06/11/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 6 de novembro realiza-se mais uma sessão das Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 19:30. Nesta noite de observação vamos realizar o reconhecimento das constelações e de astros que se encontram no céu. A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado. É necessário o uso de equipamento de proteção individual (máscara ou viseira) durante o decorrer da atividade. Data: 6 de novembro, 19:30 Local: Forte do Rato Coordenadas GPS: 37.121965 N , -7.620994 O Público-alvo: Público em geral.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes Informações e inscrições: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
12/11/20 - Gigantes gasosos
O tema desta sessão visa o mais famoso par de planetas no céu deste outono, e algumas diferenças e semelhanças entre eles. Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar num tema de relevância à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis (obrigatória a utilização de máscara ou viseira). Data: 12 de novembro Hora: 20:30 horas
Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Público-alvo: Jovens e Adultos Preço: 2€ Adultos / 1€ Jovens
(Lotação máxima de 5 pessoas. 2€ adulto, 1€ jovem, grátis membro do AstroClube) INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 03/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.
Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio. Observações: Eclipse de Io, entre as 16:53 e as 19:14.
A Lua nasce por volta da hora de jantar. Aldebarã brilha para a sua direita, enquanto Capella está ao dobro da distância, mas para a esquerda e um pouco para cima. Sobem no céu com o passar da noite.
Dia 04/11: 309.º dia do calendário gregoriano. História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida. Observações: Aqui chegados ao mês de novembro, e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste (bem para cima de Júpiter e Saturno). Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"? O que está a ver é o resultado do nascer-do-Sol e do anoitecer chegar cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual. Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo parecem mover-se para oeste semana a semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".
Dia 05/11: 310.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas.
Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar.
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan. Observações: Antes do amanhecer, procure Vénus, acompanhado da estrela de terceira magnitude Gamma Virginis (Porrima), apenas 1,1º para a esquerda, baixos a oeste. Binóculos ajudam.
Assim que cair a noite, o Grande Quadrado de Pégaso está ainda apoiado num canto bem alto a sudeste. Mas em duas horas fica nivelado como uma caixa bem alta no céu.
Um marco celeste a não esquecer: o lado oeste (direito) do Grande Quadrado aponta sempre para a estrela de 1.ª magnitude, Fomalhaut. O lado este (esquerdo) do Quadrado aponta sempre para Beta Ceti (embora não tão diretamente, e não tão longe).
Curiosidades
A ISS (Estação Espacial Internacional) comemorou ontem 20 anos de habitação contínua. Nela já viveram até ao momento 241 astronautas de 19 países, inclusivé turistas.
Cerca de metade das estrelas parecidas com o Sol podem hospedar planetas rochosos e potencialmente habitáveis
Desde que os astrónomos confirmaram a presença de planetas para lá do nosso Sistema Solar, chamados exoplanetas, que a humanidade se pergunta quantos podem abrigar vida. Agora, estamos um pouco mais perto de encontrar a resposta. De acordo com uma nova investigação usando dados da missão Kepler da NASA, cerca de metade das estrelas semelhantes em temperatura com o nosso Sol podem ter um planeta rochoso capaz de suportar água líquida à sua superfície.
A nossa Galáxia possui cerca de 300 milhões destes mundos potencialmente habitáveis, com base nos resultados de um estudo divulgado a semana passada e que será publicado na revista The Astronomical Journal. Alguns destes exoplanetas podem até ser nossos vizinhos interestelares, com quatro potencialmente a 30 anos-luz do nosso Sol e o mais próximo provavelmente a cerca de 20 anos-luz.
Impressão de artista de Kepler-186f, o primeiro planeta do tamanho da Terra validado, em órbita de uma estrela distante, na sua zona habitável.
Crédito: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle
Esta investigação ajuda-nos a entender o potencial destes planetas em ter os elementos para sustentar a vida. Esta é uma parte essencial da astrobiologia, o estudo das origens e do futuro da vida no nosso Universo.
O estudo é da autoria de cientistas da NASA que trabalharam na missão Kepler ao lado de colaboradores de todo o mundo. A NASA reformou o telescópio espacial em 2018, depois de ter ficado sem combustível. Nove anos de observações do telescópio revelaram que existem milhares de milhões de planetas na nossa Galáxia - mais planetas do que estrelas.
"O Kepler já nos disse que existem milhares de milhões de planetas, mas agora sabemos que uma boa parte desses planetas podem ser rochosos e habitáveis," disse o autor principal Steve Bryson, investigador do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. "Embora este resultado esteja longe de ser um valor final, e a água à superfície de um planeta seja apenas um dos muitos fatores que sustentam a vida, é extremamente emocionante calcular que estes mundos são tão comuns com tanta confiança e precisão."
Para fins de cálculo desta taxa de ocorrência, a equipa analisou exoplanetas com raios entre 0,5 e 1,5 vezes o da Terra, focando-se em planetas que são provavelmente rochosos. Também se debruçaram em estrelas semelhantes ao nosso Sol em idade e temperatura, com uma diferença (mais quentes ou mais frias) de 800º C.
Trata-se de uma ampla gama de estrelas diferentes, cada uma com as suas próprias propriedades particulares, influenciando se os planetas rochosos em órbita são capazes de suportar água líquida. Estas complexidades são, em parte, o motivo pelo qual é tão difícil calcular quantos planetas potencialmente habitáveis existem, especialmente quando até os nossos telescópios mais poderosos mal conseguem detetar estes planetas pequenos. É por isso que a equipa de investigação adotou uma nova abordagem.
Repensando como identificar a habitabilidade
Esta nova descoberta é um passo significativo em direção à missão original do Kepler de entender quantos mundos potencialmente habitáveis existem na nossa Galáxia. Estimativas anteriores da frequência, também conhecida como taxa de ocorrência, de tais planetas ignoravam a relação entre a temperatura das estrelas e os tipos de luz emitidos pela estrela e absorvidos pelo planeta.
Esta ilustração mostra o possível aspeto do planeta Kepler-452b, o primeiro mundo parecido com a Terra a ser encontrado na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol.
Crédito: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle
A nova análise é responsável por estas relações e fornece uma compreensão mais completa de se um determinado planeta pode ser capaz ou não de suportar água líquida e, potencialmente, vida. Esta abordagem é possível combinando o conjunto final de dados do Kepler de sinais planetários com dados sobre a produção energética de cada estrela recolhidos pela missão Gaia da ESA.
"Sempre soubemos que para definir a habitabilidade simplesmente em termos da distância física de um planeta a uma estrela, para que não fosse muito quente ou frio, tínhamos que fazer muitas suposições," disse Ravi Kopparapu, autor do artigo e cientista do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "Os dados estelares do Gaia permitiram-nos olhar para estes planetas e para as suas estrelas de uma maneira totalmente nova."
O Gaia forneceu informações sobre a quantidade de energia que cai num planeta da estrela com base no fluxo estelar, ou a quantidade total de energia que é emitida numa determinada área durante um determinado espaço de tempo. Isto permitiu que os cientistas abordassem a sua análise de uma forma que reconheceu a diversidade das estrelas e sistemas solares na nossa Galáxia.
"Nem todas as estrelas são iguais," disse Kopparapu. "E nem todos os planetas."
Embora o efeito exato ainda esteja a ser investigado, a atmosfera de um planeta também entra no cálculo da quantidade de luz necessária para permitir água líquida à superfície. Usando uma estimativa conservadora do efeito da atmosfera, os investigadores estimaram uma taxa de ocorrência de aproximadamente 50% - ou seja, cerca de metade das estrelas semelhantes ao Sol têm planetas rochosos capazes albergar água líquida à superfície. Uma definição alternativa otimista da zona habitável estima cerca de 75%.
O legado do Kepler ajuda a investigações futuras
Este resultado baseia-se num longo legado de trabalho de análise dados do Kepler para obter uma taxa de ocorrência e prepara o terreno para futuras observações de exoplanetas informadas por quão comuns esperamos que estes mundos rochosos e potencialmente habitáveis sejam. As investigações futuras vão continuar a refinar esta percentagem, informando a probabilidade de encontrar estes tipos de planetas e alimentando os planetas para os próximos estágios de investigação exoplanetária, incluindo telescópios futuros.
Ilustração que representa o legado do telescópio espacial Kepler da NASA. Após nove anos no espaço profundo a recolher dados que revelaram que o nosso céu noturno está repleto de milhares de milhões de planetas escondidos - mais planetas do que estrelas - o telescópio espacial Kepler da NASA ficou sem combustível necessário para realizar mais operações científicas em 2018.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/W. Stenzel/D. Rutter
"Saber quão comuns são os diferentes tipos de planetas é de muito alto valor para os próximos projetos de descoberta exoplanetária," disse a coautora Michelle Kunimoto, que trabalhou neste artigo após terminar o seu doutoramento em taxas de ocorrência exoplanetária na Universidade da Columbia Britânica, e que recentemente se juntou à equipa do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge. "Os levantamentos dedicados a planetas pequenos e potencialmente habitáveis em torno de estrelas parecidas com o Sol vão depender de resultados como estes para maximizar as suas chances de sucesso."
Depois de revelar mais de 2800 planetas confirmados para lá do nosso Sistema Solar, os dados recolhidos pelo telescópio espacial Kepler continuam a produzir novas descobertas importantes sobre o nosso lugar no Universo. Embora o campo de visão do Kepler cobrisse apenas 0,25% do céu, a área coberta por uma mão à distância do braço esticado, os seus dados permitiram que os cientistas extrapolassem o que os dados da missão significam para o resto da Galáxia. Esse trabalho continua com o TESS, o atual telescópio de caça exoplanetária da NASA.
"Para mim, este resultado é um exemplo do que já conseguimos descobrir com apenas aquele vislumbre para lá do nosso Sistema Solar," disse Bryson. "O que vemos é que a nossa Galáxia é fascinante, com mundos fascinantes e alguns que podem não ser muito diferentes do nosso."
Descoberto na Via Láctea um planeta "fugitivo" do tamanho da Terra
Conhecemos mais de 4000 exoplanetas. Embora muitos não se assemelhem aos do nosso Sistema Solar, têm uma coisa em comum - todos orbitam uma estrela. No entanto, as teorias de formação e evolução planetária preveem a existência de planetas "fugitivos", não ligados gravitacionalmente a qualquer estrela. De facto, há alguns anos, astrónomos polacos da equipa OGLE do Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia forneceram a primeira evidência de tais planetas na Via Láctea. Escrevendo na revista The Astrophysical Journal Letters, os astrónomos do OGLE anunciaram a descoberta do mais pequeno planeta interestelar descoberto até à data.
Os exoplanetas raramente podem ser observados diretamente. Normalmente, os astrónomos encontram planetas usando observações da luz da estrela que hospeda o planeta. Por exemplo, se um planeta passa em frente do disco da estrela-mãe, então o brilho observado da estrela cai periodicamente, provocando os chamados trânsitos. Os astrónomos também podem medir o movimento da estrela provocado pelo planeta.
Os planetas "fugitivos" não emitem virtualmente nenhuma radiação e - por definição - não orbitam nenhuma estrela hospedeira, portanto não podem ser descobertos usando métodos tradicionais de deteção astrofísica. No entanto, podem ser avistados usando um fenómeno astrofísico chamado microlente gravitacional. A microlente resulta da teoria da relatividade geral de Einstein - um objeto massivo (a lente) pode dobrar a luz de um objeto brilhante de fundo (a fonte). A gravidade da lente atua como uma grande lupa que curva e amplia a luz de estrelas distantes.
Impressão de artista de um evento de microlente gravitacional por um planeta "fugitivo".
Crédito: Jan Skowron/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia
"Se um objeto massivo - uma estrela ou um planeta - passa entre um observador terrestre e uma estrela distante, a sua gravidade pode desviar e focar a luz da fonte. O observador medirá um breve aumento de brilho da estrela fonte," explica o Dr. Przemek Mróz, pós-doutorado do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e autor principal do estudo. "As chances de observar microlentes são extremamente reduzidas porque três objetos - a fonte, a lente e o observador - têm que estar quase perfeitamente alinhados. Se observássemos apenas uma estrela fonte, teríamos que esperar quase um milhão de anos para ver a fonte como microlente," acrescenta.
É por isso que os levantamentos modernos em busca de eventos de microlentes gravitacionais estão a monitorizar centenas de milhões de estrelas no centro da Via Láctea, onde as hipóteses de microlentes são as mais altas. O levantamento OGLE - liderado por astrónomos da Universidade de Varsóvia - está a levar a cabo uma destas experiências. O OGLE é um dos maiores e mais longos levantamentos do céu, começou operações há mais de 28 anos. Atualmente, os astrónomos do OGLE estão a usar o Telescópio de Varsóvia de 1,3 metros localizado no Observatório de Las Campanas, Chile. Cada noite limpa, apontam o seu telescópio para as regiões centrais da Galáxia e observam centenas de milhões de estrelas, à procura daquelas que mudam de brilho.
A microlente gravitacional não depende do brilho da lente, de modo que permite o estudo de objetos ténues ou escuros como planetas. A duração dos eventos de microlente depende da massa do objeto que atua como lente - quanto menos massiva for a lente, mais curto será o evento de microlente. A maioria dos eventos observados, que normalmente duram vários dias, são provocados por estrelas. Os eventos de microlente atribuídos a planetas "fugitivos" têm durações de apenas algumas horas. Ao medir a duração de um evento de microlente (e a forma da sua curva de luz), podemos estimar a massa do objeto de lente.
Os cientistas anunciaram a descoberta do mais curto evento de microlente gravitacional alguma vez encontrado, chamado OGLE-2016-BLG-1928, que durou apenas 42 minutos. "Quando vimos este evento pela primeira vez, ficou claro que deve ter sido provocado por um objeto extremamente pequeno", disse o Dr. Radosław Poleski do Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia, coautor do estudo. De facto, os modelos do evento indicam que a lente deve ter sido menos massiva do que a Terra, era provavelmente um objeto com a massa de Marte. Além disso, a lente provavelmente era um planeta interestelar. "Se a lente estivesse a orbitar uma estrela, detetaríamos a sua presença na curva de luz do evento," acrescenta o Dr. Poleski. "Podemos descartar o planeta tendo uma estrela até cerca de 8 UA - 1 UA, Unidade Astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol".
Os astrónomos do OGLE forneceram há alguns anos atrás a primeira evidência de uma grande população de planetas "fugitivos" na Via Láctea. No entanto, o planeta recém-detetado é o mais pequeno já encontrado desta categoria. "A nossa descoberta demonstra que os planetas 'fugitivos' de baixa massa podem ser detetados e caracterizados usando telescópios terrestres," diz o professor Andrzej Udalski, investigador principal do projeto OGLE.
Os astrónomos suspeitam que os planetas interestelares na verdade se formaram em discos protoplanetários em torno de estrelas (como planetas "comuns") e foram expelidos dos seus sistemas planetários originais após interações gravitacionais com outros corpos, por exemplo, com outros planetas no sistema. As teorias da formação planetária preveem que os planetas expulsos devem ser tipicamente mais pequenos que a Terra. Assim, o estudo de planetas "fugitivos" permite-nos compreender o passado turbulento de sistemas planetários jovens, como o nosso Sistema Solar.
A busca por planetas interestelares é um dos grandes impulsionadores científicos do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que está a ser construído pela NASA. O observatório tem lançamento previsto para meados da década de 2020.
Mudanças no brilho da estrela observada durante o evento de microlente gravitacional por um planeta interestelar.
Crédito: Jan Skowron/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia
Devido à brevidade do evento, foram necessárias observações adicionais recolhidas pelo KMTNet (Korea Microlensing Telescope Network) a fim de caracterizar o evento. O KMTNet opera uma rede de três telescópios - no Chile, Austrália e África do Sul.
A descoberta seria impossível sem observações de longo prazo realizadas pelo levantamento OGLE. Um dos primeiros objetivos do OGLE foi pesquisar e estudar matéria escura usando a técnica de microlente gravitacional. Os estudos atuais cobrem uma grande variedade de tópicos - procura de exoplanetas, o estudo da estrutura e evolução da Via Láctea e galáxias vizinhas, estudos de estrelas variáveis, quasares, transientes e corpos do Sistema Solar.
RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST): NASA Wikipedia
Novo estudo revela atmosfera de "Neptuno quente" que não devia existir
Uma equipa liderada por um astrónomo da Universidade do Kansas analisou dados dos telescópios espaciais TESS e Spitzer da NASA para retratar pela primeira vez a atmosfera de um tipo altamente invulgar de exoplaneta apelidado de "Neptuno quente".
As descobertas relativas ao recém-descoberto planeta LTT 9779b foram publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters. O artigo científico detalha a primeira caracterização espectral atmosférica de qualquer planeta descoberto pelo TESS, o primeiro mapa de temperatura global de qualquer planeta do TESS com uma atmosfera e um Neptuno quente cujo espectro de emissão é fundamentalmente diferente dos muito maiores "Júpiteres quentes" anteriormente estudados.
Esta impressão de artista mostra LTT 9779b perto da estrela que orbita e realça o lado diurno ultraquente (1700º C) e o seu lado noturno (700º C).
Crédito: Ethen Schmidt, Universidade do Kansas
"Pela primeira vez, medimos a luz proveniente deste planeta que não deveria existir," disse Ian Crossfield, professor assistente de física e astronomia na Universidade do Kansas e autor principal do artigo. "Este planeta é tão intensamente irradiado pela sua estrela que a sua temperatura ronda os 1700º C e a sua atmosfera pode ter-se evaporado completamente. Ainda assim, as nossas observações com o Spitzer mostram-nos a sua atmosfera por meia da luz infravermelha que o planeta emite."
Embora LTT 9779b seja extraordinário, uma coisa é certa: as pessoas provavelmente não gostariam muito dele.
"Este planeta não tem uma superfície sólida e é muito mais quente do que Mercúrio no nosso Sistema Solar - não só o chumbo seria derretido nesta atmosfera, como também a platina, crómio e aço inoxidável," disse Crossfield. "Um ano neste planeta dura menos de 24 horas - esta é a rapidez com que gira em torno da sua estrela. É um sistema bastante extremo."
O Neptuno quente LTT 9779b foi descoberto no ano passado, tornando-se um dos primeiros planetas do tamanho de Neptuno descobertos pela missão TESS da NASA. Crossfield e os seus coautores usaram uma técnica chamada "curva de fase" para analisar a composição atmosférica do exoplaneta.
"Medimos a quantidade de radiação infravermelha emitida pelo planeta enquanto girava 360º no seu eixo," disse. "A luz infravermelha informa-nos sobre a temperatura de algo e onde estão as partes mais quentes e frias deste planeta - na Terra, não está mais quente ao meio-dia; fica mais quente algumas horas no início da tarde. Mas, neste planeta, é realmente mais quente quase ao meio-dia. Vemos a maior parte da radiação infravermelha proveniente da parte do planeta quando a sua estrela está bem acima e muito menos noutras partes do planeta."
As leituras da temperatura do planeta são vistas como uma forma de caracterizar a sua atmosfera.
Esta impressão de artista mostra o sistema LTT 9779 aproximadamente à escala, com o planeta Neptuno quente à esquerda e a sua estrela brilhante à direita. O rasto de material libertado pelo planeta é hipotético mas provável, com base na intensa irradiação deste planeta.
Crédito: Ethen Schmidt, Universidade do Kansas
"O planeta é muito mais frio do que esperávamos, o que sugere que está a refletir muita da luz estelar incidente que o atinge, provavelmente devido às nuvens diurnas," disse o coautor Nicolas Cowan do iREx (Institute for Research on Exoplanets) e da Universidade McGill em Montreal, que ajudou na análise e interpretação das medições da curva de fase térmica. "O planeta também não transporta muito calor para o lado noturno, mas achamos que compreendemos isso: a luz estelar que é absorvida é provavelmente absorvida no alto da atmosfera, de onde a energia é rapidamente irradiada de volta para o espaço."
De acordo com Crossfield, os resultados são apenas um primeiro passo para uma nova fase de exploração exoplanetária, à medida que o estudo das atmosferas dos exoplanetas se move continuamente em direção a planetas cada vez mais pequenos.
"Eu não diria que entendemos tudo sobre este planeta agora, mas já medimos o suficiente para saber que este será um objeto realmente frutífero para estudos futuros," disse. "Já estão a ser feitos planos para o observar com o Telescópio Espacial James Webb, o próximo grande telescópio da NASA que será lançado no próximo ano. O que as nossas medições até agora nos mostram são o que chamamos de características de absorção espectral - e o seu espectro indica monóxido de carbono e/ou dióxido de carbono na atmosfera. Estamos a começar a entender quais as moléculas que compõem a sua atmosfera. Dado que vemos isto, e devido ao aspeto deste mapa global de temperatura, também nos diz algo sobre como os ventos estão a circular energia e material pela atmosfera deste miniplaneta gasoso."
Crossfield explicou a raridade extrema de mundos parecidos com Neptuno encontrados perto das suas estrelas hospedeiras, uma região tipicamente tão desprovida de planetas que os astrónomos chamam de "deserto dos Neptunos quentes".
"Achamos que é porque os Neptunos quentes não são massivos o suficiente para evitar a evaporação atmosférica substancial e a perda de massa," disse. "De modo que a maioria dos exoplanetas quentes próximos são ou Júpiteres quentes massivos ou planetas rochosos que há muito que perderam a maioria das suas atmosferas."
Um artigo complementar desta investigação, por Diana Dragomir, professora assistente de física e astronomia da Universidade do Novo México, investiga a composição atmosférica do exoplaneta por meio de observações de eclipses secundários com o instrumento IRAC (Spitzer Infrared Array Camera) do Neptuno quente.
Esta impressão de artista mostra LTT 9779b a transitar a sua estrela hospedeira. Este trânsito bloqueia brevemente uma fração apreciável da luz estelar, o que levou à descoberta do planeta pela missão TESS da NASA.
Crédito: Ethen Schmidt, Universidade do Kansas
Embora LTT 9779b não seja adequado para colonização por seres humanos ou por qualquer outra forma de vida conhecida, Crossfield disse que a avaliação da sua atmosfera aprimoraria técnicas que um dia podiam ser usadas para encontrar planetas mais acolhedores para a vida.
"Se alguém vai acreditar no que os astrónomos dizem sobre encontrar sinais de vida ou oxigénio noutros mundos, vamos ter que mostrar que podemos realmente fazê-lo primeiro em 'coisas fáceis'," disse. "Nesse sentido, estes planetas maiores e mais quentes como LTT 9779b agem como 'rodas de treino' e mostram que realmente sabemos o que estamos a fazer e que podemos acertar em tudo."
"Como alguém que estuda estes planetas, há muita ciência planetária interessante que podemos fazer ao medir as propriedades destes planetas - assim como as pessoas estudam as atmosferas de Júpiter, Saturno e Vénus - embora não pensemos que hospedem vida," disse. "Continuam a ser interessantes, e podemos aprender mais sobre como estes planetas se formaram e o contexto mais amplo dos sistemas planetários."
Crossfield disse que ainda há muito trabalho a ser feito para melhor entender LTT 9779b e os Neptunos quentes parecidos ainda por descobrir.
"Queremos continuar a observá-lo com outros telescópios para que possamos responder a mais perguntas," explicou. "Como é que este planeta é capaz de reter a sua atmosfera? Como é que se formou? Será que já foi maior, mas perdeu parte da atmosfera original? Se sim, então porque é que a sua atmosfera não é apenas uma versão em escala reduzida das atmosferas dos exoplanetas maiores e ultraquentes? E o que mais pode estar escondido na sua atmosfera?"
Alguns dos coautores do artigo também planeiam continuar a estudar o exoplaneta improvável.
"Nós detetámos monóxido de carbono na sua atmosfera e que o lado diurno permanente é muito quente, enquanto muito pouco calor é transportado para o lado noturno", disse Björn Benneke do iREx e da Universidade de Montreal. "Ambas as descobertas assinalam que LTT 9779b é um alvo muito interessante de se observar para futura caracterização com o JWST. Estamos agora a planear observações muito mais detalhadas da curva de fase com o NIRISS do JWST."
Novas evidências de que a nossa vizinhança no espaço está repleta de hidrogénio (via NASA)
Somente as duas Voyager já lá estão, e foram precisos mais de 30 anos de viagem supersónica. Fica bem para lá da órbita de Plutão, para lá da Cintura de Kuiper, e até quatro vezes essa distância. Este reino, marcado apenas por uma fronteira magnética invisível, é onde o espaço dominado pelo Sol termina: os limites mais próximos do espaço interestelar. Nesta "terra de ninguém" estelar, as partículas e a luz das 100 mil milhões de estrelas da nossa Galáxia lutam contra o remanescente antigo do Big Bang. Esta mistura, o material entre as estrelas, é conhecido como meio interestelar. O seu conteúdo regista o passado distante do nosso Sistema Solar e pode prever o seu futuro. Ler fonte
Astrónomos descobrem atividade em distante objeto planetário (via Universidade do Norte do Arizona)
Os Centauros são planetas menores que se pensa terem tido origem na Cintura de Kuiper do Sistema Solar exterior. Por vezes têm características parecidas com as dos cometas, como caudas e cabeleiras - nuvens de partículas de poeira e gás - embora orbitem numa região entre Júpiter e Neptuno demasiado fria para a água sublimar, ou transitar diretamente do estado sólido para o gasoso. Desde 1927 que só foram descobertos 18 Centauros ativos, e grande parte deles ainda são muito pouco compreendidos. A descoberta de atividade nos centauros é também observacionalmente complexa porque fracos, requerem muito tempo de observação e porque são raros. Uma equipa de astrónomos descobriu atividade no Centauro 2014 OG392, um objeto planetário encontrado em 2014. Ler fonte
Estudo fornece visão mais completa do asteroide massivo Psique (via SwRI)
Um novo estudo por uma cientista do SwRI discute várias novas vistas do asteroide 16 Psique, incluindo as suas primeiras observações ultravioletas. O estudo, publicado na revista The Planetary Science Journal, pinta um quadro mais abrangente do asteroide. Com 225 km de diâmetro, Psique é um dos objetos mais massivos da cintura de asteroides entre Marte e Júpiter. As observações anteriores indicaram que Psique é um objeto denso, maioritariamente metálico, que se pensa ser o núcleo remanescente de um planeta que falhou em formar-se. A NASA tem planos para enviar uma missão, de nome Psyche, ao asteroide em 2022, como parte de um esforço para entender a origem dos núcleos dos planetas. Os asteroides metálicos são relativamente raros no Sistema Solar, e os cientistas pensam que Psique pode fornecer uma oportunidade única para ver o interior de um planeta. Ler fonte
Álbum de fotografias - NGC 6357: Nebulosa da Lagosta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Steven Mohr
Porque é que a Nebulosa da Lagosta está a formar algumas das estrelas mais massivas conhecidas? Ninguém tem a certeza. Catalogada como NGC 6357, a Nebulosa da Lagosta contém o enxame aberto Pismis 24 perto do seu centro - o lar de estrelas tremendamente massivas e brilhantes. O brilho azulado geral perto da região de formação estelar interna é resultado da emissão de hidrogénio gasoso ionizado. A nebulosa circundante, aqui apresentada, contém uma complexa tapeçaria de gás, poeira escura, estrelas em formação e estrelas recém-nascidas. Os padrões intricados são provocados por interações complexas entre os ventos interestelares, pressões de radiação, campos magnéticos e gravidade. NGC 6357 abrange cerca de 400 anos-luz e fica a mais ou menos 8000 anos-luz de distância na direção da constelação de Escorpião.
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