Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:
20/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)
22/08 - Castelo de Paderne, a partir das 20:30 (atividade realizada pelo CCVAlg)
27/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)
(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)
Efemérides
Dia 20/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1719, nascia Christian Mayer, astrónomo checo pioneiro no estudo das estrelas binárias.
Em 1975, a NASA lança a sonda Viking 1 para Marte.
Em 1977, a NASA lança a sonda Voyager 2.
As viagens das Voyager até Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno abriram uma nova era de investigações no reino dos gigantes gasosos do nosso Sistema Solar. A missão primária teve a duração de cinco anos e explorou Júpiter e Saturno. No entanto, graças ao sucesso desta fase, os gestores do projeto no JPL enviaram a sonda para Úrano e Neptuno juntamente com um plano para 30 anos que desenharam. Após 40 anos, ainda se encontra em operação científica e a comunicar diariamente com a Terra.
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernovas. Observações: Trânsito de Io, entre as 02:46 e as 05:03.
Trânsito da sombra de Io, entre as 04:01 e as 06:18.
Agosto é a melhor altura para observar a Via Láctea, agora que a Lua está finalmente a deixar o céu noturno. Depois do cair da noite, estende-se desde Sagitário a sul, para cima e para a esquerda por Águia e através do Triângulo de Verão bem alto a este, descendo por Cassiopeia até Perseu que nasce baixo a norte-nordeste.
Dia 21/08: 233.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1965, lançamento da Gemini 5.
Em 1993, a NASA perdia o contato com a sonda Mars Observer três dias antes da entrada planeada na atmosfera de Marte.
Em 2017, um eclipse solar atravessa os EUA continental. Observações: Eclipse de Io, entre as 01:08 e as 03:27.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:30 e as 00:44.
Dia 22/08: 234.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1989 era descoberto, definitivamente, o primeiro anel de Neptuno, graças à Voyager 2. Observações: Eclipse de Io, entre as 19:37 e as 21:57.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 20:12 e as 23:08.
Curiosidades
SN 1006 foi uma supernova, provavelmente o evento estelar mais brilhante registado da história. Alcançou uma magnitude visual estimada de -7,5, 16 vezes mais brilhante do que Vénus. Apareceu nos dias 30 de abril e 1 de maio de 1006, na direção da constelação de Lobo. Foi descrita por observadores espalhados pelos países modernos da China, Japão, Iraque, Egipto e no continente europeu (e possivelmente registada em petroglifos norte-americanos). Alguns relatos afirmam que foi claramente visível durante o dia. Os astrónomos modernos consideram que a sua distância à Terra rondava 7200 anos-luz.
Aniquilação total para estrelas supermassivas
Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrónomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de supernova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe - não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrónomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.
O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a supernova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspetivas cruciais sobre a distância e a composição do objeto.
"Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da supernova do que qualquer outra das nossas observações," disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação. "Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo."
Impressão de artista da supernova por instabilidade de pares SN 2016iet.
Crédito: Observatório Gemini/NSF/AURA; ilustração por Joy Pollard
Chris Davis, diretor de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: "Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento."
Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogénio na posição da supernova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. "Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de supernovas," retomou Berger, "esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos supernovas que são invulgares num único aspeto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis."
SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados - para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronómica.
"Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reação foi 'Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'" disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de agosto da revista The Astrophysical Journal.
A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol - tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrónomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como supernovas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.
A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de neutrões ou buraco negro. Mas as supernovas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e antipartículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.
Os modelos de supernovas por instabilidade de pares preveem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronómico para elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial - e a investigação da equipa descobriu exatamente isso. O evento ocorreu a uma distância de mil milhões de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. "Esta é a primeira supernova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos," disse Gomez.
Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.
Imagem de SN 2016iet e da sua provável galáxia hospedeira obtida com o telescópio Magellan Clay de 6,5 metros no Observatório Las Campanas, na banda-i, no dia 9 de julho de 2018.
Crédito: Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
"Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério," acrescentou Gomez. "Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas." A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipa avança a ideia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou supernova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.
"A maioria das supernovas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos," acrescentou Gomez. "A ideia das supernovas por instabilidade de pares existe há décadas," disse Berger. "Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente."
Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas supermassivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afetar o desenvolvimento do Universo inicial. "O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo," disse Gomez, "pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua 'idade das trevas' - quando não ocorreu formação estelar - para formar o esplêndido Universo que vemos hoje."
Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA
Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de eletrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi
Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.
As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi deteta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.
Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.
"Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jatos produzidos quando a matéria cai em buracos negros," explicou Mazziotta.
Dado que as partículas são eletricamente carregadas, são fortemente afetadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detetor espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.
Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (eletrão-volt) - mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível - e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.
"Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia," explicou Loparco.
À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objetivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspetos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de proteção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.
Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de eletrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.
Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.
Sigamos aquele planeta! Como os astrónomos perseguem novos mundos nos dados do TESS (via NASA)
Muitas equipas de cientistas espalhadas pelo mundo estão atualmente a vasculhar os dados do TESS, escolhendo estrelas que podem ser promissoras à observação a partir do solo e a marcar tempo em telescópios poderosos para acompanhar novos candidatos a planeta. Está em andamento a corrida para ver quais dos sinais do TESS representam impostores, e quais apontam para novos mundos. Ler fonte
Álbum de fotografias - Fotografia de 1901: A Nebulosa de Orionte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: George Ritchey, Observatório Yerkes - Projeto de Digitalização: W. Cerny,
R. Kron, Y. Liang, J. Lin, M. Martinez, E. Medina, B. Moss, B. Ogonor, M. Ransom, J. Sanchez (Universidade de Chicago)
No início do século XX, os avanços na fotografia contribuíram com uma ferramenta importante para os astrónomos. O melhoramento dos materiais fotográficos, exposições longas e novos projetos de telescópios produziram imagens astronómicas com detalhes não visíveis apenas na ocular telescópica. Notavelmente reconhecível aos astrofotógrafos de hoje, esta impressionante imagem da Nebulosa de Orionte foi obtida em 1901 pelo astrónomo americano e construtor de telescópios George Ritchey. A chapa fotográfica original em vidro, sensível aos comprimentos de onda verde e azul, foi digitalizada e invertida para produzir uma imagem positiva. As suas notas escritas à mão indicam uma exposição longa de 50 minutos que terminou ao amanhecer e uma abertura do telescópio refletor de 24 polegadas mascarada para 18 polegadas a fim de melhorar a nitidez da imagem. As placas de Ritchey, com mais de cem anos, preservam dados astronómicos e ainda podem ser usadas para explorar processos astrofísicos.
Centro Ciência Viva do Algarve
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Telefone: 289 890 922
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Centro Ciência Viva de Tavira
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