Dia 22/01: 22.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.
Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42. Observações: Logo após o anoitecer, volte-se para este e procure, bem alta, a estrela Capella. Para a sua direita, a dois dedos à distância do braço esticado, está um pequeno e estreito triângulo de estrelas de 3.ª e 4.ª magnitudes conhecido como "As Crianças". Não são propriamente notáveis, mas formam um bonito asterismo com Capella.
Dia 23/01: 23.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1840 nascia Ernst Abbe, físico e optometrista alemão que, juntamente com Otto Schott e Carl Zeiss, lançou as bases da ótica moderna. Abbe também desenvolveu instrumentos óticos, e foi coproprietário da Carl Zeiss AG, fabricante alemã de telescópios, planetários e outros sistemas ópticos.
Em 1999, astrónomos lutam contra o tempo para obter as primeiras imagens óticas de uma das mais podersosas explosões do Universo - GRB 990123, uma explosão de raios-gama. Uma típica explosão de raios-gama é um milhão de vezes mais brilhante do que uma supernova normal.
Em 2003 tinham lugar as últimas comunicações com a Pioneer 10. Observações: Aldebarã brilha esta noite para baixo da Lua (a 4º). Aviste as Plêiades mais longe do nosso satélite natural, mas para cima e um pouco para a sua direita.
Dia 24/01: 24.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1882, nascia Harold Babcock, astrónomo americano que propôs que o ciclo das manchas solares era o resultado da rotação diferencial e do campo magnético do Sol.
Em 1947 nasce Michio Kaku, físico teórico americano, futurista, comunicador e divulgador de ciência.
Em 1978, um satélite soviético chamado Kosmos 954, com um reator nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioativos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá. Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Úrano.
Em 1990, o Japão lança a Hiten, a primeira sonda lunar deste país, a primeira sonda lunar desde a soviética Luna 24 em 1976 e a primeira sonda lunar lançada por um país sem ser a União Soviética ou os Estados Unidos. Observações: Mercúrio na sua maior elongação este, pelas 02:00.
Saturno em conjunção com o Sol, pelas 03:00
Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.
Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro exoplaneta rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal. Observações: O maior asterismo do céu (padrão informal de estrelas) - pelo menos o maior largamente reconhecido - é o Hexágono de Inverno. Preenche o céu a sudeste por estas noites. Comece com a brilhante Sirius em baixo. No sentido dos ponteiros do relógio, prossiga até Procyon, Pollux e Castor, Menkalinan e Capella bem alto, descendo por Aldebarã, Rigel no pé de Orionte e finalmente de volta a Sirius.
Betelgeuse brilha dentro do Hexágono, um pouco fora do centro.
Inclinação de Saturno provocada pelas suas luas
Dois cientistas do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e da Universidade Sorbonne que trabalham no Instituto de Mecânica Celeste e de Cálculo de Efemérides (Observatório de Paris/CNRS) acabam de mostrar que a influência dos satélites de Saturno pode explicar a inclinação do eixo de rotação do gigante gasoso. O seu trabalho, publicado dia 18 de janeiro de 2021 na revista Nature Astronomy, também prevê que a inclinação vai aumentar ainda mais nos próximos milhares de milhões de anos.
Mais ou menos como Davi contra Golias, parece que a inclinação de Saturno pode na verdade ser provocada pelas suas luas. Esta é a conclusão de um trabalho recente realizado por cientistas do CNRS, da Universidade Sorbonne e da Universidade de Pisa, que mostra que a atual inclinação do eixo de rotação de Saturno é provocada pela migração dos seus satélites e, principalmente, da sua maior lua, Titã.
Impressão de artista da migração de Titã e da inclinação de Saturno.
Crédito: Coline Saillenfest/IMCCE
Observações recentes mostraram que Titã e as outras luas estão a afastar-se gradualmente de Saturno muito mais depressa do que os astrónomos haviam estimado anteriormente. Ao incorporar este ritmo mais elevado de migração nos seus cálculos, os investigadores concluíram que este processo afeta a inclinação do eixo de rotação de Saturno: à medida que os seus satélites se afastam, o planeta inclina-se cada vez mais.
Pensa-se que o evento decisivo que inclinou Saturno ocorreu há relativamente pouco tempo. Durante mais de 3 mil milhões de anos após a sua formação, o eixo de rotação de Saturno permaneceu apenas ligeiramente inclinado. Foi apenas há cerca de mil milhões de anos que o movimento gradual dos seus satélites desencadeou um fenómeno de ressonância que continua até hoje: o eixo de Saturno interagiu com o percurso do planeta Neptuno e inclinou-se gradualmente até atingir a inclinação de 27º observada hoje.
Animação esquemática que mostra a migração de Titã e Saturno a entrar em ressonância.
Crédito: Melaine Saillenfest/IMCCE
Estas descobertas questionam cenários anteriores. Os astrónomos já estavam de acordo sobre a existência desta ressonância. No entanto, pensavam que tinha ocorrido muito cedo, há mais de 4 mil milhões de anos, devido a uma mudança na órbita de Neptuno. Pensava-se que desde aquela época o eixo de Saturno estava estável. De facto, o eixo de Saturno está ainda a inclinar-se, e o que vemos hoje é apenas um estágio de transição nesta mudança. Ao longo dos próximos milhares de milhões de anos, a inclinação do eixo de Saturno pode mais que duplicar.
A equipa de investigação já havia chegado a conclusões semelhantes sobre o planeta Júpiter, que deverá sofrer inclinações comparáveis devido à migração das suas quatro principais luas e à ressonância com a órbita de Úrano: nos próximos cinco mil milhões de anos, a inclinação do eixo de Júpiter poderá aumentar de 3º para mais de 30º.
Análise de Theia 456 conclui que as suas quase 500 estrelas nasceram ao mesmo tempo
A Via Láctea contém 8292 correntes estelares recentemente descobertas - todas chamadas Theia. Mas Theia 456 é especial.
Uma corrente estelar é um padrão linear raro - em vez de um enxame - de estrelas. Depois de combinar vários conjuntos de dados capturados pelo telescópio espacial Gaia, uma equipa de astrofísicos descobriu que todas as 468 estrelas de Theia 456 nasceram ao mesmo tempo e estão a viajar na mesma direção pelo céu.
"A maioria das estrelas dos enxames formam-se juntas," disse Jeff Andrews, físico da Universidade Northwestern e membro da equipa. "O que é empolgante sobre Theia 456 é que não é um pequeno aglomerado de estrelas. É longo e esticado. Existem relativamente poucas correntes próximas, jovens e tão amplamente dispersas."
Impressão de artista de correntes estelares genéricas na Via Láctea.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt, SSC & Caltech
Andrews apresentou esta investigação durante uma conferência de imprensa virtual no 237.º encontro da Sociedade Astronómica Americana.
Andrews é pós-doutorado no CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics) da Universidade Northwestern. Ele realizou este trabalho com os astrofísicos Marcel Agüeros e Jason Curtis da Universidade de Columbia, Julio Chanamé da Pontifica Universidad Catolica, Simon Schuler da Universidade de Tampa e Kevin Covey e Marina Kounkel da Universidade de Washington Ocidental.
Apesar dos investigadores já saberem há muito que as estrelas se formam em grupos, a maioria dos enxames têm forma esférica. Só recentemente é que os astrofísicos começaram a encontrar novos padrões no céu. Eles pensam que estas longas cadeias de estrelas já foram enxames compactos, gradualmente dilacerados e esticados por forças de maré.
"À medida que os nossos instrumentos, a nossa tecnologia e a nossa capacidade de minar dados se tornaram mais avançados, descobrimos que as estrelas existem em mais estruturas do que aglomerados," disse Andrews. "Costumam formar estas correntes no céu. Já sabemos deles há décadas, mas só agora começámos a encontrar correntes escondidas."
Estendendo-se por mais de 500 anos-luz, Theia 456 é uma destas correntes ocultas. Dado que habita no plano galáctico da Via Láctea, perde-se facilmente por entre o cenário de 400 mil milhões de estrelas da nossa Galáxia. A maioria das correntes estelares encontram-se noutras partes do Universo - por telescópios apontados para longe da Via Láctea.
"Temos a tendência a focar os nossos telescópios nas outras direções porque é mais fácil encontrar as coisas," disse Andrews. "Estamos agora a começar a encontrar estas correntes na própria Galáxia. É como encontrar uma agulha num palheiro. Ou, neste caso, encontrar uma ondulação num oceano."
A identificação e análise destas estruturas é um desafio da ciência de dados. Os algoritmos de inteligência artificial vasculharam enormes conjuntos de dados estelares para encontrar estas estruturas. De seguida, Andrews desenvolveu algoritmos para cruzar esses dados com catálogos pré-existentes da abundância de ferro de estrelas documentadas.
Andrews e a sua equipa descobriram que as 468 estrelas de Theia 456 tinham uma abundância de ferro semelhante, o que significa que - há 100 milhões de anos - as estrelas provavelmente formaram-se juntas. Adicionando mais evidências a esta descoberta, os investigadores examinaram um conjunto de dados de curvas de luz, que captura como o brilho das estrelas muda ao longo do tempo.
"Isto pode ser usado para medir a velocidade de rotação das estrelas," disse Agüeros. "As estrelas com a mesma idade devem mostrar um padrão distinto nos seus períodos de rotação."
Com a ajuda de dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e do ZTF (Zwicky Transient Facility) - os quais produziram as curvas de luz para as estrelas de Theia 456 - Andrews e colegas foram capazes de determinar que as estrelas na corrente realmente partilham uma idade comum.
A equipa também descobriu que as estrelas estão a mover-se juntas na mesma direção.
"Se soubermos como as estrelas se movem, podemos voltar atrás no tempo para descobrir de onde vieram," disse Andrews. "À medida que girávamos o relógio para trás, as estrelas ficavam cada vez mais próximas umas das outras. De modo que pensamos que todas estrelas nasceram juntas e têm uma origem comum."
Andrews realça que a combinação entre vários conjuntos de dados e a sua mineração é essencial para compreender o Universo que nos rodeia.
"Só podemos ir até certo ponto com um único conjunto de dados," explicou. "Quando combinamos vários conjuntos de dados, temos uma ideia muito mais rica do que existe no céu."
De acordo com uma equipa de astrónomos, a massa do exoplaneta gigante WASP-107b é muito menor do que se pensava ser necessária para construir o imenso invólucro gasoso que rodeia planetas como Júpiter e Saturno.
Esta descoberta intrigante por Caroline Piaulet da Universidade de Montréal, sob a supervisão de Björn Benneke, sugere que os planetas gigantes gasosos se formam muito mais facilmente do que se pensava anteriormente. Publicada na revista The Astronomical Journal por uma equipa de astrónomos do Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Japão, a nova análise da estrutura interna de WASP-107b tem grandes implicações.
"Este estudo expande os limites da nossa compreensão teórica de como os planetas gigantes se formam. WASP-107b é um dos planetas mais 'inchados' que existe, e precisamos de uma solução criativa para explicar como estes pequenos núcleos podem construir invólucros de gás tão massivos," diz Eve Lee, professora assistente do Departamento de Física e do Instituto Espacial da Universidade McGill.
Impressão de artista do exoplaneta WASP-170b e da sua estrela, WASP-107. Parte da luz estelar passa através da camada estendida de gás do exoplaneta.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, M. Kornmesser
Tão grande quanto Júpiter, mas 10 vezes mais leve
WASP-107b foi detetado pela primeira vez em 2017 em torno de WASP-107, uma estrela a cerca de 212 anos-luz da Terra na direção da constelação de Virgem. O planeta está muito perto da sua estrela - cerca de 16 vezes mais perto do que a Terra está do Sol. Com aproximadamente o tamanho de Júpiter, mas 10 vezes mais leve, WASP-107b é um dos exoplanetas menos densos conhecidos: um tipo que os astrofísicos apelidaram de "algodão doce".
Os astrónomos usaram primeiro observações de WASP-107 obtidas pelo Observatório Keck no Hawaii a fim de avaliar a massa do planeta com mais precisão. Utilizaram o método de velocidade radial, que permite com que os cientistas determinem a massa de um planeta observando o movimento oscilante da sua estrela hospedeira devido à atração gravitacional do planeta. Eles concluíram que WASP-107b tem aproximadamente um-décimo da massa de Júpiter, ou cerca de 30 vezes a massa da Terra.
Ao analisar a estrutura interna mais provável do planeta, chegaram a uma conclusão surpreendente: com uma densidade tão baixa, o planeta deve ter um núcleo sólido com não mais do que quatro vezes a massa da Terra. Isto significa que mais de 85% da sua massa está incluída na espessa camada de gás que rodeia este núcleo. Em comparação, Neptuno, que tem uma massa semelhante à de WASP-107b, tem apenas 5 a 15 por cento da sua massa total na camada de gás.
Um gigante gasoso em formação
Os planetas formam-se no disco de poeira e gás que envolve uma jovem estrela chamado disco protoplanetário. Os modelos clássicos da formação de planetas gigantes gasosos são baseados em Júpiter e Saturno. Nestes, um núcleo sólido pelo menos 10 vezes mais massivos do que a Terra é necessário para acumular uma grande quantidade de gás antes que o disco se dissipe.
Sem um núcleo massivo, pensava-se que os planetas gigantes gasosos não eram capazes de cruzar o limiar crítico necessário para construir e reter os seus grandes invólucros de gás.
Então, como é que explicamos a existência de WASP-107b, que tem um núcleo muito menos massivo? A professora Lee, especialista mundialmente conhecida em planetas de "algodão doce" como WASP-107b, tem várias hipóteses.
"Para WASP-107b, o cenário mais plausível é que o planeta se formou longe da estrela, onde o gás no disco é frio o suficiente para que a acumulação de gás possa ocorrer muito depressa," disse. "Posteriormente, o planeta foi capaz de migrar para a sua posição atual, seja por meio de interações com o disco ou com outros planetas no sistema," explica.
Observatório Keck ao pôr-do-Sol.
Crédito: Wikipedia
Descoberta de um segundo planeta
As observações do sistema WASP-107 pelo Keck cobriram um período de tempo muito mais longo do que os estudos anteriores, permitindo que a equipa de investigação fizesse uma descoberta adicional: a existência de um segundo planeta, WASP-107c, com uma massa de cerca de 1/3 da de Júpiter, consideravelmente mais do que a de WASP-107c.
WASP-107c também está muito mais distante da estrela central; completa uma órbita em três anos, em comparação com apenas 5,7 dias de WASP-107b. Também interessante: a excentricidade deste segundo planeta é alta, o que significa que a sua trajetória em torno da sua estrela é mais oval do que circular.
"WASP-107c, em alguns aspetos, manteve a memória do que aconteceu no seu sistema," disse Piaulet. "A sua grande excentricidade sugere um passado um tanto ou quanto caótico, com interações entre os planetas que podem ter levado a deslocamentos significativos, como aquele suspeito para WASP-107b."
Os investigadores planeiam continuar a estudar WASP-107b, esperançosamente com o Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto ainda para este ano, que fornecerá uma ideia muito mais precisa da composição da atmosfera do planeta.
Missões da NASA ajudam a investigar galáxia ativa "Old Faithful" (via NASA)
Durante um ano típico, mais de um milhão de pessoas visitam o Parque Nacional de Yellowstone, onde o geyser "Old Faithful" regularmente lança um jato de água quente para o ar. Agora, uma equipa internacional de astrónomos descobriu um equivalente cósmico, uma galáxia distante que entra em erupção aproximadamente a cada 114 dias. Ler fonte
Explorando o vento solar com uma nova vista de pequenas estruturas no Sol (via NASA)
Os cientistas combinaram dados da NASA com processamento de imagem de última geração para obter uma nova visão das estruturas solares que criam o fluxo veloz do Sol, o vento solar, detalhada numa nova investigação publicada na revista The Astrophysical Journal. Este primeiro olhar para características relativamente pequenas, chamadas "plumelets", pode ajudar os cientistas a entender como e porque é que se formam distúrbios no vento solar. Ler fonte
Álbum de fotografias - O Campo Magnético da Galáxia do Redemoinho
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