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Edição n.º 1533
16/11 a 19/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição. 
Observações: Muito alto a sul esta noite, o lado direito do Grande Quadrado de Pégaso aponta para baixo na direção da Lua.

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robot controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17.

Observações: Quando a Lua passar na sua posição mais alta a sul ao início da noite, estará diretamente por baixo do Grande Quadrado de Pégaso, que agora se encontra nivelado e direito.

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
Observações: A chuva de meteoros das Leónidas, que esta década tem estado muito fraca, deverá atingir o seu modesto pico nas três horas entre o pôr-da-Lua e o amanhecer de domingo.

Dia 19/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
Observações: Pouco depois das 20 horas, Capella, de magnitude zero, está exatamente à mesma altura, a nordeste, que Vega a oeste-noroeste, com o mesmo brilho aproximado. Com que precisão consegue determinar o "timing" deste evento? Não é necessário astrolábio... mas ajuda.

 
CURIOSIDADES

A velocidade total da Estrela de Barnard relativamente ao Sol é de cerca de 500 000 km/h. Apesar de ser muito rápida, esta não é no entanto a estrela mais rápida conhecida. O que torna o movimento de uma estrela digno de nota é o quão rápido esta parece mover-se no céu noturno vista a partir da Terra, o chamado movimento aparente. A Estrela de Barnard cobre uma distância equivalente ao diâmetro da Lua no céu em 180 anos — embora este valor possa não parecer muito elevado é, sem dúvida, o movimento aparente mais rápido de todas as estrelas que observamos no céu.
 
UMA SUPER-TERRA ORBITA A ESTRELA DE BARNARD
A estrela individual mais próxima do Sol alberga um exoplaneta com pelo menos 3,2 massas terrestres — um exoplaneta do tipo super-Terra. Dados obtidos por uma enorme quantidade de telescópios e instrumentos, incluindo o instrumento caçador de planetas HARPS do ESO, revelou este mundo gelado e fracamente iluminado. O planeta recém-descoberto é o segundo exoplaneta conhecido mais perto da Terra, sendo a Estrela de Barnard a estrela que mais depressa se desloca no céu noturno.
Esta imagem mostra uma impressão artística da superfície do planeta.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estrela individual mais próxima do Sol alberga um exoplaneta com pelo menos 3,2 massas terrestres — um exoplaneta do tipo super-Terra. Uma das maiores campanhas de observação, que usou dados de uma grande quantidade de telescópios e instrumentos, incluindo o instrumento caçador de planetas HARPS do ESO, revelou este mundo gelado e fracamente iluminado. O planeta recém-descoberto é o segundo exoplaneta conhecido mais perto da Terra, sendo a Estrela de Barnard a estrela que mais depressa se desloca no céu noturno.

Foi detetado um planeta em órbita da Estrela de Barnard, a uns meros 6 anos-luz de distância da Terra. Esta descoberta — anunciada num artigo publicado anteontem na revista Nature — é o resultado das campanhas Pontos Vermelhos e CARMENES, cuja busca de planetas rochosos próximos revelou já um novo mundo em órbita da nossa vizinha mais próxima, Proxima Centauri.

O planeta, designado Estrela de Barnard b, ocupa o lugar de segundo exoplaneta mais próximo conhecido da Terra. Os dados recolhidos indicam que o planeta pode ser uma super-Terra, com uma massa de, pelo menos, 3,2 vezes a massa da Terra, e que orbita a sua estrela hospedeira com um período de cerca de 233 dias. A Estrela de Barnard é uma anã vermelha, ou seja, uma estrela fria de pequena massa que ilumina pouco o mundo agora descoberto. A luz da estrela dá ao seu planeta apenas 2% da energia que a Terra recebe do Sol.

Apesar de se encontrar relativamente perto da sua estrela progenitora — a uma distância de apenas 0,4 vezes a distância entre a Terra e o Sol — o exoplaneta situa-se próximo da linha de neve, a região onde compostos voláteis, tais como a água, podem condensar-se em gelo sólido. Este mundo gelado e sombrio pode ter uma temperatura de -170º C, o que o tornaria hostil para a vida tal como a conhecemos.

A estrela individual mais próxima do Sol alberga um exoplaneta com pelo menos 3,2 massas terrestres — um exoplaneta do tipo super-Terra. Dados obtidos por uma enorme quantidade de telescópios e instrumentos, incluindo o instrumento caçador de planetas HARPS do ESO, revelou este mundo gelado e fracamente iluminado. O planeta recém-descoberto é o segundo exoplaneta conhecido mais perto da Terra, sendo a Estrela de Barnard a estrela que mais depressa se desloca no céu noturno.
Esta imagem mostra uma impressão artísticado planeta visto a partir do espaço.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Retirando o seu nome do astrónomo E. E. Barnard, a Estrela de Barnard é a estrela individual situada mais próximo do Sol. Apesar da estrela propriamente dita ser antiga — terá provavelmente o dobro da idade do Sol — e relativamente inativa, é na realidade a estrela com o movimento aparente mais rápido de todo o céu noturno. As super-Terras são o tipo mais comum de planeta que se forma em torno de estrelas de pequena massa como a Estrela de Barnard, o que dá credibilidade ao recentemente descoberto candidato a planeta. Adicionalmente, as atuais teorias de formação planetária preveem que a linha de neve é o local ideal para a formação de tais planetas.

Buscas anteriores de um planeta em torno da Estrela de Barnard tiveram resultados dececionantes — esta descoberta foi agora possível apenas porque se combinaram medições de diversos instrumentos de alta precisão montados em telescópios de todo o mundo.

"Após uma análise cuidada, estamos 99% confiantes de que o planeta é real," afirma o cientista líder da equipa, Ignasi Ribas (Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e Instituto de Ciências Espaciais, CSIC, Espanha). "No entanto, continuaremos a observar esta estrela rápida para excluir possíveis, mas improváveis, variações naturais do brilho estelar que poderiam ser confundidas com um planeta."

Entre os instrumentos usados estão os famosos caçadores de planetas do ESO, os espectrógrafos HARPS e UVES. "O HARPS desempenhou um papel vital neste projeto. Combinámos dados de arquivo de outras equipas com medições novas da Estrela de Barnard obtidas por diferentes infraestruturas," comentou Guillem Anglada-Escudé (Queen Mary University of London), cientista que coliderou a equipa. "A combinação dos instrumentos foi crucial para verificarmos o nosso resultado."

Os astrónomos usaram o efeito Doppler para encontrar o candidato a exoplaneta. À medida que o planeta orbita a estrela, a sua atração gravitacional faz com que a estrela oscile ligeiramente. Quando a estrela se afasta da Terra, o seu espectro desvia-se para o vermelho, ou seja, desloca-se para os maiores comprimentos de onda. Do mesmo modo, quando a estrela se aproxima da Terra, a sua luz é desviada para os comprimentos de onda menores, mais azuis.

Esta imagem de grande angular mostra o meio que rodeia a estrela anã vermelha conhecida por Estrela de Barnard, situada na constelação de Ofiúco. Esta imagem foi criada a partir de dados do DSS2 (Digitized Sky Survey 2). No centro da imagem encontra-se a Estrela de Barnard capturada em três exposições diferentes. Esta é a estrela que se desloca mais rapidamente no céu noturno e o seu enorme movimento aparente pode ser visto à medida que a sua posição muda entre as sucessivas observações — a vermelho, amarelo e azul.
Crédito: ESO/DSS2; Reconhecimento: Davide De Martin E — Red Dots
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos usam assim este efeito para medir, com uma precisão extraordinária, as variações na velocidade da estrela devido à existência de um planeta em sua órbita. O HARPS consegue detetar variações na velocidade de uma estrela tão pequenas quanto 3,5 km/hora — o que equivale à velocidade de passo de uma pessoa. Este método de procura de exoplanetas é conhecido por método das velocidades radiais e, até agora, nunca tinha sido usado para detetar um exoplaneta do tipo super-Terra numa órbita tão extensa em torno da sua estrela.

"Usámos observações de sete instrumentos diferentes, correspondentes a 20 anos de medições, o que faz desta a maior e mais extensa base de dados alguma vez utilizada no estudo de velocidades radiais muito precisas," explica Ribas. "A combinação de todos os dados levou a 771 medições no total — uma quantidade de informação enorme!"

"Trabalhámos muito para chegar a este resultado," conclui Anglada-Escudé. "Esta descoberta é o resultado de uma extensa colaboração levada a cabo no âmbito do projeto Pontos Vermelhos, que incluiu contribuições de equipas de todo o mundo. Estamos já a proceder a observações de seguimento em vários observatórios."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Campanha Red Dots (comunicado de imprensa)
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
Artigo científico (PDF)
ESOcast 184 (ESO via YouTube)
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Estrela de Barnard:
Wikipedia 
SolStation
Estrela de Barnard b (Wikipedia)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
GAIA AVISTA GALÁXIA "FANTASMA" AQUI AO LADO

O satélite Gaia avistou uma enorme galáxia "fantasma" situada nos arredores da Via Láctea. Uma equipa internacional de astrónomos descobriu o objeto massivo quando vasculhava dados da missão da ESA. O objeto, de nome Antlia 2 (ou Ant 2), tem evitado a deteção até agora devido à sua densidade extremamente baixa, bem como devido ao seu esconderijo perfeito, atrás do manto do disco da Via Láctea.

Ant 2 é conhecida como uma galáxia anã. À medida que as estruturas surgiram no início do Universo, as anãs foram as primeiras galáxias formadas, de modo que a maioria das suas estrelas são velhas, de baixa massa e pobres em metal. Mas, em comparação com as outras satélites anãs conhecidas da nossa Galáxia, Ant 2 é enorme: é tão grande quanto a Grande Nuvem de Magalhães e tem um-terço do tamanho da própria Via Láctea.

O que torna Ant 2 ainda mais invulgar é a pouca luz que fornece. Em comparação com a Grande Nuvem de Magalhães, outro satélite da Via Láctea, Ant 2 é 10.000 vezes mais ténue. Por outras palavras, ou é demasiado larga para a sua luminosidade ou demasiado fraca para o seu tamanho.

Da esquerda para a direita: a Grande Nuvem de Magalhães, a Via Láctea e Antlia 2.
Crédito: V. Belokurov com base em imagens por Marcus e Gail Davies e Robert Gendler
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É um fantasma de uma galáxia," afirma Gabriel Torrealba, autor principal do artigo científico. "Objetos tão difusos quanto Ant 2 simplesmente não foram vistos antes. A nossa descoberta só foi possível graças à qualidade dos dados do Gaia."

A missão Gaia da ESA produziu o mais rico catálogo estelar até à data, incluindo medições de alta precisão de quase 1,7 mil milhões de estrelas e revelando detalhes inéditos da nossa Galáxia. No início deste ano, o segundo lançamento de dados Gaia disponibilizou novos detalhes sobre as estrelas da Via Láctea.

Os cientistas por trás do estudo atual - de Taiwan, do Reino Unido, dos EUA, da Austrália e da Alemanha - examinaram os novos dados do Gaia em busca de satélites da Via Láctea usando estrelas RR Lyrae. Estas estrelas são velhas e pobres em metais, típicas das encontradas numa galáxia anã. As estrelas RR Lyrae mudam de brilho com um período de meio dia e podem ser localizadas graças a estes pulsos bem definidos.

"Foram encontradas estrelas RR Lyrae em todas as satélites anãs conhecidas, de modo que quando encontrámos um grupo situado acima do disco galáctico, não ficámos totalmente surpreendidos," afirma o coautor Vasily Belokurov do Instituto de Astronomia de Cambridge. "Mas quando olhámos mais de perto para a sua localização no céu, descobrimos algo novo, já que nenhum objeto previamente identificado surgia em qualquer das bases de dados pelas quais pesquisámos."

A equipa contactou colegas do AAT (Anglo-Australian Telescope) na Austrália, mas quando verificaram as coordenadas de Ant 2, perceberam que tinham apenas uma janela limitada de oportunidades para obter dados de acompanhamento. Foram capazes de medir o espectro de mais de 100 estrelas gigantes vermelhas pouco antes do movimento da Terra em redor do Sol tornar Ant 2 inobservável durante meses.

Os espectros permitiram que a equipa confirmasse que o objeto fantasmagórico que haviam avistado era real: todas as estrelas se movimentavam juntas. Ant 2 nunca chega muito perto da Via Láctea, ficando sempre pelo menos a 40 kpc (kiloparsecs, cerca de 130.000 anos-luz) de distância. Os investigadores também foram capazes de obter a massa da galáxia, que é muito menor do que o esperado para um objeto deste tamanho.

"A explicação mais simples do motivo de Ant 2 parecer ter tão pouca massa hoje em dia é porque está a ser 'desmontada' por marés galácticas da Via Láctea," comenta o coautor Sergey Koposov da Universidade Carnegie Mellon. "O que permanece sem explicação, no entanto, é o tamanho gigantesco do objeto. Normalmente, quando as galáxias perdem massa para as marés da Via Láctea, encolhem, não crescem."

Se é impossível "inchar" a anã removendo-lhe matéria, então Ant 2 deve ter nascido enormíssima. A equipa ainda precisa de descobrir o processo exato que tornou Ant 2 tão estendida. Embora objetos deste tamanho e luminosidade não tenham sido previstos pelos modelos atuais de formação galáctica, especulou-se recentemente que algumas anãs podem ser inchadas por vigorosa formação estelar. Os ventos estelares e as explosões de supernova afastariam o gás não utilizado, enfraquecendo a gravidade que une a galáxia e permitindo que a matéria escura também se desvie.

"Mesmo que a formação estelar pudesse remodelar a distribuição da matéria escura em Ant 2 quando foi formada, deve ter agido com uma eficiência sem precedentes," comenta o coautor Jason Sanders, de Cambridge.

Alternativamente, a baixa densidade de Ant 2 pode significar que é necessária uma modificação nas propriedades da matéria escura. A teoria atualmente favorecida prevê que a matéria escura se acumule nos centros das galáxias. Dada a aparência leve da nova anã, poderá ser necessária uma partícula de matéria escura que gosta menos de se agrupar.

"Comparada com o resto das mais ou menos 60 galáxias satélites da Via Láctea, Ant 2 é excêntrica," realça o coautor Matthew Walker, também da Universidade Carnegie Mellon. "Perguntamo-nos se esta galáxia é apenas a ponta do iceberg e se a Via Láctea está cercada por uma grande população de anãs quase invisíveis semelhantes a esta."

O espaço entre Ant 2 e o resto das anãs galácticas é tão grande que isso poderá ser um indício de que falta alguma física importante nos modelos de formação das galáxias anãs. Resolver o enigma de Ant 2 pode ajudar os astrónomos a entender como surgiram as primeiras estruturas do Universo primitivo. A descoberta de mais objetos como Ant 2 mostrará quão comuns são estas galáxias fantasmagóricas, e a equipa está ocupada a procurar outras galáxias semelhantes nos dados do Gaia.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Universidade de Carnegie Mellon (comunicado de imprensa)
Imperial College London (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Science
Astronomy
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Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Variáveis RR Lyrae:
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Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
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AAT (Anglo Australian Telescope):
Página oficial
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A DANÇA DAS GALÁXIAS PEQUENAS QUE RODEIAM A VIA LÁCTEA

Uma equipa internacional, liderada por investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias, usou dados do satélite Gaia da ESA para medir o movimento de 39 galáxias anãs. Estes dados fornecem informações sobre a dinâmica destas galáxias, as suas histórias e as suas interações com a Via Láctea.

Em redor da Via Láctea existem muitas galáxias pequenas (anãs), que podem ser dezenas de milhares de vezes ou até milhões de vezes menos luminosas do que a Via Láctea. Em comparação com galáxias normais ou gigantes, as galáxias anãs contêm muito menos estrelas e, portanto, a sua luminosidade é menor.

Estas galáxias pequenas foram objeto de estudo por parte de uma equipa internacional de astrónomos liderada por Tobias K. Fritz e Giuseppina Battaglia, ambos do IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias). Graças a dados obtidos pela missão espacial Gaia da ESA, que se tornaram disponíveis no seu segundo lançamento em abril de 2018, os cientistas puderam medir o movimento no céu de 39 galáxias anãs, determinando a sua direção e velocidade.

Os movimentos de 39 galáxias anãs. No fundo vemos a imagem construída a partir de fontes pontuais pelo Gaia. Só podemos ver as galáxias anãs mais brilhantes, e até elas são pouco visíveis. As galáxias estão legendadas com os seus nomes e as setas mostram a direção do seu movimento em relação ao centro da Via Láctea. A cor indica a direção radial: aquelas a azul são a aproximar-se do centro, aquelas a vermelho estão a afastar-se.
Crédito: DPAC (Data Processing and Analysis Constium) do Gaia; A. Moitinho/AF Silva/M. Barros/C. Barata, Universidade de Lisboa, Portugal; H. Savietto, Investigação Fork, Portugal
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Antes do segundo lançamento de dados do satélite Gaia, não era possível realizar estas medições para 29 das galáxias analisadas pela equipa. Os investigadores descobriram que muitas delas estão a mover-se num plano conhecido como vasta estrutura polar. "Já se sabia que muitas das galáxias anãs mais massivas eram encontradas neste plano - diz Fritz, autor principal do artigo científico -, mas agora sabemos que também várias das galáxias anãs menos volumosas podem pertencer a essa estrutura."

Battaglia destaca que a origem da "vasta estrutura polar" não é ainda totalmente compreendida, mas as suas características parecem desafiar os modelos cosmológicos de formação galáctica. "A Grande Nuvem de Magalhães também pode ser encontrada nesta estrutura plana, o que pode significar uma ligação.

Através da análise dos dados relativos aos movimentos, a equipa descobriu que várias das galáxias anãs têm órbitas que as aproximam das regiões internas da Via Láctea. A atração gravitacional que a Via Láctea exerce sobre essas galáxias pode ser comparada à ação das marés. "É provável que algumas das galáxias anãs estudadas sejam perturbadas por essas marés, que as esticam como uma corrente." Dessa forma, poder-se-ia explicar as propriedades observadas de alguns destes objetos, como Hercules e Crater II," comenta Fritz. Por outro lado, surgem novas questões. "Ao longo dos anos, observou-se que algumas galáxias têm características peculiares que podem, potencialmente, ter sido provocadas por perturbações de maré pela Via Láctea (por exemplo, Carina I) - indica Battaglia -, mas as suas órbitas não parecem confirmar esta hipótese. Talvez devêssemos postular que os encontros com outras galáxias anãs podem ser os culpados."

As órbitas determinadas permitiram com que os investigadores detetassem que a maioria das galáxias estudadas se encontram próximo do pericentro da sua órbita (o ponto mais próximo do centro da Via Láctea). No entanto, a física básica explica que devem passar a maior parte do tempo perto do apocentro (o ponto mais distante do centro da Via Láctea). "Isto sugere que devem existir muitas mais galáxias anãs que ainda precisam ser descobertas e que se escondem a grandes distâncias do centro da Via Láctea," afirma Fritz.

As galáxias anãs, além de serem interessantes por si só, são um dos poucos indicadores de matéria escura que podem usados nas partes mais externas da Via Láctea. Pensa-se que este tipo de matéria é responsável por cerca de 80% da massa total do Universo. No entanto, não pode ser observada diretamente, portanto, a sua deteção é difícil. Os movimentos de corpos celestes como as galáxias anãs podem ser usados para medir a massa total de matéria dentro de um volume. Para este objetivo, subtrai-se a massa desses objetos luminosos detetados e obtemos uma estimativa da quantidade de matéria escura. A partir desses dados, os investigadores podem inferir que a quantidade de matéria escura na Via Láctea é grande, aproximadamente 1,6 biliões de massas solares.

Links:

Notícias relacionadas:
IAC (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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SEDS
Galáxias satélites da Via Láctea (Wikipedia)

Gaia:
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ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
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SPACEFLIGHT101
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Caverna em Hidrogénio, Oxigénio e Enxofre
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Chuck Ayoub
 
O que está dentro desta caverna cósmica? Um berçário estelar com 10 anos-luz de profundidade. A paisagem estelar em destaque é dominada pela empoeirada Sh2-155, a Nebulosa da Caverna. Na imagem telescópica, os dados obtidos através de filtros de banda estreita traçam o brilho nebular do hidrogénio, oxigénio e enxofre, cores que, juntas, formam a Paleta do Hubble. A cerca de 2400 anos-luz de distância, a cena encontra-se ao longo do plano da nossa Via Láctea na direção da constelação real norte de Cefeu. As explorações astronómicas da região revelam que se formou no limite da gigantesca nuvem molecular Cefeu B e de jovens estrelas quentes da associação Cepheus OB 3. A orla brilhante de hidrogénio gasoso ionizado é energizada por radiação de estrelas quentes, dominada pela brilhante estrela logo para a esquerda da entrada da caverna. As frentes de ionização dominadas pela radiação estão provavelmente a desencadear o colapso de núcleos e nova formação estelar no interior.
 

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