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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1922  
  09/08 a 11/08/2022  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
17/08/2022, 21:30 - Data esgotada - lista de espera
30/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação da Lua em Tavira
(não é necessário inscrição)
Local: Praça da República
05/08/2022, 21:30
06/09/2022, 21:00

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Observação astronómica no Miradouro da Praia da Marinha (Lagoa)
10/08/2022, 21:15 - Inscrição

Observação astronómica no Vale do Álamo (Penina)
17/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica no Miradouro do Alto da Ameixeira (S. Brás de Alportel)
19/08/2022, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Observação astronómica na praia dos Salgados (Galé/Albufeira)
21/08/2022, 20:45 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica junto ao moinho de maré da Quinta de Marim (Olhão)
30/08/2022, 20:00 - Data esgotada - lista de espera

Lua durante o dia no Centro Náutico da Praia de Faro
(não é necessário inscrição)
Data:
02/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Lua durante o dia no Parque Municipal de Loulé
(não é necessário inscrição)
Data:
03/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 09/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de março de 1974 o "orbiter"/"lander" falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se, assim, solar. 

Em 1976, lançamento da soviética Luna 24, a última missão do programa Luna e a terceira a enviar amostras lunares. A cápsula aterrou na Terra no dia 22 de agosto do mesmo ano.
Observações: As duas estrelas mais brilhantes do verão são Vega, quase por cima das nossas cabeças pouco depois do anoitecer, e Arcturo, brilhando a oeste. Vega é uma estrela esbranquiçada do tipo A a 25 anos-luz de distância. Arcturo é uma gigante do tipo K, amarelo-alaranjada, a 37 anos-luz. A sua diferença de cores é fácil de ver à vista desarmada e ainda mais óbvia através de binóculos.

Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviassem foguetões à Lua já na década de 1920.

Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus
Em 1992, lançamento do KITSAT-A, também conhecido como Uribyol (que significa "a nossa estrela"), o primeiro satélite lançado pela Coreia do Sul.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta ativo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobre o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2001, o vaivém espacial Discovery é lançado na missão STS-105 rumo à ISS, transportando os astronautas da Expedition 3, para substituir a tripulação da Expedition 2.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço.
Observações: Quando Vega passa o mais perto do zénite, o que está a fazer agora logo após o cair da noite, sabemos que o "Bule de Chá" de Sagitário está o mais alto a sul.
Duas horas mais trarde, quando Deneb passar o mais perto do zénite, é a vez da pequena constelação de Golfinho e de Capricórnio ficarem o mais altas a sul.

Dia 11/08: 223.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1962, lançamento da Vostok 3.

Tripulada por Andriyan Nikolayev, orbitou a Terra 64 vezes durante quase quatro dias, um feito que só seria alcançado pela NASA durante o programa Gemini (1965-66). As Vostok 3 e 4 foram lançadas com um dia de diferença e com trajetórias que as aproximaram até 6,5 km entre si. Os cosmonautas a bordo das duas cápsulas comunicaram via rádio, a primeira vez que tal aconteceu. Estas missões marcam a primeira vez que mais do que uma nave espacial estava em órbita à mesma altura.
Observações: Aviste a Lua, praticamente Cheia, baixa a sudeste depois do cair da noite. O ponto brilhante para a sua esquerda é o planeta Saturno.

 
 
   
Dez anos depois do pouso, o rover Curiosity ainda tem muito para fazer
 
O rover Curiosity da NASA obteve este panorama de 360 graus num local de perfuração apelidado de "Avanavero" no dia 20 de junho de 2022, o 3509.º dia marciano, ou sol, da missão. Ao longo dos seus dez anos no Planeta Vermelho, o rover usou a broca no seu braço robótico para recolher 41 amostras de rocha e solo para análise.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Há dez anos atrás, um guindaste aéreo baixava o rover Curiosity da NASA até ao Planeta Vermelho, dando início à missão do explorador do tamanho de um SUV em busca de evidências de que, há milhares de milhões de anos atrás, Marte tinha as condições necessárias para suportar vida microscópica.

Desde então, o Curiosity percorreu quase 29 quilómetros e ascendeu a 625 metros enquanto explora a Cratera Gale e as encostas do Monte Sharp situado no seu interior. O rover analisou 41 amostras de rocha e solo, confiando num conjunto de instrumentos científicos para aprender o que estes revelam sobre o irmão rochoso da Terra. E pressionou uma equipa de engenheiros a conceber formas de minimizar o desgaste e de manter o rover em movimento: de facto, a missão Curiosity foi recentemente alargada por mais três anos, permitindo-lhe continuar na frota de importantes missões astrobiológicas da NASA.

Um tesouro científico

Tem sido uma década atarefada. O Curiosity estudou os céus do Planeta Vermelho, capturando imagens de nuvens brilhantes e de luas à deriva. O sensor de radiação do rover permite aos cientistas medir a quantidade de radiação altamente energética a que os futuros astronautas estariam expostos à superfície marciana, ajudando a NASA a descobrir como mantê-los em segurança.

Mas o mais importante, o Curiosity determinou que a água líquida, bem como os blocos de construção química e os nutrientes necessários para suportar a vida estiveram presentes durante pelo menos dezenas de milhões de anos na Cratera Gale. A cratera já teve um lago, cujo tamanho foi aumentando e diminuindo ao longo do tempo. Cada camada mais acima no Monte Sharp serve como um registo de uma era mais recente do ambiente de Marte.

Agora, o intrépido rover atravessa um desfiladeiro que marca a transição para uma nova região, que se pensa ter-se formado à medida que a água secava, deixando para trás minerais salgados chamados sulfatos.

 
Celebre o 10.º aniversário do rover Curiosity da NASA no Planeta Vermelho com um poster de duas faces que enumera algumas dos feitos inspiradores do intrépido explorador.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Estamos a ver evidências de mudanças dramáticas no antigo clima marciano", disse Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia. "A questão agora é se as condições habitáveis que o Curiosity tem encontrado até agora persistiram ao longo destas mudanças. Será que desapareceram, para nunca mais regressar, ou foram e vieram ao longo de milhões de anos?"

O Curiosity fez progressos notáveis monte acima. Em 2015, a equipa capturou uma imagem de "cartão-postal" de buttes distantes. Uma mera mancha dentro dessa imagem é uma rocha do tamanho do rover Curiosity apelidada de "Ilha Novo Destino" - e, quase sete anos mais tarde, o rover passou por ela no mês passado a caminho da região que contém sulfatos.

A equipa planeia passar os próximos anos a explorar a área rica em sulfatos. No seu interior, têm em mente alvos como o canal Gediz Vallis, que pode ter sido formado durante uma inundação na história tardia do Monte Sharp, e grandes fraturas cimentadas que mostram os efeitos das águas subterrâneas mais acima do monte.

Como manter um rover em movimento

Qual é o segredo do Curiosity para manter um estilo de vida ativo aos 10 anos de idade? Uma equipa de centenas de engenheiros dedicados, claro, que trabalham tanto pessoalmente no JPL como remotamente a partir de casa.

Eles catalogam cada fenda nas rochas, testam cada linha de código antes de ser transmitido e perfuram inúmeras amostras de rocha no Quintal Marciano do JPL, assegurando que o Curiosity pode fazer o mesmo em segurança.

 
Esta paisagem foi capturada pelo Curiosity no dia 9 de setembro de 2015, quando o rover da NASA se encontrava a muitos quilómetros da sua localização atual. O círculo indica a localização de uma rocha com o tamanho do Curiosity que o rover passou recentemente. À esquerda desta está o "Paraitepuy Pass", que o Curiosity está agora a percorrer.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Assim que aterramos em Marte, tudo o que fazemos baseia-se no facto de não haver ninguém por perto para o reparar", disse Andy Mishkin, o atual gestor de projetos do Curiosity no JPL. "Trata-se de fazer uma utilização inteligente do que já está no rover".

O processo de perfuração robótica do Curiosity, por exemplo, foi reinventado várias vezes desde a aterragem. A certa altura, a broca esteve desligada durante mais de um ano, quando os engenheiros redesenharam a sua utilização para ser mais como um berbequim manual. Mais recentemente, um conjunto de mecanismos de travagem que permitem ao braço robótico mover-se ou permanecer no lugar, deixou de funcionar. Embora o braço funcione normalmente desde que os engenheiros ligaram peças sobresselentes, a equipa também aprendeu a perfurar mais suavemente para preservar os novos travões.

Para minimizar os danos nas rodas, os engenheiros mantêm-se atentos a pontos traiçoeiros como o terreno "gator-back", recentemente descoberto, e desenvolveram um algoritmo de controlo de tração para também ajudar.

A equipa adotou uma abordagem semelhante para gerir o poder lentamente decrescente do rover. O Curiosity depende de uma bateria de longa duração alimentada a energia nuclear, em vez de painéis solares, para continuar a funcionar. À medida que as péletes de plutónio na bateria se decompõem, geram calor que o rover converte em energia. Devido à decomposição gradual das péletes, o rover já não consegue fazer tanto num dia como fazia durante o seu primeiro ano.

Mishkin disse que a equipa continua a orçamentar a quantidade de energia que o rover utiliza todos os dias e descobriu quais as atividades que podem ser realizadas em paralelo para otimizar a energia disponível no rover. "O Curiosity está definitivamente a fazer mais multitarefas onde é seguro fazê-lo", acrescentou Mishkin.

Através de cuidadosos trabalhos de planeamento e engenharia, a equipa espera que o corajoso rover ainda explore durante anos.

// NASA (comunicado de imprensa)
// O rover Curiosity faz 10 anos: eis o que aprendeu (JPL via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
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Marte:
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Cratera Gale:
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Fusão explosiva capturada pela primeira vez em comprimentos de onda milimétricos

Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os cientistas registaram pela primeira vez radiação milimétrica proveniente de uma explosão provocada pela fusão de uma estrela de neutrões com outra estrela. A equipa também confirmou este flash de luz como uma das explosões de raios-gama de curta duração mais energéticas alguma vez observadas, deixando para trás dos brilhos remanescentes ultravioleta mais luminosos alguma vez registados. Os resultados da investigação serão publicados numa edição futura da revista The Astrophysical Journal Letters.

 
Pela primeira vez na radioastronomia, os cientistas detetaram radiação, em comprimentos de onda milimétricos, de uma explosão de raios-gama de curta duração. Esta impressão de artista mostra a fusão entre uma estrela de neutrões e outra estrela (vista como um disco, na parte inferior esquerda) que causou um surto resultando na explosão de raios-gama de curta duração, GRB 211106A (jato branco, meio), e deixou para trás o que os cientistas agora sabem ser um dos brilhos remanescentes mais luminosos alguma vez registados (onda de choque semi-esférica no meio, à direita). Enquanto a poeira na galáxia hospedeira obscurecia a maior parte da luz visível (mostrada como cores), a radiação milimétrica do evento (representada a verde) foi capaz de escapar e alcançar o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), dando aos cientistas uma visão sem precedentes desta explosão cósmica. Do estudo, a equipa confirmou que GRB 211106A é um dos GRBs de curta duração mais energéticos jamais observados.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), M. Weiss (NRAO/AUI/NSF)
 

"As explosões de raios-gama ("gamma-ray burst", ou GRB) são as explosões mais brilhantes e energéticas do Universo, capazes de emitir mais energia numa questão de segundos do que o nosso Sol emitirá durante toda a sua vida. GRB 211106A pertence a uma subclasse de GRBs conhecida como explosões de raios-gama de curta duração. Estas explosões - que os cientistas pensam serem responsáveis pela criação dos elementos mais pesados do Universo, como a platina e o ouro - resultam da fusão catastrófica de sistemas binários contendo uma estrela de neutrões. "Estas fusões ocorrem devido à radiação de ondas gravitacionais, que removem energia da órbita das estrelas binárias, fazendo com que as estrelas espiralem uma em direção à outra", disse Tanmoy Laskar, que em breve começará a trabalhar como professor assistente de Física e Astronomia na Universidade do Utah, EUA. "A explosão resultante é acompanhada por jatos que se movem a uma velocidade próxima da velocidade da luz. Quando um destes jatos aponta na direção da Terra, observamos um curto pulso de raios-gama ou um GRB de curta duração".

Um GRB de curta duração geralmente dura apenas alguns décimos de segundo. Os cientistas procuram então um brilho remanescente, uma emissão de radiação provocada pela interação dos jatos com o gás circundante. Mesmo assim, são difíceis de detetar; apenas meia-dúzia de GRBs de curta duração foram detetados no rádio, e até agora nenhum tinha sido detetado em comprimentos de onda milimétricos. Laskar, que liderou a investigação enquanto bolseiro na Universidade de Radboud, Holanda, disse que a dificuldade está na imensa distância aos GRBs e nas capacidades tecnológicas dos telescópios. "Os brilhos remanescentes dos GRBs de curta duração são muito luminosos e energéticos. Mas estas explosões ocorrem em galáxias distantes, o que significa que a luz delas proveniente pode ser bastante ténue para os nossos telescópios na Terra. Antes do ALMA, os telescópios milimétricos não eram suficientemente sensíveis para a deteção destes brilhos remanescentes".

Tendo ocorrido quando o Universo tinha apenas 40% da sua idade atual, GRB 211106A não é exceção. A luz desta explosão de raios-gama de curta duração foi tão fraca que, apesar das primeiras observações de raios-X com o Observatório Neil Gehrels Swift da NASA registarem a explosão, a galáxia hospedeira era indetetável naquele comprimento de onda e os cientistas não foram capazes de determinar exatamente a origem da explosão. "O brilho remanescente é essencial para descobrir de que galáxia vem uma explosão e para aprender mais sobre a própria explosão. Inicialmente, quando apenas a contraparte dos raios-X tinha sido descoberta, os astrónomos pensaram que esta explosão poderia estar a vir de uma galáxia próxima", disse Laskar, acrescentando que uma quantidade significativa de poeira na área também obscurecia o objeto da deteção em observações óticas com o Telescópio Espacial Hubble.

 
No primeiro filme de um GRB de curta duração em comprimentos de onda milimétricos, vemos GRB 21106A como capturado com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). A luz milimétrica aqui vista aponta o local do evento para uma galáxia hospedeira distante em imagens capturadas utilizando o Telescópio Espacial Hubble. A evolução do brilho em comprimentos de onda milimétricos fornece informações sobre a energia e sobre a geometria dos jatos produzidos na explosão.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), T. Laskar (Utah), S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

Cada comprimento de onda acrescentou uma nova dimensão à compreensão dos cientistas deste GRB, e o milímetro, em particular, foi fundamental para desvendar a verdade sobre a explosão. "As observações do Hubble revelaram um campo imutável de galáxias. A sensibilidade inigualável do ALMA permitiu-nos identificar com mais precisão a localização do GRB nesse campo e acabou por ter origem noutra galáxia ténue, que se encontra mais longe. Isto, por sua vez, significa que esta explosão de raios-gama de curta duração é ainda mais poderosa do que pensávamos inicialmente, tornando-a uma das mais luminosas e energéticas de que há registo", disse Laskar.

Wen-fai Fong, professora assistente de Física e Astronomia na Universidade Northwestern, acrescentou: "Esta curta explosão de raios-gama foi a primeira vez que tentámos observar um evento deste tipo com o ALMA. Os brilhos remanescentes de GRBs de curta duração são muito difíceis de conseguir, por isso foi espetacular apanhar este evento tão brilhante. Após muitos anos a observar estas explosões, esta descoberta surpreendente abre uma nova área de estudo, uma vez que nos motiva a observar muitos mais com o ALMA e com outros telescópios, no futuro".

Joe Pesce, oficial da NSF (National Science Foundation) para o programa NRAO/ALMA, disse: "Estas observações são fantásticas a muitos níveis. Fornecem mais informação para nos ajudar a compreender as enigmáticas explosões de raios-gama (e a astrofísica das estrelas de neutrões em geral) e demonstram quão importantes e complementares as observações multi-comprimento de onda com telescópios espaciais e no solo são, na compreensão dos fenómenos astrofísicos".

E há ainda muito trabalho a ser feito em vários comprimentos de onda, tanto com novos GRBs e com GRB 211106A, o que poderá revelar surpresas adicionais sobre estas explosões. "O estudo dos GRBs de curta duração requer a rápida coordenação de telescópios em todo o mundo e no espaço, operando em todos os comprimentos de onda", disse Edo Berger, professor de Astronomia na Universidade de Harvard. "No caso de GRB 211106A, utilizámos alguns dos telescópios mais poderosos disponíveis - o ALMA, o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF, o Observatório de raios-X Chandra da NASA e o Telescópio Espacial Hubble. Com o agora operacional Telescópio Espacial James Webb, e futuros telescópios óticos e radiotelescópios de 20-40 metros, tais como o ngVLA (next generation VLA), seremos capazes de produzir uma imagem completa destes eventos cataclísmicos e de os estudar a distâncias sem precedentes".

Laskar acrescentou: "Com o JWST, podemos agora obter um espectro da galáxia hospedeira e conhecer facilmente a distância e, no futuro, também podemos utilizar o JWST para capturar os brilhos remanescentes infravermelhos e estudar a sua composição. Com o ngVLA, seremos capazes de estudar a estrutura geométrica dos brilhos remanescentes e o combustível de formação estelar encontrado nos seus ambientes hospedeiros com um detalhe sem precedentes. Estou entusiasmado com estas próximas descobertas no nosso campo".

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Universidade de Radboud (comunicado de imprensa)
// Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

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GRB:
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GRBs de curta duração (Wikipedia)

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Telescópio Espacial Hubble:
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Anãs da Fornalha parecem não mostrar vestígios de halos de matéria escura

De acordo com o modelo padrão da cosmologia, a grande maioria das galáxias está rodeada por um halo de partículas de matéria escura. Este halo é invisível, mas a sua massa exerce uma forte atração gravitacional sobre as galáxias nas proximidades. Um novo estudo liderado pela Universidade de Bona (Alemanha) e pela Universidade de Saint Andrews (Escócia) desafia esta visão do Universo. Os resultados sugerem que as galáxias anãs do segundo enxame galáctico mais próximo da Terra - conhecido como o Enxame da Fornalha - estão livres de tais halos de matéria escura. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

 
A galáxia anã NGC1427A voa através do enxame de galáxias da Fornalha e sofre perturbações que não seriam possíveis se esta galáxia estivesse rodeada por um halo de matéria escura, pesado e prolongado, como exigido pela cosmologia padrão.
Crédito: ESO
 

As galáxias anãs são pequenas e ténues e podem ser normalmente encontradas em enxames de galáxias ou perto de galáxias maiores. Devido a isto, podem ser afetadas pelos efeitos gravitacionais das suas companheiras maiores. "Introduzimos uma forma inovadora de testar o modelo padrão com base no quanto as galáxias anãs são perturbadas pelas marés gravitacionais de galáxias maiores próximas", disse Elena Asencio, estudante de doutoramento da Universidade de Bona e autora principal do estudo. As marés surgem quando a gravidade de um corpo puxa de forma diferente partes diferentes de outro corpo. Estas são semelhantes às marés na Terra, que surgem porque a Lua puxa mais fortemente no lado da Terra que está de frente para a Lua.

O Enxame de Galáxias da Fornalha é rica em galáxias anãs. Observações recentes mostram que algumas destas anãs parecem distorcidas, como se tivessem sido perturbadas pelo ambiente do enxame. "Tais perturbações nas anãs da Fornalha não são esperadas de acordo com o Modelo Padrão", disse Pavel Kroupa, professor na Universidade de Bona e da Universidade Charles em Praga. "Isto porque, de acordo com o modelo padrão, os halos de matéria escura destas anãs devem protegê-las parcialmente das marés levantadas pelo enxame".

Os autores analisaram o nível esperado de perturbação das anãs, que depende das suas propriedades internas e da sua distância ao gravitacionalmente poderoso centro do enxame. Galáxias de grandes dimensões, mas com baixas massas estelares, e galáxias próximas do centro do enxame, são mais facilmente perturbadas ou destruídas. Os cientistas compararam os resultados com o seu nível de perturbação observado evidente a partir de fotografias tiradas pelo VST (VLT Survey Telescope) do ESO.

"A comparação mostrou que, se se quiser explicar as observações no modelo padrão" - disse Elena Asencio - "as anãs da Fornalha já deviam ter sido destruídas pela gravidade do centro do enxame, mesmo quando as marés que sobem sobre uma anã são sessenta e quatro vezes mais fracas do que a própria autogravidade da anã". Não só isto é contraintuitivo, disse, como também contradiz estudos anteriores, que constataram que a força externa necessária para perturbar uma galáxia anã é aproximadamente a mesma que a autogravidade da anã.

Contradição com o modelo padrão

A partir disto, os autores concluíram que, no modelo padrão, não é possível explicar as morfologias observadas nas anãs da Fornalha de uma forma autoconsistente. Eles repetiram a análise utilizando a dinâmica newtoniana modificada (MOND). Em vez de assumir halos de matéria escura em torno das galáxias, a teoria MOND propõe uma correlação com a dinâmica newtoniana através da qual a gravidade experimenta um impulso no regime de baixas acelerações.

"Não tínhamos a certeza de que as galáxias anãs conseguiriam sobreviver ao ambiente extremo de um enxame de galáxias na teoria MOND, devido à ausência de halos protetores de matéria escura neste modelo - admitiu o Dr. Indranil Banik da Universidade de St. Andrews - "mas os nossos resultados mostram um acordo notável entre as observações e as expetativas MOND quanto ao nível de perturbação das anãs da Fornalha".

"É excitante ver que os dados que obtivemos com o VST permitiram um teste tão exaustivo de modelos cosmológicos", disse Aku Venhola da Universidade de Oulu (Finlândia) e Steffen Mieske do ESO, coautores do estudo.

Esta não é a primeira vez que um estudo testando o efeito da matéria escura na dinâmica e evolução das galáxias concluiu que as observações são melhor explicadas quando não estão rodeadas de matéria escura. "O número de publicações que mostram incompatibilidades entre as observações e o paradigma da matéria escura continua a aumentar a cada ano. É tempo de começar a investir mais recursos em teorias mais promissoras", disse Pavel Kroupa, membro das Áreas de Investigação Transdisciplinar "Modelação" e "Matéria" na Universidade de Bona.

O Dr. Hongsheng Zhao da Universidade de St. Andrews acrescentou: "Os nossos resultados têm grandes implicações para a física fundamental. Esperamos encontrar anãs mais perturbadas noutros enxames, uma previsão que outras equipas poderão verificar".

// Universidade de Bona (comunicado de imprensa)
// Universidade de St. Andrews (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Matéria escura:
Wikipedia

Galáxias anãs:
Wikipedia

Enxame da Fornalha:
Wikipedia

Modelo padrão:
Wikipedia

MOND:
Wikipedia

VST:
ESO
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Álbum de fotografias - Meteoro Diante de Galáxia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fritz Helmut Hemmerich
 
O que é aquele risco verde em frente da Galáxia de Andrómeda? Um meteoro. Ao fotografar a Galáxia de Andrómeda em 2016, perto do pico da chuva de meteoros das Perseídas, um pequeno seixo do espaço profundo atravessou-se mesmo em frente da distante companheira da nossa Via Láctea. O pequeno meteoro demorou apenas uma fração de segundo a passar por este campo de 10 graus. O meteoro aumentou de brilho várias vezes enquanto travava violentamente ao entrar na atmosfera da Terra. A cor verde foi criada, pelo menos em parte, pelo gás do meteoro que brilhava à medida que se vaporizava. Embora a exposição tenha sido temporizada para apanhar um meteoro das Perseídas, a orientação do risco aqui fotografado parece corresponder melhor a um meteoro das Delta Aquáridas do Sul, uma chuva de meteoros que atingiu o seu pico algumas semanas antes. Não por coincidência, a chuva de meteoros das Perseídas atinge o seu pico no final desta semana, embora este ano os meteoros tenham de brilhar num céu iluminado por uma Lua quase Cheia.
 
   
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