quase cinco anos. O novo trabalho explica como as estrelas caíram em órbitas tão estreitas.

A nova investigação também identificou pelo menos oito aglomerados grandes de estrelas, chamados enxames globulares, que foram trazidos para a Via Láctea pela galáxia da Salsicha. As galáxias pequenas geralmente não têm enxames globulares próprios, de modo que a galáxia da Salsicha deve ter sido grande o suficiente para abrigar uma coleção de enxames.

"Embora tenham havido muitas satélites anãs a cair sobre a Via Láctea ao longo da sua vida, esta foi a maior de todas," comenta Sergey Koposov da Universidade Carnegie Mellon, que estudou em detalhe a cinemática das estrelas da Salsicha e os enxames globulares.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro de Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron (comunicado de imprensa)
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Universidade de Carnegie Mellon (comunicado de imprensa)
Artigo científico - 1 (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
Artigo científico - 3 (arXiv.org)
Artigo científico - 4 (arXiv.org)
Artigo científico - 5 (arXiv.org)
SPACE.com
Science alert
Astronomy Now
New Scientist
PHYSORG
Forbes
euronews

Salsicha Gaia:
Wikipedia
Simulação da Salsicha Gaia (Denis Erkal via YouTube)

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
TELESCÓPIO KEPLER ESTÁ A FICAR SEM COMBUSTÍVEL
Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na semana passada, a equipa do Kepler da NASA recebeu a indicação de que o tanque de combustível do telescópio está muito vazio. A NASA colocou-o num estado de hibernação em preparação para a transmissão dos dados científicos recolhidos durante a sua mais recente campanha de observação. Depois da transferência dos dados, o plano é dar início às observações da próxima campanha com o combustível que resta.

Desde o dia 12 de maio que o Kepler trabalhava na sua 18.ª campanha de observação, observando uma faixa do céu na direção da constelação de Caranguejo que já tinha estudado em 2015. Os dados desta segunda observação vão fornecer aos astrónomos uma oportunidade para confirmar anteriores candidatos a exoplaneta e para descobrir novos. A transmissão dos dados é a maior prioridade tendo em conta o combustível restante.

Para a transferência dos dados, a nave deverá apontar a sua grande antena para a Terra e transmiti-los durante o tempo previsto para a DSN (Deep Space Network), calendarizado para o início de agosto. Até lá, a nave permanecerá num modo de segurança estável e "estacionado". No dia 2 de agosto, a equipa comandará o despertar do telescópio do seu modo de não-utilização de combustível e manobrá-lo-á para a orientação correta a fim de transmitir os dados. Se a manobra e o download forem bem-sucedidas, a equipa começará a sua 19.ª campanha de observação no dia 6 de agosto com o combustível que restar.

A agência espacial tem vindo a monitorizar o Kepler em busca de sinais de baixo combustível e espera-se que se esgote nos próximos meses.

À medida que os engenheiros preservam os novos dados armazenados na nave, os cientistas continuam a estudar os dados já transmitidos. Entre outras descobertas, foram encontrados recentemente 24 exoplanetas nos dados da 10.ª campanha de observação, somando à crescente "colheita" de 2650 planetas confirmados.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG
Astrobiology magazine
spaceref
Inverse
Gizmodo
Engadget
The Verge

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Extraordinária Espiral de LL Pegasi
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubbleHLA; Processamento e Direitos de Autor: Domingo Pestana & Raul Villaverde
 
O que criou esta estranha estrutura espiral? Ninguém tem a certeza, embora esteja provavelmente relacionada com uma estrela num sistema binário que entrou na fase de nebulosa planetária, quando a sua atmosfera exterior é expelida. A enorme espiral mede cerca de um-terço de um ano-luz e, com quatro ou cinco voltas completas, tem uma regularidade sem precedentes. Dada a taxa de expansão do gás em espiral, uma nova camada deverá aparecer mais ou menos a cada 800 anos, o que aproximadamente corresponde ao tempo que cada estrela demora para se orbitarem uma à outra. O sistema estelar que deu origem à estrutura espiral é conhecido como LL Pegasi, mas também como AFGL 3068. A estrutura invulgar, propriamente dita, foi catalogada como IRAS 23166+1655. A imagem em destaque foi obtida no infravermelho próximo pelo Telescópio Espacial Hubble. O porquê de a espiral brilhar é também um mistério, a hipótese principal afirmando que é luz refletida das estrelas próximas.
 

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