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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1705  
  10/07 a 13/07/2020  
     
     
 
Astronomia no Verão CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de julho:

17/07 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

24/07 - Marim, Olhão, a partir das 21:15, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim (atividade realizada pelo CCVAlg)

28/07 - Santa Catarina da Fonte do Bispo, a partir das 22:00, junto à Cooperativa Agrícola dos Produtores de Azeite de Santa Catarina da Fonte do Bispo (atividade realizada pelo CCVTavira)

31/07 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)

Atividades astronómicas planeadas para o mês de agosto:

04/08 - Castelo de Paderne, Albufeira, a partir das 21:15, junto ao Castelo de Paderne (atividade realizada pelo CCVAlg)

05/08 - Ruinas Romanas de Milreu, Estoi, a partir das 21:15, no interior do Núcleo Museológico das Ruínas Romanas de Milreu (atividade realizada pelo CCVAlg)

07/08 - Rocha da Pena, Loulé, a partir das 20:45, ponto de encontro no estacionamento do café Bar das Grutas, no início do caminho para a Rocha da Pena (atividade realizada pelo CCVAlg)

07/08 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

14/08 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar, encontro às 20:30 no cais de embarque junto à Porta Nova (cais das portas do mar) na muralha Villa Adentro (parte antiga da cidade de Faro); atividade com custo (atividade realizada pelo CCVAlg)

18/08 - Santa Rita - Vila Nova de Cacela, a partir das 22:00, junto à Aldeia de Santa Rita, Vila Nova de Cacela (atividade realizada pelo CCVTavira)

22/08 - Portela, São Brás de Alportel, a partir das 21:00, junto ao Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)

23/08 - Albufeira, Praia dos Salgados, a partir das 21:00, junto ao estacionamento da Praia dos Salgados (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Aldeia da Rocha Amarela, Esteval dos Mouros - Alte, Loulé, a partir das 20:30, no entroncamento à entrada de Esteval dos Mouros (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Castro Marim, a partir das 21:30, no parque de estacionamento do Agrupamento de Escolas de Castro Marim (atividade realizada pelo CCVTavira)

(obrigatório utilizar equipamento de proteção individual - máscara ou viseira - e seguir as instruções de higienização e distanciamento social; número limitado de presenças nas atividades seguindo as atuais regras de segurança da DGS; todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição obrigatória)

 
     
 
Efemérides

Dia 10/07: 192.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1962 era lançado o Telstar, o primeiro satélite de comunicações a ser colocado em órbita.

Observações: Júpiter e Saturno nascem agora ao final do lusco-fusco.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:32 e as 21:51.
Trânsito de Io, entre as 19:37 e as 21:59.

Dia 11/07: 193.º dia do calendário gregoriano.
História: Cálculos matemáticos sugerem que neste dia, em 1735, Plutão moveu-se para dentro da órbita de Neptuno pela última vez antes de 1979. Plutão esteve mais perto do Sol do que Neptuno entre 1979 e 1999.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História. 
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.

A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco populada do oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão
Observações: Marte é um "farol de fogo" alto a sudeste ao amanhecer, e Vénus passa a apenas 1º de Aldebarã nas manhãs de sábado e domingo, dias 11 e 12.
Eclipse de Europa, entre as 19:58 e as 22:55.
Ocultação de Europa, entre as 20:08 e as 23:03.

Dia 12/07: 194.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Em 2000, o módulo de serviço Zvezda, o terceiro componente e centro funcional da porção russa da ISS, é lançado a bordo de um foguetão Proton
Observações: Mercúrio estacionário, pelas 08:00.
A partir da meia-noite e até ao amanhecer, observe a Lua acompanhada do planeta Marte (o ponto brilhante perto do nosso satélite natural).

Dia 13/07: 195.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 00:20.
Se tiver acesso a um céu suficientemente escuro, a Via Láctea forma agora um magnífico e alto arco no céu a este após o anoitecer. Vai de Cassiopeia a norte-nordeste, sobe por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, e desce pelo Bule de Chá de Sagitário a sul-sudeste.
Entretanto, a Ursa Maior, alta a noroeste depois do cair da noite, cai para "apanhar água" durante as noites de verão e início de outono.

 
 
   
O poder coletivo dos corpos escuros e gelados do Sistema Solar
 
Os cientistas há muito que tentam explicar a existência dos "corpos separados" do Sistema Solar, que têm órbitas altamente inclinadas e normalmente agrupam-se numa parte do céu noturno.
Crédito: Steven Burrows/JILA
 

Os confins do nosso Sistema Solar são um lugar estranho - cheios de corpos escuros e gelados com alcunhas como Sedna, Biden e Goblin, cada um dos quais com várias centenas de quilómetros de diâmetro.

Dois novos estudos por investigadores da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, podem ajudar a resolver um dos maiores mistérios sobre estes mundos distantes: o porquê de tantos não orbitarem o Sol da maneira que deviam.

As órbitas destes extravagantes corpos menores, que os cientistas chamam de "objetos separados", inclinam-se e desviam-se do plano do Sistema Solar, entre outros comportamentos invulgares.

"Esta região do espaço, que está muito mais próxima de nós do que as estrelas da nossa Galáxia e de outras coisas que podemos observar muito bem, é-nos muito desconhecida," disse Ann-Marie Madigan, professora assistente do Departamento de Ciências Astrofísicas e Planetárias da Universidade do Colorado em Boulder.

Alguns cientistas sugeriram que um objeto muito grande podia ser o culpado - como o conhecido planeta teórico, "Planeta Nove" - por espalhar objetos no seu rastro.

Mas Madigan e o estudante Alexander Zderic preferem pensar em algo mais pequeno. Baseando-se em simulações exaustivas de computador, a dupla defende que estes objetos separados podem eles próprios ter perturbado as suas órbitas - através de pequenos impulsos gravitacionais acumulados ao longo de milhões de anos.

As descobertas, disse Madigan, fornecem uma pista tentadora do que pode estar a acontecer nesta misteriosa região do espaço.

"Somos a primeira equipa capaz de reproduzir tudo, todas as estranhas anomalias orbitais que os cientistas têm visto ao longo dos anos," disse Madigan. "Ainda há muito que fazer."

A equipa publicou os seus resultados no passado dia 2 de julho na revista The Astronomical Journal e o mês passado na revista The Astronomical Journal Letters.

 
Uma galeria dos maiores objetos conhecidos do Sistema Solar exterior, para lá da órbita de Neptuno.
Crédito: Wikimedia Commons
 

Madigan acrescentou que o problema com o estudo do Sistema Solar exterior é que é muito escuro.

"Normalmente, a única maneira de observar estes objetos é quando os raios solares colidem com a sua superfície e são dirigidos para os nossos telescópios na Terra," disse. "Dado que é tão difícil aprender mais sobre esta região, havia a suposição de que estava vazia."

Madigan faz parte de um grupo cada vez maior de cientistas que argumenta que esta região do espaço está longe de estar vazia - mas isso não facilita a sua compreensão.

Basta olhar para os objetos separados. Enquanto a maior parte dos corpos no Sistema Solar tendem a orbitar o Sol num disco achatado, as órbitas destes mundos gelados podem ter grandes inclinações. Muitos também tendem a agrupar-se apenas numa região do céu noturno, um pouco semelhante a uma bússola que aponta apenas para o norte.

Madigan e Zderic queriam descobrir o porquê. Para tal, recorreram a supercomputadores para recriar, ou modelar, as dinâmicas do Sistema Solar exterior no maior detalhe alguma vez atingido.

"Modelámos algo que pode ter existido no Sistema Solar exterior e também acrescentámos a influência gravitacional dos planetas gigantes como Júpiter," disse Zderic.

No processo, descobriram algo invulgar: os objetos gelados nas suas simulações começaram a orbitar o Sol como normal. Mas, com o tempo, começaram a empurrar e a puxarem-se uns aos outros. Como resultado, as suas órbitas foram ficando esquisitas até parecem-se com as órbitas reais. O mais notável foi que fizeram isto tudo sozinhos - os asteroides e os planetas menores não precisavam de um planeta grande para os impelir para órbitas fora do comum.

"Individualmente, todas as interações gravitacionais entre estes corpos pequenos são fracas," disse Madigan. "Mas em grande número, tornam-se importantes."

Madigan e Zderic haviam visto indícios de padrões semelhantes em investigações anteriores, mas os seus últimos resultados fornecem as evidências mais exaustivas até agora.

As descobertas também vêm com uma grande ressalva. Para fazer com que a teoria de "gravidade coletiva" de Madigan e Zderic funcione, o Sistema Solar exterior já precisou de conter uma enorme quantidade de material.

"Precisamos de objetos que totalizem algo na ordem das 20 massas terrestres," disse Madigan. "Isto é teoricamente possível, mas vai definitivamente esbarrar com as opiniões de alguns especialistas."

De uma forma ou de outra, os cientistas podem em breve ter mais certezas. Um novo telescópio, de nome Observatório Vera C. Rubin, vai em 2022 entrar em funcionamento no Chile e começar a lançar uma nova luz sobre esta região tão desconhecida do espaço.

"Grande parte do fascínio recente pelo Sistema Solar exterior está relacionado com os avanços tecnológicos," disse Zderic. "Realmente precisamos da mais nova geração de telescópios para observar estes corpos."

// Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (The Astronomical Journal)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
science alert
PHYSORG

Objetos separados:
Wikipedia
Sednoide (Wikipedia)

Centauros:
Wikipedia

Observatório Vera C. Rubin:
Página principal
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LSST (página principal)

 
   
O trajeto cósmico em direção à formação de estrelas e planetas
 
Visualização dos fluxos observados de velocidade na galáxia espiral NGC 4321, medidos usando emissão rádio do gás molecular (monóxido de carbono): ao longo do eixo vertical, esta imagem mostra as velocidades do gás, enquanto o eixo horizontal representa a extensão espacial da galáxia. As oscilações em forma de onda na velocidade do gás são visíveis em toda a galáxia.
Crédito: T. Müller/J. Henshaw/MPIA
 

O gás molecular nas galáxias é organizado numa hierarquia de estruturas. O material molecular nas gigantescas nuvens de gás molecular viaja por intricadas redes de gás filamentar em direção aos centros congestionados de gás e poeira, onde é comprimido em estrelas e planetas, assim como milhões de pessoas viajam para trabalhar nas cidades em todo o mundo. Para melhor entender este processo, uma equipa de astrónomos liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia mediu o movimento do gás que flui das escalas galácticas até escalas dos aglomerados de gás em que as estrelas se formam. Os seus resultados mostram que o gás que corre através de cada escala está ligado dinamicamente: enquanto a formação estelar e planetária ocorre nas escalas mais pequenas, este processo é controlado por uma cascata de fluxos de matéria que começam a escalas galácticas. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy.

O gás molecular nas galáxias é posto em movimento por mecanismos físicos, como rotação galáctica, explosões de supernova, campos magnéticos, turbulência e gravidade, moldando a estrutura do gás. Compreender como estes movimentos afetam diretamente a formação de estrelas e planetas é difícil, porque exige a quantificação do movimento dos gases numa gama enorme de escalas espaciais e, em seguida, a vinculação deste movimento às estruturas físicas que observamos. As instalações astrofísicas modernas mapeiam agora rotineiramente grandes áreas do céu, com alguns mapas contendo milhões de pixéis, cada com centenas a milhares de medições independentes de velocidade. Como resultado, a medição destes movimentos é cientificamente e tecnologicamente desafiadora.

A fim de enfrentar estes desafios, uma equipa internacional de investigadores liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg decidiu medir movimentos de gás ao longo de uma variedade de ambientes diferentes usando observações do gás na Via Láctea e numa galáxia próxima. Os astrónomos detetam estes movimentos medindo a aparente mudança na frequência de luz emitida por moléculas, mudança esta provocada pelo movimento relativo entre a fonte de luz e o observador; um fenómeno conhecido como efeito Doppler. Aplicando um novo software desenvolvido por Henshaw e pelo doutorando Manuel Riener (coautor do artigo, também do mesmo instituto), a equipa conseguiu analisar milhões de medições. "Este método permitiu-nos visualizar o meio interestelar de uma nova maneira," diz Henshaw.

Os investigadores descobriram que os movimentos do gás molecular frio parecem flutuar em velocidade, lembrando a aparência de ondas à superfície do oceano. Estas flutuações representam o movimento do gás. "As flutuações propriamente ditas não foram particularmente surpreendentes, sabemos que o gás se move," diz Henshaw. Steve Longmore, coautor do artigo, da Universidade John Moores em Liverpool, acrescenta: O que nos surpreendeu foi a similaridade da estrutura de velocidade destas regiões diferentes. Não importava se estivéssemos a olhar para uma galáxia inteira ou para uma nuvem individual dentro da nossa própria Galáxia, a estrutura é mais ou menos a mesma."

Para melhor entender a natureza dos fluxos de gás, a equipa selecionou várias regiões para uma análise mais detalhada, usando técnicas estatísticas avançadas para procurar diferenças entre as flutuações. Ao combinar uma variedade de medições diferentes, os investigadores foram capazes de determinar como as flutuações da velocidade dependem da escala espacial.

"Uma característica interessante das nossas técnicas de análise é que são sensíveis à periodicidade," explica Henshaw. "Se houver padrões repetidos nos seus dados, como nuvens moleculares gigantes igualmente espaçadas ao longo de um braço espiral, podemos identificar diretamente a escala na qual o padrão se repete." A equipa identificou três faixas de gás filamentar que, apesar de traçarem escalas muito diferentes, pareciam mostrar uma estrutura mais ou menos equidistante ao longo das suas cristas, como contas numa corda, sejam nuvens moleculares gigantes ao longo de um braço espiral ou pequenos "núcleos" formando estrelas ao longo de um filamento.

A equipa descobriu que as flutuações de velocidade associadas com a estrutura espaçada equidistantemente mostravam todas um padrão distinto. "As flutuações parecem ondas a oscilar ao longo das cristas dos filamentos, têm uma amplitude e comprimento de onda bem definidos," diz Henshaw, acrescentando: "O espaçamento periódico das nuvens moleculares gigantes em grandes escalas ou núcleos individuais de formação estelar em pequenas escalas é provavelmente o resultado dos seus filamentos parentais se tornarem gravitacionalmente instáveis. Nós pensamos que estes fluxos oscilatórios são a assinatura do fluxo de gás ao longo dos braços em espiral ou convergindo para os picos de densidade, fornecendo novo combustível para a formação estelar."

Em contraste, a equipa descobriu que as flutuações de velocidade medidas ao longo das nuvens moleculares gigantes, em escalas intermédias entre nuvens inteiras e os minúsculos núcleos no seu interior, não mostram escala característica óbvia. Diederik Kruijssen, coautor do artigo com base na Universidade de Heidelberg, explica: "As estruturas de densidade e velocidade que vemos em nuvens moleculares gigantes não têm escala, porque os fluxos de gás turbulento que criam estas estruturas formam uma cascata caótica, revelando sempre flutuações menores à medida que aumentamos o zoom - como um floco de neve. Este comportamento sem escala ocorre entre dois extremos bem definidos: a grande escala de toda a nuvem e a pequena escala dos núcleos que formam estrelas individuais. Descobrimos agora que estes extremos têm tamanhos característicos bem definidos, mas entre eles o caos governa."

"Imagine as nuvens moleculares gigantes como megacidades igualmente espaçadas e ligadas por rodovias," diz Henshaw. "Do ponto de vista aéreo, a estrutura destas cidades, e dos carros e das pessoas que se movem entre elas, parece caótica e desordenada. No entanto, quando aumentamos o zoom em estradas individuais, vemos pessoas que viajaram de muito longe a entrar nos edifícios dos seus escritórios e de maneira ordenada. Os prédios representam os núcleos densos e frios de gás a partir dos quais nascem estrelas e planetas."

// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Meio interestelar:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Messier 100 (NGC 4321):
Wikipedia
SEDS

 
   
A abundância de metais raros aponta para uma estrela companheira desaparecida da supernova Cassiopeia A
 
O remanescente de supernova Cassiopeia A, fotografado pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA. Cálculos por cientistas do insituto RIKEN, com base em dados do Chandra, indicam que a estrela progenitora tinha uma companheira, que ainda não foi observada.
Crédito: NASA/CXC/SAO
 

Uma análise espectroscópica por astrofísicos do instituto RIKEN (Japão) sugere que a estrela massiva que explodiu para formar a supernova conhecida como Cassiopeia A provavelmente tinha uma estrela companheira que ainda não foi descoberta. Isto dará um novo impulso aos esforços para localizar a companheira.

As supernovas estão entre os eventos mais violentos do Universo. Ocorrem quando uma estrela massiva esgota o seu reservatório de combustível e o seu núcleo colapsa sob a enorme atração gravitacional da estrela.

Embora tenham sido apresentadas teorias que expliquem os processos envolvidos, ainda precisam de ser corroboradas por observações. "Os mecanismos de explosão de estrelas massivas são um problema de longa data na astrofísica," observa Toshiki Sato, do Laboratório de Astrofísica de Alta Energia do RIKEN. "Temos cenários teóricos, mas gostaríamos de confirmá-los com observações."

Um importante parâmetro no estudo da evolução das estrelas é a proporção de elementos mais pesados para o elemento mais leve, hidrogénio - uma proporção conhecida como metalicidade. Pouco depois do Big Bang, havia apenas três elementos: hidrogénio, hélio e lítio. Mas a cada geração sucessiva de estrelas, os elementos mais pesados tornaram-se mais abundantes.

A metalicidade inicial de uma estrela é um factor importante na determinação do seu destino. "A metalicidade inicial afeta a maneira como uma estrela morre," diz Sato. "Portanto, é muito importante investigar a metalicidade inicial para entender como uma estrela explodiu."

Agora, Sato e seus colegas determinaram pela primeira vez a metalicidade inicial de Cassiopeia A. Fizeram-no combinando dados de 13 observações da supernova pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA ao longo dos últimos 18 anos para encontrar a proporção do elemento manganês em relação ao cromo no momento da explosão. A partir deste rácio, estimaram que a metalicidade inicial de Cassiopeia A era menor do que a do Sol.

Cassiopeia A é conhecida por ser uma supernova de invólucro despojado porque a sua camada externa de hidrogénio foi arrancada. Mas a baixa metalicidade inicial implica que o vento estelar teria sido demasiado fraco para remover a camada de hidrogénio. A única explicação que resta é que foi removida por uma estrela companheira - uma descoberta surpreendente, já que até ao momento não foi encontrada nenhum indício de uma estrela companheira.

"A razão pela qual nunca foi observada pode ser porque é um objeto compacto e fraco, como um buraco negro, uma estrela de neutrões ou uma anã branca," diz Sato. "Este achado, portanto, fornece uma nova direção para a compreensão da origem de Cassiopeia A. Esperamos que isto leve a um avanço significativo na compreensão do mecanismo das explosões de supernova."

// RIKEN (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
21/02/2014 - NuSTAR desvenda mistério de como as estrelas explodem

Cassiopeia A:
Wikipedia

Supernova:
Wikipedia

Remanescente de supernova:
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Rover Curiosity começou a sua viagem de verão (via NASA)
O rover Curiosity da NASA começou a sua viagem de aproximadamente 1,6 km. No final da viagem, o rover poderá ser capaz de subir para a próxima secção da montanha marciana com 5 km de altura que tem vindo a explorar desde 2014, à procura de condições que podem no passado ter suportado vida microbiana. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - A Cauda de Sódio de Mercúrio
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Andrea Alessandrini
 
O que é aquela faixa difusa que se estende de Mercúrio? Longas exposições do planeta mais interior do nosso Sistema Solar podem revelar algo inesperado: uma cauda. A fina atmosfera de Mercúrio contém pequenas quantidades de sódio que brilham quando excitadas pela luz do Sol. A luz solar também liberta estas moléculas da superfície de Mercúrio e afasta-as. O brilho amarelado do sódio, em particular, é relativamente brilhante. Na imagem, Mercúrio e a sua cauda de sódio são visíveis numa imagem de céu profundo obtida no final de maio a partir da Itália através de um filtro que transmite principalmente luz amarela emitida pelo sódio. Prevista pela primeira vez na década de 1980, a cauda de Mercúrio foi descoberta em 2011. Várias observações pela sonda robótica MESSENGER da NASA revelaram muitos detalhes da cauda, que orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015. As caudas são geralmente associadas a cometas. As caudas do Cometa NEOWISE estão atualmente visíveis a olho nu no céu da manhã.
 
   
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