Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1808  
  06/07 a 08/07/2021  
     
 
 

"Vem aí o Senhor do Tempo"

Em Julho termina o tempo das aulas e começa o tempo das férias... Será o Senhor do Tempo quem controla isto tudo? No céu noturno, este mês também nos mostra os Anéis do Tempo! Este será mote para a "Apresentação às Estrelas".

Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar-se num tema relevante à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis. Devido às atuais limitações sanitárias limitamos a lotação a 8 participantes.

Preço: 4€ Adultos / 2€ Jovens / grátis membros do AstroClube

Data: 8 de julho de 2021
Hora: 21:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 06/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria, com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872HD 24540955 CancriHD 10307 e 47 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respetivamente.

Observações: Antares e o resto da constelação de Escorpião estão o mais alto a sul logo após o cair da noite destes longos dias de julho.  A cabeça da constelação de Escorpião é a fila quase vertical de três estrelas para cima e para a direita de Antares. A estrela de cima é Beta Scorpii ou Graffias, uma boa estrela dupla para telescópios.
A apenas 1º para baixo ou para baixo e para a esquerda (uma ponta de um dedo à distância do braço esticado) está o par largo Omega^1 e Omega^2 Scorpii, visível a olho nu, quase na vertical. Têm ambas magnitude 4. Os binóculos mostram a sua ligeira diferença de cor; são do tipo espectral B9 e G2.
Para cima e para a esquerda de Beta, a cerca de 1,6º, está Nu Scorpii (Jabbah), outro bom duplo telescópico. Ou melhor, triplo. Um alto poder de ampliação e um céu limpo e escuro revelam que o componente mais brilhante de Nu é ele próprio uma estrela dupla, com uma separação de 2 segundos de arco.
E mais: no mesmo campo binocular de Antares, ou quase lá, estão dois enxames globulares muito diferentes. M4 é grande e difuso e relativamente próximo. M80 é mais ténue e muito mais compacto, embora minúsculo; de facto, pode ser difícil distingui-lo com binóculos de uma estrela de magnitude 8. É um enxame maior e mais denso do que M4 mas está mais de quatro vezes mais longe.

Dia 07/07: 188.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, Vénus oculta a estrela Régulo. Este evento raro é usado para determinar o diâmetro de Vénus e a estrutura da atmosfera venusiana.
Em 1988, era lançada a sonda soviética Phobos 1

Infelizmente a sonda perdeu-se no caminho até Marte devido a uma má atualização do software a 29/30 de agosto. Este erro impediu o alinhamento correto dos painéis solares com o Sol, o que esgotou a bateria.
Em 2003, lançamento do rover Opportunity da NASA, a bordo de um foguetão Delta II.
Em 2015, a sonda New Horizons capta uma fotografia de Plutão a 12,8 milhões de quilómetros e descobre o seu "coração".
Observações: Logo antes do amanhecer procure Mercúrio, baixo a este-nordeste e para baixo e um pouco para a esquerda da fina Lua. Zeta Tauri, perto de Mercúrio, tem apenas magnitude 3; poderá tentar usar binóculos ou um telescópio.

Dia 08/07: 189.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2011, o vaivém espacial Atlantis é lançado na sua missão final.

Observações: Repita a observação de Mercúrio de ontem: note que a Lua está agora bem mais perto do planeta Mercúrio, assim como Zeta Tauri. Dado que é uma observação algo complexa devido ao clarear do dia e à baixa posição dos astros, tentar usar binóculos ou um telescópio.

 
     
 
Curiosidades


O colapso de uma nuvem molecular que dá origem a uma estrela é muito rápido comparado com o seu tempo de vida. Para uma estrela como o Sol, que durará cerca de 10 mil milhões de anos, o colapso dura entre 10.000 anos e 1.000.000 de anos.

 
 
   
Exoplaneta único "fotobomba" estudo de sistema estelar próximo pelo Cheops

Ao explorar dois exoplanetas num brilhante sistema estelar próximo, o satélite caçador de exoplanetas Cheops da ESA avistou inesperadamente o terceiro planeta conhecido do sistema a cruzar a face da estrela. Este trânsito, dizem os investigadores, revela detalhes empolgantes sobre um planeta raro "sem equivalente conhecido".

A descoberta é um dos primeiros resultados do Cheops (CHaracterising ExOPlanet Satellite) da ESA, e a primeira vez que um exoplaneta com um período de mais de 100 dias foi avistado a transitar por uma estrela que é brilhante o suficiente para ser visível a olho nu.

 
Impressão de artista mostra o sistema planetário Nu2 Lupi, que foi recentemente explorado pelo Cheops (CHaracterising ExOPlanet Satellite) da ESA.
Crédito: ESA
 

De nome Nu2 Lupi, esta estrela brilhante semelhante ao Sol está localizada a pouco menos de 50 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Lobo. Em 2019, o HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) situado no telescópio de 3,6 metros do ESO, no Chile, descobriu três exoplanetas (denominados "b", "c" e "d", com a estrela considerada o objeto "A") no sistema, com massas entre as da Terra e Neptuno e com órbitas que duram 11,6, 27,6 e 107,6 dias. Os dois mais internos destes planetas - b e c - foram subsequentemente encontrados a transitar Nu2 Lupi pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, tornando-a uma de apenas três estrelas visíveis a olho nu que se conhecem hospedar vários planetas em trânsito.

"Sistemas de trânsito como Nu2 Lupi são de grande importância na nossa compreensão de como os planetas se formam e evoluem, pois podemos comparar minuciosamente vários planetas em torno da mesma estrela brilhante," diz Laetitia Delrez da Universidade de Liège, Bélgica, autora principal da nova descoberta.

"Decidimos apoiar-nos em estudos anteriores de Nu2 Lupi e observar os planetas b e c cruzando a face de Nu2 Lupi com o Cheops, mas durante um trânsito do planeta c avistámos algo incrível: um trânsito inesperado do planeta 'd', que fica mais para fora no sistema."

Os trânsitos planetários criam uma oportunidade valiosa para estudar a atmosfera, a órbita, o tamanho e o interior de um planeta. Um planeta em trânsito bloqueia uma proporção minúscula, mas detetável, da luz da sua estrela à medida que cruza em frente - e foi esta diminuição de luz que levou Laetitia e colegas à descoberta. Dado que exoplanetas de longo período orbitam tão longe das suas estrelas, as chances de ver um durante um trânsito são incrivelmente baixas, tornando a descoberta do Cheops uma verdadeira surpresa.

Usando os recursos altamente precisos do Cheops, descobriu-se que o planeta d tinha cerca de 2,5 vezes o raio da Terra, confirmando-se que leva mais de 107 dias para completar uma órbita em torno da sua estrela e, usando observações de arquivo de telescópios terrestres, descobriu-se que tem uma massa de 8,8 vezes a da Terra.

 
Infográfico que revela detalhes do sistema planetário Nu2 Lupi, que foi recentemente explorado pelo Cheops (CHaracterising ExOPlanet Satellite) da ESA.
Crédito: ESA; dados - L. Delrez et al (2021)
 

"A quantidade de radiação estelar que atinge o planeta d também é leve em comparação com muitos outros exoplanetas descobertos; no nosso Sistema Solar, Nu2 Lupi d orbitaria entre Mercúrio e Vénus", acrescenta o coautor David Ehrenreich da Universidade de Genebra, Suíça. "Em combinação com a sua brilhante estrela-mãe, com o seu longo período orbita e com a capacidade para caracterização de acompanhamento, isto torna o planeta d extremamente excitante - é um objeto excecional sem equivalente conhecido e com certeza um alvo dourado para estudos futuros."

A maioria dos exoplanetas de longo período que transitam a sua estrela hospedeira foram, até agora, encontrados em torno de estrelas que são demasiado fracas para observações de acompanhamento, o que significa que pouco se sabe sobre as propriedades dos seus planetas. Nu2 Lupi, no entanto, é brilhante o suficiente para ser um alvo atraente para outros telescópios espaciais poderosos - como o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA ou o futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA - ou grandes observatórios terrestres.

"Dadas as suas propriedades gerais e a sua órbita, isto torna o planeta d um alvo excecionalmente favorável para estudar um exoplaneta com uma atmosfera de temperatura amena em torno de uma estrela semelhante ao Sol," diz Laetitia.

Ao combinar novos dados do Cheops com dados de arquivo de outros observatórios, os investigadores foram capazes de determinar com precisão as densidades médias de todos os planetas conhecidos de Nu2 Lupi, e colocar fortes restrições nas suas possíveis composições.

Eles descobriram que o planeta b é principalmente rochoso, enquanto os planetas c e d parecem conter grandes quantidades de água envolta em invólucros de hidrogénio e hélio. Na verdade, os planetas c e d contêm muito mais água do que a Terra; um-quarto da massa de cada planeta é água, em comparação com os menos de 0,1% da massa da Terra. No entanto, esta água não é líquida, assumindo ao invés a forma de gelo ou vapor de água a alta temperatura.

"Embora nenhum destes planetas seja habitável, a sua diversidade torna o sistema ainda mais empolgante e um grande alvo futuro para testar como estes corpos se formam e mudam ao longo do tempo," diz a cientista do projeto Cheops da ESA, Kate Isaak. "Também existe o potencial de procurar anéis ou luas no sistema Nu2 Lupi, já que a precisão e estabilidade requintadas do Cheops podem permitir a deteção de corpos com até aproximadamente o tamanho de Marte."

O Cheops está projetado para recolher dados de altíssima precisão de estrelas individuais conhecidas por albergar planetas, ao invés de descobrir de forma mais geral possíveis exoplanetas em torno de muitas estrelas - e este foco e precisão estão a provar ser excecionalmente úteis na compreensão dos sistemas estelares.

"Estes resultados empolgantes demonstram mais uma vez o enorme potencial do Cheops," acrescenta Kate. "O Cheops permitirá não apenas melhor entender os exoplanetas conhecidos, como mostrado neste e noutros resultados iniciais da missão, mas também descobrir novos e revelar os seus segredos."

// ESA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// IA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
space ref
Forbes
Público

Nu2 Lupi:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Cheops:
ESA
ESA - 2
Wikipedia

 
   
Proximidade com o campo magnético do Sol influenciou o núcleo massivo de ferro de Mercúrio

Durante décadas, muitos cientistas argumentaram que colisões "toca-e-foge" com outros corpos durante a formação do nosso Sistema Solar destruíram a maior parte do manto rochoso de Mercúrio e deixaram o grande e denso núcleo de metal no seu interior. Mas uma nova investigação revela que as colisões não explicam a composição do planeta - o magnetismo do Sol, sim.

 
Representação gráfica da estrutura interna de Mercúrio.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

William McDonough, professor de geologia na Universidade de Maryland, EUA, e Takashi Yoshizaki da Universidade Tohoku desenvolveram um modelo que mostra que a densidade, a massa e o conteúdo de ferro do núcleo de um planeta rochoso são influenciados pela sua distância ao campo magnético do Sol. O artigo que descreve este modelo foi publicado na revista Progress in Earth and Planetary Science.

"Os quatro planetas interiores do nosso Sistema Solar - Mercúrio, Vénus, Terra e Marte - são feitos de diferentes proporções de metal e rocha," disse McDonough. "Há um gradiente no qual o conteúdo de metal no núcleo diminui à medida que os planetas se afastam do Sol. O nosso artigo explica como isto aconteceu e mostra que a distribuição de matérias-primas no Sistema Solar primordial foi controlada pelo campo magnético do Sol."

McDonough desenvolveu anteriormente um modelo para a composição da Terra que é frequentemente usado por cientistas planetários para determinar a composição de exoplanetas (o seu artigo seminal foi citado mais de 8000 vezes).

O novo modelo de McDonough mostra que durante a formação inicial do nosso Sistema Solar, quando o jovem Sol estava cercado por uma nuvem giratória de poeira e gás, grãos de ferro foram atraídos para o centro pelo campo magnético do Sol. Quando os planetas começaram a formar-se a partir de aglomerados de poeira e gás, os planetas mais próximos do Sol incorporaram mais ferro nos seus núcleos do que os mais distantes.

// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Progress in Earth and Planetary Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

Mercúrio:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - IC 4592: A Nebulosa de Reflexão da Cabeça de Cavalo Azul
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam BlockObservatório Steward, Universidade do Arizona
 
Consegue ver a cabeça de cavalo? O que está a ver não é a famosa nebulosa Cabeça de Cavalo na direção da constelação de Orionte, mas uma nebulosa ainda mais ténue que só assume esta forma familiar em imagens ainda mais profundas. A parte principal do complexo molecular de nuvens, na imagem acima, é uma nebulosa de reflexão catalogada como IC 4592. As nebulosas de reflexão são na realidade constituídas por poeira muito fina que normalmente aparece escura, mas que pode ficar bastante azul quando reflete a luz visível de estrelas energéticas vizinhas. Neste caso, a fonte de grande parte da luz refletida é a estrela no olho do cavalo. Essa estrela faz parte de Nu Scorpii, um dos sistemas estelares mais brilhantes na direção da constelação de Escorpião. Uma segunda nebulosa de reflexão, apelidada de IC 4601, é visível em torno de duas estrelas para a direita do centro da imagem.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2021 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt