DIA 17/03: 76.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958 era lançada a primeira sonda a energia solar, a Vanguard 1.
Transportava um sensor de medição de temperatura e um transmissor de rádio. O seu sistema de energia parou em 1964, embora se pensasse que continuaria a orbitar a Terra e a transmitir dados durante 1000 anos.
Em 2013, o maior meteorito (desde que a NASA começou a observar a Lua em 2005) atinge a Lua. HOJE, NO COSMOS:
A primavera está quase a chegar, pelo que Orionte está alto a sul-sudoeste assim que as estrelas começam a aparecer. Está a começar a sua longa inclinação primaveril e despedida a oeste - à medida que as horas passam durante a noite e à medida que as semanas passam com o avançar da estação.
DIA 18/03: 77.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.
Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento, no Cosmódromo de Plesetsk, matando 50 pessoas.
Em 2011, inserção orbital da sonda MESSENGER em Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
Na divisão tradicional entre o céu de inverno e o céu de primavera está a ténue constelação de Caranguejo. Encontra-se entre Gémeos (para oeste) e Leão (para este). Caranguejo hospeda um objeto algo único: o Enxame do Presépio (M44), quase a meio. Procure-o a menos de metade da distância entre Pollux (Gémeos) e Régulo (Leão). O Presépio é ténue à vista desarmada, caso tenha pouca ou nenhuma poluição luminosa. Com binóculos é fácil de observar, mesmo sob más condições.
DIA 19/03: 78.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1915, Plutão era fotografado pela primeira vez. No entanto, não foi identificado como planeta.
Em 2008, GRB 080319B, uma explosão cósmica que se torna no objeto mais distante visível [brevemente] a olho nu. HOJE, NO COSMOS:
Pollux e Castor, em Gémeos, passam quase por cima das nossas cabeças esta semana à hora de jantar caso o observador viva a latitudes médias norte.
As cabeças dos "gémeos" dão a parecer que nem são gémeos verdadeiros. Pollux é visivelmente mais brilhante que Castor e de pálido tom alaranjado. No que concerne à sua natureza física, nem pertencem à mesma classe estelar.
Pollux é uma única gigante laranja. Castor é um binário formado por estrelas mais pequenas, quentes e brancas de sequência principal, bom para telescópios amadores. Se Pollux fosse uma bola de basquetebol, Castor A e B seriam uma bola de ténis e uma bola de basebol separadas por 800 metros.
Além disso, cada estrela de Castor é orbitada intimamente por uma anã vermelha invisível - um berlinde no nosso modelo a apenas 30 cm de cada uma das brilhantes primárias.
E um par muito distante e íntimo de anãs vermelhas, Castor C, é visível em telescópios amadores como um único pontinho de magnitude 10 a 70 segundos de arco sul-sudeste do par principal. No nosso modelo, seriam um par de berlindes separados por apenas pouco mais de 7 cm, pelo menos a 16 km de Castor A e B. As estrelas duplas têm muitos géneros de separação - desde quase um ano-luz entre si até efetivamente a tocarem-se uma à outra.
DIA 20/03: 79.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lectures apresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).
Em 2015, um eclipse solar, o equinócio e uma super-Lua ocorrem no mesmo dia. HOJE, NO COSMOS:
Equinócio vernal. A primavera começa pelas 22:24.
CURIOSIDADES
Este é o protótipo do fato espacial da missão Artemis III, de nome AxEMU. A versão final, que provavelmente será toda em branco, vai ser utlizada pelos astronautas da NASA na superfície da Lua, quando a agência voltar a pisar solo lunar.
Dados da Magellan revelam atividade vulcânica em Vénus
Foram observadas, pela primeira vez na superfície de Vénus, evidências geológicas diretas de atividade vulcânica recente. Os cientistas fizeram a descoberta depois de analisarem imagens de radar tiradas há mais de 30 anos, na década de 1990, pela missão Magellan da NASA. As imagens revelaram uma fissura vulcânica que mudou de forma e aumentou significativamente de tamanho em menos de um ano.
Este modelo 3D gerado por computador da superfície de Vénus mostra o cume de Maat Mons, o vulcão que está a exibir sinais de atividade. Um novo estudo revelou que uma das fissuras de Maat Mons foi ampliada e mudou de forma ao longo de um período de oito meses em 1991, indicando a ocorrência de um evento eruptivo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Os cientistas estudam vulcões ativos para compreender como o interior de um planeta pode moldar a sua crosta, impulsionar a sua evolução e afetar a sua habitabilidade. Uma das novas missões da NASA a Vénus irá fazer exatamente isso. Liderada pelo JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, a VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy) será lançada dentro de uma década. O orbitador estudará Vénus da superfície ao núcleo para compreender como um planeta rochoso do mesmo tamanho da Terra tomou um caminho muito diferente, evoluindo para um mundo coberto por planícies vulcânicas e terreno deformado escondido sob uma atmosfera espessa, quente e tóxica.
"A seleção da missão VERITAS pela NASA inspirou-me a procurar por atividade vulcânica recente nos dados da Magellan", disse Robert Herrick, professor na Universidade do Alaska, em Fairbanks, membro da equipa científica da VERITAS, que liderou a pesquisa dos dados de arquivo. "Não esperava realmente ter sucesso, mas após cerca de 200 horas de comparação manual das imagens de diferentes órbitas da Magellan, vi duas imagens da mesma região, tiradas com oito meses de intervalo, exibindo alterações geológicas provocadas por uma erupção".
A pesquisa e as suas conclusões estão descritas num novo estudo publicado na revista Science. Herrick também apresentou os achados no passado dia 15 de março durante a 54.ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária, realizada no estado norte-americano do Texas.
Os dados de altitude para as regiões Maat Mons e Ozza Mons, na superfície de Vénus, podem ser vistos à esquerda, com a área de estudo indicada pela caixa preta. À direita estão as observações da Magellan antes (A) e depois (B) da ampliação da fissura de Maat Mons, com possíveis novos fluxos de lava após um evento eruptivo.
Crédito: Robert Herrick/UAF
Modelando um vulcão
As mudanças geológicas que Herrick encontrou ocorreram em Atla Regio, uma vasta região montanhosa perto do equador de Vénus que acolhe dois dos maiores vulcões do planeta, Ozza Mons e Maat Mons. Há muito que se pensa que a região é vulcanicamente ativa, mas não havia evidências diretas de atividade recente. Ao examinar as imagens de radar da Magellan, Herrick identificou uma fissura vulcânica associada a Maat Mons que mudou significativamente entre fevereiro e outubro de 1991.
Na imagem de fevereiro, a fissura aparecia quase circular, cobrindo uma área com menos de 2,2 quilómetros quadrados. Tinha lados interiores íngremes e mostrava sinais de lava nas suas encostas exteriores, factores que sugeriam atividade. Nas imagens de radar captadas oito meses mais tarde, a mesma abertura tinha duplicado de tamanho e ficado deformada. Parecia também estar cheia até acima com um lago de lava.
Mas como as duas observações eram de ângulos de visão opostos, tinham perspetivas diferentes, o que as tornava difíceis de comparar. A baixa resolução dos dados com três décadas só tornou o trabalho mais complicado.
Herrick juntou-se a Scott Hensley do JPL, cientista do projeto VERITAS e especialista na análise de dados de radar como os da Magellan. Os dois investigadores criaram modelos informáticos da fissura em várias configurações para testar diferentes cenários de eventos geológicos, tais como deslizamentos de terras. A partir desses modelos, concluíram que só uma erupção poderia ter provocado a mudança.
"Apenas algumas das simulações coincidiram com as imagens e o cenário mais provável é que a atividade vulcânica ocorreu à superfície de Vénus durante a missão da Magellan", disse Hensley. "Embora este seja apenas um ponto de dados para um planeta inteiro, confirma a existência de atividade geológica moderna".
Os cientistas compararam o tamanho do fluxo de lava gerado pela atividade de Maat Mons com a erupção do Kilauea em 2018, na Ilha Grande do Hawaii.
Este mapa global e simulado por computador da superfície de Vénus foi construído a partir de dados das missões Magellan e Pioneer Orbiter da NASA. Maat Mons, o vulcão que exibiu sinais de uma erupção recente, está dentro do quadrado perto do equador do planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O legado da Magellan
Herrick, Hensley e o resto da equipa da VERITAS estão ansiosos por ver como o conjunto de instrumentos científicos avançados e os dados de alta resolução da missão irão complementar a notável coleção de imagens de radar da Magellan, que transformou o conhecimento da humanidade sobre Vénus.
"Vénus é um mundo enigmático e a Magellan sugeriu tantas possibilidades", disse Jennifer Whitten, investigadora adjunta principal da VERITAS na Universidade de Tulane, em Nova Orleães. "Agora que estamos muito certos de que o planeta sofreu uma erupção vulcânica há apenas 30 anos, esta é uma antevisão das incríveis descobertas que a VERITAS irá fazer".
A VERITAS vai utilizar um radar de abertura sintética topo-de-gama para criar mapas globais em 3D e um espectrómetro no infravermelho próximo para descobrir de que é feita a superfície. A sonda também irá medir o campo gravitacional do planeta para determinar a estrutura do interior de Vénus. Juntos, os instrumentos vão fornecer pistas sobre os processos geológicos passados e presentes do planeta.
E enquanto os dados da Magellan eram originalmente complexos de estudar - Herrick disse que na década de 1990 basearam-se em caixas de CDs de dados de Vénus que foram compilados pela NASA e entregues por correio -, os dados da VERITAS estarão disponíveis online para a comunidade científica. Isso permitirá aos investigadores aplicar técnicas de ponta, como a aprendizagem de máquina, para analisar o planeta e ajudar a revelar os seus segredos mais íntimos.
Esses estudos serão complementados pela EnVision, uma missão europeia a Vénus com lançamento previsto para o início da década de 2030. A sonda transportará o seu próprio radar de abertura sintética (de nome VenSAR), que está a ser desenvolvido no JPL, bem como um espectrómetro semelhante ao que a VERITAS levará. Tanto Hensley como Herrick são membros chave da equipa científica do VenSAR.
Uma vista simulada mostra o cenário de aquecimento em grande escala em torno de um protoenxame galáctico, utilizando dados de simulações de supercomputador. Pensa-se ser este um cenário semelhante ao observado no protoenxame COSTCO-I. A área amarela no centro da imagem representa uma enorme bolha de gás quente que abrange vários milhões de anos-luz. A cor azul indica gás mais frio localizado nas regiões exteriores do protoenxame e os filamentos que ligam o gás quente a outras estruturas. Os pontos brancos embutidos na distribuição de gás representa a luz emitida pelas estrelas.
Crédito: Colaboração Three Hundred
Recorrendo ao Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii, astrofísicos descobriram um protoenxame galáctico, no Universo primitivo, rodeado de gás que é surpreendentemente quente.
Este gás escaldante "abraça" uma região que consiste numa coleção gigantesca de galáxias chamada COSTCO-I. Observado quando o Universo era 11 mil milhões de anos mais jovem, COSTCO-I data de uma época em que o gás que preenchia a maior parte do espaço fora das galáxias visíveis, chamado meio intergaláctico, era significativamente mais frio. Durante esta era, conhecida como "Meio-Dia Cósmico", as galáxias no Universo encontravam-se no auge da formação estelar; o seu ambiente estável estava repleto do gás frio de que precisavam para se formar e crescer, com temperaturas de cerca de 10.000º C.
Em contraste, o "caldeirão" de gás associado com COSTCO-I parece estar à frente do seu tempo, "cozinhando" num estado quente e complexo; as suas temperaturas assemelham-se ao atual meio intergaláctico, que vai de 100.000 a mais de 10 milhões de graus Celsius, frequentemente chamado "Meio Intergaláctico Morno-Quente" (em inglês, WHIM - Warm-Hot Intergalactic Medium).
Esta descoberta marca a primeira vez que os astrofísicos identificaram uma área de gás antigo mostrando características do meio intergaláctico dos tempos modernos; é de longe a mais antiga parte conhecida do Universo que ferveu até às temperaturas do atual WHIM.
A investigação, liderada por uma equipa do Instituto Kavli para Física e Matemática do Universo (parte da Universidade de Tóquio), foi publicada na edição mais recente da revista The Astrophysical Journal Letters.
"Se pensarmos no atual meio intergaláctico como um gigantesco guisado cósmico que está a ferver e a formar espuma, então COSTCO-I é provavelmente a primeira bolha que os astrónomos observaram, durante uma era num passado distante em que a maior parte da panela ainda estava fria", disse Khee-Gan Lee, professor assistente do Instituto Kavli e coautor do artigo científico.
A equipa observou COSTCO-I quando o Universo tinha apenas um-quarto da sua idade atual. O protoenxame galáctico tem uma massa total de mais de 400 biliões de vezes a massa do nosso Sol e abrange vários milhões de anos-luz.
Apesar dos astrónomos estarem agora a descobrir regularmente protoenxames galácticos tão distantes, a equipa encontrou algo estranho quando verificou os espectros ultravioletas que cobrem a região de COSTCO-I utilizando o instrumento LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do Observatório Keck. Normalmente, a grande massa e o tamanho dos protoenxames galácticos lançariam uma sombra quando vistos nos comprimentos de onda específicos do hidrogénio neutro associado ao gás do protoenxame.
Não foi encontrada tal sombra de absorção na posição de COSTCO-I.
"Ficámos surpreendidos porque a absorção de hidrogénio é uma das formas comuns de procurar protoenxames galácticos, e outros protoenxames perto de COSTCO-I mostram este sinal de absorção", disse Chenze Dong, estudante de mestrado na Universidade de Tóquio e autor principal do estudo. "As sensíveis capacidades ultravioletas do LRIS, no Telescópio Keck I, permitiram-nos fazer mapas altamente confiáveis do gás hidrogénio, e a assinatura de COSTCO-I simplesmente não estava lá".
Esta figura compara a absorção de hidrogénio observada nas proximidades do protoenxame galáctico COSTCO-I (painel superior), em comparação com a absorção esperada dada a presença do protoenxame, tal como calculada a partir de simulações computorizadas. A forte absorção de hidrogénio é vista a vermelho, enquanto a fraca absorção é vista a azul e a absorção intermédia é denotada com cores verde ou amarela. Os pontos pretos na figura mostram onde os astrónomos detetaram galáxias nessa área. Na posição de COSTCO-I (com o seu centro marcado como uma estrela em ambos os painéis), os astrónomos descobriram que a absorção de hidrogénio observada não é muito diferente do valor médio do Universo naquela época. Isto é surpreendente porque seria de esperar encontrar uma absorção prolongada de hidrogénio abrangendo milhões de anos-luz naquela região, correspondente à elevada concentração de galáxias observada.
Crédito:
Dong et al. 2023, The Astrophysical Journal Letters
A ausência de hidrogénio neutro rastreando o protoenxame implica que o gás [no protoenxame] deve estar aquecido a temperaturas de possivelmente milhões de graus, muito acima do estado frio esperado para o meio intergaláctico naquela época distante.
"As propriedades e a origem do WHIM continua a ser uma das maiores questões da astrofísica atual. Ser capaz de vislumbrar um dos primeiros locais de aquecimento do WHIM ajudará a revelar os mecanismos que fizeram o gás intergaláctico 'ferver na espuma' atual", disse Lee. "Existem algumas possibilidades de como isto pode acontecer, mas pode ser ou devido ao aquecimento do gás quando colide durante o colapso gravitacional, ou devido a gigantescos jatos de rádio que podem estar a bombear energia de buracos negros supermassivos dentro do protoenxame".
O meio intergaláctico serve como reservatório de gás que alimenta matéria-prima às galáxias. O gás quente comporta-se de forma diferente do gás frio, o que determina a facilidade com que podem fluir para as galáxias e assim formar estrelas. Como tal, ter a capacidade de estudar diretamente o crescimento do WHIM no Universo primitivo permite aos astrónomos construir uma imagem coerente da formação das galáxias e do ciclo de vida do gás que as alimenta.
Webb captura o prelúdio raramente visto de uma supernova
Uma estrela Wolf-Rayet é um raro prelúdio do famoso ato final de uma estrela massiva: a supernova. Como uma das suas primeiras observações em 2022, o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA captou a estrela Wolf-Rayet WR 124 com um detalhe sem precedentes.
Um halo distinto de gás e poeira enquadra a estrela e brilha no infravermelho detetado pelo Webb, exibindo uma estrutura com nós e uma história de ejeções episódicas. Apesar de ser o cenário de uma iminente "morte" estelar, os astrónomos também olham para as estrelas Wolf-Rayet para obterem uma visão de novos começos. Nas nebulosas turbulentas que rodeiam estas estrelas forma-se poeira cósmica, poeira esta que é composta pelos blocos de construção de elementos pesados do Universo moderno, incluindo a vida na Terra.
Wolf-Rayet 124 (composição do instrumentos NIRCam e MIRI do JWST).
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Equipa de Produção ERO do Webb
A rara visão de uma estrela Wolf-Rayet - entre as estrelas mais luminosas, mais massivas e mais brevemente detetáveis conhecidas - foi uma das primeiras observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. O Webb mostra a estrela WR 124 em detalhe sem precedentes com os seus poderosos instrumentos infravermelhos. A estrela fica a 15.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Sagitário.
As estrelas massivas "correm" através dos seus ciclos de vida e nem todas elas passam por uma breve fase Wolf-Rayet antes de se tornarem uma supernova, o que significa que as observações detalhadas do Webb são valiosas para os astrónomos. As estrelas Wolf-Rayet estão no processo de libertar as suas camadas exteriores, resultando nos seus halos característicos de gás e poeira. A estrela WR 124 tem 30 vezes a massa do Sol e já libertou o equivalente a 10 sóis de material - até agora. À medida que o gás ejetado se afasta da estrela e arrefece, forma-se poeira cósmica e brilha na luz infravermelha detetável pelo Webb.
A origem da poeira cósmica que pode sobreviver a uma explosão de supernova e contribuir para o "orçamento global de poeira" do Universo é de grande interesse para os astrónomos por muitas razões. A poeira é parte integrante do funcionamento do Universo: abriga a formação de estrelas, reúne-se para ajudar a formar planetas e serve como plataforma para as moléculas se formarem e aglomerarem-se - incluindo os blocos de construção da vida na Terra. Apesar dos muitos papéis essenciais que a poeira desempenha, ainda há mais poeira no Universo do que as atuais teorias da formação da poeira dos astrónomos podem explicar. O Universo está a funcionar com um excedente orçamental de poeira.
Wolf-Rayet 124 (imagem do MIRI do JWST).
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Equipa de Produção ERO do Webb
O Webb abre novas possibilidades para o estudo de detalhes na poeira cósmica, que é melhor observada em comprimentos de onda infravermelhos. O seu instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) equilibra o brilho do núcleo estelar de WR 124 e os detalhes em forma de nós no gás circundante mais ténue. O inovador instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), metade do qual teve contribuição europeia, revela a estrutura "grumosa" do gás e da poeira da nebulosa que rodeia a estrela em detalhes sem precedentes. Antes do Webb, os astrónomos dedicados ao estudo da poeira simplesmente não tinham informação detalhada o suficiente para explorar questões de produção da poeira em ambientes como WR 124, e se essa poeira era de tamanho e quantidade suficientes para sobreviver e dar uma contribuição significativa para o orçamento global da poeira. Agora, essas questões podem ser investigadas com dados reais.
Estrelas como WR 124 também servem de análogo para ajudar os astrónomos a compreender um período crucial na história inicial do Universo. Estrelas "moribundas" semelhantes semearam o jovem Universo com os elementos pesados forjados nos seus núcleos - elementos que são agora comuns na era atual, incluindo na Terra.
A imagem detalhada de WR 124 preserva para sempre uma breve e turbulenta época de transformação e promete futuras descobertas que vão revelar os mistérios há muito encobertos da poeira cósmica.
As "zonas dos terminadores" em planetas distantes poderiam suportar vida (via UC Irvine)
Num novo estudo, os astrónomos descrevem como a vida extraterrestre tem potencial para existir em exoplanetas distantes dentro de uma área especial chamada "zona do terminador", que é um anel em planetas que têm um lado que está sempre virado para a sua estrela e o outro lado onde é sempre noite. Ler fonte
Estudo descobre que correntes oceânicas podem afetar rotação da crosta gelada de Europa (via NASA)
Os cientistas da NASA têm fortes evidências de que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano interno sob a sua casca exterior gelada - um enorme corpo de água salgada a girar em torno do interior rochoso da lua. Novos modelos de computador sugerem que a água pode estar a empurrar a concha gelada, possivelmente acelerando e abrandando a rotação do invólucro gelado da lua ao longo do tempo. Os cientistas sabem que a concha de Europa está provavelmente a flutuar livremente, girando a um ritmo diferente do oceano abaixo e do interior rochoso. A nova modelagem é a primeira a mostrar que as correntes oceânicas de Europa podem estar a contribuir para a rotação da sua concha gelada. Ler fonte
Álbum de fotografias W5: A Nebulosa da Alma
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Jiménez (Astromet)
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