Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.
Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição. Observações: Pelas 20:30, dependendo da posição do observador, a estrela Capella, de magnitude zero, está à mesma altura a nordeste que Vega, de magnitude zero, a oeste-noroeste; a estação está a ficar fria.
A chuva de meteoros das Leónidas, normalmente fracas, devem atingir esta noite o seu pico, mas serão abafadas pelo luar.
Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robô controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17. Observações: Fomalhaut é a estrela de primeira magnitude piscando a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda de Júpiter. Quando Fomalhaut atravessar o meridiano a sul, o que ocorre esta semana pelas 19:45, vire-se para o lado oposto do céu: as estrelas-guia da Ursa Maior encontram-se na vertical a norte, para baixo da Estrela Polar.
Também por volta desta hora, vire-se para este: as primeiras estrelas de Orionte vão nascer acima do horizonte este. Começando com Betelgeuse, a figura do Caçador demora cerca de uma hora a subir acima do horizonte.
Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).
Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes.
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte. Observações: A Lua, praticamente Cheia, encontra-se perto das Plêiades, de Híades e de Aldebarã em Touro.
Descoberto buraco negro em enxame estelar fora da nossa Galáxia
Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos descobriram um pequeno buraco negro fora da Via Láctea ao observar a maneira como este objeto influencia o movimento de uma estrela na sua vizinhança próxima. Trata-se da primeira vez que este método de deteção é utilizado para revelar a presença de um buraco negro fora da nossa Galáxia. Este método pode ser crucial para descobrir buracos negros escondidos na nossa Via Láctea e em galáxias próximas e dar-nos pistas sobre como é que estes objetos misteriosos se formam e evoluem.
O buraco negro recém-descoberto situa-se em NGC 1850, um enxame com milhares de estrelas situado a cerca de 160 mil anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea.
Esta imagem artística mostra um buraco negro compacto com 11 massas solares e a estrela de 5 massas solares que o orbita. Os dois objetos situam-se em NGC 1850, um enxame com milhares de estrelas situado a cerca de 160 000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea. A distorção na forma da estrela deve-se à enorme força gravitacional exercida pelo buraco negro.
A força gravitacional do buraco negro não só distorce a forma da estrela mas também influencia a sua órbita. Ao observar estes efeitos orbitais subtis, uma equipa de astrónomos conseguiu determinar a presença do buraco negro, o primeiro buraco negro pequeno a ser descoberto deste modo fora da nossa Galáxia. Para obter este resultado, a equipa utilizou o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
"Tal como Sherlock Holmes em busca de criminosos, também nós estamos a observar cada estrela deste enxame com uma 'lupa na mão' tentando descobrir evidências que apontem para a presença de buracos negros sem os vermos diretamente," disse Sara Saracino do Astrophysics Research Institute of Liverpool John Moores University no Reino Unido, líder deste estudo, que foi aceite para publicação na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "Este resultado representa apenas um dos 'criminosos' procurados, mas uma vez que descobrimos um, estamos a caminho de descobrir muitos mais, em enxames estelares diferentes."
O primeiro "criminoso" descoberto pela equipa tem cerca de 11 vezes a massa do nosso Sol. A pista concreta que colocou os astrónomos no trilho deste buraco negro foi a sua influência gravitacional numa estrela com cinco massas solares que o orbita.
Os astrónomos tinham já descoberto pequenos buracos negros de várias massas estelares noutras galáxias ao observar os raios-X emitidos por estes objetos à medida que engolem matéria ou as ondas gravitacionais que são geradas quando os buracos negros colidem uns com os outros ou com estrelas de neutrões.
No entanto, a maioria dos buracos negros com massas estelares não mostram a sua presença através de raios-X ou ondas gravitacionais. "A vasta maioria destes objetos só pode ser descoberta dinamicamente," explica Stefan Dreizler, um membro da equipa da Universidade Georg-August em Göttingen, Alemanha. "Quando formam um sistema com uma estrela, os buracos negros afetam o movimento estelar de modo subtil, mas detetável e por isso podemos observá-los com instrumento sofisticados."
Este método dinâmico utilizado por Sara Saracino e pela sua equipa poderá ajudar os astrónomos a descobrir muito mais buracos negros, ajudando assim a desvendar os seus mistérios. "Cada deteção que fizermos será importante para compreendermos melhor os enxames estelares e os buracos negros que aí se encontram," disse o coautor do estudo Mark Gieles da Universidade de Barcelona, Espanha.
Esta imagem mostra NGC1850, um enxame com milhares de estrelas situado a cerca de 160.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea. Pensa-se que os filamentos vermelhos que rodeiam o enxame, constituidos por enormes nuvens de hidrogénio, sejam os restos de explosões de supernovas.
A imagem é uma sobreposição de observações levadas a cabo no visível com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o Telescópio Espacial Hubble (HST) da NASA/ESA. O VLT capturou o grande campo da imagem e os filamentos, enquanto o HST obteve o enxame central.
Entre muitas estrelas, este enxame acolhe também um buraco negro de 11 massas solares e a estrela de 5 massas solares que o orbita. Ao observar a órbita da estrela, uma equipa de astrónomos conseguiu determinar a presença do buraco negro, o primeiro buraco negro pequeno a ser descoberto deste modo fora da nossa Galáxia. Para obter este resultado, a equipa utilizou o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT.
Crédito: ESO, NASA/ESA/R. Gilmozzi/S. Casertano, J. Schmidt
Esta deteção em NGC 1850 marca a primeira vez que um buraco negro foi descoberto num enxame estelar jovem (este enxame tem apenas cerca de 100 milhões de anos de idade, um piscar de olhos à escala astronómica). Utilizando este método dinâmico em enxames estelares semelhantes poderemos descobrir buracos negros ainda mais jovens e aprender mais sobre como é que estes objetos evoluem. Ao compará-los com buracos negros maiores e mais velhos, situados em enxames estelares mais velhos, os astrónomos poderão compreender como é que estes objetos crescem, "alimentando-se" de estrelas ou fundindo-se com outros buracos negros. Adicionalmente, mapear a demografia de buracos negros em enxames estelares melhorará a nossa compreensão da origem de fontes de ondas gravitacionais.
Para levar a cabo este trabalho de investigação, a equipa utilizou dados obtidos durante dois anos com o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. "O MUSE permitiu-nos observar áreas muito populadas, tais como as regiões mais internas dos enxames estelares, e analisar cada estrela individual na vizinhança. O resultado final é a obtenção de informação sobre milhares de estrelas de uma só vez, pelo menos 10 vezes mais do que com outro instrumento qualquer," diz o coautor Sebastian Kamann, especialista de longa data do MUSE, que trabalha em Liverpool no Astrophysics Research Institute. Deste modo, a equipa conseguiu identificar a estrela estranha cujo movimento peculiar assinalava a presença de um buraco negro. Com dados da Experiência de Lentes Gravitacionais Ópticas da Universidade de Varsóvia e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, a equipa conseguiu ainda medir a massa do buraco negro e confirmar os resultados.
O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, que deverá começar a operar no Chile mais para o final desta década, permitirá aos astrónomos descobrir ainda mais buracos negros escondidos. "O ELT irá revolucionar definitivamente esta área de estudo, já que conseguiremos observar estrelas consideravelmente mais ténues no mesmo campo de visão, assim como procurar buracos negros em enxames globulares muito mais distantes," diz Saracino.
Asteroide próximo da Terra pode ser um fragmento perdido da Lua
Um artigo publicado a semana passada na revista Communications Earth and Environment, por uma equipa de astrónomos liderados pela Universidade do Arizona, afirma que um asteroide próximo da Terra, chamado Kamo'oalewa, pode ser um fragmento da nossa Lua.
Kamo'oalewa é um quási-satélite - uma subcategoria de asteroides próximos da Terra que orbitam o Sol, mas que permanecem relativamente perto do nosso planeta. Pouco se sabe sobre estes objetos porque são ténues e difíceis de observar. Kamo'oalewa foi descoberto pelo telescópio PanSTARRS no Hawaii em 2016, e o nome - encontrado num canto havaiano da criação - alude a uma descendência que viaja por conta própria. O asteroide tem aproximadamente o tamanho de uma roda gigante - entre 46 e 58 metros em diâmetro - e o seu perigeu (menor distância à Terra) situa-se nos 15 milhões de quilómetros.
Impressão de artista do quási-satélite da Terra, Kamo'oalewa, perto do sistema Terra-Lua. Usando o LBT, os astrónomos mostraram que pode ser um fragmento perdido da Lua.
Crédito: Addy Graham/Universidade do Arizona
Devido à sua órbita, Kamo'oalewa só pode ser observado a partir da Terra durante algumas semanas a cada mês de abril. O seu tamanho relativamente pequeno significa que só pode ser visto com um dos maiores telescópios da Terra. Usando o LBT (Large Binocular Telescope), situado no Monte Graham, no sul do estado norte-americano do Arizona, uma equipa de astrónomos liderados por Ben Sharkey, estudante de ciências planetárias na Universidade do Arizona, descobriu que o padrão de luz refletida de Kamo'oalewa, chamado espectro, corresponde ao das rochas lunares das missões Apollo da NASA, sugerindo que teve origem na Lua.
Os investigadores ainda não têm a certeza de como o asteroide pode ter-se soltado da Lua. Em parte, porque não se conhecem outros asteroides com origem lunar.
"Analisei o espectro de todos os asteroides próximos da Terra a que tínhamos acesso, e nada correspondia," disse Sharkey, autor principal do artigo científico.
Um debate entre Sharkey e o seu orientador, o professor associado de ciências lunares e planetárias Vishnu Reddy da Universidade do Arizona, acerca das origens de Kamo'oalewa, levou a mais três anos de busca por uma explicação plausível.
"Nós tivemos imensas dúvidas," disse Reddy, coautor que iniciou o projeto em 2016. Depois de perder a chance de observar o asteroide em abril de 2020 devido ao encerramento do LBT decorrente da pandemia de COVID-19, a equipa encontrou a peça final do quebra-cabeças em 2021.
"Esta primavera, obtivemos as extremamente necessárias observações de acompanhamento e dissemos, 'Uau, é real,'" disse Sharkey. "É mais fácil de explicar com a Lua do que com outras ideias."
A órbita de Kamo'oalewa é outra pista das suas origens lunares. A sua órbita é semelhante à da Terra, mas com uma ligeiríssima inclinação. A sua órbita também não é típica dos asteroides próximos da Terra, de acordo com a coautora do estudo Renu Malhotra, professora de ciências planetárias na Universidade do Arizona que liderou a parte da análise da órbita.
"É muito improvável que um comum asteroide próximo da Terra se movesse espontaneamente para uma órbita quási-satélite como a de Kamo'oalewam," disse Malhotra, cujo laboratório está a trabalhar num artigo científico que investiga mais a fundo as origens do asteroide. "Ele não vai permanecer nesta órbita específica por muito tempo, apenas durante cerca de mais 300 anos, e estimamos que tenha chegado a esta órbita há cerca de 500 anos."
Kamo'oalewa é cerca de 4 milhões de vezes mais fraco do que a estrela mais ténue que o olho humano pode ver sob um céu escuro.
"Estas observações complexas foram possíveis graças ao imenso poder de recolha de luz dos telescópios gémeos de 8,4 metros do LBT," diz o coautor do estudo Al Conrad, cientista da equipa do telescópio.
O estudo também inclui dados do LDT (Lowell Discovery Telescope) em Flagstaff, Arizona, EUA. Os outros coautores do artigo são Olga Kuhn, Christian Veillet, Barry Rothberg e David Thompson do LBT; Audrey Thirouin do Observatório Lowell; e Juan Sanchez do PSI (Planetary Science Institute) em Tucson.
Álbum de fotografias - O Cometa da Rosetta, em Gémeos
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rolando Ligustri (Projeto CARA, CAST)
Regressando ao longo da sua órbita de 6,4 anos, o cometa periódico Churyumov-Gerasimenko (67P) foi aqui capturado nesta imagem telescópica de 7 de novembro. Passando por estrelas de fundo na direção da constelação de Gémeos, a cauda empoeirada do cometa estende-se para o canto superior direito em direção a Upsilon Geminorum. Também conhecida como Pollux, Beta Geminorum, a estrela mais brilhante de Gémeos, brilha no canto superior esquerdo do campo de visão. O Cometa Churyumov-Gerasimenko atingiu o seu periélio de 2021, ou a maior aproximação ao Sol, no dia 2 de novembro. No perigeu, a sua maior aproximação ao planeta Terra de dia 12 de novembro, este cometa estava a cerca de 0,42 UA (unidades astronómicas) de distância, embora permaneça demasiado fraco para ser visto apenas a olho nu. O bem estudado cometa foi explorado por robôs do planeta Terra durante a sua última viagem pelo Sistema Solar interior. Agora é famoso por ser o local de descanso final da histórica nave espacial Rosetta e do seu módulo de pouso, Philae.
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