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Edição n.º 1516
18/09 a 20/09/2018
 
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28/09/18 - OBSERVAÇÃO NOTURNA + PALESTRA
21:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 18/09: 261.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a Vanguard 3 é lançada para órbita terrestre.
Em 1977, a Voyager 1 tira a primeira fotografia da Terra e da Lua juntas. 
Em 1980, a Soyuz 38 transporta 2 cosmonautas (1 cubano) para a estação espacial Salyut 6.
Em 2013, lançamento da Cygnus Orb-D1.

Observações: Eclipse de Io, entre as 18:57 e as 21:14.
Ao lusco-fusco, a Lua forma uma ponte triangular com Marte (para a esquerda) e Saturno (para a direita).

Dia 19/09: 262.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite, o Ofeq 1.

Observações: Eclipse de Europa, entre as 19:08 e as 21:35.
A Lua e Marte viajam esta noite juntos pelo céu. Marte está atualmente 200 vezes mais distante que o nosso satélite natural. Encontre Saturno quase a 3 punhos à distância do braço esticado, para baixo e para a direita. Saturno está quase 20 vezes mais distante do que Marte.
Trânsito de Ganimedes, entre as 21:19 e as 23:50.

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernova.

Observações: O ponto amarelo-alaranjado para a direita da Lua, esta noite, é Marte. Assim que se tornar noite, procure Fomalhaut, a Estrela de Outono, nascendo a três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda da Lua.

 
CURIOSIDADES

Devido à gravidade, a Terra nunca poderá ter uma montanha com mais de 10 km de altitude. Caso não existisse uma gravidade tão forte, os Himalaias já há muito tempo teriam passado esta altura.
 
TEORIA DA GRAVIDADE SALVA DA MORTE
A galáxia ultra-difusa NGC 1052-DF2, vista pelo Telescópio Espacial Hubble. Apesar do seu pequeno tamanho, está no centro de um debate acerca de qual da lei da gravidade é a correta.
Crédito: HST/Oliver Müller
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo físicos da Universidade de St. Andrews, ressuscitou uma teoria da gravidade anteriormente descartada, argumentando que os movimentos dentro de galáxias anãs seriam mais lentos se perto de uma galáxia massiva.

A equipa de investigação examinou uma teoria previamente publicada na revista Nature que afirmava que a teoria MOND (MOdified Newtonian Dynamics) não podia ser verdadeira porque os movimentos internos eram muito lentos no interior da galáxia anã NGC 1052-DF2, uma galáxia pequena com cerca de 200 milhões de estrelas.

A teoria MOND é uma controversa alternativa à relatividade geral, a compreensão predominante e inspirada de Einstein do fenómeno da gravidade, que requer a existência da matéria escura, mas que até agora nunca foi provada. MOND não requer matéria escura.

Tais teorias são essenciais na compreensão do nosso Universo, dado que segundo a física conhecida, as galáxias giram tão rapidamente que deveriam fragmentar-se.

Foram apresentadas várias teorias para explicar o que as mantém unidas, e o debate continua sobre qual a correta. O estudo agora derrotado afirmava que MOND estava morta. No entanto, esta investigação mais recente - também publicada na Nature - mostra que o trabalho anterior negligenciou um efeito ambiental subtil.

A nova investigação argumenta que o trabalho anterior não considerou que a influência do ambiente gravitacional em torno da anã podia afetar os seus movimentos interiores. Por outras palavras, se a anã estivesse perto de uma galáxia massiva - o que é aqui o caso - então os movimentos dentro da anã seriam mais lentos.

O autor principal Pavel Kroupa, professor da Universidade de Bona e da Universidade Charles em Praga, afirma: "Houveram muitas afirmações prematuras sobre a morte da teoria MOND em publicações muito influentes. Até agora, nenhuma resistiu ao escrutínio detalhado."

As galáxias giram tão rapidamente que deviam fragmentar-se, de acordo com a física conhecida. Duas teorias atuais explicam isto - a primeira coloca um halo de matéria escura em redor de cada galáxia. No entanto, as partículas de matéria escura nunca foram descobertas, apesar de muitas décadas de pesquisas muito sensíveis, frequentemente usando grandes detetores.

A segunda é a MOND, que explica uma vasta riqueza de dados sobre as velocidades de rotação galáctica usando apenas as estrelas e o gás. A MOND fá-lo com uma receita matemática que fortalece a gravidade do material visível, mas somente quando fica muito fraca. Caso contrário, a gravidade seguiria a lei convencional de Newton, por exemplo no Sistema Solar - ou perto de uma galáxia massiva.

O Dr. Indranil Banik da Escola de Física e Astronomia da Universidade de St. Andrews, que em breve será da Universidade de Bona, realçou: "É notável que a MOND ainda faça previsões tão bem-sucedidas baseadas em equações escritas há 35 anos."

O Dr. Hongsheng Zhao, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de St. Andrews, acrescentou: "A nossa modelagem do efeito ambiental MOND foi posteriormente confirmada por outro grupo."

Hosein Haghi, professor de Física no Instituto de Estudos Avançados em Ciências Básicas, Irão, disse: "Este efeito é conhecido há muito tempo. Os autores da Nature desconheciam os nossos artigos sobre a sua inclusão."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de St. Andrews (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
PHYSORG

NGC 1052-DF2:
Wikipedia

MOND:
Wikipedia

Teoria Geral da Relatividade:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

 
VLBA MEDE CARACTERÍSTICAS DE ASTEROIDE

Numa observação invulgar, os astrónomos usaram o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation) para estudar os efeitos nas ondas de rádio oriundas de uma distante galáxia de rádio quando um asteroide no nosso Sistema Solar passou em frente da galáxia. A observação permitiu medir o tamanho do asteroide, obter novas informações sobre a sua forma e melhorar bastante a precisão com a qual o seu percurso orbital pode ser calculado.

Quando o asteroide passou em frente da galáxia, as ondas de rádio vindas da galáxia foram ligeiramente dobradas em torno da borda do asteroide, num processo chamado difração. À medida que estas ondas interagiam entre si, produziam um padrão circular de ondas mais fortes e mais fracas, semelhante aos padrões de círculos claros e escuros produzidos em experiências de laboratório terrestres com ondas de luz.

"Ao analisarmos os padrões das ondas de rádio difratadas durante este evento, fomos capazes de aprender muito mais sobre o asteroide, incluindo o seu tamanho e posição precisa, e obter pistas valiosas sobre a sua forma," disse Jorma Harju, da Universidade de Helsínquia na Finlândia.

Ondas de rádio de uma galáxia distante foram bloqueadas por um asteroide no nosso Sistema Solar. No entanto, num processo chamado difração, as ondas dobram-se em redor do asteroide e interagem para formar um padrão de círculos claros e escuros. Os astrónomos analisaram este padrão para aprender novos detalhes sobre o tamanho, forma e órbita do asteroide.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O asteroide, chamado Palma, encontra-se na cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter. Descoberto em 1893 pelo astrónomo francês Auguste Charlois, Palma completa uma órbita em redor do Sol a cada 5,59 anos. No dia 15 de maio de 2017, obscureceu as ondas de rádio de uma galáxia chamada 0141+268 com a sombra de rádio traçando um caminho que ia mais ou menos de sudoeste para noroeste, cruzando a estação do VLBA em Brewster, no estado norte-americano de Washington. A sombra atravessou a superfície da Terra a 51,5 km/s.

Além da antena Brewster do VLBA, os astrónomos também usaram antenas do VLBA na Califórnia, Texas, Arizona e Novo México. A passagem do asteroide em frente da galáxia de rádio, um evento chamado ocultação, afetou as características dos sinais recebidos em Brewster quando combinados com os das outras antenas.

Análises extensivas destes efeitos permitiram aos astrónomos tirar conclusões sobre a natureza do asteroide. Em íntima concordância com as observações anteriores, mediram o diâmetro do asteroide em 192 quilómetros. Também aprenderam que Palma, como a maioria dos outros asteroides, diferente significativamente de uma esfera perfeita, com um lado provavelmente escavado. A determinação da forma, dizem os astrónomos, pode ser melhorada combinando os dados de rádio com as observações óticas anteriores do asteroide.

Os astrónomos, amadores e profissionais, geralmente observam ocultações de estrelas por asteroides e registam a mudança de brilho, ou intensidade, da luz estelar quando o asteroide passa à sua frente. A observação do VLBA é única porque também permitiu que os astrónomos medissem a quantidade pela qual os picos das ondas foram deslocados pela difração, um efeito chamado mudança de fase.

"Isto permitiu-nos restringir a forma de Palma com uma única medida curta," afirma Leonid Petrov, afiliado ao Laboratório de Geodesia e Geofísica do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.

"A observação de uma ocultação por um asteroide, usando o VLBA, mostrou-se um método extremamente poderoso para medir o tamanho de asteroides. Além disso, estes dados de rádio revelariam imediatamente formas peculiares ou companheiros binários. Isso significa que estas técnicas serão, sem dúvida, usadas para futuros estudos de asteroides," realça Kimmo Lehtinen, do Instituto Finlandês de Pesquisa Geoespacial em Masala, Finlândia.

Um resultado importante da observação foi o melhoramento da precisão com que a órbita do asteroide pode ser calculada.

"Embora a posição de Palma tenha sido medida mais de 1600 vezes ao longo dos últimos 120 anos, esta única medição do VLBA reduziu a incerteza na órbita calculada por um fator de 10," comenta Mikael Granvik, da Universidade de Tecnologia de Lulea na Suécia e da Universidade de Helsínquia, Finlândia.

"Esta é uma utilização bastante invulgar do VLBA, e demonstra que as excelentes capacidades técnicas do VLBA, juntamente com a sua grande flexibilidade como ferramenta de investigação, pode contribuir de algumas formas inesperadas para muitos campos da astronomia," conclui Jonathan Romney do LBO (Long Baseline Observatory), que opera o VLBA.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
ScienceDaily
Astrobiology Magazine
PHYSORG
METRO

Asteroide Palma:
Wikipedia

Ocultação:
Wikipedia

VLBA:
NRAO
Wikipedia

 
DESCOBRINDO OS LOCAIS DE NASCIMENTO ESTELAR NA VIA LÁCTEA
Esquerda: Foi usada uma amostra de mais ou menos 600 estrelas situadas muito perto do Sol (volume aproximado visto na seta). Direita: Usado medições precisas da idade e do conteúdo de ferro, os cientistas puderam recuperar os locais de nascimento estelar. As estrelas mais antigas tiveram origem, preferencialmente, nas porções mais interiores do disco (pontos mais claros), enquanto as estrelas mais jovens (pontos escuros) nasceram mais perto da sua posição atual no disco. A imagem de fundo mostra uma simulação de uma galáxia parecida com a da Via Láctea para perspetiva.
Crédito: I. Minchev (AIP)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de cientistas liderada por Ivan Minchev do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, encontrou uma maneira de recuperar os locais de nascimento estelar na nossa Galáxia. Este é um dos principais objetivos no campo da Arqueologia Galáctica, cuja intenção é reconstruir a história da formação da Via Láctea.

Há muito que sabemos que as estrelas nos discos galácticos vagueiam para longe dos locais onde nasceram devido a um fenómeno conhecido como "migração radial". Este movimento através da Galáxia dificulta seriamente as inferências da história da formação da Via Láctea. A migração radial é influenciada por um número de parâmetros que ainda são pouco conhecidos: por exemplo, o tamanho e a velocidade da barra Galáctica, o número e a forma dos braços espirais no disco Galáctico e a frequência de galáxias mais pequenas que colidiram com a Via Láctea nos últimos 10 mil milhões de anos e as suas respetivas massas.

Para contornar estes obstáculos, os cientistas criaram uma maneira de recuperar a história da migração Galáctica usando as idades e a composição química de estrelas como "artefactos arqueológicos". Usaram o facto bem estabelecido de que a formação estelar no disco Galáctico progride gradualmente para fora, seguindo que as estrelas nascidas numa determinada posição e num determinado momento têm um padrão distinto de abundância química. Portanto, se a idade e a composição química (o seu conteúdo de ferro, por exemplo) de uma estrela puder ser medida com muita precisão, torna-se possível inferir diretamente o seu local de nascimento no disco Galáctico sem suposições adicionais de modelagem.

A equipa usou uma amostra de aproximadamente 600 estrelas na vizinhança solar observadas com o espectrógrafo de alta resolução HARPS acoplado ao telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla do ESO no Chile. Graças às medições precisas da idade e da abundância de ferro, descobriu-se que estas estrelas nasceram por todo o disco Galáctico, as mais antigas oriundas das partes mais centrais.

As investigações agora podem usar este método para calcular os locais de nascimento, mesmo para estrelas que não estão na amostra original. Por exemplo, dada a idade de 4,6 mil milhões de anos do nosso Sol e o seu teor de ferro, podemos estimar que o Sol nasceu aproximadamente 2000 anos-luz mais perto do Centro Galáctico do que a sua posição atual.

Monchev comenta: "Uma vez em posse dos raios de nascimento, podemos obter uma riqueza de informações inestimáveis sobre o passado da Via Láctea, mesmo a partir deste pequeno número de estrelas com medições precisas suficientes disponíveis para nós neste momento". O coautor Friedrich Anders acrescenta: "No futuro próximo, a aplicação deste método aos dados de alta qualidade da missão Gaia e aos levantamentos espectroscópicos terrestres vai permitir medições muito mais exatas do histórico de migração e, assim, do passado da Via Láctea."

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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  Maior delta já descoberto em Marte aponta para antigo oceano (via Museu de História Nacional)
Investigadores encontraram evidências que sugerem que Marte já teve um antigo oceano e um ciclo de água parecido com o da Terra. Descobriu-se que depósitos sedimentares em Hypanis Valles, um sistema de rios no passado de Marte, são remanescentes de um delta. Esta é uma característica geológica que foi formada quando água corrente encontrou um mar marciano. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Filamento Solar Entra em Erupção
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: GSFC da NASAEquipa do AIA da SDO
 
O que aconteceu com o nosso Sol? Nada muito invulgar - apenas lançou um filamento. Em meados de 2012, um filamento solar de longa duração foi expelido para o espaço, produzindo uma energética Ejeção de Massa Coronal. O filamento havia sido retido durante dias pelo campo magnético do Sol, em constante mudança, e o momento da erupção foi inesperado. Observada de perto pela SDO (Solar Dynamics Observatory), em órbita do Sol, a explosão resultante disparou eletrões e iões para o Sistema Solar, alguns dos quais chegaram à Terra três dias depois e impactaram a magnetosfera da Terra, provocando auroras visíveis. Nesta imagem ultravioleta podem ser vistos, acima do filamento em erupção, "loops" de plasma em redor de uma região ativa. Embora o Sol esteja agora num estado relativamente inativo do seu ciclo de 11 anos, abriram-se buracos inesperados na coroa do Sol, permitindo que um excesso de partículas carregadas fluísse para o espaço. Tal como antes, essas partículas carregas estão a produzir auroras.
 

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