OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA Data: 9 de fevereiro de 2024 Hora: 10:00-13:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação do Sol na ponte Romana em Tavira pelas 10:00.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
OBSERVAÇÃO DA LUA EM TAVIRA Data: 23 de fevereiro de 2024 Hora: 19:00-21:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação da Lua na ponte Romana em Tavira pelas 19h00.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
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EFEMÉRIDES
DIA 06/02: 37.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.
Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Em 2018, o foguetão Falcon Heavy da SpaceX faz o seu voo inaugural. HOJE, NO COSMOS:
A constelação de Orionte está alta a sudeste após o anoitecer. Para a sua esquerda encontra-se a constelação de Gémeos, "encabeçada" por Castor e Pollux no seu lado esquerdo. A figura dos gémeos ainda se encontra de lado. Bem para baixo das suas pernas está a brilhante estrela Procyon. Quatro graus acima de Procyon está a estrela de terceira magnitude, Gomeisa, Beta Canis Minoris, a única outra estrela facilmente visível a olho nu de Cão Menor. Procyon marca a parte traseira do animal, Beta CMi a parte de trás do seu pescoço, as duas estrelas mais ténues logo acima perfazem o topo da sua cabeça e o nariz. Essas duas últimas têm apenas 4.ª e 5.ª magnitudes, respetivamente. Uns binóculos ajudam a observá-las através da poluição luminosa.
Io transita pela face de Júpiter a partir das 22:11. Segue-se a sombra do satélite
pelas 23:31.
DIA 07/02: 38.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta. Sai de dentro da órbita de Neptuno no dia 11 de fevereiro de 1999.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.
Em 2016, a Coreia do Norte lança o satélite Kwangmyŏngsŏng-4 para o espaço. HOJE, NO COSMOS:
Ao amanhecer, Vénus e uma finíssima Lua Minguante estão muito perto do horizonte a sudeste. Ainda mais difícil será a observação de Marte e de Mercúrio. Estão para baixo e para a esquerda de Vénus. Necessita de um horizonte desimpedido e ajuda ótica.
Orionte é a mais brilhante das 88 constelações mas, apesar da sua notoriedade, a sua figura principal é surpreendentemente pequena em comparação com algumas das vizinhas mais ténues. A maior é Erídano, o Rio, para oeste, enorme mas difícil de traçar. A Fornalha, para baixo e para a direita de Erídano, é quase tão grande quanto Orionte! Até o padrão principal de Lebre, por baixo dos pés de Orionte, não é assim muito mais pequeno que o do Caçador.
Conhece a constelação por baixo de Lebre? É difícil: Pomba, fraca e não muito parecida com o animal. Recorra a um mapa celeste se precisar de ajuda. A sua estrela mais brilhante, Alpha Columbae ou Phact, tem magnitude 2,6. Para a encontrar, desenhe uma linha a começar de Rigel e que passe por Beta Leporis (a frente do pescoço da lebre) e estenda-a uma distância igual na mesma direção.
DIA 08/02: 39.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.
Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1992, a sonda espacialUlysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os polos do Sol. HOJE, NO COSMOS:
Já alguma vez comparou as cores de Betelgeuse e de Aldebarã? Consegue detetar qualquer diferença de cor? Aldebarã, do tipo espectral K III, é normalmente chamada de gigante "laranja", enquanto Betelgeuse, do tipo espectral M1-M2 Ia, é normalmente chamada de supergigante "vermelha". As suas temperaturas são, de facto, diferentes: 3900 K e 3600 K, respetivamente.
XMM-Newton deteta um buraco negro a fazer birra
Esta impressão artística mostra ventos ultrarrápidos oriundos do centro da galáxia Markarian 817. Estes ventos, que se deslocam a muitos milhões de quilómetros por hora, eliminam o gás interestelar ao longo de uma vasta região do espaço. Sem este gás, a galáxia não pode formar novas estrelas e o buraco negro no centro galáctico fica com pouco para "comer".
O buraco negro supermassivo no centro da galáxia atrai gás da sua vizinhança, que forma um "disco de acreção" quente e brilhante (laranja). A causa dos ventos (branco) são os campos magnéticos no interior do disco, que lançam partículas em todas as direções a velocidades incrivelmente elevadas. Estes ventos bloqueiam os raios X (azul) que são emitidos pelo plasma extremamente quente que rodeia o buraco negro, de nome coroa.
Os investigadores detetaram Markarian 817 a libertar ventos ultrarrápidos com o telescópio de raios X da ESA, o XMM-Newton. Com uma duração de cerca de um ano, os ventos terão afetado significativamente a formação de estrelas na galáxia. O facto do buraco negro no centro da galáxia apresentar níveis de atividade bastante médios antes de produzir os ventos sugere que os ventos ultrarrápidos dos buracos negros são muito mais comuns do que se pensava. Por outras palavras, os buracos negros e as suas galáxias hospedeiras afetam-se mutuamente e de modo significativo.
Crédito: ESA
Os buracos negros são como bebés temperamentais. Estão sempre a entornar comida, mas o XMM-Newton da ESA apanhou um buraco negro no ato de "virar a mesa" durante uma refeição civilizada.
Este ato impede que a galáxia que rodeia o buraco negro forme novas estrelas, dando-nos novas informações de como os buracos negros e as galáxias coevoluem.
No centro de todas as grandes galáxias existe um buraco negro supermassivo, cuja imensa gravidade atrai o gás dos seus arredores. À medida que o gás espirala para o interior, agrupa-se num "disco de acreção" achatado à volta do buraco negro, onde aquece e se ilumina. Com o tempo, o gás mais perto do buraco negro passa o ponto de não retorno e é devorado.
No entanto, os buracos negros apenas consomem uma fração do gás que espirala na sua direção. Enquanto orbita um buraco negro, alguma matéria é atirada para o espaço, tal como um bebé entorna muito do que está no seu prato.
Em episódios mais dramáticos, um buraco negro "vira a mesa": o gás no disco de acreção é lançado em todas as direções a uma velocidade tão elevada que elimina o gás interestelar circundante. Isto não só priva o buraco negro de alimento, como também significa que não se podem formar novas estrelas numa vasta região, alterando a estrutura da galáxia.
Até agora, este ultrarrápido "vento de buraco negro" só tinha sido detetado a partir de discos de acreção extremamente brilhantes, que estão no limite da quantidade de matéria que conseguem atrair. Desta vez, o XMM-Newton detetou ventos ultrarrápidos numa galáxia claramente mediana, que se pode dizer que estava "apenas a petiscar".
Anéis de estrelas azuis brilhantes rodeiam o núcleo brilhante e ativo desta galáxia espiral. Chamada Markarian 817, situa-se a 430 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Dragão. Longe do centro, a galáxia mostra intensas regiões de formação estelar e bandas escuras de poeira interestelar ao longo dos seus braços espirais.
O buraco negro monstruoso no centro desta galáxia é quarenta milhões de vezes mais massivo do que o Sol. Está rodeado por um enorme disco de matéria, lançando material para o espaço a milhões de quilómetros por hora. Isto é visível na luz branca brilhante que brilha no centro galáctico.
Esta imagem pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foi obtida com o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) no dia 2 de agosto de 2009. Foi originalmente publicada online no dia 9 de setembro de 2009.
Crédito: NASA, ESA e Equipa SM4 ERO do Hubble
"É de esperar ventos muito rápidos se uma ventoinha estiver ligada no máximo. Na galáxia que estudámos, chamada Markarian 817, a ventoinha estava ligada a uma potência mais baixa, mas mesmo assim foram gerados ventos incrivelmente energéticos", comenta a investigadora Miranda Zak (Universidade do Michigan), que desempenhou um papel central nesta investigação.
"É muito raro observar ventos ultrarrápidos, e ainda menos comum detetar ventos com energia suficiente para alterar o carácter da sua galáxia hospedeira. O facto de Markarian 817 ter produzido estes ventos durante cerca de um ano, sem estar num estado particularmente ativo, sugere que os buracos negros podem remodelar as suas galáxias hospedeiras muito mais do que se pensava", acrescenta o coautor Elias Kammoun, astrónomo da Universidade de Roma III, Itália.
Raios X bloqueados pelo vento
Os centros galácticos ativos emitem luz altamente energética, incluindo raios X. Markarian 817 chamou a atenção dos investigadores porque ficou bastante silenciosa. Observando a galáxia com o observatório Swift da NASA, Miranda conta: "O sinal de raios X era tão fraco que eu estava convencida de que estava a fazer algo errado!"
Observações posteriores, utilizando o mais sensível telescópio de raios X da ESA, o XMM-Newton, revelaram o que estava realmente a acontecer: ventos ultrarrápidos oriundos do disco de acreção estavam a agir como um manto, bloqueando os raios X enviados pela vizinhança imediata do buraco negro (chamada coroa). Estas medições foram apoiadas por observações efetuadas com o telescópio NuSTAR da NASA.
Impressão de artista de Markarian 817. Na inserção,ventos ultrarrápidos oriundos do centro, onde está alojado um buraco negro supermassivo. Estes ventos, que se deslocam a muitos milhões de quilómetros por hora, eliminam o gás interestelar ao longo de uma vasta região do espaço. Sem este gás, a galáxia não pode formar novas estrelas e o buraco negro fica com pouco para "comer".
Crédito: ESA
Uma análise detalhada das medições de raios-X mostrou que, longe de emitir uma única "baforada" de gás, o centro de Markarian 817 produziu uma "tempestade" numa vasta área do disco de acreção. O vento durou várias centenas de dias e consistia em pelo menos três componentes distintos, cada um movendo-se a vários pontos percentuais da velocidade da luz.
Isto resolve um enigma em aberto na nossa compreensão de como os buracos negros e as galáxias que os rodeiam se influenciam mutuamente. Há muitas galáxias - incluindo a Via Láctea - que parecem ter grandes regiões à volta dos seus centros nas quais se formam muito poucas estrelas novas. Isto poderia ser explicado por ventos de buracos negros que eliminam o gás necessário para a formação estelar, mas isto só funciona se os ventos forem suficientemente rápidos, sustentados durante tempo suficiente e gerados por buracos negros com níveis típicos de atividade.
"Muitos dos problemas pendentes no estudo dos buracos negros são uma questão de conseguir deteções através de observações longas que se estendem por muitas horas para captar eventos importantes. Este facto realça a grande importância da missão XMM-Newton para o futuro. Nenhuma outra missão pode fornecer a combinação da sua alta sensibilidade com a sua capacidade de fazer observações longas e ininterruptas", diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.
Astrónomos descobrem uma galáxia que não deveria existir
Composição colorida de PEARLSDG feita com dados do instrumento NIRCAM (Near-InfraRed Camera) do Telescópio Espacial James Webb. As estrelas individuais são visíveis como pequenos pontos de luz. A sua cor algo baça e a ausência de muitas estrelas brilhantes é consistente com a sua idade avançada e a falta de formação estelar em curso.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Jake Summers (Universidade do Estado do Arizona), Jordan C. J. D'Silva (Universidade da Austrália Ocidental), Anton M. Koekemoer (STScI), Aaron Robotham (Universidade da Austrália Ocidental) e Rogier Windhorst (Universidade do Estado do Arizona)
Uma equipa de astrónomos liderada por Tim Carleton, investigador assistente da Universidade do Estado do Arizona, descobriu uma galáxia anã que apareceu nas imagens do Telescópio Espacial James Webb e que não era o alvo principal da observação.
As galáxias estão unidas pela gravidade e são constituídas por estrelas e planetas, com vastas nuvens de poeira e gás, bem como matéria escura. As galáxias anãs são as galáxias mais abundantes no Universo. Por definição, são pequenas e têm baixa luminosidade. Têm menos de 100 milhões de estrelas, enquanto a Via Láctea, por exemplo, tem quase 200 mil milhões de estrelas.
Observações recentes da abundância de "galáxias ultradifusas" para lá do alcance de grandes levantamentos espetroscópicos anteriores sugerem que a nossa compreensão da população de galáxias anãs pode estar incompleta.
Num estudo publicado recentemente, Carleton e a sua equipa estavam inicialmente a observar um enxame de galáxias como parte do projeto PEARLS (Prime Extragalactic Areas for Reionization and Lensing Science) do Telescópio Espacial James Webb.
A galáxia anã, PEARLSDG, apareceu em algumas das imagens do JWST obtidas pela equipa. Não era de todo o alvo - estava apenas um pouco afastada do campo de observação principal, numa zona do espaço onde não esperavam ver nada.
Os seus resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.
PEARLSDG não tinha as características habituais que se esperaria ver numa galáxia anã. Não está a interagir com uma galáxia próxima, mas também não está a formar novas estrelas. Trata-se, afinal, de um caso interessante de uma galáxia isolada e quiescente.
"Este tipo de galáxias anãs isoladas e quiescentes não tinha sido visto antes, à exceção de relativamente poucos casos. A sua existência não é esperada, tendo em conta a nossa compreensão atual da evolução das galáxias, por isso o facto de estarmos a ver este objeto ajuda-nos a melhorar as nossas teorias sobre a formação galáctica", disse Carleton. "Geralmente, as galáxias anãs que existem por si só continuam a formar novas estrelas".
Até agora, a compreensão dos astrónomos sobre a evolução das galáxias mostrava uma galáxia isolada que continuava a formar estrelas jovens ou interagia com uma galáxia companheira mais massiva. Esta teoria não se aplicou a PEARLSDG, que se apresenta com uma população estelar antiga, não formando novas estrelas e mantendo-se isolada.
Mais uma surpresa: nas imagens do JWST, obtidas pela equipa, podem ser observadas estrelas individuais. Estas estrelas são mais brilhantes nos comprimentos de onda do Webb; é uma das galáxias mais distantes em que podemos ver estas estrelas com este nível de pormenor. O brilho destas estrelas permite aos astrónomos medir a sua distância - 98 milhões de anos-luz.
Para este estudo, Carleton - que é investigador assistente no Centro Beus para as Fundações Cósmicas na Escola da Terra e da Exploração do Espaço na Universidade do Estado do Arizona - e a sua equipa utilizaram uma vasta gama de dados.
Estes incluem dados do instrumento NIRCam (Near-InfraRed Camera) do JWST; dados espectroscópicos do DOS (DeVeny Optical Spectrograph) do LDT (Lowell Discovery Telescope) em Flagstaff, no estado norte-americano do Arizona; imagens de arquivo dos telescópios espaciais GALEX e Spitzer da NASA; e imagens terrestres do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e do DECaLS (Dark Energy Camera Legacy Survey).
O NIRCam do JWST tem uma resolução angular e sensibilidade muito elevadas, permitindo à equipa identificar estrelas individuais nesta galáxia distante. Tal como células individuais focadas num microscópio, estas observações permitiram focar nos componentes de PEARLSDG.
É importante notar que a identificação de estrelas específicas na imagem forneceu uma pista chave para a sua distância - estas estrelas têm um brilho intrínseco específico, pelo que, ao medir o seu brilho aparente com o Webb, a equipa foi capaz de determinar a sua distância. Estas estrelas são algumas das mais distantes estrelas do seu tipo a serem observadas.
Todos os dados das imagens de arquivo, observados nos comprimentos de onda ultravioleta, ótico e infravermelho, foram reunidos para estudar a cor de PEARLSDG. As estrelas recém-formadas têm uma assinatura de cor específica, pelo que a ausência de tal assinatura foi usada para mostrar que PEARLSDG não estava a formar novas estrelas.
O DOS do LDT espalha a luz dos objetos astronómicos em componentes distintos, permitindo aos astrónomos estudar em pormenor as suas propriedades. Por exemplo, a mudança específica de comprimento de onda, observada nas características dos dados espectroscópicos, codifica informação sobre o movimento de PEARLSDG, usando o mesmo "efeito doppler" que os radares usam para medir a velocidade dos condutores nas estradas.
Isto foi fundamental para mostrar que PEARLSDG não está associada a nenhuma outra galáxia e está verdadeiramente isolada.
Além disso, determinadas características do espetro são sensíveis à presença de estrelas jovens, pelo que a ausência dessas características corroborou ainda mais as medições da ausência de estrelas jovens dos dados de imagem.
"Isto estava absolutamente contra as expetativas das pessoas para uma galáxia anã como esta", disse Carleton.
Esta descoberta altera a compreensão dos astrónomos acerca da forma como as galáxias se formam e evoluem. Sugere a possibilidade de que muitas galáxias isoladas e quiescentes estão à espera de serem identificadas e que o JWST tem as ferramentas para o fazer.
Esta investigação foi apresentada numa conferência de imprensa do 243.º Encontro da Sociedade Astronómica Americana no passado mês de janeiro.
Exoplanetas semelhantes a Neptuno podem ser nublados ou ter céus limpos - novas descobertas sugerem a razão
Impressão de artista do exoplaneta GJ 9827d, o mais pequeno exoplaneta onde, na sua atmosfera, foi detetado vapor de água.
Crédito: NASA/ESA/Leah Hustak (STScI)/Ralf Crawford (STScI)
O estudo de "exoplanetas", o nome que soa a ficção científica dado a todos os planetas no cosmos para lá do nosso próprio Sistema Solar, é um campo relativamente novo. Os investigadores exoplanetários, como os do ExoLab da Universidade do Kansas, utilizam sobretudo dados de telescópios espaciais, como o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial James Webb. Sempre que os cabeçalhos das notícias falam de descobertas de planetas "semelhantes à Terra" ou de planetas com potencial para suportar vida como a conhecemos, estão a referir-se a exoplanetas dentro da nossa própria Via Láctea.
Jonathan Brande, um doutorando no ExoLab da Universidade do Kansas publicou, na revista científica The Astrophysical Journal Letters, resultados que mostram novos pormenores atmosféricos num conjunto de 15 exoplanetas semelhantes a Neptuno. Embora nenhum deles possa sustentar vida, uma melhor compreensão do seu comportamento pode ajudar-nos a perceber porque é que não temos um pequeno Neptuno, enquanto a maioria dos sistemas solares parece ter um planeta desta classe.
"Nos últimos anos, o meu objetivo tem sido estudar as atmosferas dos exoplanetas através de uma técnica conhecida como espetroscopia de transmissão", disse Brande. "Quando um planeta transita, ou seja, se move entre a nossa linha de visão e a estrela que orbita, a luz estelar passa através da atmosfera do planeta, sendo absorvida pelos vários gases presentes. Ao captarmos um espetro da estrela - passando a luz por um instrumento chamado espetrógrafo, semelhante a passá-la por um prisma - observamos um arco-íris, medindo o brilho das diferentes cores constituintes. Áreas variadas de brilho ou diminuição de brilho, no espetro, revelam os gases que absorvem a luz na atmosfera do planeta".
Com esta metodologia, Brande publicou há vários anos um artigo científico sobre o "Neptuno quente" TOI-674 b, onde apresentou observações que indicavam a presença de vapor de água na sua atmosfera. Estas observações faziam parte de um programa mais vasto liderado pelo orientador de Brande, Ian Crossfield, professor associado de física e astronomia na Universidade do Kansas, com o objetivo de observar atmosferas de exoplanetas do tamanho de Neptuno.
Ilustração de TOI-674 b, com uma atmosfera que tem, segundo um estudo recente, vapor de água.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"Queremos compreender o comportamento destes planetas, dado que aqueles ligeiramente maiores que a Terra e mais pequenos que Neptuno são os mais comuns na Galáxia", disse Brande.
Este mais recente artigo científico resume as observações desse programa, incorporando dados de observações adicionais para explicar porque é que alguns planetas parecem nublados enquanto outros têm céus limpos.
"O objetivo é explorar as explicações físicas por detrás dos diferentes aspetos destes planetas", disse Brande.
Brande e os seus coautores tomaram especial atenção às regiões onde os exoplanetas tendem a formar nuvens ou neblinas no alto da sua atmosfera. Quando esses aerossóis atmosféricos estão presentes, o investigador disse que as neblinas podem bloquear a filtragem da luz através da atmosfera.
"Se um planeta tiver uma nuvem mesmo acima da superfície, com centenas de quilómetros de ar limpo por cima, a luz estelar pode facilmente passar através do céu limpo e ser absorvida apenas pelos gases específicos nessa parte da atmosfera", disse Brande. "No entanto, se a nuvem estiver posicionada muito acima, as nuvens são geralmente opacas em todo o espetro eletromagnético. Embora as neblinas tenham características espectrais, para o nosso trabalho, em que nos concentramos numa gama relativamente estreita com o Hubble, também produzem espetros quase planos."
De acordo com Brande, quando estes aerossóis estão presentes no alto da atmosfera, não há um caminho claro para a luz passar.
"Com o Hubble, o único gás a que somos mais sensíveis é o vapor de água", disse. "Se observarmos vapor de água na atmosfera de um planeta, isso é uma boa indicação de que não existem nuvens suficientemente altas para bloquear a sua absorção. Pelo contrário, se o vapor de água não for observado e apenas se observar um espetro plano, apesar de se saber que o planeta deve ter uma atmosfera alargada, isso sugere a presença provável de nuvens ou neblinas a maiores altitudes."
Brande liderou o trabalho de uma equipa internacional de astrónomos, incluindo Crossfield e colaboradores do Instituto Max Planck em Heidelberg, Alemanha, uma coorte liderada por Laura Kreidberg, e investigadores da Universidade do Texas, Austin, liderados por Caroline Morley.
Brande e os seus coautores abordaram a sua análise de forma diferente dos esforços anteriores, concentrando-se na determinação dos parâmetros físicos das atmosferas dos pequenos Neptunos. Em contraste, as análises anteriores envolveram frequentemente a adaptação de um único modelo espectral às observações.
"Normalmente, os investigadores pegam num modelo atmosférico com conteúdo de água pré-computado, escalam-no e deslocam-no para corresponder aos planetas observados na sua amostra", disse Brande. "Esta abordagem indica se o espetro é limpo ou nublado, mas não fornece qualquer informação sobre a quantidade de vapor de água ou sobre a localização das nuvens na atmosfera".
Em vez disso, Brande utilizou uma técnica conhecida como "recuperação atmosférica".
Isto envolveu modelar a atmosfera através de vários parâmetros planetários, tais como a quantidade de vapor de água e a localização das nuvens, iterando ao longo de centenas e milhares de simulações para encontrar a configuração mais adequada", disse. "As nossas recuperações deram-nos o espetro do modelo mais adequado para cada planeta, a partir do qual calculámos o grau de nebulosidade do planeta. Depois, comparámos os graus medidos com um conjunto separado de modelos de Caroline Morley, o que nos permitiu ver que os nossos resultados estão de acordo com as expetativas para planetas semelhantes. Ao examinar o comportamento das nuvens e da neblina, os nossos modelos indicaram que as nuvens se ajustam melhor do que as neblinas. O parâmetro de eficiência de sedimentação, que reflete a compacidade das nuvens, sugeriu que os planetas observados tinham eficiências de sedimentação relativamente baixas, resultando em nuvens fofas. Estas nuvens, constituídas por partículas como gotículas de água, permaneciam suspensas na atmosfera devido à sua baixa tendência de sedimentação."
As descobertas de Brande fornecem conhecimentos sobre o comportamento destas atmosferas planetárias e causaram um "interesse substancial" quando as apresentou num recente encontro da Sociedade Astronómica Americana.
Outras descobertas
Além disso, Brande faz parte de um programa internacional de observação, liderado por Crossfield, que no final do mês de janeiro anunciou a descoberta de vapor de água em GJ 9827d - um planeta tão quente como Vénus, a 97 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Peixes.
As observações, feitas com o Telescópio Espacial Hubble, mostram que o planeta pode ser apenas um exemplo de planetas ricos em água na Via Láctea. As observações foram anunciadas por uma equipa liderada por Pierre-Alexis Roy do iREx (Instituto Trottier para a Investigação sobre Exoplanetas) da Universidade de Montreal.
"Estávamos à procura de vapor de água nas atmosferas de sub-Neptunos", disse Brande. "O artigo de Pierre-Alexis é o mais recente desse esforço principal porque foram necessárias cerca de 10 ou 11 órbitas ou trânsitos planetários para fazer a deteção do vapor de água. O espetro de Pierre-Alexis foi incluído no nosso trabalho como um dos pontos de dados, e incluímos todos os planetas da sua proposta e até outros estudados na literatura, fortalecendo os nossos resultados. Estivemos em estreita comunicação com eles durante a criação de ambos os artigos científicos para garantir que estávamos a utilizar os resultados atualizados adequados e para refletir com precisão as suas descobertas."
Lançamento magnético de jatos do buraco negro em Perseus A(via Sociedade Max Planck)
A colaboração EHT (Event Horizon Telescope), que inclui cientistas do Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bona, Alemanha, resolveu recentemente a base de um jato de plasma em evolução com uma resolução angular elevada. A equipa internacional de cientistas utilizou o telescópio do tamanho da Terra para sondar a estrutura magnética no núcleo da radiogaláxia 3C 84 (Perseus A), um dos buracos negros supermassivos ativos mais próximos na nossa vizinhança cósmica. Estes resultados inéditos fornecem uma nova perspetiva sobre o modo como os jatos são lançados, revelando que, neste braço de ferro cósmico, os campos magnéticos se sobrepõem à gravidade. Ler fonte
Gás em fuga - ALMA deteta a sombra de um fluxo molecular de um quasar quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos (via Observatório ALMA)
Uma equipa de investigadores descobriu a primeira evidência de supressão da formação estelar provocada por um fluxo de gás molecular num quasar no Universo primitivo. As suas descobertas, baseadas em observações efetuadas com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), no Chile, foram publicadas na revista The Astrophysical Journal. Ler fonte
Galáxias brilhantes põem a matéria escura à prova (via UCLA)
Pensa-se que as primeiras galáxias se formaram quando a força gravitacional da matéria escura, que tem sido impossível de estudar diretamente, atraiu lentamente hidrogénio e hélio suficientes para "acender" as estrelas. Mas uma nova investigação liderada por astrofísicos da UCLA mostra que, após o Big Bang, o hidrogénio e o hélio "saltaram" a velocidades supersónicas de aglomerados densos e lentos de matéria escura fria. Quando o gás voltou a cair, milénios mais tarde, formaram-se estrelas de uma só vez, criando pequenas galáxias excecionalmente brilhantes. Se os modelos da matéria escura fria estiverem corretos, o Telescópio Espacial James Webb deverá ser capaz de encontrar manchas de galáxias brilhantes no Universo primitivo, potencialmente oferendo o primeiro teste eficaz às teorias da matéria escura. Caso contrário, os cientistas terão de voltar atrás no seu pensamento. Ler fonte
Álbum de fotografias A Nebulosa do Cone, pelo Hubble
Estão a nascer estrelas no gigantesco pilar de poeira chamado Nebulosa do Cone. Nos berçários estelares abundam cones, pilares e majestosas formas fluidas, onde nuvens natais de gás e poeira são fustigadas por ventos energéticos de estrelas recém-nascidas. A Nebulosa do Cone, um exemplo bem conhecido, situa-se na brilhante região de formação estelar NGC 2264. O Cone foi fotografado com detalhes sem precedentes nesta composição de várias exposições pelo Telescópio Espacial Hubble, em órbita terrestre. Enquanto a Nebulosa do Cone, a cerca de 2500 anos-luz de distância na direção da constelação do Unicórnio, tem cerca de 7 anos-luz de comprimento, a região aqui retratada em torno da cabeça embotada do cone tem apenas 2,5 anos-luz de diâmetro. No nosso quintal estelar, essa distância é pouco mais de metade da distância entre o nosso Sol e as suas vizinhas estelares mais próximas no sistema estelar Alpha Centauri. A estrela massiva NGC 2264 IRS, observada pela câmara infravermelha do Hubble em 1997, é a fonte provável do vento que esculpe a Nebulosa do Cone e encontra-se para lá da parte superior da imagem. O véu avermelhado da Nebulosa do Cone é produzido por poeira e gás hidrogénio incandescente.
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