DIA 29/09: 272.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1954 é assinada a convenção que estabelece o CERN.
Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.
Marca o recomeço das missões depois do acidente 1986 51-L do vaivém Challenger. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteroide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize. HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 10:58.
Assim que as estrelas começam a aparecer, já Cassiopeia está mais alta a nordeste do que a Ursa Maior a noroeste. Com o passar das horas, o seu padrão em forma de "W" sobe e fica de lado.
Logo também ao início da noite, olhe para cima da Lua para ver se consegue discernir o Grande Quadrado de Pégaso através do luar. Está apoiado num canto. A linha do seu canto superior, que passa pelo seu canto inferior, aponta para a Lua.
DIA 30/09: 273.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.
Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972. HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste após o anoitecer. Arcturo, de brilho idêntico, está ficando muito baixa a oeste-noroeste.
A estrela mais brilhante na grande área entre as duas, a um-terço do caminho de Vega até Arcturo, é Alphecca, de magnitude 2,2 - a jóia da Coroa Boreal. Alphecca é um binário eclipsante com diminuições de magnitude a cada 17 dias, mas são demasiado fracas para o olho ver com confiança.
DIA 01/10: 274.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA.
Em 1962, entra em operação o radiotelescópio de 91 metros do NRAO. Este telescópio, que colapsou subitamente no dia 15 de novembro de 1988, era o segundo maior do mundo. HOJE, NO COSMOS:
Pelas 23 horas, vire-se para este e observe a Lua. O ponto brilhante para baixo do nosso satélite natural é o planeta Júpiter. Para a esquerda destes dois astros, e um pouco para baixo, estão as Plêiades.
DIA 02/10: 275.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Lançamento da Explorer 14. HOJE, NO COSMOS:
Cisne flutua quase por cima das nossas cabeças por estas noites. Quando nos viramos para sudoeste, a cruz que a constelação desenha parece estar em pé. Tem cerca de dois punhos à distância do braço esticado de altura, com Deneb como o seu topo. Dito de outra maneira, quando nos viramos nessa direção, Cisne parece mergulhar para baixo. Como que migrando no outono.
Novas evidências da rotação de um buraco negro
Representação esquemática do modelo do disco de acreção inclinado. Nesta ilustração, assume-se que o eixo de rotação do buraco negro corresponde à vertical (exatamente de cima para exatamente em baixo). A direção do jato aponta quase perpendicularmente ao plano do disco. O desalinhamento entre o eixo de rotação do buraco negro e o eixo de rotação do disco desencadeia a precessão do disco e do jato.
Crédito: Cui et al. (2023), Intouchable Lab@Openverse e Laboratório de Zhejiang
O buraco negro supermassivo no coração da galáxia M87, que se tornou famoso pela primeira imagem da sombra de um buraco negro, deu origem a outra novidade: confirmou-se agora que o seu jato oscila, fornecendo uma evidência direta de que o buraco negro está a girar.
Os buracos negros supermassivos, monstros até milhares de milhões de vezes mais pesados do que o Sol que devoram tudo à sua volta, incluindo a luz, são difíceis de estudar porque nenhuma informação pode escapar do seu interior. Teoricamente, há muitas poucas propriedades que possamos sequer esperar medir. Uma propriedade que poderia ser observada é a rotação, mas devido às dificuldades envolvidas, não têm havido observações diretas da rotação de buracos negros.
À procura de evidências da rotação de buracos negros, uma equipa internacional analisou mais de duas décadas de dados observacionais da galáxia M87. Esta galáxia, localizada a 55 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Virgem, alberga um buraco negro 6,5 mil milhões de vezes mais massivo do que o Sol, o mesmo buraco negro que produziu a primeira imagem da sombra de um buraco negro pelo EHT (Event Horizon Telescope) em 2019. Sabe-se que o buraco negro supermassivo na galáxia M87 tem um disco de acreção, que alimenta o buraco negro com matéria, e um jato, no qual a matéria é ejetada de perto do buraco negro a uma velocidade próxima da da luz.
A equipa analisou dados relativos a 170 períodos de tempo recolhidos pela EAVN (East Asian VLBI Network), pelo VLBA (Very Long Baseline Array), pela rede conjunta KVN e VERA (KaVA) e pela rede VLBI EATING (East Asia to Italy Nearly Global). No total, mais de 20 radiotelescópios de todo o mundo contribuíram para este estudo.
Painel superior: estrutura do jato de M87 a 43 GHz em média de dois em dois anos de 2013 a 2018. Os anos correspondentes estão indicados no canto superior esquerdo. As setas brancas indicam o ângulo de posição do jato em cada subparcela.
Painel inferior: evolução observada da direção do jato entre 2000 e 2022. Os pontos verdes e azuis são obtidos a partir de observações a 22 e 43 GHz. A linha vermelha representa uma curva sinusoidal de melhor ajuste com um período de 11 anos. Crédito: Cui et al. (2023)
Os resultados mostram que as interações gravitacionais entre o disco de acreção e a rotação do buraco negro fazem com que a base do jato oscile, ou precesse, da mesma forma que as interações gravitacionais dentro do Sistema Solar fazem com que a Terra precesse. A equipa conseguiu ligar a dinâmica do jato ao buraco negro supermassivo central, fornecendo evidências diretas de que o buraco negro está, de facto, a girar. A direção do jato muda cerca de 10 graus com um período de precessão de 11 anos, o que corresponde às simulações teóricas em supercomputador realizadas pelo ATERUI II no NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan).
"Estamos entusiasmados com esta descoberta significativa", diz Yuzhu Cui, autora principal do artigo que resume a investigação que iniciou como estudante no NAOJ antes de se mudar para o Laboratório de Zhejiang como investigadora de pós-doutorada. "Uma vez que o desalinhamento entre o buraco negro e o disco é relativamente pequeno e o período de precessão é de cerca de 11 anos, a acumulação de dados de alta resolução que traçam a estrutura de M87 ao longo de duas décadas e uma análise minuciosa são essenciais para esta descoberta."
"Depois do sucesso da imagem do buraco negro nesta galáxia com o EHT, saber se este buraco negro está a girar ou não tem sido uma preocupação central entre os cientistas", explica o Dr. Kazuhiro Hada do NAOJ. "Agora, a antecipação transformou-se em certeza. Este buraco negro monstruoso está de facto a girar".
"Este é um marco científico empolgante que foi finalmente revelado através de anos de observações conjuntas pela equipa internacional de investigadores de 45 instituições de todo o mundo, trabalhando em conjunto", diz o Dr. Motoki Kino da Universidade de Kogakuin, coordenador do Grupo de Trabalho Científico de Núcleos Galácticos Ativos da EAVN. "Os nossos dados observacionais, perfeitamente ajustados à curva sinusoidal simples, trazem-nos novos avanços na nossa compreensão do sistema de buraco negro e jato."
Estudo de TRAPPIST-1 b revela novas informações sobre a sua atmosfera e estrela-mãe
Esta representação artística da estrela anã vermelha TRAPPIST-1 mostra a sua natureza muito ativa. A estrela parece ter muitas manchas estelares (regiões mais frias da sua superfície, semelhantes às manchas solares) e erupções. O exoplaneta TRAPPIST-1 b, o planeta mais próximo da estrela central do sistema, pode ser visto em primeiro plano, sem atmosfera aparente. O exoplaneta TRAPPIST-1 g, um dos planetas na zona habitável do sistema, pode ser visto em segundo plano, à direita da estrela. O sistema TRAPPIST-1 contém sete exoplanetas do tamanho da Terra.
Crédito: Benoît Gougeon, Universidade de Montreal
Uma equipa de astrónomos deu um importante passo em frente na nossa compreensão do intrigante sistema exoplanetário TRAPPIST-1. A sua investigação não só lançou luz sobre a natureza de TRAPPIST-1 b, o exoplaneta que orbita mais próximo da estrela do sistema, como também mostrou a importância das estrelas-mãe no estudo dos exoplanetas. As descobertas, publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters, lançam luz sobre a complexa interação entre a atividade estelar e as características dos exoplanetas.
Um sistema exoplanetário promissor
TRAPPIST-1, uma estrela muito mais pequena e mais fria do que o nosso Sol, localizada a cerca de 40 anos-luz da Terra, tem captado a atenção de cientistas e entusiastas do espaço desde a descoberta dos seus sete exoplanetas do tamanho da Terra em 2016. Estes mundos, que orbitam intimamente em torno da sua estrela, com três deles dentro da sua zona habitável, têm alimentado a esperança de encontrar ambientes potencialmente habitáveis para além do nosso Sistema Solar.
Uma equipa de investigação, liderada por Olivia Lim, do Instituto Trottier para a Investigação sobre Exoplanetas (iREx) da Universidade de Montreal, utilizou o poderoso Telescópio Espacial James Webb (JWST) para observar o exoplaneta TRAPPIST-1 b. Estas observações foram recolhidas no âmbito do maior programa de Observadores Gerais do Canadá durante o primeiro ano de funcionamento do JWST. Este programa incluiu também observações de três outros planetas do sistema, TRAPPIST-1 c, g e h. TRAPPIST-1 b foi observado durante dois trânsitos - o momento em que o planeta passa em frente da sua estrela - usando o instrumento NIRISS do JWST, de fabrico canadiano.
"Estas são as primeiras observações espetroscópicas de qualquer planeta TRAPPIST-1 obtidas pelo JWST, e há anos que esperávamos por elas!" exclama Olivia Lim, investigadora principal deste importante programa.
O estudo utilizou a técnica de espetroscopia de transmissão para obter informações importantes sobre as propriedades do mundo distante. Ao analisar a luz da estrela central depois desta ter atravessado a atmosfera do exoplaneta durante um trânsito, os astrónomos podem ver a impressão digital única deixada pelas moléculas e átomos que se encontram nessa atmosfera.
"Este é apenas um pequeno subconjunto de muitas outras observações deste sistema planetário único que ainda estão por vir e por analisar", acrescenta René Doyon, investigador principal do instrumento NIRISS e coautor do estudo. "Estas primeiras observações realçam o poder do NIRISS e do JWST em geral para sondar as atmosferas finas em torno de planetas rochosos."
Conhece a estrela, conhece o planeta
A principal descoberta do estudo foi o impacto significativo da atividade estelar e da contaminação ao tentar determinar a natureza de um exoplaneta. A contaminação estelar refere-se à influência das características da própria estrela, tais como manchas escuras e fáculas brilhantes, nas medições da atmosfera do exoplaneta.
A equipa encontrou evidências convincentes de que a contaminação estelar desempenha um papel crucial na formação dos espetros de transmissão de TRAPPIST-1 b e, provavelmente, dos outros planetas do sistema. A atividade da estrela central pode criar "sinais fantasma" que podem levar o observador a pensar que detetou uma molécula específica na atmosfera do exoplaneta. Este resultado sublinha a importância de considerar a contaminação estelar no planeamento de futuras observações de todos os sistemas exoplanetários. Isto é especialmente verdade para sistemas como TRAPPIST-1, uma vez que alberga uma estrela anã vermelha que pode ser particularmente ativa, com manchas estelares e surtos frequentes.
"Para além da contaminação por manchas estelares e fáculas, assistimos a uma erupção estelar, um evento imprevisível durante o qual a estrela parece mais brilhante durante vários minutos ou horas", refere Olivia Lim. "Este surto afetou a nossa medição da quantidade de luz bloqueada pelo planeta. Estas assinaturas de atividade estelar são difíceis de modelar, mas temos de as ter em conta para garantir que interpretamos os dados corretamente."
Não há atmosfera significativa no exoplaneta TRAPPIST-1 b
Embora todos os sete planetas TRAPPIST-1 tenham sido candidatos tentadores na procura de uma Terra 2.0 - um exoplaneta como a nossa Terra -, a proximidade de TRAPPIST-1 b à sua estrela significa que se encontra em condições mais adversas do que os seus irmãos. Recebe quatro vezes mais radiação do que a Terra recebe do Sol e tem uma temperatura à superfície entre 120 e 220 graus Celsius. No entanto, se TRAPPIST-1 b tivesse uma atmosfera, seria mais fácil de detetar e de descrever do que todos os outros alvos do sistema. Como TRAPPIST-1 b é o planeta mais próximo da sua estrela e, portanto, o planeta mais quente do sistema, o seu trânsito cria um sinal mais forte. Todos estes factores fazem de TRAPPIST-1 b um alvo de observação crucial, mas desafiante.
Para ter em conta o impacto da contaminação estelar, a equipa realizou duas recuperações atmosféricas independentes - técnicas para determinar o tipo de atmosfera presente em TRAPPIST-1 b com base em observações. Na primeira abordagem, a contaminação estelar foi removida dos dados antes destes serem analisados. Na segunda abordagem, a contaminação estelar e a atmosfera planetária foram modeladas e ajustadas simultaneamente. Em ambos os casos, os resultados indicaram que os espetros de TRAPPIST-1 b poderiam ser bem combinados apenas com a contaminação estelar modelada. Este facto não sugere qualquer evidência de uma atmosfera significativa no planeta. Este resultado é muito importante, pois indica aos astrónomos que tipos de atmosferas são incompatíveis com os dados observados.
Com base nas observações recolhidas pelo JWST, Lim e a sua equipa exploraram uma série de modelos atmosféricos para TRAPPIST-1 b, examinando várias composições e cenários possíveis. Descobriram que atmosferas sem nuvens e ricas em hidrogénio foram excluídas com elevada confiança. Isto significa que parece não existir uma atmosfera clara e alargada em torno de TRAPPIST-1 b. No entanto, os dados não permitiram excluir com confiança atmosferas mais finas, como aquelas compostas por água pura, dióxido de carbono ou metano, nem uma atmosfera semelhante à de Titã, uma lua de Saturno e a única lua do Sistema Solar com atmosfera própria. Estes resultados são geralmente consistentes com observações anteriores (fotométricas, não espetroscópicas) de TRAPPIST-1 b pelo JWST com o seu instrumento MIRI. Além disso, o estudo provou que o instrumento canadiano NIRISS é uma ferramenta sensível e de alto desempenho capaz de sondar atmosferas em exoplanetas do tamanho da Terra até níveis impressionantes.
Os novos conhecimentos adquiridos com este estudo aprofundaram a compreensão dos cientistas sobre o sistema TRAPPIST-1 e sublinharam a necessidade de mais observações e investigações abrangentes que considerem tanto a contaminação estelar como as atmosferas planetárias. À medida que os astrónomos continuam a explorar a vasta extensão do espaço, estas descobertas irão informar futuros programas de observação com o JWST e com outras missões, e contribuir para a nossa compreensão mais ampla das atmosferas exoplanetárias e da sua potencial habitabilidade.
A nova revisão da massa da Via Láctea coloca-a muito abaixo das expetativas da cosmologia
Impressão de artista da estrutura da Via Láctea.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Graças ao catálogo mais recente do satélite Gaia da ESA, uma equipa internacional liderada por astrónomos do Observatório de Paris - PSL e do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) obteve a medição mais precisa da massa da Via Láctea. Publicado na revista Astronomy & Astrophysics no passado dia 27 de setembro de 2023, este estudo abre questões importantes na cosmologia, nomeadamente acerca da quantidade de matéria escura contida na nossa Galáxia.
A massa total da Via Láctea está estimada em apenas 200 mil milhões de vezes a do Sol (2,06x1011 massas solares), o que representa uma revisão em baixa significativa - cerca de quatro a cinco vezes inferior às estimativas anteriores.
Este novo valor foi obtido a partir do terceiro lançamento de dados do catálogo Gaia, publicado em 2022, que fornece dados abrangentes sobre 1,8 mil milhões de estrelas, englobando as três componentes espaciais e as três componentes de velocidade num espaço de seis dimensões dentro da Via Láctea.
A leveza suportável da Via Láctea
Utilizando os dados do Gaia, os cientistas conseguiram construir a curva de rotação mais exata alguma vez observada para uma galáxia espiral, neste caso a nossa própria Galáxia, e deduzir a sua massa. Antes do Gaia, obter uma curva de rotação robusta para a nossa Galáxia era um desafio, ao contrário do que acontecia com as outras galáxias espirais. Este desafio resultava da nossa posição no interior da Via Láctea, o que tornava impossível distinguir com precisão os movimentos e as distâncias das estrelas no disco galáctico.
No estudo publicado a 27 de setembro de 2023, na revista Astronomy and Astrophysics, a curva de rotação da nossa Galáxia é atípica: ao contrário das determinadas para outras grandes galáxias espirais, não é achatada.
A curva de rotação da Via Láctea, que representa a velocidade das estrelas em função da distância ao Centro Galáctico. Os pontos brancos e as barras de erro representam as medições obtidas a partir do catálogo Gaia DR3. A curva azul representa o melhor ajuste da curva de rotação por um modelo que inclui matéria comum e matéria escura. A parte amarela da curva mostra o declínio Kepleriano com V a diminuir com R-1/2, que começa para além do disco ótico da nossa Galáxia. Isto significa que para além do disco ótico da Galáxia, a sua atração gravitacional é semelhante à de uma massa pontual. Uma velocidade de rotação constante é rejeitada com uma probabilidade de 99,7%.
Crédito:
Jiao, Hammer et al./Observatório de Paris - PSL/CNRS/ESA/Gaia/ESO/S. Brunier
Pelo contrário, na periferia do disco da nossa Galáxia, esta curva começa a diminuir rapidamente, seguindo a previsão conhecida como declínio Kepleriano.
Questionando a cosmologia
A obtenção de uma curva de rotação para a Via Láctea que exiba um declínio Kepleriano exige que a nossa Galáxia seja enquadrada num contexto cosmológico.
De facto, um dos maiores avanços da astronomia moderna foi a constatação de que as velocidades de rotação dos grandes discos das galáxias espirais eram muito mais rápidas do que seria de esperar de um declínio Kepleriano. Na década de 1970, os astrónomos Vera Rubin, que utilizou observações de gás ionizado, e Albert Bosma, que estudou gás neutro, demonstraram que a velocidade de rotação das galáxias espirais permanece constante, muito para além dos seus discos óticos.
A consequência imediata desta descoberta foi a proposta da existência de matéria escura - adicional à matéria observável - distribuída num halo que envolve os discos das galáxias espirais. Sem esta matéria escura, as curvas de rotação teriam seguido um declínio chamado "Kepleriano". Este último indica a ausência de quantidades significativas de matéria fora do disco ótico.
É o caso da Via Láctea, segundo o estudo atual. Considerando que a matéria comum (estrelas e gás frio) da Via Láctea é geralmente estimada em pouco mais de 0,6x1011 massas solares, representa cerca de um-terço da matéria total.
Este facto constitui uma revolução na cosmologia, uma vez que até agora se concordava que a matéria escura deveria ser pelo menos seis vezes mais abundante do que a matéria comum.
Duas explicações preliminares
Se a maioria das outras grandes galáxias espirais não exibe uma curva de rotação com um declínio Kepleriano, o que é que torna a nossa Galáxia tão diferente?
Uma explicação possível pode vir do facto da Via Láctea ter sofrido relativamente poucas perturbações devido a colisões violentas entre galáxias. A sua última grande fusão ocorreu há cerca de 9 mil milhões de anos, em contraste com a média de 6 mil milhões de anos para outras galáxias espirais. Em qualquer caso, isto indica que a curva de rotação obtida para a Via Láctea é particularmente precisa, não sendo afetada pelos resíduos de uma colisão tão antiga.
A segunda possibilidade pode surgir das diferenças metodológicas entre a curva de rotação derivada dos dados de seis dimensões de estrelas fornecidos pelo satélite Gaia, por exemplo, para a nossa Galáxia, e as curvas de rotação derivadas usando gás neutro para outras galáxias.
Este trabalho abre caminho para uma reavaliação das curvas de rotação das grandes galáxias espirais e do seu conteúdo em matéria comum e escura.
O berço dos buracos negros (via Instituto Max Planck de Astronomia)
Um consórcio internacional de astrónomos conseguiu desvendar os intrincados mecanismos de formação dos esquivos buracos negros de massa intermédia. Estes poderão representar a ligação entre os seus irmãos mais pequenos, os buracos negros estelares, e os gigantes supermassivos que povoam os centros das galáxias. Este feito resulta do projeto de simulação DRAGON-II liderado pelo Instituto de Ciência Gran Sasso. Os cientistas envolvidos neste estudo calcularam as complexas interações entre estrelas, buracos negros estelares e processos físicos no interior de densos enxames estelares, demonstrando que os buracos negros com até algumas centenas de massas solares podem emergir nesses ambientes. Ler fonte
Perda de peso extrema: estrela liberta uma quantidade inesperada de massa pouco antes de entrar em supernova (via Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian)
SN 2023ixf, uma supernova próxima recentemente descoberta, cuja estrela ejetou até uma massa solar completa de material no ano anterior à sua explosão, está a desafiar a teoria padrão da evolução estelar. As novas observações estão a dar aos astrónomos uma visão do que acontece no último ano antes da morte e explosão de uma estrela. Ler fonte
Chandra reconstitui a história da grande erupção da década de 1840 (via Chandra/Harvard)
Um novo filme feito a partir de mais de duas décadas de dados do Observatório de Raios X Chandra da NASA mostra um famoso sistema estelar a mudar com o tempo. Eta Carinae contém duas estrelas massivas (uma com cerca de 90 vezes a massa do Sol e a outra com cerca de 30 vezes a massa do Sol). Em meados do século XIX, os observadores do céu viram Eta Carinae sofrer uma enorme explosão que foi apelidada de "Grande Erupção". Durante este evento, Eta Carinae ejetou entre 10 e 45 vezes a massa do Sol. Este material transformou-se num par denso de nuvens esféricas de gás, agora de nome nebulosa de Homúnculo, em lados opostos das duas estrelas. O Homúnculo é claramente visto numa composição de dados do Chandra com luz ótica do Telescópio Espacial Hubble. Ler fonte
O enredo adensa-se na procura de um nono planeta (via Hamilton College)
Quantos planetas existem no Sistema Solar? Que leis regem o seu movimento? Estas questões da antiguidade levaram ao nascimento da astronomia e aos primórdios da ciência. Ainda hoje, no século XXI, o Sistema Solar contém segredos que podem levar a conhecimentos sobre o Universo a escalas muito maiores. Num artigo publicado na revista The Astronomical Journal na semana passada, os físicos referem que as mesmas observações que motivam a procura de um nono planeta podem, na verdade, ser os primeiros sinais no Sistema Solar de uma formulação alternativa das leis da gravidade. Ler fonte
Álbum de fotografias Arp 142: A Galáxia do Colibri
O que está a acontecer a esta galáxia espiral? Há apenas algumas centenas de milhões de anos, NGC 2936, a galáxia mais acima das duas vistas em baixo, era provavelmente uma galáxia espiral normal - girando, formando estrelas - e metendo-se na sua própria vida. Mas aproximou-se demasiado da gigantesca galáxia elíptica NGC 2937, logo abaixo, e o "caldo foi entornado". Por vezes apelidada de Galáxia do Colibri (ou Beija-flor) devido à sua forma icónica, NGC 2936 não está apenas a ser desviada do seu caminho, também está a ser distorcida pela interação gravitacional. Por detrás de filamentos de poeira interestelar escura, estrelas azuis brilhantes formam o nariz do colibri, enquanto o centro da espiral aparece como um olho. Em alternativa, o par de galáxias, conhecidas em conjunto como Arp 142, parecem a alguns como um boto ou um pinguim a proteger um ovo. A imagem reprocessada, que mostra Arp 142 em grande pormenor, foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. Arp 142 encontra-se a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Hidra. Dentro de mais ou menos mil milhões de anos, as duas galáxias irão provavelmente fundir-se numa galáxia maior.
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