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  Astroboletim #2050  
  31/10 a 02/11/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 31/10: 304.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1992, o Vaticano (Papa João Paulo II) anuncia que a Igreja Católica errou em condenar Galileu, que afirmava que a Terra não era o centro do Universo.
Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS permanece tripulada continuamente desde aí.

Em 2014, durante um voo de testes da VSS Enterprise, um veículo espacial da Virgin Galactic fragmenta-se catastroficamente e despenha-se no Deserto do Mojave, Califórnia.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua desta noite de Halloween, três dias depois da sua fase Cheia, nasce a nordeste depois do anoitecer. Procure-a a subir para baixo e para a direita de Capella, e a uma distância idêntica das Plêiades.
A cerca de quatro punhos à distância do braço esticado para cima e para a direita da Lua brilha Júpiter, o ponto mais brilhante do céu noturno. Este ano Júpiter encontra-se em Carneiro. Procure as duas estrelas mais brilhante da constelação, Hamal e Sheratan, para cima de Júpiter mais ou menos um punho à distância do braço esticado. Estão alinhadas quase horizontalmente, separadas por cerca de dois dedos à distância do braço esticado. Têm magnitudes 2,0 e 2,6. Hamal, a mais brilhante, está à esquerda.
Será que consegue observar Mesarthim, de magnitude 3,8, apenas um pouco para baixo e para a direita de Sheratan?

 

DIA 01/11: 305.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.

Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste depois do cair da noite. Para a sua direita, ou para baixo e para a sua direita, a cerca de 14º (quase um punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz do Dragão. O resto da cabeça da constelação fica um pouco para trás. Dragão olha sempre para Vega enquanto giram pelo céu.
As estrelas da constelação a que Vega pertence, Lira - também ténues - estendem-se de Vega 7º para o lado oposto ao da cabeça de Dragão.
Mais longe nessa mesma direção, poderá ver que aponta para Altair. Esta linha é o segmento de baixo do Triângulo de Verão.

 

DIA 02/11: 306.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce depois da hora de jantar. Assim que fique razoavelmente alta, poderá verificar que forma um bonito triângulo com Castor e Pollux para a sua esquerda. O triângulo encolhe com o avançar da noite e a Lua aproxima-se de Pollux.

 
 
   
IXPE desvenda teorias em torno de histórico remanescente de supernova
 
Esta nova imagem do remanescente de supernova SN 1006 combina dados do IXPE da NASA e do Observatório de Raios-X Chandra da NASA. Os elementos vermelhos, verdes e azuis refletem os raios X de baixa, média e alta energia, respetivamente, tal como detetados pelo Chandra. Os dados do IXPE, que medem a polarização dos raios X, são vistos a roxo no canto superior esquerdo, com a adição de linhas que representam o movimento para fora do campo magnético do remanescente.
Crédito: raios X - NASA/CXC/SAO (Chandra); NASA/MSFC/Universidade de Nanjing/P. Zhou et al. (IXPE); infravermelho - NASA/JPL/CalTech/Spitzer; processamento de imagem - NASA/CXC/SAO/J.Schmidt
 

O telescópio IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA captou as primeiras imagens de raios X polarizados do remanescente de supernova SN 1006. Os novos resultados alargam o conhecimento dos cientistas sobre a relação entre os campos magnéticos e o fluxo de partículas altamente energéticas proveniente de estrelas em explosão.

"Os campos magnéticos são extremamente difíceis de medir, mas o IXPE fornece-nos uma forma eficiente de os sondar", disse a Dra. Ping Zhou, astrofísica da Universidade de Nanjing em Jiangsu, China, e autora principal de um novo artigo sobre os resultados, publicado na revista The Astrophysical Journal. "Agora podemos ver que os campos magnéticos de SN 1006 são turbulentos, mas também apresentam uma direção organizada".

Situada a cerca de 6500 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Lobo, SN 1006 é tudo o que resta após uma explosão titânica, que ocorreu quando duas anãs brancas se fundiram ou quando uma anã branca retirou demasiada massa de uma estrela companheira. Inicialmente detetada na primavera do ano 1006 por observadores na China, no Japão, na Europa e no mundo árabe, a sua luz foi visível a olho nu durante pelo menos três anos. Os astrónomos modernos continuam a considerá-la o evento estelar mais brilhante de que há registo na história.

Desde o início da observação moderna, os investigadores identificaram a estranha estrutura dupla do remanescente, marcadamente diferente de outros remanescentes de supernova arredondados. Tem também "membros" brilhantes ou orlas identificáveis nas bandas de raios-X e raios-gama.

"A proximidade de remanescentes de supernovas brilhantes em raios X, como SN 1006, torna-o ideal para medições pelo IXPE, dada a combinação da sensibilidade do IXPE à polarização de raios X com a capacidade de resolver espacialmente as regiões de emissão", disse Douglas Swartz, investigador da USRA (Universities Space Research Association) no Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, no estado norte-americano do Alabama. "Esta capacidade integrada é essencial para localizar locais de aceleração de raios cósmicos".

Observações anteriores dos raios X de SN 1006 forneceram a primeira evidência de que os remanescentes de supernova podem acelerar radicalmente os eletrões e ajudaram a identificar nebulosas em rápida expansão em torno de estrelas que explodiram como um local de nascimento de raios cósmicos altamente energéticos, que podem viajar quase à velocidade da luz.

Os cientistas depreenderam que a estrutura única de SN 1006 está ligada à orientação do seu campo magnético e teorizaram que as ondas de explosão da supernova, a nordeste e a sudoeste, movem-se na direção alinhada com o campo magnético e aceleram mais eficazmente as partículas de alta energia.

As novas descobertas do IXPE ajudaram a validar e a clarificar essas teorias, disse a Dra. Yi-Jung Yang, astrofísica de alta energia da Universidade de Hong Kong e coautora do artigo.

"As propriedades de polarização obtidas a partir da nossa análise espetral-polarimétrica alinham-se notavelmente bem com os resultados de outros métodos e observatórios de raios X, sublinhando a fiabilidade e as fortes capacidades do IXPE, disse Yang. "Pela primeira vez, podemos mapear as estruturas do campo magnético de remanescentes de supernova a energias mais elevadas com maior detalhe e precisão - permitindo-nos compreender melhor os processos que conduzem à aceleração destas partículas".

Os investigadores afirmam que os resultados demonstram uma ligação entre os campos magnéticos e o fluxo de partículas altamente energéticas do remanescente. Os campos magnéticos na concha de SN 1006 estão um pouco desorganizados, de acordo com os resultados do IXPE, mas ainda assim têm uma orientação preferencial. À medida que a onda de choque da explosão original passa pelo gás circundante, os campos magnéticos ficam alinhados com o movimento da onda de choque. As partículas carregadas são apanhadas pelos campos magnéticos à volta do ponto original da explosão, onde recebem rapidamente surtos de aceleração. Estas partículas de alta energia, por sua vez, transferem energia para manter os campos magnéticos fortes e turbulentos.

O IXPE observou três remanescentes de supernovas - Cassiopeia A, Tycho e agora SN 1006 - desde o seu lançamento em dezembro de 2021, ajudando os cientistas a desenvolver uma compreensão mais abrangente da origem e dos processos dos campos magnéticos que rodeiam estes fenómenos.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir que SN 1006 é mais polarizado do que os outros dois remanescentes de supernova, mas que todos os três apresentam campos magnéticos orientados de tal forma que apontam para fora do centro da explosão. À medida que os investigadores continuam a explorar os dados do IXPE, estão a reorientar a sua compreensão de como as partículas são aceleradas em objetos extremos como estes.

O IXPE é uma colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Italiana com parceiros e colaboradores científicos em 12 países. O IXPE é liderado pelo Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, EUA. A Ball Aerospace, com sede em Broomfield, no estado norte-americano do Colorado, gere as operações juntamente com o LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics) da Universidade do Colorado, em Boulder.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

SN 1006:
Wikipedia

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
CCVAlg - Astronomia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

IXPE:
NASA
Wikipedia

 
   
Os astrónomos encontram, nos enxames abertos, novas pistas para a formação e evolução das estrelas na Via Láctea
 
O enxame aberto das Plêiades (M45).
Crédito: Daniel López/Alfred Rosenberg (IAC)
 

Após estudos comparativos de uma amostra de quase 50 enxames abertos de diferentes idades na Via Láctea, uma investigação conduzida pelo IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias) e pela ULL (Universidad de La Laguna), com a colaboração da Universidade Politécnica de Cartagena, mostra que, quando estes enxames estelares envelhecem, perdem a maioria dos seus membros menos massivos. Este resultado confirma que existem processos dinâmicos internos nos enxames abertos, causados pelas suas longas viagens através da Galáxia, que provocam a expulsão destas estrelas de baixa massa. O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, utilizou dados do satélite Gaia da ESA.

Um enxame aberto é um grupo de estrelas que se formou a partir de uma única nuvem molecular. Os exemplos mais conhecidos são as Plêiades e as Híades, que podem ser vistas a olho nu no céu de inverno. Os enxames abertos são constituídos por várias centenas a vários milhares de estrelas, que estão ligadas entre si pela gravidade, embora menos fortemente do que os enxames globulares. Dado que todas as estrelas de um enxame têm a mesma origem, idade e composição química, as suas propriedades são mais fáceis de determinar do que as de estrelas isoladas, o que torna os enxames muito úteis para o estudo da formação e evolução estelar.

As estrelas nos enxames abertos partilham também um movimento comum pelo espaço, derivado do movimento da nuvem molecular a partir da qual se formaram. O estudo deste movimento permite às equipas de investigação distinguir as estrelas de um determinado enxame das estrelas que se encontram ao longo da mesma linha de visão, mas que não fazem parte do mesmo, e saber com segurança que nasceram ao mesmo tempo, que estão a uma distância comum da Terra e que estão relacionadas entre si como um grupo.

Uma equipa de cientistas liderada pela investigadora do IAC, Maruska Zerjal, utilizou as últimas medições do satélite Gaia da ESA para estudar os movimentos das estrelas que fazem parte de 50 enxames abertos a uma distância moderada do Sol. Ao escolher a amostra, a equipa estabeleceu um limite de distância de 1500 anos-luz e um limite de idade de 1000 milhões de anos, o que é 4,6 vezes inferior à idade do Sol. Dentro destes limites, foi possível detetar estrelas com pouca massa, menos de metade da massa do Sol, que são muito mais difíceis de detetar do que estrelas mais massivas e brilhantes.

"Estabelecemos um limite superior para a distância porque as estrelas de baixa massa são demasiado ténues para serem observadas como objetos isolados quando estão longe de nós, e para a idade porque sabemos que em enxames muito antigos este tipo de estrelas é quase indetetável. Concentrámo-nos nas condições em que podem ser detetadas e, desta forma, obtivemos informações exatas sobre os diferentes tipos de estrelas que compõem cada enxame", explica a investigadora.

Uma vez identificados os enxames, a equipa classificou-os em três grupos e analisou a distribuição do brilho das estrelas que os compõem. "Analisámos três grupos de enxames abertos na nossa Galáxia", explica Nicolas Lodieu, investigador do IAC e coautor do estudo. "Usando o símile das diferentes fases da vida de um ser humano, alguns enxames estão na fase juvenil, outros são adolescentes e o terceiro grupo corresponde aos adultos".

Depois de analisar cada grupo, a equipa de investigação mostrou que nos enxames mais antigos estudados, entre 100 milhões e 800 milhões de anos, há uma perda constante das estrelas menos massivas. Os enxames mais jovens, por outro lado, apresentam todos uma distribuição estelar semelhante, com as mesmas proporções dos diferentes tipos de estrelas, desde as mais massivas e brilhantes às menos massivas e mais fracas.

"Descobrimos que as distribuições de luminosidade dos enxames jovens, com idades à volta dos 50 milhões de anos, são todas muito semelhantes. Mas as distribuições de luminosidade dos enxames mais antigos, como os Plêiades e as Híades, são mais diferentes", explica Zerjal.

Segundo a equipa, esta descoberta implica duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, a distribuição da massa das estrelas em enxames jovens parece ser um fenómeno universal. Em segundo lugar, nos enxames abertos existem processos dinâmicos internos devido às suas longas viagens através da Galáxia, que os levam a perder estrelas de baixa massa.

"À medida que os enxames abertos envelhecem, sofrem interações durante a sua viagem pela Galáxia, quer entre as estrelas do enxame, quer com nuvens moleculares ou com outros enxames. Como as estrelas não estão suficientemente unidas pela sua gravidade mútua, estes encontros tendem a dispersar as estrelas menos massivas do enxame", explica Lodieu em pormenor.

Nos próximos anos, a equipa planeia estudar novos candidatos. "Embora pareça que a distribuição inicial das estrelas é um fenómeno uniforme, teremos de investigar mais para obter evidências mais sólidas da existência destes efeitos dinâmicos", acrescenta Zerjal.

O catálogo dos enxames analisados está disponível no arquivo astronómico público do CDS (Centre de Données astronomiques de Strasbourg). Além disso, para tornar os resultados ainda mais acessíveis a um público mais vasto, a equipa desenvolveu um website interativo com todos os enxames e as estrelas que os compõem. "O objetivo deste site é facilitar novas descobertas entre profissionais e amadores, mas também encorajar os estudantes a explorar, descobrir e aprender, inspirando uma nova geração de astrónomos" conclui Lodieu, que é o investigador principal deste projeto, que foi financiado pelo Governo das Canárias.

// IAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Enxames abertos:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
FPR do Gaia (ESA)
FPR do Gaia (arquivo)
FPR do Gaia (artigos)
FPR do Gaia (histórias)
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
   
Ultracompacto: o buraco negro no centro da nossa Via Láctea
 
Esta imagem mostra o movimento, no céu, dos surtos a partir de um ajuste combinado dos dados astrométricos, tendo em conta as restrições dos dados de polarimetria. As cores indicam a progressão da órbita da explosão ao longo do tempo. A imagem de fundo é uma imagem simulada do buraco negro no centro da nossa Via Láctea, com o círculo a indicar o tamanho da sombra do buraco negro.
Crédito: Instituto Max Planck de Física Extraterrestre
 

De vez em quando, vê-se gás luminoso a rodopiar em torno de Sagitário A*, o buraco negro no centro da Via Láctea. Agora, os astrónomos do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre conseguiram medir a massa do buraco negro a partir deste movimento - e corresponde perfeitamente à medição distinguida com o Prémio Nobel da Física em 2020, que tem vindo a ser aperfeiçoada desde então. A conclusão: os 4,3 milhões de massas solares estão contidos numa órbita mais pequena do que a de Vénus em torno do Sol. Uma concentração de massa verdadeiramente espantosa!

No centro da nossa Via Láctea existe um buraco negro com 4,3 milhões de massas solares - várias equipas estabeleceram este facto sem qualquer dúvida razoável ao longo das últimas quatro décadas. Em 2020, esta descoberta foi até distinguida com o Prémio Nobel da Física para o diretor do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, Reinhard Genzel. Desde então, a investigação tem-se centrado na utilização do Centro Galáctico como laboratório para testar a teoria da relatividade geral no fortíssimo campo gravitacional perto deste buraco negro - e para determinar as suas propriedades com elevada precisão.

A equipa do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre utilizou agora o GRAVITY, um instrumento para o infravermelho próximo acoplado ao VLTI (Very Large Telescope Interferometer) do ESO, para monitorizar de perto a emissão da região em torno do buraco negro e procurar estados extremamente brilhantes: as erupções ou surtos. Estas erupções ocorrem uma ou duas vezes por dia e a emissão torna-se suficientemente brilhante para que seja possível seguir o movimento do gás circundante. A equipa analisou os surtos observados durante 2018, 2021 e 2022, para as quais o GRAVITY forneceu simultaneamente medições de posição e polarização.

Este conjunto combinado de dados permitiu à equipa determinar com grande precisão que a massa do buraco negro é de 4,297 milhões de massas solares, uma restrição forte e independente das medições anteriores. Os novos dados mostram também que a massa tem de estar encerrada no raio das erupções, cerca de nove raios gravitacionais, menor do que o raio orbital do planeta Vénus em torno do Sol.

"A massa que derivámos agora das erupções a apenas alguns raios gravitacionais é compatível com o valor medido a partir das órbitas das estrelas a vários milhares de raios gravitacionais", sublinha Diogo Ribeiro, responsável pela modelação teórica no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. "Isto reforça a hipótese de um único buraco negro no centro da Via Láctea".

O estudo do movimento deste gás em órbita pode também lançar luz sobre a história da formação das estruturas no Centro Galáctico. A orientação das órbitas dos surtos é próxima da de um disco estelar observado a 100.000 raios gravitacionais, sugerindo uma ligação física. "É ótimo ver o comportamento repetido e semelhante dos surtos", salienta Antonia Drescher, que analisou as medições polarimétricas. "Todas elas mostram um movimento circular no sentido dos ponteiros do relógio no céu; todas têm um raio semelhante e um período orbital semelhante. Isto é realmente bonito de se ver".

Os ventos fortes das estrelas mais distantes provavelmente alimentam o fluxo gasoso de acreção, que transporta o momento angular inicial para escalas perto do horizonte de eventos. "A quantidade de informação proveniente da polarização foi extremamente frutífera e aprendemos muito sobre a física na região do Centro Galáctico a partir do conjunto de dados", acrescenta Ribeiro. A dinâmica das explosões pode até conter informação sobre a rotação do buraco negro - uma questão atualmente em aberto.

// Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Centro Galáctico:
Wikipedia

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

VLT:
ESO
Wikipedia
VLTI (ESO)
GRAVITY (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  A maioria dos meteoritos marcianos tem uma idade curiosamente jovem (via Museu de História Natural de Londres)
O colocar meteoritos marcianos num reator nuclear confirmou a sua idade curiosamente jovem. A maior parte dos meteoritos de Marte têm apenas algumas centenas de milhões de anos e são provavelmente provenientes de eventos vulcânicos relativamente recentes, como as erupções do maior vulcão do Sistema Solar, Olympus Mons. Ler fonte
     
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O gelo enterrado será um recurso vital para as primeiras pessoas a pisar Marte, servindo como água potável e um ingrediente chave para o combustível dos foguetões. Mas será também um importante objetivo científico: Os astronautas ou os robôs poderão um dia perfurar gelo, tal como os cientistas fazem na Terra, descobrindo a história climática de Marte e explorando potenciais habitats (passados ou presentes) para a vida microbiana. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Os Fantasmas de Gamma Cas

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Guillaume GruntzJean-François Bax
 
Gamma Cassiopeiae brilha alta nos céus noturnos de outono (hemisfério norte). É a estrela mais brilhante neste campo de visão telescópica na direção da constelação de Cassiopeia. Gamma Cas partilha a cena de aspeto etéreo com as fantasmagóricas nuvens interestelares de gás e poeira, IC 59 (em cima à esquerda) e IC 63. A cerca de 600 anos-luz de distância, as nuvens não são, na realidade, fantasmas. Mas estão a desaparecer lentamente, sendo corroídas sob a influência da radiação energética da quente e luminosa Gamma Cas. Gamma Cas está fisicamente localizada apenas a 3 ou 4 anos-luz das nebulosas. Um pouco mais perto de Gamma Cas, IC 63 é dominada pela luz vermelha H-alfa emitida quando os átomos de hidrogénio ionizados pela radiação ultravioleta da estrela se recombinam com os eletrões. Mais longe da estrela, IC 59 mostra proporcionalmente menos emissão H-alfa, mas mais do tom azul caraterístico da luz estelar refletida pela poeira. O palco cósmico estende-se por 1 grau ou 10 anos-luz à distância estimada de Gamma Cas e amigas.
 
   
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