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  Astroboletim #1593  
  14/06 a 17/06/2019  
     
 

28/06/19 - Noites Astronómicas em Tavira
22:00 - No dia 28 de junho, no Forte do Rato, realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira. Nesta sessão será possível identificar algumas constelações que nos farão companhia nas noites quentes de Verão. Teremos a oportunidade de observar os planetas gigantes gasosos do nosso sistema solar, Júpiter e as suas luas galileanas assim como Saturno e os seus anéis. Esta atividade é gratuita.
Local: Forte do Rato
Informações e incrições:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)

 
     
 
Efemérides

Dia 14/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency). 
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.

Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana. 
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa.
Observações: Olhe para baixo e para a esquerda da Lua ao anoitecer e procure Antares e Júpiter.

Dia 15/06: 166.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 763 AC, os assíriosregistam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.

A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 02:15 e as 04:47.
Trânsito da sombra de Europa, entr as 02:25 e as 05:02.
A Lua forma um triângulo quase equilátero com Júpiter para baixo e para a sua esquerda e Júpiter para baixo e para a direita. É uma boa oportunidade fotográfica. O triângulo mede 10º de ponta a ponta, de modo que necessita de usar uma lente moderadamente longa. Ou tente fazer zoom com a câmara do seu telemóvel, recorrendo a ajuda de qualquer coisa (parede, por exemplo) para ajudar a manter estabilidade das mãos do fotógrafo.

Dia 16/06: 167.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático soviético, conhecido pela sua teoria da expansão do Universo, regida por um conjunto de equações por ele desenvolvidas, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado norte-americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.

O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteroide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias.
Observações: O ponto brilhante logo para a direita da Lua é o planeta Júpiter. Os astros fazem uma linha reta quase perfeita com Antares (de Escorpião) mais para a direita.

Dia 17/07: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteroide Hagar (682).
Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, ao fim de 17 dias, quebra o anterior recorde (com cinco anos) de mais tempo passado no espaço.
Em 1985, lançamento da missão STS-51-G.

A bordo seguia o sultão Salman Al Saud da Arábia Saudita, o primeiro árabe, muçulmano e primeiro membro de uma família real no espaço.
Observações: Lua Cheia, pelas 09:31. Note que continua a afastar-se de Júpiter e de Antares, estando agora entre as estrelas do topo da constelação de Sagitário.

 
     
 
Curiosidades


A União Astronómica Internacional, autoridade responsável pela nomenclatura de objetos celestes, lançou a campanha IAU100 NameExoWorlds, oferecendo a oportunidade a cada país do mundo de dar nome a um sistema planetário (estrela e exoplaneta). Cada estrela de cada nação é visível desse país e suficientemente brilhante para ser observada através de pequenos telescópios. A campanha mundial decorre entre junho e novembro de 2019 e os resultados globais serão anunciados em dezembro de 2019. A estrela de Portugal é HD 45652 (anã laranja na direção da constelação de Unicórnio) e o seu planeta é o gigante gasoso HD 45652 b. Depois de ler as regras, participe, dê a sua sugestão a este sistema "português"!

 
 
   
Astrofísica anuncia a sua descoberta de "quasares frios" que podem reescrever como as galáxias morrem
 
Impressão de artista que ilustra um quasar energértico que limpou o centro da sua galáxia de gás e poeira, e os ventos estão agora a propagar-se para os arredores. Em pouco tempo não haverá mais gás e poeira, permanecerá apenas um quasar luminoso azul.
Crédito: Michelle Vigeant
 

Durante a 234.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em St. Louis, Allison Kirkpatrick, professora assistente de física e astronomia da Universidade do Kansas, anunciou a sua descoberta de "quasares frios" - galáxias com abundância de gás frio que ainda podem produzir novas estrelas apesar de terem um quasar no centro. A descoberta revolucionária subverte suposições sobre a maturação de galáxias e pode representar uma fase do ciclo de vida de todas as galáxias, desconhecida até agora.

Um quasar, ou "fonte de rádio quase estelar", é essencialmente um buraco negro supermassivo em esteroides. O gás que cai em direção a um quasar no centro de uma galáxia forma um "disco de acreção", que pode lançar uma quantidade incompreensível de energia eletromagnética, muitas vezes com uma luminosidade centenas de vezes maior do que uma galáxia típica. Normalmente, a formação de um quasar é semelhante à aposentação galáctica e há muito que se pensa assinalar o fim da capacidade de uma galáxia em produzir novas estrelas.

"Todo o gás que está a ser acretado pelo buraco negro é aquecido e emite raios-X," disse Kirkpatrick. "O comprimento de onda da luz que é libertada corresponde ao quão quente algo é. Por exemplo, nós humanos emitimos radiação infravermelha. Mas algo que emite raios-X é das coisas mais quentes do Universo. Este gás começa a acumular-se no buraco negro e começa a mover-se a velocidades relativistas; também temos um campo magnético em torno deste gás, que pode ficar torcido. Da mesma forma que temos proeminências solares, também temos jatos de material que passam por estas linhas do campo magnético e são atirados para longe do buraco negro. Estes jatos essencialmente sufocam o reservatório de gás da galáxia, de modo que mais nenhum gás pode cair sobre a galáxia e formar novas estrelas. Quando uma galáxia deixa de produzir estrelas, dizemos que é uma galáxia morta e passiva."

Mas, no levantamento de Kirkpatrick, cerca de 10% das galáxias que hospedam buracos negros supermassivos em acreção tinham um reservatório de gás frio remanescente depois de entrar nesta fase e ainda criavam novas estrelas.

 
Imagem de um quasar azul ótico a 7 mil milhões de anos-luz. Normalmente, um objeto deste género não teria emissão infravermelha.
Crédito: DECaLS DR7/NOAO
 

"Isto, por si só, é surpreendente," comentou. "Toda esta população é um monte de objetos diferentes. Algumas das galáxias têm assinaturas óbvias de fusões; algumas parecem-se muito com a Via Láctea e têm braços espirais bastante discerníveis. Algumas são muito compactas. Desta população diversa, temos mais 10% realmente únicas e inesperadas. São fontes muito luminosas, compactas e azuis. Parecem-se com buracos negros supermassivos nos estágios finais, depois de terem "desligado" toda a formação estelar de uma galáxia. Estão a evoluir para uma galáxia elíptica passiva, no entanto também encontrámos nelas muito gás frio. Esta é a população que estou a chamar de "quasares frios".

A astrofísica da Universidade do Kansas suspeitou que os "quasares frios" da sua investigação representavam um breve período ainda por reconhecer das fases finais da vida de uma galáxia - em termos da vida humana, a fugaz fase do "quasar frio" pode ser algo parecido a uma festa de aposentação de uma galáxia.

"Estas galáxias são raras porque estão em fase de transição - observámo-las logo antes da formação estelar ficar extinta e este período de transição deve ser muito curto," disse.

Kirkpatrick identificou pela primeira vez os objetos de interesse numa área do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), o mapa digital mais detalhado do Universo atualmente disponível. Numa área denominada "Stripe 82," Kirkpatrick e colegas conseguiram identificar visualmente os quasares.

"Então estudámos esta área em raios-X com o telescópio XMM-Newton," acrescentou. "Os raios-X são a principal assinatura dos buracos negros em crescimento. Seguidamente, recorremos ao Telescópio Espacial Herschel, um telescópio infravermelho que pode detetar gás e poeira na galáxia hospedeira. Nós selecionámos as galáxias que conseguimos encontrar tanto em raios-X quanto no infravermelho."

 

Esta imagem mostra a emissão de poeira da mesma galáxia. É surpreendentemente brilhante - um dos objetos mais brilhantes do campo de visão. Devido à resolução do telescópio, não se sabe bem o aspeto desta poeira (daí a impressão de artista da 1.ª imagem).
Crédito: Herschel/ESA

 

A investigadora disse que as suas descobertas dão aos cientistas uma nova compreensão e detalhes de como a extinção de formação estelar nas galáxias ocorre e que anulam vários pressupostos sobre os quasares.

"Já sabíamos que os quasares passam por uma fase de poeira obscurante," disse Kirkpatrick. "Nós sabíamos que passam por uma fase muito encoberta onde a poeira cerca o buraco negro supermassivo. Nós chamamos a isto de fase de quasar vermelho. Mas agora encontrámos este regime único de transição que não conhecíamos. Antes, se disséssemos a alguém que tínhamos encontrado um quasar luminoso com um tom ótico azulado - mas que ainda tinha muita poeira, muito gás e muita formação estelar - esse alguém diria: 'Não, não é esse o aspeto destas coisas.'"

Kirkpatrick espera, no futuro, determinar se a fase de "quasar frio" ocorre com uma classe específica de galáxia ou com todas as galáxias.

"Nós pensámos que estas coisas acontecem quando temos um buraco negro em crescimento, coberto por poeira e gás, e começa a soprar este material," disse. "Torna-se então um objeto azul luminoso. Assumimos que, quando expele o seu próprio gás, expele também o gás hospedeiro. Mas parece que com estes objetos, não é este o caso. Estes expelem a sua própria poeira - de modo que os vemos como um objeto azul - mas ainda não dissiparam toda a poeira e gás das galáxias hospedeiras. Esta é uma fase de transição, digamos de 10 milhões de anos. Em escalas de tempo universais, isto é realmente curto - e é difícil observar. Estamos a fazer o que chamamos de pesquisa cega para encontrar objetos que não estávamos à procura. E, ao encontrarmos estes objetos, sim, isso poderá implicar que acontece com todas as galáxias."

Kirkpatrick recolheu dados até 2015 com o Telescópio XMM-Newton, um telescópio de raios-X altamente produtivo operado pela ESA. O seu trabalho faz parte de uma colaboração chamada História de Acreção dos AGN (Active Galactic Nuclei) liderada pela astrofísica Meg Urry da Universidade de Yale, que reúne dados de arquivo e realiza uma análise em vários comprimentos de onda.

// Universidade do Kansas (comunicado de imprensa)

 


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Campo magnético pode manter o buraco negro da Via Láctea relativamente calmo

Existem buracos negros supermassivos no centro da maioria das galáxias, e a nossa Via Láctea não é exceção. Mas muitas outras galáxias têm buracos negros altamente ativos, o que significa que está a cair neles muito material, emitindo radiação altamente energética neste processo de "alimentação". O buraco negro central da Via Láctea, por outro lado, está relativamente calmo. Novas observações do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA estão a ajudar os cientistas a compreender as diferenças entre buracos negros ativos e silenciosos.

Estes resultados fornecem informações sem precedentes sobre o forte campo magnético no centro da Via Láctea. Os cientistas usaram o mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+, para realizar estas medições.

Os campos magnéticos são forças invisíveis que influenciam os percursos de partículas carregadas e têm efeitos significativos sobre os movimentos e a evolução da matéria em todo o Universo. Mas os campos magnéticos não podem ser visualizados diretamente, portanto o seu papel não é bem compreendido. O instrumento HAWC+ deteta luz infravermelha distante e polarizada, invisível aos olhos humanos, emitida por grãos de poeira. Estes grãos alinham-se perpendicularmente aos campos magnéticos. A partir dos resultados do SOFIA, os astrónomos podem mapear a forma e inferir a força do campo magnético, de outra forma invisível, ajudando a visualizar esta força fundamental da natureza.

 
Linhas de fluxo que mostram os campos magnéticos sobrepostos a uma imagem a cores do anel de poeira que rodeia o buraco negro supermasisvo da Via Láctea. A estrutura azul em forma de Y é material quente que cai em direção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersetam. As linhas revelam que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos braços azuis tem o seu próprio campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa.
Crédito: poeira e campos magnéticos - NASA/SOFIA; imagem do campo estelar - NASA/Telescópio Espacial Hubble
 

"Este é um dos primeiros exemplos em que podemos realmente ver como os campos magnéticos e a matéria interestelar interagem uns com os outros," observou Joan Schmelz, astrofísica do Centro de Pesquisas Espaciais Universitárias do Centro Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia, EUA, coautora do artigo que descreve as observações. "O HAWC+ muda o jogo."

Observações anteriores do SOFIA tinham mostrado o anel inclinado de gás e poeira em órbita do buraco negro da Via Láctea, de nome Sagitário A* (Sgr A*). Mas os novos dados do HAWC+ fornecem uma visão única do campo magnético nesta área, que parece traçar a história da região ao longo dos últimos 100.000 anos.

Os detalhes destas observações do campo magnético, pelo SOFIA, foram apresentados na reunião de junho de 2019 da Sociedade Astronómica Americana e serão submetidos à revista The Astrophysical Journal.

A gravidade do buraco negro domina a dinâmica do centro da Via Láctea, mas o papel do campo magnético tem sido um mistério. As novas observações com o HAWC+ revelam que o campo magnético é forte o suficiente para restringir os movimentos turbulentos do gás. Se o campo magnético canalizar o gás para que entre no próprio buraco negro, o buraco negro torna-se ativo porque consome muito gás. No entanto, se o campo magnético canalizar o gás para que entre em órbita em redor do buraco negro, então o buraco negro ficará quieto porque não está a ingerir nenhum gás que, de outra forma, acabaria por formar novas estrelas.

Os investigadores combinaram imagens no infravermelho médio e longínquo das câmaras do SOFIA com novas linhas de fluxo que visualizam a direção do campo magnético. A estrutura azul em forma de Y (ver figura) é material quente que cai em direção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersetam. Colocando a estrutura do campo magnético sobre a imagem revela que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos braços azuis tem o seu próprio componente de campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa. Mas também existem lugares onde o campo se distancia das principais estruturas de poeira, como nas extremidades superior e inferior do anel.

"A forma espiral do campo magnético canaliza o gás para uma órbita em torno do buraco negro," comentou Darren Dowll, cientista do JPL da NASA e investigador principal do instrumento HAWC+, autor principal do estudo. "Isto pode explicar porque é que o nosso buraco negro está calmo enquanto outros estão ativos."

As novas observações do SOFIA com o HAWC+ ajudam a determinar como o material no ambiente extremo de um buraco negro supermassivo interage com ele, abordando uma antiga questão de porque é que o buraco negro central da Via Láctea é relativamente ténue, enquanto os de outras galáxias são tão brilhantes.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Centro de Ciências do SOFIA (comunicado de imprensa)

 


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Diretamente de um planeta distante: pistas espectrais de intrigante paradoxo

CI Tau b é um planeta paradoxal, mas uma nova investigação sobre a sua massa, brilho e monóxido de carbono na sua atmosfera está a começar a responder a perguntas sobre como um planeta tão grande pode ter-se formado em torno de uma estrela com apenas 2 milhões de anos.

Num encontro da Sociedade Astronómica Americana que decorreu na passada segunda-feira em St. Louis, EUA, os astrónomos Christopher Johns-Krull da Universidade Rice e Lisa Prato do Observatório Lowell apresentaram descobertas de uma análise espectroscópica no infravermelho próximo, ao longo de quatro anos, de CI Tau b, um exoplaneta gigante, um "Júpiter quente", numa órbita íntima de nove dias em torno da sua estrela hospedeira, situada a cerca de 450 anos-luz da Terra na direção da constelação de Touro.

 
Impressão de artista de vários planetas gigantes gasosos em órbita de uma jovem estrela que tem um disco protoplanetário remanescente. Dado que o disco remanescente de CI Tau está ligeiramente inclinado, mais ou menos idêntico ao que vemos na imagem, os astrónomos conseguiram medir diretamente a luz tanto da estrela quanto do seu íntimo planeta CI Tau b.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle
 

"A coisa mais emocionante é que somos capazes de detetar luz diretamente do planeta, e é a primeira vez que tal foi feito para um planeta tão perto de uma estrela tão jovem," disse Johns-Krull, professor de física e astronomia e coautor de um artigo que será publicado na revista Astrophysical Journal Letters da Sociedade Astronómica Americana. "A maneira mais valiosa de aprender como os planetas se formam é estudando planetas, como CI Tau b, que ainda estão a formar-se ou que acabaram de se formar."

Durante décadas, a maioria dos astrónomos acreditava que planetas gigantes como Júpiter e Saturno formavam-se longe das suas estrelas ao longo de períodos de 10 milhões de anos ou mais. Mas a descoberta de dúzias de "Júpiteres quentes" levou a novos modelos teóricos que descrevem como esses planetas se podem formar.

Johns-Krull disse que a idade de CI Tau b fez dele o candidato perfeito para observação com o IGRINS (Immersion Grating Infrared Spectrograph), o instrumento único de alta resolução usado durante observações de CI Tau b com o Telescópio Harlan J. Smith de 2,7 metros do Observatório McDonald e com o Telescópio do Discovery Channel de 4,3 metros do Observatório Lowell.

Dado que cada elemento atómico e molécula numa estrela emite luz de um conjunto único de comprimentos de onda, os astrónomos podem procurar assinaturas específicas, ou linhas espectrais, para ver se um elemento está presente numa estrela ou em planetas distantes. As linhas espectrais também podem revelar a temperatura, a densidade de uma estrela e a velocidade a que se está a deslocar.

 
Os astrónomos Laura Flagg e Christopher Johns-Krull com uma impressão de artista de um sistema parecido ao de CI Tau. Juntamente com os colegas do Observatório Lowell, da Universidade do Texas em Austin e do Observatório McDonald, usaram dados espectrais para fazer a primeira medição direta da massa e do brilho de um jovem "Júpiter quente", chamado CI Tau b.
Crédito: Jeff Fitlow/Universidade Rice
 

Prato disse que a equipa de investigação usou as linhas espectrais do monóxido de carbono para distinguir entre a luz emitida pelo planeta e a luz emitida pela estrela próxima.

"Muitas das linhas espectrais que estão no planeta também estão na estrela," explicou Prato. "Se tanto o planeta quanto a estrela estivessem estacionários, as suas linhas espectrais juntavam-se e nós não saberíamos dizer quais as que eram da estrela e quais as que eram do planeta. Mas dado que o planeta orbita rapidamente a sua estrela, as suas linhas desviam-se para a frente e para trás dramaticamente. Podemos subtrair as linhas da estrela e ver apenas as linhas do planeta. E, a partir daí, podemos determinar quão brilhante é o planeta, em relação à estrela, o que nos diz algo sobre como foi formado."

Isto porque o brilho de uma estrela ou planeta depende do tamanho e da temperatura.

"As evidências diretas observacionais da massa e do brilho de CI Tau b são particularmente úteis porque sabemos que orbita uma estrela muito jovem," disse a estudante de doutoramento Laura Flagg, da Universidade Rice, autora principal do estudo. "A maioria dos Júpiteres quentes que encontramos estão em órbita de estrelas de meia-idade. A idade de CI Tau b coloca uma forte restrição para testar os modelos: será que podem produzir um planeta tão brilhante e tão massivo em tão pouco tempo?"

A análise de Flagg das linhas espectrais do monóxido de carbono mostraram que CI Tau b tem uma massa de 11,6 Júpiteres e é aproximadamente 134 vezes mais ténue do que a sua estrela-mãe. Prato disse que isto fornece fortes evidências de que se formou através de um "início quente", um modelo teórico que descreve como as instabilidades gravitacionais podem formar planetas gigantes mais depressa do que os modelos tradicionais.

 
Os dados observacionais para o estudo de CI Tau b foram recolhidos com o IGRINS (Immersion Grating Infrared Spectrograph), situado no Telescópio do Discovery Channel de 4,3 metros do Observatório Lowell em Flagstaff, no estado norte-americano do Arizona.
Crédito: Joe Llama/Observatório Lowell
 

Prato salientou que o novo estudo fornece um padrão empírico único para medir as atuais teorias concorrentes.

"Com cerca de 2 milhões de anos, CI Tau b é de longe o Júpiter quente mais jovem já detetado diretamente," explicou. "Temos agora dados sobre a sua massa e sobre o seu brilho - a única massa e o único brilho medidos diretamente para um jovem Júpiter quente - e isso fornece testes muito fortes para os modelos de formação planetária."

O IGRINS, que foi desenhado pelo coautor do estudo Daniel Jaffe da Universidade do Texas em Austin, usa uma grade de difração com base no silício para melhorar tanto a resolução quanto o número de bandas espectrais no infravermelho próximo que podem ser observadas em objetos distantes como CI Tau b e como a sua estrela-mãe. O IGRINS foi transferido do Observatório McDonald para o Observatório Lowell durante o estudo.

// Universidade Rice (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// O puzzle da formação planetária com a astrónoma Lisa Prato (Observatório Lowell via YouTube)

 


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CCVAlg - Astronomia:
03/06/2016 - Astrónomos encontram planeta gigante em torno de estrela muito jovem

CI Tau b:
Universidade de Quioto
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Lowell:
Página oficial
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias - As Cores e Magnitudes de M13
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tolga GumusayakRobert Vanderbei
 
M13 é modestamente reconhecido como o Grande Enxame Globular de Hércules. Uma bola de centenas de milhares de estrelas amontoadas numa região com 150 anos-luz de diâmetro, está situado a cerca de 25.000 anos-luz de distância. A imagem a cores de M13, em cima e à esquerda, é familiar a muitos observadores telescópicos. Ainda assim, o Diagrama de Cor vs. Magnitude, no painel em baixo e à direita, feito com os mesmos dados da imagem, pode fornecer uma visão mais reveladora. Também conhecido como diagrama Hertzsprung-Russell (HR), representa o brilho aparente de estrelas individuais do enxame contra o índice de cor. O índice de cor é determinado para cada estrela subtraindo o seu brilho (em magnitudes) medido através de um filtro vermelho do seu brilho medido com um filtro azul. As estrelas azuis são quentes e as estrelas vermelhas são frias, de modo que o índice astronómico de cor, variando de mais azul para mais vermelho, segue a escala relativa de temperatura estelar, da esquerda (quente) para a direita (frio). No diagrama HR de M13, as estrelas caem claramente em grupos distintos. A faixa larga que se estende na diagonal a partir do canto inferior direito é a sequência principal do enxame. Uma curva acentuada em direção ao canto superior direito segue o ramo das gigantes vermelhas enquanto as gigantes azuis podem ser encontradas agrupadas para cima e para a esquerda. Formadas ao mesmo tempo, ao início as estrelas de M13 estavam todas localizadas ao longo da sequência principal em massa, estrelas de massa menor em baixo e à direita. Com o passar do tempo, estrelas de massa mais alta evoluíram para lá da sequência principal para vermelhas, para gigantes azuis e assim por diante. De facto, a posição que faz fronteira entre a sequência principal e o ramo das estrelas gigantes vermelhas indica que a idade do enxame ronda os 12 mil milhões de anos.
 
   
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