10/01/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 10 de janeiro realiza-se a primeira sessão do ano das Noites Astronómicas em Tavira na Praça da República. Vamos aproveitar esta noite para observar o primeiro eclipse lunar penumbral do ano. Durante este eclipse lunar penumbral, a sombra principal da Terra não cobre a Lua sendo por vezes difícil observar a diferença pois a parte sombreada é apenas um pouco mais escura que o resto da Lua. Mas estaremos na Praça da República para registar este fenómeno em que o nosso planeta fica entre o Sol e a Lua. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras através de um telescópio. Esta atividade é gratuita. Data: 10 de janeiro, 19:00 - 21:00 Local: Praça da República Público-alvo: Público em geral
(A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas). Telefones: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
Efemérides
Dia 07/01: 7.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observava pela primeira vez as quatro maiores luas de Júpiter, Ganimedes, Calisto, Io e Europa, mas só é capaz de discernir as últimas duas no dia seguinte.
Em 1968, lançamento da Surveyor 7, a última do programa Surveyor.
Em 1985, a agência espacial japonesa, JAXA, lança a Sakigake, a primeira sonda interplanetária lançada por um país que não os Estados Unidos ou a União Soviética.
Em 1998, era lançada a Lunar Prospector. Observações: Ao início da noite, a Lua brilha em Touro, a poucos graus da estrela Aldebarã. Aviste as Plêiades mais para cima e para a direita do nosso satélite natural, e os chifres do Touro, Beta e a mais fraca Zeta Tauri, para a esquerda. Para baixo da Lua está Betelgeuse em Orionte.
Dia 08/01: 8.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1587 nascia Johann(es) Fabricius, astrónomo alemão, descobridor das manchas solares (em 1610), independentemente de Galileu.
Em 1942 nascia Stephen Hawking, físico teórico, cosmólogo e autor.
Entre os seus importantes trabalhos científicos, destacamos os teoremas da singularidade gravitacional no contexto da relatividade geral, a previsão teórica que os buracos negros emitem radiação e a união da teoria geral da relatividade com a mecânica quântica.
Em 1973 era lançada a missão espacial soviética Luna 21.
Em 1994, o cosmonauta russo Valeri Polyakov parte para a Mir a bordo da Soyuz TM-18. Permaneceria na estação espacial até 22 de março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço. Observações: A Lua, quase Cheia, está esta noite muito perto da estrela Zeta Tauri, da constelação de Touro.
Entretanto, Vénus passa a menos de 1º da estrela Delta Capricorni, de magnitude 2,8. Vénus, de magnitude -4,0, é 500 vezes mais brilhante.
Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1839, a Academia Francesa de Ciências anuncia o processo de fotografia por daguerreótipo. No mesmo dia, o astrónomo escocês Thomas Henderson é o primeiro a medir a distância até uma estrela (Alpha Centauri) que não o Sol usando paralaxe.
Em 1986, Stephen Synott (em imagens obtidas pela Voyager 2) descobre Cressida, uma lua de Úrano.
Em 1990, lançamento da missão STS-32 do vaivém Columbia. Observações: A estrela Capella, de magnitude zero, está alta a este após a hora de jantar, e a igualmente brilhante Rigel, no pé de Orionte, tem quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu do observador quase à mesma hora: por volta das 22:30, dependendo de quão para este ou oeste está o observador. Capella passa o mais perto do zénite pelas 22:36 (à latitude 37º N de Faro, Portugal). Assim sendo, quando Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o Sul verdadeiro, e vice-versa.
Curiosidades
Em abril de 2020, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA celebrará 30 anos desde o seu lançamento. A ESA/Hubble produziu um calendário comemorativo das "Jóias Escondidas" do telescópio que está disponível para download (versão digital; versão para impressão).
Astrónomos encontram buracos negros errantes e massivos em galáxias anãs
Impressão de artista de uma galáxia anã, com a sua forma distorcida, provavelmente por uma interação passada com outra galáxia, e um buraco negro massivo nos seus arredores (inserção). O buraco negro está a atrair material que forma um disco giratório e produz jatos de material expelidos para fora.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF
Os astrónomos que procuram aprender mais sobre os mecanismos que formaram os buracos negros massivos no início da história do Universo ganharam novas pistas importantes com a descoberta de 13 desses buracos negros em galáxias anãs a menos de mil milhões de anos-luz da Terra.
Estas galáxias anãs, mais de 100 vezes menos massivas do que a nossa própria Via Láctea, estão entre as galáxias mais pequenas que se sabem abrigar buracos negros gigantes. Os cientistas esperam que os buracos negros nestas galáxias pequenas tenham, em média, cerca de 400.000 vezes a massa do nosso Sol.
"Esperamos, ao estudar estes buracos negros e as suas galáxias, melhor compreender como buracos negros semelhantes no Universo primitivo se formaram e depois cresceram, através de fusões galácticas ao longo de milhares de milhões de anos, produzindo os buracos negros supermassivos que vemos hoje em galáxias maiores, com massas de milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol," disse Amy Reines da Universidade Estatal do Montana, EUA.
Reines e colegas usaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) para fazer a descoberta, que relataram na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Honolulu, Hawaii.
Reines e colaboradores usaram o VLA para descobrir o primeiro buraco negro massivo numa galáxia anã com formação estelar explosiva em 2011. Essa descoberta foi uma surpresa para os astrónomos e estimulou uma pesquisa no rádio por mais.
Imagens, no visível, de galáxias que as observações do VLA mostraram hospedar buracos negros massivos. A ilustração do centro é uma impressão de artista do disco giratório de material que cai para um buraco negro do género, e dos jatos de material expelidos para fora.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF; Levantamento DECaLS; CTIO
Os cientistas começaram por selecionar uma amostra de galáxias do Atlas NASA-Sloan, um catálogo de galáxias feito com telescópios óticos. Depois, escolheram galáxias com estrelas que totalizavam menos de 3 mil milhões de vezes a massa do Sol, mais ou menos a massa da Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena companheira da Via Láctea. A partir desta amostra, escolheram candidatos que também apareciam no levantamento FIRST (Faint Images of the Radio Sky at Twenty centimeters) do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), realizado entre 1993 e 2011.
Usaram então o VLA para criar imagens novas, mais sensíveis e de alta resolução de 111 das galáxias selecionadas.
"As novas observações do VLA revelaram que 13 destas galáxias têm fortes evidências de um enorme buraco negro que está a consumir ativamente o material circundante. Ficámos muito surpresos ao descobrir que, em aproximadamente metade destas 13 galáxias, o buraco negro não está no centro da galáxia, ao contrário das galáxias maiores," explicou reines.
Os cientistas disseram que isto indica que as galáxias provavelmente fundiram-se com outras no início da sua história. Isto é consistente com simulações de computador que preveem que aproximadamente metade dos buracos negros massivos nas galáxias anãs podem ser encontrados a vaguear nos arredores das suas galáxias.
"Este trabalho ensinou-nos que devemos ampliar as nossas buscas por buracos negros massivos em galáxias anãs para lá dos seus centros a fim de obter uma compreensão mais completa da população e aprender quais os mecanismos que ajudaram a formar os primeiros buracos negros massivos no início do Universo," concluiu Reines.
A vida turbulenta de dois buracos negros supermassivos apanhados numa colisão galáctica
A galáxia NGC 6240, vista pelo ALMA (topo) e pelo Telescópio Espacial Hubble (baixo). Na imagem ALMA, o gás molecular é azul e os buracos negros são os pontos vermelhos. A imagem ALMA fornece a visão mais detalhada do gás molecular em torno dos buracos negros nesta galáxia em fusão.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), E. Treister; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello; NASA/ESA Hubble
Uma equipa internacional de astrónomos usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para criar a imagem mais detalhada de sempre do gás em redor de dois buracos negros supermassivos numa galáxia em fusão.
A 400 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Ofiúco, duas galáxias estão a colidir entre si e a formar uma galáxia conhecida como NGC 6240. Esta galáxia de forma peculiar já foi observada muitas vezes, pois está relativamente perto. Mas NGC 6240 é complexa e caótica. A colisão entre as duas galáxias ainda está em andamento, trazendo com elas dois buracos negros supermassivos em crescimento que provavelmente se vão fundir num buraco negro ainda maior.
Para compreender o que está a acontecer em NGC 6240, os astrónomos querem observar em detalhe a poeira e o gás em redor dos buracos negros, mas as imagens anteriores não eram nítidas o suficiente para tal. Novas observações do ALMA aumentaram a resolução das imagens por um fator de dez - mostrando pela primeira vez a estrutura do gás frio na galáxia, mesmo dentro da esfera de influência dos buracos negros.
"A chave para entender esta sistema galáctico é o gás molecular," explicou Ezequiel Treister da Pontificia Universidad Católica em Santiago, Chile. "Este gás é o combustível necessário para formar estrelas, mas também alimenta os buracos negros supermassivos, o que lhes permite crescer."
A maior parte do gás está localizado numa região entre os dois buracos negros. Observações menos detalhadas, feitas anteriormente, haviam sugerido que este gás podia ser um disco giratório. "Não encontramos nenhuma evidência para isso," disse Treister. "Ao invés, vemos um fluxo caótico de gás com filamentos e bolhas entre os buracos negros. Parte deste gás é expelido para fora com velocidades de até 500 km/s. Ainda não sabemos o que provocou estes fluxos."
Impressão de artista da galáxia em fusão NGC 6240.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
Outra razão para observar o gás com tanto detalhe é que este ajuda a determinar a massa dos buracos negros. "Os modelos anteriores, com base em estrelas circundantes, indicaram que os buracos negros eram muito mais massivos do que esperávamos, cerca mil milhões de vezes mais massivos que o Sol," disse Anne Medling da Universidade de Toledo no estado norte-americano do Ohio. "Mas estas novas imagens do ALMA mostram, pela primeira vez, a quantidade de gás capturado dentro da esfera de influência dos buracos negros. Esta massa é significativa e, portanto, estimamos agora que as massas dos buracos negros são mais pequenas: cerca de algumas centenas de milhões de vezes a massa do nosso Sol. Com base nisto, pensamos que a maioria das medições anteriores de buracos negros em sistemas como este podem estar erradas em 5-90%."
O gás também está mais próximo dos buracos negros do que os astrónomos esperavam. "Está localizado num ambiente muito extremo," explicou Medling. "Acreditamos que eventualmente cairá no buraco negro ou será ejetado a altas velocidades."
Os astrónomos não encontram evidências de um terceiro buraco negro na galáxia, que outra equipa afirmou recentemente ter descoberto. "Não vemos gás molecular associado a este terceiro núcleo reivindicado," disse Treister. "Podia ser um enxame estelar local em vez de um buraco negro, mas precisamos de estudá-lo muito mais para dizer algo concreto sobre o objeto."
A alta sensibilidade e resolução do ALMA são cruciais para aprender mais sobre os buracos negros supermassivos e o papel do gás nas galáxias em interação. "Esta galáxia é tão complexa que nunca poderíamos saber o que está a acontecer no seu interior sem estas imagens rádio detalhadas," disse Loreto Barcos-Muñoz do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, Virgínia, EUA. "Agora temos uma melhor ideia da estrutura 3D da galáxia, o que nos dá a oportunidade de entender como as galáxias evoluem durante os últimos estágios de uma fusão. Daqui a algumas centenas de milhões de anos, esta galáxia parecerá completamente diferente."
Cientistas encontram evidências de que Vénus tem vulcões ativos
Uma nova investigação liderada pela USRA (Universities Space Research Association) e publicada na revista Science Advances mostra que os fluxos de lava em Vénus podem ter apenas alguns anos, sugerindo que Vénus pode ainda hoje ser vulcanicamente ativo - tornando-o o único planeta no nosso Sistema Solar, além da Terra, com erupções recentes.
Esta figura mostra o pico vulcânico Idunn Mons (a 46º S, 214,5º E) na área de Imdr Regio de Vénus. A sobreposição colorida mostra os padrões de calor derivados dos dados de brilho da superfície recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer) a bordo da sonda Venus Express da ESA.
Crédito: NASA
"Se Vénus ainda for realmente ativo, será um ótimo lugar para visitar a fim de melhor entender o interior dos planetas," diz o Dr. Justin Filiberto, autor principal do estudo e cientista do LPI (Lunar and Planetary Institute) da USRA. "Por exemplo, poderíamos estudar como os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo ativo, mas Marte não. As missões futuras devem conseguir ver estes fluxos e mudanças à superfície e fornecer evidências concretas da sua atividade."
As imagens de radar da sonda Magellan da NASA, no início da década de 1990, revelaram que Vénus, o nosso planeta vizinho, é um mundo de vulcões e extensos fluxos de lava. Na década de 2000, o orbitador Venus Express da ESA lançou nova luz sobre o vulcanismo de Vénus, medindo a quantidade de radiação infravermelha emitida por parte da superfície de Vénus (durante a noite). Estes novos dados permitiram que os cientistas identificassem fluxos de lava "fresca" vs. fluxos de lava alterados à superfície de Vénus. No entanto, até recentemente, as idades das erupções de lava e dos vulcões em Vénus não eram bem conhecidas porque o ritmo de alteração da lava "fresca" não estava bem determinado.
O Dr. Filiberto e colegas recriaram a atmosfera cáustica e quente de Vénus em laboratório para investigar como os minerais venusianos observados reagem e mudam com o tempo. Os seus resultados experimentais mostraram que um mineral abundante no basalto - olivina - reage rapidamente com a atmosfera e em poucas semanas fica revestido com minerais de óxido de ferro - magnetite e hematite. Eles descobriram ainda que as observações desta mudança mineralógica, pela Venus Express, levariam apenas alguns anos a ocorrer. Assim sendo, os novos resultados de Filiberto e coautores sugerem que estes fluxos de lava em Vénus são muito jovens, o que implicaria que Vénus tem realmente vulcões ativos.
Desenvolvido um novo método de detetar oxigénio em exoplanetas (via UC Riverside)
Cientistas desenvolveram um novo método de detetar oxigénio em atmosferas exoplanetárias que pode acelerar a procura por vida. Um possível indício de vida, ou bioassinatura, é a presença de oxigénio na atmosfera de um exoplaneta. O oxigénio é produzido por vida na Terra quando organismos como plantas, algas e cianobactérias usam fotossíntese para converter luz solar em energia química. Ler fonte
Cientistas determinam "timing" da aniquilação do dínamo lunar (via MIT News)
Uma bússola normal seria de pouco uso na Lua, que hoje não possui um campo magnético global. Mas a Lua produziu um campo magnético há milhares de milhões de anos, e provavelmente era mais forte do que o campo magnético atual da Terra. Os cientistas pensam que este campo lunar, ao contrário do da Terra, era gerado por um poderoso dínamo - o girar do núcleo da Lua. A determinado ponto, este dínamo, e o campo magnético que produzia, desapareceu. Ler fonte
Álbum de fotografias - As Tumultuosas Nuvens de Júpiter
Alguns padrões de nuvens em Júpiter são bastante complexos. As nuvens tumultuosas acima foram capturadas em maio pela sonda robótica Juno da NASA, atualmente em órbita do maior planeta do nosso Sistema Solar. A imagem foi obtida quando Juno estava a apenas 15.000 km do topo das nuvens de Júpiter, tão perto que menos de metade do gigante gasoso é visível. As nuvens brancas à direita são nuvens a alta altitude, conhecidas como nuvens "pop-up". A missão da Juno, agora prolongada até 2021, é a de estudar Júpiter de novas maneiras. Entre muitas outras coisas, Juno tem vindo a medir o campo gravitacional de Júpiter, encontrado evidências surpreendentes de que Júpiter pode ser principalmente um líquido.
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