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  Astroboletim #1800  
  08/06 a 10/06/2021  
     
 
 

Dia de Portugal e... dos Eclipses

Temos à porta um eclipse solar, que é o pretexto para desvendarmos alguns dos mistérios e curiosidades destes alinhamentos espaciais!

Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar num tema de relevância à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis.

Lotação máxima de 5 pessoas
Preço: 4€ Adultos / 2€ Jovens / grátis membros do AstroClube

Data: 8 de junho de 2021
Hora: 21:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 08/06: 159.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1625 nascia Giovanni Cassini

Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9 (USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos.
Observações: Não se esqueça que dia 10 haverá um eclipse parcial do Sol!

Dia 09/06: 160.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.

Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes - morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910.
Observações: Faltam 11 dias para o verão. Mas ao anoitecer, olhe para muito baixo a norte-noroeste em busca de Capella, já muito fora de estação. Quanto mais para norte estiver, mais alta aparecerá. Poderá precisar de binóculos.

Dia 10/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, lançamento do Explorer 49, que foi colocado em órbita lunar e tinha o objetivo de recolher medições dos planetas, do Sol e da Galáxia no rádio.
Em 2003 era lançado o rover Spirit, começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em março de 2010.

Observações: Eclipse solar anular, parcial para Portugal. Começa às 09:52, atinge o máximo às 10:30 e termina às 11:11.
Lua Nova, pelas 11:53.

 
 
   
Jatos de protoestrelas massivas podem ser muito diferentes dos de sistemas de massa baixa

Os astrónomos que estudam o jato de material em rápido movimento ejetado por uma jovem estrela massiva ainda em formação descobriram uma grande diferença entre esse jato e aqueles ejetados por estrelas jovens menos massivas. Os cientistas fizeram a descoberta usando o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) para obter a imagem mais detalhada até agora da região interna de um jato vindo de uma estrela jovem e massiva.

Ambas as estrelas jovens de massa baixa e alta, ou protoestrelas, impulsionam jatos perpendiculares a um disco de material em órbita da estrela. Em estrelas com massas semelhantes à do Sol, estes jatos são estreitos, ou focados, relativamente perto da estrela num processo chamado colimação. Como a maioria das protoestrelas de grande massa estão mais distantes, o estudo destas regiões íntimas tem sido mais difícil, de modo que os astrónomos não sabiam se esse era o caso com elas.

 
Imagem VLA do jato da protoestrela Cep A HW2, com a área em redor fotografada pelo Telescópio Espacial Hubble. Os círculos indicam a localização do disco de acreção, não visto na imagem.
Crédito: Carrasco-Gonzalez et al.; Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF; STScI
 

Uma equipa de cientistas observou uma protoestrela chamada Cep A HW2, localizada a cerca de 2300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Cefeu. Espera-se que Cep A HW2 se torne uma nova estrela cerca de 10 vezes mais massiva do que o Sol. As novas imagens pelo VLA mostraram os melhores detalhes já vistos em tal objeto, dando aos astrónomos a sua primeira visão da parte mais interna do jato, uma parte quase tão longa quanto o diâmetro do Sistema Solar.

"O que vimos é muito diferente do que normalmente é visto nos jatos de estrelas de baixa massa," disse Adriana Rodriguez-Kamenetzky, da Universidade Nacional Autónoma do México.

Em protoestrelas de massa inferior, as observações mostraram que os jatos são colimados tão perto da estrela quanto apenas algumas vezes a distância Terra-Sol.

Em Cep A HW2, no entanto, "não vemos um único jato, mas duas coisas - um vento de grande angular originando perto da estrela, depois um jato altamente colimado a alguma distância" disse Alberto Sanna, do Observatório Cagliari na Itália. O jato colimado começa a uma distância da estrela comparável à distância do Sol a Úrano ou Neptuno.

 
Impressão de artista de Cep A HW2 e do seu jato, com legendas.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
 

A descoberta levanta duas possibilidades principais, disseram os astrónomos.

Em primeiro lugar, o mesmo mecanismo pode estar em funcionamento em protoestrelas de massa alta e baixa, mas a distância de colimação pode ser determinada pela massa, ocorrendo mais longe em sistemas mais massivos. A segunda possibilidade é que as estrelas massivas podem produzir apenas o vento de grande angular visto em Cep A HW2, com a colimação ocorrendo apenas quando as condições físicas em torno da estrela restringem o fluxo.

"Esse caso apontaria para uma grande diferença nos mecanismos em funcionamento nas protoestrelas de diferentes massas" disse Carlos Carrasco-Gonzalez, também da mesma universidade mexicana, líder do trabalho. "É importante responder a esta pergunta para entender como as estrelas de todas as massas se formam," acrescentou.

Carrasco-Gonzalez e colegas relataram as suas descobertas na revista The Astrophysical Journal.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Formação estelar:
Wikipedia
Protoestrela (Wikipedia)

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

 
   
Nova missão para discernir se a nossa contagem de estrelas deve aumentar

O Universo contém um número impressionante de estrelas - mas as melhores estimativas dos cientistas podem pecar por defeito. Um foguete de sondagem financiado pela NASA, que tem um instrumento aprimorado a bordo, vai procurar evidências de estrelas extra que podem ter ficado perdidas na contagem estelar.

A missão CIBER-2 (Cosmic Infrared Background Experiment-2) é a última de uma série de lançamentos de foguetes que tiveram início em 2009. Liderada por Michael Zemcov, professor assistente de física e astronomia no Instituto de Tecnologia de Rochester em Nova Iorque, a janela de lançamento da CIBER-2 abriu dia 6 de junho.

 
Fotografia "time-lapse" do foguete com o CIBER (Cosmic Infrared Background Experiment) a bordo, a partir do Complexo de Voo Wallops da NASA, no estado norte-americano de Virginia, em 2013. A imagem é do último de quatro lançamentos.
Crédito: Universidade de Tóquio/T. Arai
 

Se o leitor já teve o prazer de ver um céu aberto numa noite clara e escura, provavelmente ficou impressionado com o grande número de estrelas. Talvez até tenha tentado contá-las (se não, uma dica: existem cerca de 5000 estrelas visíveis a olho nu a partir da Terra). Mas a verdadeira maravilha é que o nosso céu noturno representa apenas a amostra mais pequena do que realmente existe lá fora.

Para obter uma estimativa aproximada do número total de estrelas no Universo, os cientistas calcularam o número médio de estrelas numa galáxia - algumas estimativas dizem cerca de 100 milhões, embora possa ser 10 vezes mais - e multiplicaram-no pelo número de galáxias, estimado em cerca de 2 biliões (também muito provisório). Os cientistas chegaram a um valor estimado de 1x10^21 estrelas. Isto corresponde a mais de 10 estrelas por cada grão de areia na Terra (estimado em cerca de 7,5 triliões de grãos de areia).

Mas até esse número astronomicamente grande pode estar subestimado. Esse cálculo assume que todas, ou pelo menos a maioria das estrelas estão dentro de galáxias. Com base em descobertas recentes, isso pode não ser totalmente verdade - e é o que a missão CIBER-2 vai tentar descobrir.

O instrumento CIBER-2, tal como o instrumento anterior no qual se baseia, CIBER, viaja para o espaço a bordo de um foguete de sondagem - um pequeno foguete suborbital que transporta instrumentos científicos em breves viagens ao espaço antes de cair de volta à Terra para ser recuperado. Uma vez acima da atmosfera da Terra, o CIBER-2 investiga uma área do céu de pelo menos 4 graus quadrados - para referência, a Lua Cheia ocupa cerca de meio grau - que inclui dezenas de enxames galácticos. Não vai contar estrelas, mas detetar o brilho difuso que preenche o cosmos conhecido como luz extragaláctica de fundo.

"Este brilho de fundo é a luz total produzida ao longo da história cósmica", disse Jamie Bock, professor de física no Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e investigador dos primeiros quatro voos do CIBER. Essa luz de fundo abrange uma variedade de comprimentos de onda, mas o CIBER-2 concentra-se numa pequena porção chamada fundo infravermelho cósmico. Pensa-se que muito deste fundo infravermelho venha das anãs M e K, os tipos estelares mais comuns do Universo, embora não sejam as únicas contribuintes. "O nosso método mede a luz total, incluindo fontes que ainda não identificámos," disse Bock.

 
Esta infografia compara as características de três classes de estrelas na nossa Galáxia: estrelas parecidas com o Sol são classificadas como estrelas G; estrelas menos massivas e mais frias do que o Sol são anãs K; e estrelas ainda mais fracas e frias são as anãs vermelhas M. O gráfico compara as estrelas em termos das suas zonas habitáveis, longevidade e abundância relativa.
Crédito: NASA/ESA/STScI/Z. Levy
 

Quando não podemos contar estrelas individuais numa galáxia, este brilho infravermelho deve fornecer uma boa estimativa de quantas anãs M e K existem. E se todas essas estrelas estiverem dentro da galáxia, essa luz deve ser mais brilhante em direção ao seu centro. Em 2007, os cientistas usaram o Telescópio Espacial Spitzer da NASA para observar enxames de galáxias e para fazer este tipo de medição.

Mas o Spitzer observou mais luz do que o esperado para populações galácticas conhecidas - as flutuações no brilho do fundo infravermelho cósmico indicavam que estava algo em falta.

Bock e Zemcov - na altura um investigador pós-doutoral, mas agora o investigador principal do CIBER-2 - voaram a primeira missão CIBER para verificar estes resultados com um telescópio melhor otimizado para a tarefa.

"Fizemos essa medição e chegámos a uma resposta desconfortável," disse Zemcov. "Haviam muito mais flutuações do que esperávamos - uma explicação é que há mais luz vinda de fora das galáxias do que pensávamos."

A luz extra, pensam, pode ser do brilho de estrelas anãs perdidas. Estas estrelas podem ter sido lançadas para fora da sua galáxia hospedeira quando se fundiu com outra. Sabemos que estas estrelas rodeiam a Via Láctea, embora as contagens atuais sugiram que não há suficientes para produzir o sinal medido pelo CIBER.

"Cada vez mais as investigações sugerem que existe um número significativo de estrelas deste tipo fora das galáxias," acrescentou Zemcov.

Mas surgiram hipóteses alternativas para este excesso de luz. "Sabemos que parte dessa luz vem de galáxias e de algumas das primeiras estrelas, embora já tenham desaparecido há muito," disse Bock. Alguma da luz da nossa própria Galáxia pode até poluir as medições, embora a equipa do CIBER tenha feito o possível para a filtrar. Existem também possibilidades mais exóticas, como buracos negros em colapso direto do Universo primitivo - nuvens massivas de gás que colapsaram em buracos negros sem se tornarem primeiro em estrelas - cuja luz ultravioleta teria sido estendida através do espaço em expansão para os mais longos comprimentos de onda infravermelhos que vemos hoje. O CIBER-2 foi construído para ajudar a resolver a questão, distinguindo estas possibilidades.

A luz das anãs M e K extragaláticas deve "transbordar" para a gama visível, de modo que o CIBER-2 foi projetado para observar uma faixa estendida de comprimentos de onda - desde o infravermelho próximo à luz visível verde - e ver se está lá. O CIBER-2 também pode distinguir a luz das primeiras galáxias e estrelas ou dos primeiros buracos negros em colapso direto: ambos devem ter, ausente, uma parte característica da sua luz total, a parte absorvida pela espessa neblina de hidrogénio intergaláctico no Universo primordial.

Por agora, todas as possibilidades permanecem em cima da mesa. Mas os resultados do CIBER-2 podem dizer-nos se a contagem de estrelas deverá realmente aumentar.

"Há indícios de que não estamos a captar definitivamente todas as coisas no Universo. E quanto mais observarmos, mais vemos."

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

CIBER-2:
Colaboração CIBER
Caltech

Fundo infravermelho cósmico:
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Uma Brilhante Nova em Cassiopeia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Chuck Ayoub
 
O que é aquele novo ponto de luz em Cassiopeia? Uma nova. Embora as novas ocorram com frequência por todo o Universo, esta nova, conhecida como Nova Cas 2021 ou V1405 Cas, tornou-se tão extraordinariamente brilhante nos céus da Terra no mês passado que era até visível a olho nu. Nova Cas 2021 aumentou de brilho pela primeira vez em meados de março, mas depois, inesperadamente, tornou-se ainda mais brilhante em meados de maio e assim permaneceu durante cerca de uma semana. A nova então desvaneceu para níveis do início de maio, mas agora está ligeiramente a aumentar de brilho novamente e permanece visível através de binóculos. Identificada pela seta, a nova ocorreu na direção da constelação de Cassiopeia, não muito longe da Nebulosa da Bolha. Uma nova é normalmente provocada por uma explosão termonuclear na superfície de uma estrela anã branca que está a acretar matéria de uma companheira estelar - embora os detalhes desta explosão sejam atualmente desconhecidos. As novas não destroem a estrela subjacente e às vezes são recorrentes. A imagem em destaque foi criada a partir de 14 horas de dados a partir de Detroit, no estado norte-americano de Michigan. Ambos astrónomos profissionais e amadores provavelmente vão continuar a monitorizar Nova Cas 2021 e a teorizar sobre os detalhes da sua causa.
 
   
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